Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

SOLDADOS E EMBOSCADOS NO TERCEIRO SEGREDO DE FÁTIMA

soldados republicanos

Arai Daniele

Já o padre Luigi Villa, de «Chiesa Viva», nos seus últimos anos de vida, quando recebeu minha versão sobre a visão da terceira parte do Segredo de Fátima, publicado no ano 2000, levantou logo a objeção, que outros repetem até hoje: quem eram esses soldados? Preferiu deduzir o «Segredo» do que o cardeal Ottaviani não disse.

Ouve-se sempre uma objeção sobre a terceira parte do Segredo publicado (que considero autêntica e completa): mas se as outras duas partes tratam de questões pelo menos já reconhecidas – o inferno, e eventos reais, como as guerras e os erros da revolução comunista, como aceitar que esta seja sobre eventos virtuais, só mais claros em 1960?

Devo, pois voltar sobre o texto para poder fazer melhor entender sua atinência com a realidade que vivemos. Antes de tudo, em 1917 a Iª Guerra mundial estava em ato, a revolução bolchevista na Rússia estava já às portas e a segunda Guerra resultou do «tratado de paz» da primeira.

Tratava-se de eventos do curso de uma trágica história que nada tinha de simbólico, embora fossem, tanto a segunda Guerra, como os erros espalhados pela Rússia, de efeitos condicionais, evitáveis se a Profecia tivesse sido atendida. Assim também para o evento misterioso da terceira parte do Segredo, porque este poderia ter sido evitado antes, mas não mais na data indicada por Nossa Senhora, 1960, quando já seria «mais claro» porque fato acontecido, em conseqüência dos ministros da Igreja terem desatendido a Profecia dada com o selo divino do grande milagre do sol. E a Igreja e o Papado passaram a sofrer enormemente com uma crise espiritual, tanto mais inaudita quanto ocultada.

Voltemos então à parte da visão de que entendemos tratar aqui: “o Santo Padre… chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições.

Que relação tem o «grupo de soldados» desta descrição simbólica do «massacre» do Papa junto ao rol completo de católicos fiéis, com a paixão da Cidade cristã descrita por Nossa Senhora? Ora, os soldados representam um poder ligado a um governo, que tem uma sua lei, e os Pastorinhos deviam ter presente a visão do que foram os soldados da república maçônica instalada em Portugal desde 1910, dez anos após o massacre do Rei e seu herdeiro.

Soldados assim foram mais tarde a cavalo para dispersar os peregrinos de Fátima. Mas então os tempos eram já outros e estes não contavam com a resistência do povo local, que até desmontou alguns a força, para rechaçá-los.

Nisto já se vê a relação entre a paixão da Igreja e o «espírito» determinado por leis humanas, que são executadas por soldados, como foi com o poder soviético e após nazista, quando até decretaram a morte do Papa.

Tudo isto é parte da história Cristã. Não foi em nome da lei que condenaram à morte Jesus, levado, então pelos soldados da lei ao suplício da cruz?

Vamos, pois, partir da questão dos soldados para chegar aos planos e intenções de seus superiores, causa dos sofrimentos e morte de tantos, lembrando o aspecto dos soldados que os pastorinhos viram na infância deles num Portugal de tempos inquietos, cuja história é bom repassar.

A revolução que contaminou Portugal

Portugal foi preservado dos efeitos da revolução protestante pela sua devota unidade católica regida pelas ordenações tradicionais do Reino que classificavam de crime a heresia, a blasfêmia, a apostasia e o sacrilégio.

A ruptura dessa fidelidade é obra do marques de Pombal. E os governos de 1832 a 1910 tiveram praticamente só primeiros ministros maçons, razão por que Pio IX, dirigindo-se em 1877 a peregrinos portugueses, denunciou: “Tendes um terrível e poderoso inimigo — é a impetuosa maçonaria que quer destruir em vós todos os vestígios do catolicismo.”

No começo deste século este domínio maçônico tornou-se abertamente republicano e anticlerical, suscitando tal subversão que levou ao regicídio de d. Carlos e do príncipe herdeiro, ambos abatidos a bala em plena Lisboa, depois do que se multiplicaram saques, profanações e incêndios de igrejas e edifícios religiosos, além da caça a padres e freiras, acossados como feras.

