Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

AMOR DE CONCUPISCÊNCIA E AMOR DE CARIDADE

42a49-1  7 de março, São Tomás de Aquino.

Glória da inteira humanidade, pois teve a graça de ser o Doutor que ensinou os termos perenes da relação Fé e razão, para a maior glória de Deus e da doutrina da Igreja de Jesus Cristo; rogai por nós!

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos as seguintes passagens do Livro do Profeta Jeremias:
«É isto o que diz o Senhor Deus: Maldito o homem que confia no homem, apoiando-se num ser carnal, e cujo coração se afasta do Senhor: Será como a urze na charneca e não verá chegar o bem; ao contrário, habitará na terra calcinada do deserto – em terra salgada e inabitável. Bem-Aventurado o homem, que confia no Senhor, e de quem o Senhor é a Esperança: Será como a árvore plantada à beira das águas, que vai embeber as suas raízes na humidade, não receando, por isso, a força do calor; a sua folhagem continuará verdejante, e em tempo de seca não terá míngua; nem jamais deixará de dar fruto.
Perverso e impenetrável é o coração do homem: Quem o poderá conhecer? Eu Sou o Senhor que esquadrinha o coração, e que sonda os afectos: Eu dou a cada um segundo o seu proceder, e segundo o mérito das suas obras; diz o Senhor Omnipotente.» JER 17, 5-10

E da primeira Epístola do Apóstolo São João:
«Não ameis o mundo, nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não há nele o amor do Pai; porque tudo o que há no mundo, é a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, e a soberba de vida; e isto não vem do Pai, mas do mundo. Ora o mundo passa e a sua concupiscência. Mas aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente.     I JO 2,15-17

