Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

FÁTIMA: A COMPAIXÃO DIVINA E A PERFÍDIA CONCILIAR no ideário da «Nostra aetate» e outros desvarios

 

 

 

 

 

Arai Daniele

Parece incrível, em toda a história de Fátima é confirmada a contínua compaixão divina pelos homens e a Igreja em perigo, mas pouco ou nada é lembrado sobre esta realidade.

Vamos aqui narra-la, naturalmente em parte, pelo que nos é dado conhecer e distinguindo entre as omissões dos Papas pré-conciliares, da demolição que seguiu.

Na verdade tudo indica que as primeiras causaram a segunda, no descalabro que se fez mais claro em 1960, depois que João 23 censurou Fátima e convocou o Vaticano 2º.

Todavia não há como negar, o Evento de Fátima decorreu e decorre sob um evidente sinal de contradição.

Começamos pelo apelo do Papa Bento XV pela paz, apelo distribuído oficialmente no dia 5 de Maio de 1917 a todos os bispos do mundo, a fim de suplicar nesse momento crucial da história da humanidade, que foi a grande guerra de 1914-1918, o pedido de intervenção de Maria Santíssima pela paz.

Dia 13 de maio – oito dias após – aconteceu a 1a aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria, seguida de outras cinco, para a paz real no mundo.

Os dois acontecimentos principais para os católicos, que continuam condicionando a vida da Cristandade, ocorreram durante o pontificado do papa Bento XV. Foram as extraordinárias aparições em Fátima, dadas para evitar os males de guerras que trouxeram e trazem terror e fome para os povos e ateísmo para as almas devido ao avanço da Revolução comunista. Surpreende, pois, que não conste nos documentos escritos desse Papa nenhuma menção explícita sobre estes eventos, sendo que a Aparição de Fárima aparece como uma clara resposta ao apelo feito pelo próprio Bento XV pela paz no mundo. Este sinal sensível, representando diretamente a vontade de Deus para os homens, tem um valor tão inestimável que a busca da Igreja para certificar sua autenticidade já seria uma graça. Ao contrário, porém, a indiferença até mesmo para iniciar essa busca, já mostrava um declínio da fé na Igreja.

Depois de TREZE anos a Aparição de Fátima foi reconhecida. Mas entretanto a Irmã Lúcia já recebera outras mensagens e promessas, como a dos 5 primeiros sábados em 1925, preparatória da outra em 13 de junho de 1929, uma verdadeira Teofania Trinitária para pedir a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Já se demonstrou que essa data era perfeita histórica e politicamente para que de muitas partes do mundo se acusasse a ilegitimidade e malignidade do governo comunista soviético com toda sorte de medidas para que fosse banido.

Nesse sentido, o Papa Pio XI, mencionado na Mensagem de Fátima, promoveu uma manifestação em Roma no dia 19 de março de 1930, com a participação de diversas autoridades de diferentes nações. Mas, talvez para torná-la mais ecumenista, visto que participavam também muitos não católicos, evitou o recurso ao pedido de Fátima.

Aqui há uma questão que foi posta à Vidente Lúcia: o Papa recebeu tal pedido? Ela confirmou isto algumas vezes, inclusive a mim numa carta. Mas eu perguntava ainda outro pormenor, que poucos lembram. No dia 30 de junho de 1929, portanto 17 dias depois da extraordinária Teofania para transmitir o pedido ao Papa da Consagração da Rússia, por uma extraordinária coincidência, o Núncio em Portugal, tendo participado num Congresso Eucarístico na Espanha, foi visitar a Irmã Lúcia em Tuy.

Note-se, o embaixador apostólico foi, por quem sabe qual inspiração divina, ouvir a Vidente que tinha uma especialíssima mensagem divina para o Papa. Mas o que ficou registrado? Apenas que Lúcia falou ao Núncio Beda Cardinale da devoção dos 5 primeiros sábados, pedida em 1925, mas nada do pedido de dias antes sobre a Consagração da Rússia. Sobre isto a Irmã Lúcia não respondeu. Apenas garantiu que o Papa havia recebido o pedido por outros meios, como consta no livro de W. Thomas Walsh: “Em 1929 escrevi os desejos e pedidos de Nosso Senhor e Nossa Senhora, que são os mesmos, e entreguei-os ao meu confessor, que nesse tempo era o reverendo padre Bernardo Gonçalves S.J., agora Superior da Missão de Zambésia Leifidizi. Sua Rev.ma transmitiu minha carta a Sua Excia. o senhor bispo de Leiria e, logo depois, chegava às mãos de Sua Santidade Pio XI. Não sei a data exata em que Sua Santidade a recebeu, nem o nome da pessoa que a levou. Mas lembro-me muito bem de que meu confessor disse-me que o Santo Padre ouvira bondosamente a mensagem e prometeu tomá-la em consideração” (NSF, 198).

Como se vê a Providência Divina ofereceu as condições para que Pio XI cumprisse o pedido, apesar dos limitados meios humanos para saber como este fora transmitido.