O governo instituía então a lei de separação da Igreja e do Estado, o divórcio e banindo o ensino religioso. Na “festa da árvore” de 1911, em Lisboa, cândidos escolares marcharam sob o dístico: “Sem Deus nem religião”!

São Pio X publicou nessa ocasião a encíclica Iamdudum in Lusitânia, para prevenir os fiéis contra os perigos que corriam devido ao erro da iníqua lei de separação.

Quatro anos depois da proclamação da República, em 1915, o delírio jacobino e anti-católico na capital era extremo. Só no norte do país não se acompanhava a onda de violência que fez com que a direita republicana desse poderes ditatoriais ao general Pimenta de Castro para restabelecer a ordem. Mas também este governo especial terminou depois de cinco meses num banho de sangue e num caos tão grave que cruzadores ingleses e espanhóis aproximaram-se de Lisboa, prontos a intervir.

Foi então que os católicos portugueses voltaram às preces públicas e às procissões que imploravam à Virgem Maria que salvasse Portugal. Organizou-se em 1916 em todo o país a cruzada do Rosário com a adesão de milhares de famílias nas cidades e aldeias.

Além de provocar uma assombrosa crise interna, a revolução portuguesa, por cumplicidade com as outras, levou o país à Grande Guerra.

Eis qual era a situação às vésperas da aparição de Fátima. Em seguida os governos continuaram a alternar-se, mas pareceu abrandar o ódio jacobino quando Sidônio Pais tornou-se presidente da Junta revolucionária de 1917 e após, em 27 de dezembro, presidente da República. Tratava-se de um militar preparado e firme, que fora professor e embaixador, exercendo o poder com tal decisão, para pôr o país em ordem, que Fernando Pessoa chamou-lhe Presidente-Rei. Havia sido Maçom pouco ativo (Loja Estrela de Alva, de Coimbra), com o nome de irmão Carlyle. Durante a fase inicial do seu governo, contou com o apoio de trabalhadores, e em seguida, alterou a Lei de Separação entre a Igreja e o Estado, suscitando feroz reação dos republicanos e da Maçonaria, mas colhendo o apoio dos católicos, dos republicanos moderados e da população em geral. Nesse sentido foi dito que com sua República Nova foi precursora do governo Salazar. Dai o restabelecimento das relações com a Igreja, cujo Cardeal Patriarca fora expulso do País. Decretou o sufrágio direto e universal para a eleição do Presidente da República, sendo eleito em abril obtendo uma votação sem precedentes. Mas as contestações grevistas e os movimentos conspiratórios voltaram a escalar a violência anterior, razão que levou o Presidente Sidônio a decretar o estado de sítio a 13 de Outubro de 1918. Com aquele ato repressivo os opositores voltaram à carga e em 14 de dezembro de 1918 foi morto a tiro por um militante republicano. Reinstalou-se desde essa hora a grave crise de autoridade que devastava Portugal.

A crise era menor, mas levou oito anos para ser resolvida só em maio de 1926, pondo termo a esse regime anarcoide. A figura de Sidônio Pais ficou como a de um salvador e mártir e em 1966 seu corpo foi para o Panteão Nacional, depois de ter estado na Sala do Capítulo do Mosteiro dos Jerônimos.

O «espírito» que deliberou o abate «legal» da autoridade com tiros e setas

Tudo o que tem acontecido ultimamente, revelando a extensão da maldade humana, é fruto de pensamentos ocultos, atingindo o máximo quando engendrou leis que contaminaram os espíritos. Todo o mal é representado no que há de pior: ir contra a Fé cristã, como ocorre hoje na Europa. Eis a luz sob a qual se pode compreender que o mega evento invisível permite o visível: que o domínio de idéias más diante de Deus causa a degeneração humana, como um «novus ordo» desviado no culto divino, causa a ruína através do «novus ordo» da desordem mundial.

Ora, os dois «novus ordo» aparentemente alheios convergem na fundamental questão da liberdade: religiosa, de consciência e ecumenista, que determina leis dos estados.

O ódio à autoridade no mundo como em Portugal é dirigido afinal contra a Autoridade divina. Como se viu na revolução portuguesa ela matou um rei e um presidente que teriam feito respeitar na Lei natural e divina.

