Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O ESPÍRITO MISSIONÁRIO E A SALVAÇÃO DAS ALMAS

benedito-calixto-anchieta

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Bento XV, em excertos da encíclica “Maximum Illud”, promulgada em 30 de Novembro de 1919:
«Antes de tudo, dirigimos a palavra aos que, na qualidade de bispos, ou então na de vigários e prefeitos apostólicos, presidem às sagradas Missões; deles afinal depende a propagação da Fé, neles a Igreja deposita a esperança da sua maior expansão. Não ignoramos quanto seja vivo neles o espírito do Apostolado. Estamos cientes das imensas dificuldades que eles tiveram de superar, e as árduas provas pelas quais passaram, especialmente nestes últimos anos, não apenas para não perder as posições já conquistadas, mas também para dilatar sempre mais o Reino de Deus. Todavia, sabendo da sua união, e filial piedade para com esta Sé Apostólica, abrimos a eles com plena confiança o nosso coração, como faria um pai com os seus filhos. Pensem portanto, antes de tudo, que eles devem ser a alma da vossa missão. Por isso sejam, especialmente com o vosso zelo, de exemplar edificação aos vossos sacerdotes e cooperadores, exortando-os e encorajando-os sempre a maior bem. Pois todos os que, de algum modo, trabalham nesta vinha do Senhor devem compreender, experimentar e sentir, que têm no superior um verdadeiro pai vigilante, diligente, repleto de cuidado e caridade, que abraça afectuosamente a todos, condividindo com eles alegrias e dores, que apoia e promove as boas iniciativas, que, numa palavra, considera como coisa sua tudo o que a eles diz respeito. A sorte de uma Missão depende do modo como ela é dirigida. Por isso, pode resultar danosa a incapacidade de quem a governa. Afinal, quem se consagra ao apostolado das missões, abandona a Pátria, a família, os parentes; aventura-se frequentemente numa longa e perigosa viagem, disposto e pronto a tolerar qualquer fadiga, contanto que ganhe muitas almas para Jesus Cristo.(…)   
Todavia, antes de tudo, para aquele que assume este apostolado é indispensável, como dissemos, a santidade de vida. Afinal, é necessário que quem anuncia Deus, SEJA HOMEM DE DEUS, e quem ensina a odiar o pecado, ODEIE O PECADO. Especialmente entre os infiéis, que são guiados mais pelo instinto do que pela razão, o exemplo é mais útil do que as palavras. Seja também o missionário dotado dos mais belos valores da mente e do coração, repleto de Doutrina e cultura. Se essas qaualidades não forem conjugadas com vida pura e santa, bem pouca ou nenhuma eficácia terão para a salvação dos povos; antes, na maior parte das vezes, serão danosas, a ele próprio, e aos outros.(…)
Pensai que o encargo a vós confiado é Divino, e que está muito acima dos pequenos interesses humanos; porque vós levais a luz a quem jaz nas sombras da morte, ENCAMINHAIS PARA O CÉU A QUEM CORRE PARA A RUÍNA ETERNA. Considerando, portanto, que a cada um de vós foi dito pelo Senhor: “Esquece o teu povo e a casa do teu pai”(Sl 44,11), recordai QUE NÃO DEVEIS PROPAGAR O REINO DOS HOMENS, MAS O REINO DE JESUS CRISTO, NÃO CONGREGANDO CIDADÃOS À PÁTRIA TERRENA, MAS À CELESTE. DAÍ SE COMPREENDE QUANTO SERIA DEPLORÁVEL SE EXISTISSEM MISSIONÁRIOS QUE, ESQUECIDOS DA PRÓPRIA DIGNIDADE,PENSASSEM MAIS NA PÁTRIA TERRESTRE DO QUE NA SUPREMA, E ESTIVESSEM PREOCUPADOS EM DILATAR A INFLUÊNCIA, E DE VER SEMPRE E  EM TUDO, CELEBRADO O SEU NOME E A SUA GLÓRIA. Essa seria UMA DAS MAIS TRISTES CHAGAS DO APOSTOLADO, QUE PARALISARIA NO MISSIONÁRIO O ZELO PELAS ALMAS E RETIRARIA TODA A SUA AUTORIDADE JUNTO DOS INDÍGENAS. Afinal, também os selvagens e os bárbaros entendem muito bem o que quer e busca o missionário, e conhecem por meio da intuição se ele tem outros objectivos além do seu Bem Espiritual.»