O pedido não foi atendido e seguiram as conseqüências históricas dessa «desatenção». Assim, outro poder apareceu – o nazismo – para enfrentar o comunismo soviético e em 1938 era tarde demais para evitar uma guerra que faria milhões de vítimas e finalmente entregaria o mundo a outro poder, liberal e maçônico, que então parecia o mal menor.

O Papa Pio XII, «Papa de Fátima», tentou fazer a consagração em 1942, mas era tarde. Em todo o caso como Deus não deixa de ouvir nunca um pedido feito pelo Seu Pontífice para o que diminuia o sofrimento dos homens, nessa data (da Consagração) se registrou uma virada na guerra. «Naqueles dias alterava-se o curso da guerra, e um dos livros que dá testemunho disso, Fátima, The Great Sign, de Francis Johnston, cita como referência a obra The Second World War, vol. 4,33, do insuspeito Winston Churchill, que para aqueles dias usava a expressão: the turning of the hinge of fate, sem certamente referir-se à consagração católica feita dia 31 de outubro de 1942, tão radical foi a mudança do curso da guerra. Johnston cita a frase de irmã Lúcia no mês seguinte: “Deus já demonstrou a Sua satisfação por esse ato. Mas, como ele foi incompleto, fica a conversão da Rússia para mais adiante.”

O problema gravíssimo então era a situação interna da Igreja, cada vez mais minada pelos modernistas e mações, tipo Roncalli, Montini e o exército de modenistas que iria abater a autoridade do Papa Católico, como se entendeu depois pela Mensagem de Nossa Senhora e através do Padre Agostino Fuentes, que entrevistou a Irmã Lúcia em dezembro de 1957. Meses depois morria Pio XII deixando a Igreja nas mãos inimigas.

A perfídia conciliar diante de Fátima e da Doutrina Católica

Há anos descreve-se essa perfídia operada de muitos modos.

Quanto à Mensagem de Fátima, sua parte conhecida repetia o ensinamento católico de sempre, que a guerra era o resultado das ofensas a Deus, dos crimes do mundo, dos quais os erros que a Rússia estava para espalhar, o comunismo e o ateísmo, são os termos culminantes. Eram avisos sobre males sociais, políticos e religiosos que o magistério da Igreja sempre denunciara e combatera.

Veremos, porém, que o espírito que guiou João 23 queria que as acusações e condenações passadas fossem aggiornate e mesmo execradas. Isto deu ensejo a que se alcunhasse Fátima de “aparição política”, a fim de neutralizar a sua mensagem.

O eleito de 1958, centenário das aparições de Lourdes, demonstrou preferência por esse evento mariano, que não havia deixado, que se saiba, pendente nenhum grave segredo ou indeclinável pedido, como era o caso de Fátima. Para esta última pareceu-lhe bastante instituir a festa de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que descreveu como “centro das esperanças cristãs”. No que respeita, porém, ao pedido da mensagem e ao seu segredo, deixou cair o silêncio sobre o primeiro e fez arquivar o segundo. E essas ações implicaram, mais tarde, também o arquivamento de qualquer propósito de conversão da Rússia. Aliás, a Santa Sé achou por bem estabelecer com o governo soviético um diálogo e iniciar uma política de compromissos, como sugerido pelo novo cardeal Montini. Tudo mudou em matéria de política, mas também de moral e de doutrina com o Vaticano 2º. Para abreviar a descrição da perfídia deixemos que um dos seus documentos fale por si. Este é um projeto de anulação da única Fé a favor de uma multiplicidade ecumenista, que começou a vigorar nos anos Sessenta e depois com os outros «papas conciliares» foi de vento em popa, até que agora com Bergoglio disparou.

Depois da leitura dessas linhas traidoras em nossos dias quem pode ainda aceitá-los?

DECLARAÇÃO NOSTRA AETATE SOBRE A IGREJA E AS RELIGIÕES NÃO-CRISTÃS

  1. Hoje, que o género humano se torna cada vez mais unido, e aumentam as relações entre os vários povos, a [nova] Igreja considera mais atentamente [iluministicamente] qual a sua relação com as religiões não-cristãs. E, na sua função de fomentar a união e a caridade entre os homens e até entre os povos, considera primeiramente tudo aquilo que os homens têm de comum e os leva à convivência.

Com efeito, os homens constituem todos uma só comunidade; todos têm a mesma origem, pois foi Deus quem fez habitar em toda a terra o inteiro género humano (1); têm também todos um só fim último, Deus, que a todos estende a sua providência, seus testemunhos de bondade e seus desígnios de salvação (2) até que os eleitos se reúnam na cidade santa, iluminada pela glória de Deus e onde todos os povos [religiões] caminharão na sua luz (3). Os homens esperam [justamente] das diversas religiões resposta para os enigmas da condição humana, os quais, hoje como ontem, profundamente preocupam seus corações: que é o homem? qual o sentido e a finalidade da vida? que é o pecado? donde provém o sofrimento, e para que serve? qual o caminho para alcançar a felicidade verdadeira? que é a morte, o juízo e a retribuição depois da morte? finalmente, que mistério último e inefável envolve a nossa existência, do qual vimos e para onde vamos?