Assim como o conhecimento se proporciona transcendentalmente à Verdade do Ser, o amor proporciona-se à mesma Bondade do Ser. Na Santíssima Trindade, o Conhecimento Infinitamente fecundo que Deus Pai possui de Si mesmo, é por Si mesmo constitutivo do Verbo de Deus; e o amor consubstancial de Deus por Si mesmo, é constitutivo da Espiração do Espírito Santo. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, na Eterna Intimidade da Sua Infinita Comunhão, constituem, na Sua Unidade de Essência, na Sua Asseidade, na Sua Unidade de Inteligência e de Amor, a  proclamação transcendental e Sobrenatural dos Atributos do Ser. Todavia, nunca confundir Ser com Deus: Ser é um conceito abstracto, que assimilamos e constituímos a partir da análise da diversidade dos entes que de toda a parte nos envolvem; Deus é uma realidade, CONCRETA, PESSOAL, PERFEITAMENTE OBJECTIVA, que conhecemos pela Revelação, mas cuja existência, na Ordem Natural, também podemos concluir a partir da beleza e da ordem do mundo, bem como das nossas próprias perfeições espirituais.
Em Deus, há uma só Inteligência e um só Amor; as Três Pessoas não significam de modo algum três inteligências e três vontades. O fundamento último do Mistério da Santíssima Trindade reside precisamente na fecundidade Infinita com que a Natureza Divina Se possui a Si mesma, Substancialmente, Eternamente, Imutàvelmente.
Assim como, pela inteligência, as formas espirituais, Anjos e Homens, assimilam, acidental, ontològica e transcendentalmente, formas alheias, pronunciando e enunciando a sua existência objectiva, isto é, existência com acto metafísico próprio, independente do sujeito que conhece, bem como do acto, medisnte  o qual, tais formas são conhecidas; assim também, pelo amor, se processa uma união gratificante entre essas diversas formas espirituais, pois que todas procedem do mesmo e único Criador, O Qual constitui o fundamento absoluto desses actos de inteligência e vontade.
Neste quadro conceptual, numa linha perfeitamente objectiva, todo o amor entre as criaturas espirituais deveria ser de Caridade; pois sòmente o amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas transfiguraria o amor mútuo das criaturas, na exacta medida em que a Trindade Santíssima constitui a Causa Exemplar, a Causa Eficiente, a Causa Instrumental, e a Causa Final de toda a Caridade, e portanto de toda a Santidade.
Efectivamente, o amor Sobrenatural que une os membros do Corpo Místico à sua Divina Cabeça, constituindo uma participação na Natureza Divina, tem necessàriamente que ser o mesmo amor que une os membros entre si, pois todos foram criados e redimidos por Deus Nosso Senhor, reflectindo cada membro, através da Graça Santificante, não só a Imagem de Deus, no sentido de perfeição espiritual, mas a própria semelhança acidental com a própria natureza Divina, pela participação na Intimidade da Vida Trinitária.
Desgraçadamente, na grande maioria dos casos, o tipo de amor que encontramos entre os homens, É O AMOR DE CONCUPISCÊNCIA, MUITAS VEZES ATÉ ESTRITAMENTE CARNAL; POUCAS VEZES UM AMOR DE AMIZADE, MESMO PURAMENTE NATURAL.
O amor de concupiscência vê no próximo sòmente a satisfação egoísta dos próprios desejos materiais; os jovens, muitas vezes, nutrem amor de concupiscência pelos seus pais, porque são eles que lhes sustentam os vícios, e muitas vezes assim procedem só para prenderem os filhos com essa falsíssima forma de amor.
Os maus católicos, que são, e sempre foram, a grande maioria, dizem só amar a Deus enquanto julgam que Ele lhes concede uma vida boa; mas logo que surge uma dificuldade, imediatamente colocam Deus de parte – e tentam a bruxa!
O amor de amizade natural consubstancia um altruísmo recíproco, com verdadeira oblatividade pessoal, mas natural, portanto sem possuir carácter salvífico, nem integrar formalmente no Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Nosso Senhor, enquanto Homem, mesmo na Sua vida mortal, amou todos os homens, exactamente como Verbo de Deus feito Homem, portanto com um especialíssimo Amor de Caridade, Amor de Criador e Amor de Redentor, o qual, embora fìsicamente fosse finito, na sua intrínseca qualidade Sobrenatural era Infinito, pois correspondia ao Amor do próprio Deus feito Homem. Só os condenados, enquanto tais, estão definitivamente excluídos da esfera de todo o amor, humano e Divino.
Verdadeiramente, AMAR É QUERER O BEM DE ALGUÉM, E ESSE BEM, EM ÚLTIMA INSTÂNCIA, É NECESSÀRIAMENTE, O BEM SOBRENATURAL. Quem não procura o Bem do amado, mas sòmente a sua própria conveniência – NA REALIDADE NÃO AMA, USA.
Teològicamente, amar não é gostar; devemos amar objectiva e universalmente (exceto os condenados), mas não podemos gostar de toda a gente, porque esta última formalidade depende de determinadas sintonias caracteriológicas e existenciais, que neste pobre mundo condicionam fortemente as relações humanas, sempre e fundamentalmente, como consequência do pecado original.
Assim como amar é querer o Bem do nosso próximo, odiar é querer o mal; consequentemente, teològicamente, só podemos odiar os condenados ao Inferno, pois o mal que lhes desejamos, pela sua maldade operativa, É O BEM DA GLÓRIA EXTRÍNSECA DE DEUS, EXIGIDO PELA DIGNIDADE ONTOLÓGICA DOS CONDENADOS.
Querer, verdadeiramente, o Bem do nosso próximo, é sujeitar essa volição aos desígnios Eternos de Deus Nosso Senhor, é submetê-la às Leis da Divina Providência; o QUE PODE EXIGIR, E MUITAS VEZES EXIGE O PRÓPRIO CASTIGO DESSE PRÓXIMO.  A Glória extrínseca de Deus e a Salvação das almas, constituem os Fins Supremos da Criação; logo o Bem, qualquer bem, das criaturas, tem necessàriamente de ser constitutivo, directa ou indirectamente, desses Fins.
A imensa maioria da Humanidade sempre foi completamente cega para os Bens Sobrenaturais, logo desconhece o verdadeiro amor, embora fale muito dele. O mundo rejeita a teologia do amor, porque escorraçou Deus Nosso Senhor do seu seio; particularizou, finitizou e instrumentalizou o amor como mera mercadoria, totalmente comensurável com o fluxo caótico de representações e sentimentos puramente terrenos e humanos, desprovidos como são de qualquer fundamento, ou de qualquer finalidade, transcendente e objectiva.
Se existe uma palavra e um conceito TOTALMENTE prostituído pela seita conciliar, é com certeza a palavra “amor”; rebaixada que foi, a partir da sua nobilitante matriz teológica e filosófica, para ser amalgamada brutalmente na sentina relativista e sentimentalista da seita anti-Cristo. Para a monstruosa seita emergente do Vaticano 2, o “amor” é concebido como emanação panteísta vital, mediante a qual um “deus” ainda não realizado, ainda não explicitado, se redescobre na humanidade divinizada, ela própria em evolução cultural e vital, até atingir o denominado “ponto omega” onde finalmente “deus” terá, no pleno desenvolvimento humano, atingido a sua máxima explicitação, coincidindo assim a plena “encarnação cristificação” com a suprema divinização humana. Consequentemente, infere-se permanentemente nos textos da seita anti-Cristo, o conceito monstruoso de “busca da verdade” através do homem, no homem, e pelo homem. Tudo isto representa uma síntese das aberrações filosóficas e teológicas de cinco séculos de amaríssima decadência do Género Humano.
Como nos podemos então surpreender, que esta seita – amaldiçoada pelo Céu, amaldiçoada por Deus Nosso Senhor, com todos os Seus Anjos e Santos, como jamais outra instituição foi amaldiçoada –  proponha oficialmente “modelos alternativos de família”? Evidentemente, que o demoníaco e falso princípio da “busca individual da verdade” é perfeitamente homogéneo e complementar do letal princípio social e político da “liberdade religiosa” – EXIGEM-SE E REFORÇAM-SE MÙTUAMENTE.
Fomos criados para Deus e por Deus, fomos redimidos por Deus feito Homem, mas já neste vale de lágrimas podemos e devemos iniciar o nosso Céu; porque a nossa felicidade (ainda que no meio das maiores cruzes terrenas) Sobrenatural, neste nosso exílio, possui exactamente a mesma natureza da felicidade beatífica: A consagração Divina da Inteligência pela Verdade Infinita; e a consagração Divina da vontade pelo Bem absoluto. Neste mundo, na virtude teologal da Fé, existe ainda uma sombra, um claro-escuro, uma cortina, inerente ao peso do pecado original, que de alguma maneira constitui um véu que parcialmente oculta, mas não elimina, a presença adorável do nosso Criador, Redentor e Senhor. Pois que a própria Caridade, enquanto amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo por amor de Deus, tende intrìnsecamente a transformar essa sombra na inteligência em Luz, Luz Eterna e Imutável; em virtude da misteriosa unidade transcendental da inteligência e da vontade na essência da alma. Por isso, como afirma São Paulo, a Fé cessará, porém a Caridade nunca acabará, nunca pode acabar, porque é Ela, que em conjugação com os Dons do Espírito Santo, nos inflama maravilhosamente a alma com Aquelas Riquezas inefáveis, Aqueles Tesouros Incriados, pelos quais, objectivamente, vale a pena sofrer todas as misérias e humilhações deste desgraçado mundo.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 2 de Março de 2015

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