Os objectivos supremos da Santa Madre Igreja são, constitutivamente, a Glória extrínseca de Deus e a salvação das almas; se acaso forem outros, já se não trata da Santa Madre Igreja, mas de outra instituição que lhe é estranha. Mesmo o Estado, verdadeiramente, e não nominalmente, Católico, tem que possuir esses mesmos objectivos, com a notável diferença que a Santa Madre Igreja os possui, como se referiu, CONSTITUTIVAMENTE, ao passo que o Estado Católico os recebe da Santa Igreja, tal como recebe, ordinàriamente, o poder temporal, cuja força coactiva deverá providenciar plena cobertura ao Dogma e à Moral Católica. E a razão profunda para esta realidade, é que QUEM PODE, POR DIREITO PRÓPRIO, O SOBRENATURAL, PODE TAMBÉM O NATURAL, SEMPRE EM ORDEM AO SOBRENATURAL. Ao contrário do que afirmaram Francisco Suarez (1548-1617) e Francisco de Vitória (1492-1546), em virtude da elevação à Ordem Sobrenatural, a legítima autonomia da Ordem Natural SUBORDINA-SE ESSENCIALMENTE À ORDEM SOBRENATURAL. Vitória afirmava, quase herèticamente, que as civilizações pré-colombianas conservavam toda a sua independência política face ao Império Espanhol, o qual lhes não poderia impor a Fé Católica, em Nome da Santa Igreja. Não se nega que esses povos possuíssem uma determinada independência política, ATÉ À CHEGADA DOS CRISTÃOS, simplesmente, essa independência, na Ordem Natural, tinha necessàriamente que recuar perante a Ordem Sobrenatural encarnada pelos missionários cristãos apoiados no braço secular do Império Espanhol.
A obra de Vitória foi condenada pelo Papa Sisto V (1585-1590), e estava prestes a ser incluída no Index, quando este Pontífice faleceu; o seu sucessor, Urbano VII, acedeu aos pedidos de Filipe II, retirando a condenação. Seja como for, a doutrina de Vitória, para o qual o poder temporal do Papa seria sòmente extrínseco e acidental, opõe-se frontalmente à definição da Bula “Unam Sanctam” (1302) do Papa Bonifácio VIII, onde é solenemente afirmado que a Santa Igreja possui, por Direito Divino, dois gládios – o temporal e o espiritual – confiando a Santa Igreja, ordinàriamente, o primeiro, à autonomia legítima do Príncipe temporal, que o deverá utilizar, essencialmente, para o Bem da Santa Madre Igreja.
Os referidos objectivos supremos da Santa Igreja – a Glória extrínseca de Deus, e a salvação das almas – FORAM RENEGADOS PELO CONCÍLIO VATICANO 2; MAS NÃO FOI A SANTA IGREJA QUE OS RENEGOU, FOI A MAÇONARIA INTERNACIONAL DISFARÇADA DE IGREJA.
Qualquer modalidade de modernismo nega necessàriamente a Deus, como realidade transcendente, objectiva e Pessoal; consequentemente dilui o conceito de salvação da alma num sentimentalismo cego, fácil, e completamente estéril.
Já Teilhard de Chardin (1881-1955), coveiro qualificado da Fé Católica, havia propugnado a dicotomia – o “deus” para a frente e o Deus para cima – sendo o segundo a concepção tradicional, e o primeiro o “deus” que se faz, que se realiza, no incessante progresso vital e cultural da humanidade, o “deus” do futuro, no qual Teilhard, diabòlicamente, pretendia projectar a Santa Igreja.