Mas o que viria depois, na visão do «Segredo», mais claro em 1960, seria com a força de emboscados clericais cumplices dos regimens dominantes, que usaram as «setas» das heresias para adaptar a Igreja à nova ordem maçônica mundial?

Vejamos isto quanto à «liberdade religiosa», cavalo de batalha de todos os regimens modernos, do liberal ao comunista. A declaração conciliar «Dignitatis humanae personae» (DH) (7/12/1965), que declarou em nome da própria Igreja o “direito à liberdade religiosa” que “se funda realmente na própria dignidade da pessoa humana, como a palavra revelada de Deus e a própria razão a dão a conhecer” (cfr. João XXIII, Pacem in terris, 11/4/1963). “Este direito da pessoa humana à liberdade religiosa deve ser reconhecido e sancionado como direito civil no ordenamento jurídico da sociedade (DH 6, d). E a «abertura» da Igreja ao mundo moderno ficou assim consumada.

Tratou-se da implícita negação conciliar de direitos e poderes da Verdade e da Igreja, que a representa em matéria religiosa na sociedade civil. Foi a condenação implícita de todos os papas, especialmente dos últimos séculos, que teriam agido ultrajando os direitos naturais da pessoa humana. Era a concepção laicista que negava o direito de Jesus Cristo sobre a sociedade civil, contradizendo o ensino constante da Igreja na doutrina cristã da Redenção.

Enfim, no plano da ordem natural, essa separação na ordem da sociedade civil reverte na negação da Lei revelada, na ruína total dos fundamentos mesmos desta ordem; no atentado mortal à Autoridade da Igreja e do Papa Católico mostrado por Nossa Senhora em Fátima. Era uma visão simbólica? Sim, mas que profetizou uma demolição ocorrida.

O Juiz Carlo Alberto Agnoli (“A Crise da Igreja Moderna, à luz da Fé e do problema da liberdade de religião”, Civiltà, Brescia, 1984) explica muito bem suas conseqüências nas leis:

“Percebendo o terrível perigo inerente ao princípio enunciado, especificamente não poder impedir que alguém aja só de acordo com a sua consciência, um princípio que legitima a prática de qualquer ação monstruosa, os Padres do Concílio Vaticano II se consideraram capazes de eliminar ou pelo menos limitar esse aspecto socialmente subversivo da DH, afirmando que a liberdade de religião está sujeita ao limite da ordem pública. Isto demonstra que para os Padres do Concílio, há uma ordem, fundação de toda a convivência humana e em conformidade com a lei natural, que seria a quintessência da lei natural, da qual o Estado seria o único árbitro e depositário. Essa ordem poderia julgar as religiões, todas as religiões – que tem o direito de existir e se manifestar. Tal estado, acima das religiões é necessariamente leigo e ateu. Ora, com base na experiência histórica destes dois últimos séculos durante os quais se impôs o laicismo, a qual a «ordem pública» se refere o Vaticano II? À do comunismo, da KGB, ou à «ordem» do estado demo-liberal que garante a legalização do aborto, da pornografia e das drogas?”

Existe um direito universal que justifica o estado, ou são os vários estados com seus diferentes governos partidários que podem criar os princípios da justiça? O Estado existe para a justiça ou esta muda de acordo com os partidos e os governos?

O caso extremo a que levam os princípios aqui postos é o da exaltação do Estado como realidade suprema e última. Porque seria este a julgar das exigências da tal «ordem pública», em nome da qual estaria habilitado a regulamentar a liberdade de qualquer religiosidade, sem excluir o satanismo!

Ao lado dessa falsa liberdade, hoje há uma forma de estado confessional que avança assustadoramente no mundo. É o estado islâmico com a sua terrível armada. Abatem regimes antigos como o vento dos furacões, para instaurar destruição e caos. Já na Líbia dizem que Roma é o alvo final. Constituem exércitos potentes e sanguinários sob uma bandeira negra, armados bem ou mal pela alta finança apátride. Enquanto isto os «papas conciliares» se desfazem em encômios à religiosidade muçulmana, segundo a «Nostra aetate» conciliar e beijam o Alcorão; vão rezar nas mesquitas e benzer o «ramadã». Podem não ser estas «setas envenenadas» contra tudo o que vem da Autoridade de Deus Uno e Trino?