Respostas do – Hinduísmo e Budismo 2. Desde os tempos mais remotos até aos nossos dias, encontra-se nos diversos povos certa percepção daquela força oculta presente no curso das coisas e acontecimentos humanos; encontra-se por vezes até o conhecimento da divindade suprema ou mesmo de Deus Pai. Percepção e conhecimento esses que penetram as suas vidas de profundo sentido religioso. Por sua vez, as religiões ligadas ao progresso da cultura, procuram responder às mesmas questões com noções mais apuradas e uma linguagem mais elaborada. Assim, no hinduísmo, os homens perscrutam o mistério divino e exprimem-no com a fecundidade inexaurível dos mitos e os esforços da penetração filosófica, buscando a libertação das angústias [yoga] da nossa condição quer por meio de certas formas de ascetismo, quer por uma profunda meditação [zen], quer, finalmente, pelo refúgio amoroso [Kama sutra] e confiante em Deus. No budismo, segundo as suas várias formas, reconhece-se a radical insuficiência deste mundo mutável, e propõe-se o caminho pelo qual os homens, com espírito devoto e confiante, possam alcançar o estado de libertação perfeita [reencarnação] ou atingir, pelos próprios esforços ou ajudados do alto a suprema iluminação [mantras]. De igual modo, as outras religiões que existem no mundo procuram de vários modos ir ao encontro das inquietações do coração humano, propondo caminhos, isto é, doutrinas e normas de vida e também ritos sagrados. A [nova] Igreja [ecumenista, que se diz] católica nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia, reflectem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens. No entanto, ela anuncia, e tem mesmo obrigação de anunciar incessantemente Cristo, «caminho, verdade e vida» (Jo. 14,6), em quem os homens encontram a plenitude [parcial nas outras] da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo todas as coisas [crenças!] (4). Exorta, por isso, os seus filhos a que, com prudência e caridade, pelo diálogo e colaboração com os sequazes doutras religiões, dando testemunho da vida e fé cristãs, reconheçam, conservem e promovam os bens espirituais e morais e os valores sócio culturais que entre eles se encontram.[Diálogo sim, conversão nunca ]

A religião do Islão 3. A Igreja olha também com estima para os muçulmanos. Adoram eles o Deus Único, [conceito blasfemo em relação à Santíssima Trindade] vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, criador do céu e da terra (5), que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé islâmica de bom grado evoca. Embora sem o reconhecerem como Deus, veneram Jesus como profeta, e honram Maria, sua mãe virginal, à qual por vezes invocam devotamente. Esperam pelo dia do juízo, no qual Deus remunerará todos os homens, uma vez ressuscitados. Têm, por isso, em apreço a vida moral e prestam culto a Deus, sobretudo com a oração, a esmola e o jejum. E se é verdade que, no decurso dos séculos, surgiram entre cristãos e muçulmanos não poucas discórdias e ódios, este sagrado Concílio exorta todos a que, esquecendo o passado, sinceramente se exercitem na compreensão mútua e juntos defendam e promovam a justiça social, os bens morais e a paz e liberdade para todos os homens.

A religião judaica 4. Sondando o mistério da Igreja, este sagrado Concílio recorda o vínculo com que o povo do Novo Testamento está espiritualmente ligado à descendência de Abraão. Com efeito, a Igreja de Cristo reconhece que os primórdios da sua fé e eleição já se encontram, segundo o mistério divino da salvação, nos patriarcas, em Moisés e nos profetas. Professa que todos os cristãos, filhos de Abraão segundo a fé (6), estão incluídos na vocação deste patriarca e que a salvação da Igreja foi misticamente prefigurada no êxodo do povo escolhido da terra da escravidão. A Igreja não pode, por isso, esquecer que foi por meio desse povo, com o qual Deus se dignou, na sua inefável misericórdia, estabelecer a antiga Aliança, que ela recebeu a revelação do Antigo Testamento e se alimenta da raiz da oliveira mansa, na qual foram enxertados os ramos da oliveira brava, os gentios (7). Com efeito, a Igreja acredita que Cristo, nossa paz, reconciliou pela cruz os judeus e os gentios, de ambos fazendo um só, em Si mesmo (8). Também tem sempre diante dos olhos as palavras do Apóstolo Paulo a respeito dos seus compatriotas: «deles é a adopção filial e a glória, a aliança e a legislação, o culto e as promessas; deles os patriarcas, e deles nasceu, segundo a carne, Cristo» (Rom. 9, 4-5), filho da Virgem Maria. Recorda ainda a Igreja que os Apóstolos, fundamentos e colunas da Igreja, nasceram do povo judaico, bem como muitos daqueles primeiros discípulos, que anunciaram ao mundo o Evangelho de Cristo.”

  • Sobre o que segue veja-se «PODE HAVER PERDÃO PARA AS PERFÍDIAS DO VATICANO 2º?» (http://wp.me/pWrdv-1jD). Porque Bergoglio está aplicando em cheio essa doutrina de não conversão. Por isto que fique claro, estes não se comportam apenas como manipuladores de Fátima, mas como autênticos inimigos de todos os homens, no maior desprezo pela infinita Compaixão divina.

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