Ao liquidar o conceito de salvação das almas, evidentemente que todo o espírito missionário, não só se revelava inútil, como também absurdo. As próprias declarações conciliares em favor  das ditas religiões não-cristãs; o apelo criminoso à liberdade religiosa, sem qualquer salvaguarda, sem qualquer referência formal, mesmo teórica, mesmo puramente cultural, ao conceito filosófico e teológico de Verdade Objectiva, Eterna e Imutável; a recusa formal da condenação do cumunismo; tudo concorria para os missionários apostatarem, e abandonarem as almas que lhes estavam confiadas, ou então entregarem-se a uma actividade social puramente naturalista, educacional e assistencial, como acontece presentemente na totalidade dos casos.
A Santa Madre Igreja sempre afirmou, que embora seja possível a salvação sem o conhecimento ACTUAL de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Sua Igreja, TAL É MUITO DIFÍCIL. Efectivamente, se durante tantos séculos, a grande massa das almas, embora baptizadas, embora sujeitas ao Magistério da Santa Mãe Igreja, nominal e socialmente praticantes, em plena luz da Verdade Católica, mesmo assim pensavam e viviam como pagãos – QUE DIZER DE POVOS INTEIRAMENTE PRIVADOS DO LUME CRISTÃO E SUBMETIDOS ÀS MAIS IMPLACÁVEIS SUPERSTIÇÕES? As falsas religiões, não apenas não constituem elementos salvíficos, como se erguem como OBSTÁCULOS POSITIVOS à Graça e à Salvação. Uma alma, excepcionalmente, pode salvar-se, vivendo MATERIALMENTE numa falsa religião, mas essa vivência constituirá sempre uma força que a impele para o Inferno, e que essa alma deve anular, FORMALMENTE, com a Graça Divina e com as Virtudes Teologais e Morais Sobrenaturais e com os Dons do Espírito Santo, que lhe conferem um conhecimento Habitual, VIRTUAL MAS FORMAL, de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Sua Igreja – NA REALIDADE SÃO FORMALMENTE CATÓLICOS, EMBORA PRIVADOS DO CARÁCTER BAPTISMAL. Todavia, insiste-se, tais casos são excepcionais.
O Papa Bento XV, na encíclica acima referida, condena expressamente os Estados Modernos, democráticos ou não, que utilizam e promovem as missões, fundamentalmente, como instrumento nacionalizador; que também são, sem dúvida, mas são infinitamente mais do que isso, tanto quanto a Pátria Eterna supera infinitamente a Pátria terrena.
Exemplo qualificado do que se afirma, é o Estado Novo Português, que na Metrópole utilizava e arregimentava a religião católica como meio de coesão político-social, e no Ultramar servia-se das Missões como instrumento nacionalizador, mas sem excluir, bem pelo contrário, a utilização do Islão como elemento análogo de coesão político-social. Em 1910, o regime republicano instituiu as denominadas “Missões laicas” com finalidade civilizadora e nacionalizadora; mas depressa descobriu que só o amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus, pode conduzir os homens a sacrificarem-se em terras insalubérrimas e inóspitas – e as ditas “missões laicas” foram progressivamente abandonadas. A grande hipocrisia do defunto Estado Novo, residia precisamente em subsidiar com salário e direito à reforma os membros das corporações missionárias ultramarinas, enquanto sonegava tais benefícios ao clero metropolitano; acaso não se tratava da mesma sacrossanta Religião Católica? A diferença era o elemento nacionalizador, O ÚNICO QUE INTERESSAVA AO ESTADO NOVO, DE CUJA IMPIEDADE AINDA HOJE SOFREMOS, E DE QUE MANEIRA, AS CONSEQUÊNCIAS.
Quase todos os soberanos católicos, antes e depois da revolução de 1789, sucumbiram à tentação da utilização da religião católica, para objectivos primordialmente políticos.
Insiste-se, esses fins de coesão política e social são legítimos, desde que essencialmente subordinados aos fins religiosos – A GLÓRIA DE DEUS, E A SALVAÇÃO DAS ALMAS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 15 de Março de 2015

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: