Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O INTEGRISMO CATÓLICO CONSTITUI UMA REALIDADE TOTALMENTE OPOSTA AO FANATISMO

Santo Estevão vítima dos fanáticosSanto Estevão vítima dos fanáticos de então

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Apóstolo São Lucas no Livro dos Actos dos Apóstolos:
«Naqueles dias, Estevão, cheio de Graça e de Fortaleza, fazia grandes prodígios e milagres entre o povo. Todavia, certos membros da Sinagoga, da que se chamava dos libertos, da dos Cireneus e Alexandrinos, e muitos dos que eram da Cilícia e da Ásia, levantaram-se disputando com Estevão; não conseguiram, porém, resistir à sabedoria e ao espírito que falava por sua boca. Contudo, ao ouvi-lo, enraiveciam-se nos seus corações, e rangiam os dentes contra ele. Estevão, porém, todo cheio do Espírito Santo, levantando os olhos ao Céu, viu a Glória de Deus, e Jesus, de pé, à direita de Deus; e disse: Eis que vejo os Céus abertos, e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus! Eles, então, rompendo em altos gritos, taparam os ouvidos, e lançaram-se, todos juntos, contra ele! Arrastaram-no para fora da cidade, e começaram a apedrejá-lo. Ora, as testemunhas depuseram as suas vestes ao pé de um mancebo, que se chamava Saulo. Estevão, enquanto o lapidavam, orava e dizia: Senhor Jesus, recebei o meu espírito! Depois, pondo-se de joelhos, exclamou em voz forte, dizendo: Senhor, não lhes imputeis este pecado. Depois de dizer estas palavras – adormeceu no Senhor.» Act 6, 8-10  7, 54-60

