Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

EMBLEMÁTICA BEATIFICAÇÃO CONCILIAR DE D. ROMERO; QUANDO A DE CAMILO TORRES?

Romero

Arai Daniele

 Vincenzo Paglia, Presidente do Conselho Pontifício para a Família e postulador da Causa de Beatificação de D. Oscar Romero, falou à Rádio Vaticano sobre o decreto promulgado por Bergoglio referente ao «martírio» do arcebispo de El Salvador D. Oscar Romero, assassinado a 24 de março de 1980 enquanto presidia a uma celebração eucarística. E acrescenta: “Existia um clima de perseguição contra um pastor que, seguindo a inspiração evangélica e os documentos do Vaticano II escolheu de viver no meio dos pobres para defendê-los da opressão. Não havia motivos ideológicos. Não havia análises sofisticadas de um pensamento pseudo-marxista ou análogo. Romero foi morto porque tinha escolhido esta perspectiva. Romero era um grande pregador, andava às voltas com um alto-falante sobre o carro e os bolsos cheios de rebuçados. E ia para o meio da gente, como o Padre Rutilio Grande. É esta a Igreja que queriam calar e é por isto que eu sinto dever dizer que Romero é verdadeiramente um mártir da Igreja do Vaticano II. Uma Igreja, como dizia o Papa João, que é mãe de todos mas particularmente dos mais pobres.”

Vejamos agora como era a situação realmente, sobre a qual me ocupei no quinzenal romano Sì sì no no, junto ao Padre Francesco Putti, daquele condenável delito.

Diante das múltiplas injustiças perpetradas em El Salvador naqueles dias, havia crimes da parte da esquerda, que almejava comunizar o País, como iria conseguir, e da direita que resistia sob todas as formas, até democrata-cristã, como foram os governos sucessivos. Do lado da esquerda estavam as iniciativas ativistas de jesuítas tipo o P. Rutílio Grande, e naturalmente os emergentes «teólogos da libertação».

E D. Oscar Romero, desatendendo os avisos do Vaticano de João Paulo 2 para que evitasse pôr fogo nessa fogueira e falasse com o governo, num certo momento aderiu ao lado revolucionário do Jesuíta assassinado, responsável pela promoção das famigeradas «Comunidades Eclesiais de Base», movimento de aspecto camponês, que visava formar ativistas e líderes, chamados «Delegados da Palavra», para enfrentar os fazendeiros e proprietários de terrenos; era o movimento «sem terra» local.

E aqui a história repete o que aconteceu no Brasil, quanto a movimentos também apoiados pela hierarquia modernista, veja-se D. Evaristo Arns e Helder Câmara, para citar só dois nomes veja (cf. http://wp.me/pWrdv-QI). E isto encontrou, não só a oposição de católicos e proprietários, como das Forças armadas, que detectaram o plano de domínio comunista que serpeava atrás disso e foi enfrentado em tempo na «contra-revolução» de 1964.

A questão é conhecida, mas não a ferocidade da luta de país para país, e sabemos que na América Central, mais perto de Cuba, entre El Salvador, Nicaragua e Guatemala a luta foi pesada, porque faltava o elemento de moderação dos ânimos, tentado em São Salvador pelos democrata-cristãos de José Napoleon Duarte, mas falhado. Isto indicava que «democraticamente» havia uma maioria cristã, mais tornada impotente devido a uma obra de neutralização clerical, como ocorreu em tantos países. Leia-se, por exemplo, o caso chileno que levou à posse de Allende, votado só por um terço do eleitorado em «Frei o Kerensky chileno», de Fábio Vidigal Xavier da Silveira.

Então as «Forças populares de libertação «Farabundo Martí» já dispunham de um suficiente poder revolucionário, e eram reconhecidos, mesmo por padres conservadores, como ameaça para a ordem constituída.

Mas e a hierarquia? Ora, Paulo 6 nomeou para lá o «moderado» Oscar Romero, que confessou ao seu futuro secretário, Jesus Delgado: “O clero não gosta de mim”. Tinha, porém o aplauso dos «padres de esquerda», favoráveis a pregar o «evangelho» da revolução armada, tipo a do P. Camilo Torres na Colômbia, que fez «escola», pois foi morto empunhando uma metralhadora.

O nó do problema é que esse movimento para organizar uma esquerda radical no clero da Igreja católica foi logo considerado ameaçador para a ordem constituída, também entre sacerdotes conservadores e o Vaticano conciliar pós Paulo 6, além, é clato,  dos fazendeiros. Mas muitos destes só viam solução numa força armada governamental para opor a infiltração subversiva que cada vez mais assumia a dimensão continental. Na falta dessa, apareceu uma milícia, que financiaram para enfrentar a luta, mesmo contra a lei. Não viam mais solução democrática por meio de débeis governos eleitos, mas sem força.

E o Jesuíta Grande encabeçava o desafio a tais governos que faziam tudo para silenciar sacerdotes estrangeiros que vinham doutrinar para a revolta os padres salvadorenhos, como seja o sacerdote colombiano Mario Bernal, que servia em El Salvador.

Este padre esteve no centro de um estranho episódio de seqüestro em janeiro de 1977, porque parecia ter sido seqüestrado por guerrilheiros, junto a um membro da paróquia, mas se safaram. Como isto levantou suspeitas Bernal foi expulso do País pelo governo.

Dia 13 de fevereiro de 1977, P. Grande pregou um sermão denunciando a expulsão do padre Bernal, dizendo que esse governo teria expulsado até Jesus Cristo acusado de ser “agitador, de forastero judío, que confunde al pueblo con ideas exóticas y foráneas, ideas contra la democracia, esto es, contra las minoría. Ideas contra Dios, porque es un clan de Caínes. Hermanos, no hay duda que lo volverían a crucificar. Y lo han proclamado.

Ora, os vigilantes locais, considerados «esquadrões da morte», eram tão violentos quanto demonstraram ser os «guerrilheiros da libertação», modelo cubano. E assim, no dia 12 de março de 1977, o padre Grande, acompanhado por outras duas pessoas, caiu numa emboscada na estrada na qual morreram os três, metralhados pelas tais «milícias».

Ao tomar conhecimento desse crime, mons. Romero, empossado de recente, foi ao templo onde jaziam os três restos mortais para celebrar a missa e na manhã do outro dia, convocou os seus para decidir que não presenciaria a nenhuma cerimônia oficial com o presidente, ficando suspensas as atividades tradicionais locais, até que fosse investigado tal delito.

No domingo seguinte, para protestar pelos assassinatos de Grande e acompanhantes, Romero cancelou as missas em toda a arquidiocese, substituindo-as por uma única missa na catedral de São Salvador, quando mais de 150 sacerdotes concelebraram e mais de cem mil pessoas assistiram para ouvir o discurso do novo arcebispo Romero que pedia o fim da violência. E tudo permaneceu assim porque não seguiu nenhuma investigação no plano nacional, razão suficiente para que o arcebispo Romero evitasse durante os três anos seguintes todo contato com o governo.

Foi nestas condições que Óscar Romero foi assassinado no dia 24 de março de 1980, quando celebrava a missa na Catedral e o crime foi atribuído, pela comunicação mundial, a um atirador especial do exército salvadorenho treinado na Escola das Américas.

Sua morte provocou uma tal onda de protestos em todo o mundo, que partiram logo iniciativas internacionais para pressionar o governo no sentido de operar reformas urgentes em El Salvador.

Em 2010, a Assembleia Geral da ONU proclamou o dia 24 de março como o Dia Internacional pelo Direito à Verdade acerca das Graves Violações dos Direitos Humanos e à Dignidade das Vítimas em homenagem à atuação de Dom Romero.

Da parte do Vaticano abriu-se o processo de beatificação, que depois de ficar parado devido a diversas dúvidas sobre a causa de um claro odium fidei, agora é promovido.