Quem pensa ainda que a Profecia de Fátima sobre nações aniquiladas seja uma idéia virtual, é hora que abra os olhos, pois que, se era a identidade cristã a representar a vida de muitas nações e povos, esta vai sendo cancelada, a partir da mesma Roma não mais católica, mas «conciliar»!

Isto acontece porque foram abatidos de fato os seus baluartes de defesa, como representado simbolicamente no «Segredo»: “o Santo Padre… chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições.”  Um processo demolidor iniciado desde a morte de Pio XII, que vai abatendo toda autoridade católica, no Vaticano, nas igrejas, nas cidades nas famílias; Padres e Bispos isolados e expulsos de suas funções e paróquias; Pais e mães impedidos de preservar a Religião que receberam em seus ambientes e em seus lares. A Fé posta em causa nas sociedades outrora cristãs; uma débâcle geral, que porém só alguns ousam testemunhar, porque envolve o poder dos «anticristos no Vaticano», como tardiamente testemunharam os derradeiros bispos sobreviventes.

Que Deus tenha piedade desta geração guiada por apóstatas em vestes pontificais.

 

3 Respostas para “SOLDADOS E EMBOSCADOS NO TERCEIRO SEGREDO DE FÁTIMA

  1. jacob fevereiro 22, 2015 às 10:31 pm

    Que será de nós! Ovelhas sem pastor! Confusas sobre o que acontece, sobre o que fazer a respeito, sobre o que é certo e o que é errado. Os “papas conciliares” são mesmo “papas”? Se sim, como podem ser papas e notórios hereges ao mesmo tempo? Se não, como pode a Igreja Católica, que subsistirá até o fim dos tempos (de fé), interromper irreparavelmente (?) sua linhagem de sucessores de Pedro, não ter um pastor que guie infalivelmente os fiéis? Se estou carente de Deus e vou na chamada “missa nova”, estou-me condenando ao inferno por participar de culto estranho à Igreja de Cristo? Mas se não vou, não estarei também me condenando por não ir à missa, como manda a Igreja? Se vou na “missa antiga” celebrada por um padre do “rito novo”, o sacrifício é, por isso, inválido e estou em erro? E os demais sacramentos? O que é certo, o que é errado? O que pode, o que não pode? Como salvar-se nessa confusão?

    Santíssima Virgem Mãe de Deus, rogai por nós, para que o Senhor nos auxilie a enxergar melhor em meio à fumaça do demônio, e assim possamos fazer a Sua vontade.

    Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

    • Pro Roma Mariana fevereiro 24, 2015 às 3:34 pm

      A linhagem dos papas foi interrompida de facto, isto é, o orgão Cátedra de São Pedro não possui, actualmente, titular. Mas o orgão Vinculado que está, por Direito Divino Sobrenatural, a Nosso Senhor Jesus Cristo, e que constitui o fundamento da unidade e da infalibilidade da Santa Madre Igreja, esse orgão Cátedra de São Pedro é eterno. Constituindo o fundamento da Unidade e Infalibilidade da Santa Madre Igreja, o referido orgão não poderá estar vago durante demasiado tempo, POR ISSO NECESSITAMOS URGENTEMENTE DE UM PAPA.
      Um dito “padre” modernista que celebre a Missa de São Pio V, celebra-a invàlidamente, visto que não possui, nem pode possuir, a intenção formal de fazer o que faz a Santa Madre Igreja; na realidade, o conceito de “igreja” que ele possui é o de uma organização recreativa festivaleira e pândega. Podemos assistir à nova “missa” numa presença puramente civil, como por ocasião de um funeral. Efectivamente, a Santa Madre Igreja sempre autorizou os fiéis a assistirem a cultos heréticos na referida atitude puramente civil. Pode haver casos em que almas ainda de boa fé, por ignorância, assistam sem pecado às cerimónias conciliares. Para nutrirmos a nossa alma com a Verdade e o Bem, devemos assimilar a Doutrina Eterna da Santa Madre Igreja, presente nos catecismos antigos, nas encíclicas dos papas até 1958, nos compêndios de Teologia clássicos, nas vidas dos santos; felizmente, nos sítios “Obras Católicas” e” Bibliotèque Saint Libère”encontram-se verdadeiros tesouros, só acessíveis através da Internet pois que é quase impossível possuí-los em papel.
      Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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