O mundo – inimigo da alma, inimigo de Deus, inimigo de tudo aquilo que tenha de alguma maneira a ver com a vida Sobrenatural – com enorme frequência, acusa os fiéis verdadeiramente católicos de fanatismo, sem contudo definir as suas asserções. Aliás, vivemos numa civilização que nunca define, nem aprofunda, aquilo que afirma. A definição constitui uma análise da compreensão, uma clarificação da ideia, uma luz de rigor para a inteligência.
Santo Agostinho dizia que só não sabia o que era o tempo quando lho perguntavam. Efectivamente, o espírito filosófico opõe-se ao espírito comum, precisamente nisto: Na análise aprofundada, formal, explicitante, dos conceitos e das realidades. O homem comum contenta-se com estímulos psíquicos básicos, que não dirime, nem procura explicitar em toda a sua riqueza racional e espiritual; em linguagem tomista, dir-se-ia que o homem comum se contenta com o sensível segundo, elaborado pela cogitativs, difícilmente alcançando o conceito.  A definição da noção de tempo ocuparia vários volumes; e o próprio Santo Agostinho, nas suas “Confissões” produziu belas páginas sobre o assunto. Houve quem definisse o filosofar como a inversão do rumo normal da inteligência (Bergson); e na realidade, em consequência do pecado original, o rumo normal da inteligência é o da superficialidade, da displicência, da falta de rigor, das noções confusas e inconsequentes. Por isso mesmo, o termo fanatismo também não é definido. Todavia, o fanático é aquele criminoso de delito comum, que por ressentimentos pessoais procura vingar a sua sorte, extraindo um prazer diabólico do sofrimento e da morte que causa aos outros, APARENTANDO GROTESCAMENTE FAZÊ-LO POR MOTIVOS NOBRES. Exemplo acabado de fanáticos, são os jovens ocidentais que se oferecem como voluntários para o chamado “estado islâmico” o qual, em si mesmo, é um movimento de criminosos e assassinos de delito comum, FAZENDO MAL, COM GROSSEIRAS APARÊNCIAS DE VIRTUDE RELIGIOSA. É certo que o Islão, sendo uma criação histórica de satanás, possui elevadíssima propensão para o crime, sobretudo para o homicídio e a violação, pelo que possui toda a lógica, que uma legião de assassinos se apresente com cores Islâmicas.
Os nacionalistas racistas são em geral também fanáticos; tal é perfeitamente visível em franjas do Partido Republicano Americano. Os comunistas, e sobretudo os nazistas, atraíram igualmente muitos fanáticos para as suas hostes. E os católicos? Desgraçadamente, não estão imunes a esse flagelo que provém directamente do pecado original. Um fanático em sentido mais estrito, NÃO É VERDADEIRAMENTE CATÓLICO, NEM DE FÉ INFORME, PORQUE SEGUNDO A DEFINIÇÃO, O FANÁTICO SIMULA VINCULAÇÃO A UMA OBJECTIVIDADE TRANSCENDENTE PARA JUSTIFICAR OS SEUS CRIMES COMUNS. O sacerdote da Fraternidade São Pio X que tentou matar Karol Wojtyla em 13 de Maio de 1982, em Fátima, era um fanático, como o seu percurso ulterior bem demonstrou; e não foi caso único.
Uma das características que permitem reconhecer o fanático, é precisamente a DUREZA PESSOAL, desordenadamente impositiva do próprio ego, do próprio orgulho.
A definição de integrismo é totalmente outra: É a própria existência concebida como sujeição rigorosa a uma Verdade que objectivamente a transcende, explica e ilumina. É esta definição que constitui os mártires e os confessores, que são as obras primas da Graça Divina. Efectivamente, os santos não são homens diminuídos, muito pelo contrário, são eles os verdadeiros homens e as verdadeiras mulheres, mesmo na Ordem Natural, pois possuíram simultâneamente, a humildade e a grandeza, de se certificarem como entes contingentes, elevados à Ordem Sobrenatural, estritamente obrigados a prestar ao seu Criador o testemunho da Fé, da Esperança, e da Caridade; todavia, esse mesmo testemunho, não tem fundamento, Teológico e Metafísico, último neles mesmos – mas sòmente em Deus Uno e Trino.
A diferença entre o fanático e o verdadeiro católico é assim como que infinita; o primeiro eudeusa-se a si mesmo, escravizando tudo o resto; o segundo adora o seu Criador, escravizando-se, se for necessário, a si mesmo.
O fanático muda muito fàcilmente de fanatismo, o que se compreende perfeitamente, se pensarmos que o desejo satânico de fazer mal, de assassinar, se pode mimetizar da representação momentâneamente considerada mais socialmente adequada e eficaz. Mas o verdadeiro católico prossegue, tenazmente, inabalàvelmente o seu caminho, que é o de Deus Nosso Senhor, sempre com a Sua Graça, pois para ele – OS OBSTÁCULOS SÃO ESTÍMULOS; e QUANTO MAIS PARTICIPA DA NATUREZA DIVINA, POR GRANDES QUE SEJAM OS SOFRIMENTOS, MAIS SIMPLES, UNO, E FÁCIL, SE VOLVE ESSE CAMINHO.