Permaneceu parado, por anos, devido à análise das homilias e escritos do arcebispo salvadorenho, para verificar a sua ortodoxia. Foi justamente o cardeal colombiano Alfonso López Trujillo, falecido em 2008, conhecedor do problema, a influenciá-lo como consultor do ex-Santo Ofício.

“Naquele momento, chegaram à Congregação para as Causas dos Santos disposições orientadas no sentido do adiamento. Segundo alguns setores, levar Romero à honra dos altares equivalia a beatificar a Teologia da Libertação ou até mesmo os movimentos populares de inspiração marxista e as guerrilhas revolucionárias dos anos 1970. Por isso, de acordo com alguns, as motivações do martírio in odium fidei não podiam ser aplicadas ao seu caso, enquanto haviam servido para levar à honra dos altares, em 2010, Jerky Popieluszko, o sacerdote de 37 anos assassinado em 1984 por um comando dos serviços de segurança da Polônia comunista.”

Agora, porém, mons. Paglia vem de anunciar que há três meses o Vaticano abriu também o processo de canonização para o colaborador de dom Romero: o jesuíta salvadorenho Rutilio Grande, morto em 1977 pela causa da organização da «resistência» dos pobres salvadorenhos, que consta como causa que provocou a conversão na vida de Romero até o «martírio».

É o monsenhor Paglia do Vaticano que o afirma: “É impossível reconhecer Romero sem conhecer Rutilio Grande”. Aliás, isto já era proclamado em Roma pelo famigerado «abade vermelho», Franzoni, afastado de São Paulo fora dos Muros, que testemunhou toda a história num jornal comunista dessa Capital. Ali ele defendeu o decreto de Bergoglio pelo qual Romero foi um mártir – declaração oficial de que o arcebispo foi morto, expressão latina para “por ódio à fé”.dizendo que a forma como o arcebispo foi morto enquanto rezava a missa basta para demonstrar um tal ódio.

“Quiseram matá-lo no altar”, acrescentou Paglia, fazendo referência à morte semelhante de Thomas Becket, arcebispo inglês do século XII. Paglia também chamou Romero um “proto-mártir”, referindo-se aos mártires da igreja cristã dos primeiros séculos.

A este ponto seria impossível esquecer Camilo Torres Restrepo padre colombiano, pioneiro da Teologia de Libertação, co-fundador da primeira Faculdade de Sociologia da Colômbia e membro do grupo guerrilheiro do «Exército de Libertação Nacional» (ELN).

Durante sua vida curta dedicou-se ao diálogo entre o catolicismo e o marxismo, entre 1962 y 1964, tendo em vista a doutrinação dos campesinos que participavam na junta do Instituto Colombiano de Reforma Agrária, que concluía sobre a necessidade de uma mudança social radical na Colômbia, possível só com a luta armada.

“Muitos opinam que sem a morte em combate deCamilo a assimilação do Concíliona América Latina teria sido diferente. Camilo obrigou a Igreja Latina Americana a pôr emprimeiro plano de suas reflexões o problema da injustiça. Constatou-se isso na Conferênciado Episcopado latino-americano reunido em Medellínem 1968.

Camilo Torres apenas remata uma obra ao nível dos bispos conciliares, como se pode saber pelos fatos dessa revolução latino-americana de cunho clerical (cf. http://wp.me/pWrdv-QI).

Então, mais cedo ou mais tarde esse Vaticano conciliar deve lembrar também do «martírio» de Camilo torres, que fez «escola» unindo as armas à liturgia da Igreja.

Podem os padres da libertação colombiana e sul-americana como o p. Mario Bernal e Otilio Grande, não ter aprendido com ele? E se assim é, porque um «mestre» da luta armada sacerdotal, que se sentiu autorizado pelo Vaticano 2 de João 23 e pelos escritos de Paulo 6º, vai ter menos direitos aos altares que seus discípulos.

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