Na acção fanática, a causa eficiente, a causa exemplar e a causa final, é sempre o demónio, ENQUANTO ESCRAVIZA A NOSSA ALMA; conquanto o mal em si mesmo, como privação qualificada de ser, não possua, nem possa possuir, causa eficiente, causa exemplar, ou causa final. O que se pretende explicitar é que os nossos pensamentos, as nossas acções, as nossas intenções, necessáriamente, ontològicamente, prosseguem sempre um determinado bem, mas que enquanto NÃO HIERARQUIZADO, NEM OBJECTIVADO, PELA LEI ETERNA, RESULTA EM MAL, EM PRIVAÇÃO DE SER; ORA ESSES FALSOS BENS SÃO-NOS INSUFLADOS PELO DEMÓNIO. Mas para o fiel temente a Deus Nosso Senhor, Este permanece a única causa eficiente, exemplar, instrumental, formal e final, da nossa operação em ordem à Salvação. Pois que a Regra que mede a contingência é Incriada, por necessidade Metafísica. A Verdade Moral que deve regular a operação dos  Anjos e dos Homens, conduzindo-os à Santidade, não pode ser menos do que a própria Santidade Divina.
O ressentimento do fanático é cego, estéril, e puramente subjectivo, conquanto o dito fanático possa ter sido alvo de uma verdadeira injustiça; todavia, à Luz de Deus, a injustiça só pode ser escarmentada com a Justiça Sobrenatural, logo, medida objectivamente pela própria razão Divina, enquanto participada pela Fé Teologal, formada pela Graça Santificante e pela Caridade.
O fanatismo distorce a faculdade intelectual, conduzindo-a a contínuos juízos temerários, ou pelo menos, a uma pobreza racional confrangedora. O anti-sedevacantismo demonstra por vezes certos aspectos de fanatismo, daí o carácter intelectualmente paupérrimo  de muitos dos seus argumentos.
O fanático não possui, nem pode possuir, nenhuma verdadeira virtude moral, natural ou Sobrenatural; e a razão profunda filia-se no sentido ontológico da operação virtuosa. Nenhuma acção moralmente má pode envolver, ou de qualquer modo incorporar, um hábito ou acto virtuoso, natural ou Sobrenatural; todavia uma acção naturalmente boa pode envolver hábitos virtuosos integrantes da ordem natural. Inversamente, o bom e verdadeiro católico, possuidor da Graça Santificante e da Caridade, possui necessàriamente todas as virtudes morais Sobrenaturais, porque tais virtudes possuem uma intercomensurabilidade estrita, exigindo-se umas às outras, conglobando a face eperativa da Caridade perfeita, participação na Caridade Divina.
O fanático não possui, nem pode possuir, qualquer espécie de unidade, quer no pensamento, quer na operação. Efectivamente, quanto mais longe uma alma está de Deus, mais caótico é todo o seu ser; a seita conciliar, a qual, como se referiu, possui certos traços fisionómicos de fanatismo, ostenta em toda a sua realidade, a mais horrível expressão do caos.
O integrismo constitui, antes de tudo o mais, uma característica temperamental, moralmente imputável, como cúpula formalizante da personalidade – SIM, SIM – NÃO, NÃO. Para a alma integrista não pode existir mais do que uma verdade. Consequentemente, é possível que o integrismo natural da personalidade constitua condição extrínseca providencial da Graça de Deus; sendo conhecidos casos de sinceros comunistas (não estalinistas, porque aqui já existe fanatismo) que a Bondade Infinita de Deus transformou em óptimos católicos. É menos difícil converter um comunista sincero do que converter um liberal; PORQUE ESTE ÚLTIMO TAMBÉM CORROMPEU LETALMENTE O INTEGRISMO DE PERSONALIDADE, SEM O QUAL FICAM OBLITERADOS OS ALICERCES NATURAIS MAIS SÓLIDOS. Não é que a Graça de Deus não possa realizar as maiores transformações interiores, evidentemente que pode, mesmo recorrendo a um milagre moral; simplesmente, a Ordem Sobrenatural, totalmente gratuita e estritamente obrigatória, como é, respeita contudo, extrìnsecamente, a hierarquia natural da Criação. Pelo que ficou explanado, se compreende também, fàcilmente, o como o liberalismo é muito mais eficaz na eliminação do Catolicismo do que o comunismo; porque o primeiro ACTUA PELA SEDUÇÃO, secando tudo à sua volta, expungindo a seiva integrista da personalidade.
Nosso Senhor Jesus Cristo, todos os profetas, o próprio São Paulo, exemplo perfeito de integrista convertido, e genèricamente toda a Sagrada Escritura, constitui o mais poderoso apelo, a mais taxativa injunção, em prol do integrismo de personalidade, como participação, mesmo na Ordem Natural, na Unidade Infinita de Deus.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 17 de Abril de 2015

8 Respostas para “O INTEGRISMO CATÓLICO CONSTITUI UMA REALIDADE TOTALMENTE OPOSTA AO FANATISMO

  1. Jacob abril 18, 2015 às 2:34 pm

    Se examinarmos as ocorrências do termo “fanático” na mídia liberal (toda a mídia, praticamente), veremos que todas elas têm apenas uma característica em comum. O termo é aplicado a qualquer pessoa que defenda algo resoluta e energicamente – seja essa defesa sincera ou simulada. Não importa o que defende, nem como o defende: basta fazê-lo de forma aberta e convicta, afirmando que a Verdade está consigo e que os demais estão errados, para ser taxado de “fanático”.

    Mas não se espera que todos defendam com convicção aquilo em que acreditam, não apenas os “fanáticos”?

    De fato, é o que se espera. Mas a modernidade já não crê mais na verdade – isto é, não crê que haja coisas que SEJAM independentemente da preferência individual.

    Temos que a definição correta de fanatismo é “prática de crime simulando vinculação a uma verdade”. Mas quem não crê na Verdade não pode aceitar tal definição: ela passa a ser redundante. Se não há verdade, pouco importa aderir a ela sincera ou simuladamente. Daí o próprio ato de defender a veracidade de algo, e de denunciar o erro do que é lhe é diverso, passa a ser objeto de desconfiança. Todo aquele que defende resoluta e energicamente suas crenças, ainda que não cometa crime algum, passa a ser algo como um terrorista em potencial – um “fanático”.

    O que antes significava “prática de crime simulando adesão a uma verdade”, passa a ser apenas “defesa de uma verdade”. Mas como ninguém, nem o mais liberal dos liberais, pode falar o que quer que seja sem pretender, ainda que tímida ou dissimuladamente, estar do lado da Verdade, o adjetivo “fanático”, esvaziado, passa a ser aplicável a qualquer um. Já não se o aplica a um tipo bem definido de pessoa: aplica-se-o a qualquer um que o indivíduo “SENTIR” que seja “fanático”.

    O que era “conceito” degenerou em “noção”.

  2. Pro Roma Mariana abril 18, 2015 às 6:08 pm

    Tem toda a razão. Note porém que o integrista só é odientamente chamado “fanático” se for católico.Não, por exemplo, se for comunista. Uma das grandes provas extrínsecas da verdade da Fé Católica consiste precisamente no ódio universal que ela sempre provocou. Mesmo os assassinos islâmicos são tratados pela maçonaria, precisamente como assassinos, e não com aquele ódio de estimação que os maçons dedicam aos verdadeiros católicos.

    Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

  3. maria alcina abril 20, 2015 às 11:20 pm

    Oi o site de vocês é um bálsamo para a alma, sou católica em uma cidade do interior do Tocantins, me sinto perdida entre meus irmãos de Igreja, parece que perdi alguma coisa com essa nova Igreja do Concílio Vaticano II que para mim é a de sempre pois nunca tive acesso a outra Igreja que me parece fabulosa, gostaria de conversar com católicos que sabem sobre a Igreja de sempre mas onde moro é impossível, também gostaria de me confessar com um padre tradicional, não sei se essa é bem a palavra, por favor entrem em contato comigo.

    • Pro Roma Mariana abril 21, 2015 às 8:51 am

      Caríssima Maria Alcina, é de verdade um bálsamo falar entre católicos que pensam segundo a Fé única, íntegra e pura que nos legou Nosso Senhor com o Seu Sacrifício de Amor. Nela morreu santo Estevão professando-a com tanto ardor que provocou o ódio dos seus compatriotas judeus, mas foi o início da conversão daquele que vemos alí a aprová-los. Era Saulo, que convertido em São Paulo, foi na fé um dos maiores espíritos de toda História. Então, no meio dessa tremenda crise em que parecemos tão isolados, é um bálsamo lembrar que fazemos parte da Comunhão dos Santos. E dizia o grande convertido Gustavo Corção que se parecemos isolados, onde predomina uma igreja festiva mas vazia de fé, na realidade partecipamos dessa grande maioria dos Santos e dos bons da Igreja triunfante em Quem é a Verdade o Caminho e a Vida. Sejamos sempre fortes na Sua fé. É o que conta neste mundo confuso.

      • maria alcina abril 27, 2015 às 11:42 am

        O que mais me preocupa é que quando estou na missa nova, estou sempre distraída, e o que me entristece é ver tantos amigos íntimos meus serem ou se tornarem evangélicos.

    • Jacob abril 21, 2015 às 1:54 pm

      Sinto o mesmo, prezada Maria Alcina. Esse é o lado bom das telecomunicações, tão mal empregadas hoje. Você é do interior de Tocantins, eu sou do Rio Grande do Sul e os autores deste blog são de Portugal. Se não nos podemos encontrar todos pessoalmente para rezar, estudar e fortalecer nossa fé juntos, ao menos podemos nos comunicar por aqui.

  4. Zoltan Batiz abril 21, 2015 às 4:51 pm

    Mas hoje em dia, como o resultado do “progresso”, o fanatismo é pela bola, e as pessoas (em vez de ideias grandes) identificam-se com trivialidades, como por exemplo, um par barato (3-5 Euros) de óculos de sol … .

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