Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

QUEM PODE PROCEDER, EM NOME DA SANTA IGREJA, À DECLARAÇÃO SOLENE E OFICIAL DE SEDE VACANTE?

O Anticristo de Luca Signorelli

  • A época dos anti-Cristos surge como dolorosíssimo, mas transeunte, interregno punitivo na linhagem dos Papas. Mas é interregno a ser ultrapassado com plena legitimidade e legalidade, pela própria força Sobrenatural dos filhos da Santa Igreja, que não devem aceitar autoridade divina («materialiter»?) de modernistas e mações, anticristos no Vaticano que deturpam a Doutrina de Jesus Cristo, mas que serão «santos» segundo seus cúmplices conciliares!

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em passagens da encíclica “Satis Cognitum”, promulgada em 29 de Junho de 1896:

«Certamente Cristo é Rei Eternamente, e perpètuamente; ainda que invisível, tutela e governa do Céu o Seu Reino; mas como quis que esse fosse visível, teve que designar quem, depois da Sua Ascensão ao Céu, tivesse a incumbência de substituí-l’O na Terra. “Seja quem for que afirmasse – diz São Tomás – que sòmente o chefe e só o Pastor da Igreja é Cristo, que é o único Esposo da única Igreja, não se exprimiria com precisão. É evidente, com efeito, que é Ele Quem opera os Sacramentos da Igreja, Quem baptiza, quem perdoa os pecados, e que verdadeiro Sacerdote, Se imolou sobre o Altar da Cruz, e pelo poder do Qual, quotidianamente se consagra o Seu Corpo sobre o Altar; contudo, visto que teria de estar, pessoal e corporalmente, presente a todos os fiéis no porvir, elegeu ministros, por meio dos quais pudesse dispensar o que foi indicado, como já foi dito acima. Pelo que foi indicado, antes de privar a Igreja da Sua presença corporal, foi-Lhe necessário destinar alguém que cuidasse dela em Seu lugar. Portanto – disse a Pedro, antes da Ascensão – Apascenta as minhas ovelhas”.
Portanto, Jesus Cristo  deu à Igreja, como regedor maior, Pedro, e ao mesmo tempo estabeleceu que esse Principado, instituído em perpétuo para a salvação comum, se transmitisse por herança aos sucessores, nos quais o mesmo Pedro, com Autoridade perene sobrevive. E de facto, fez aquela promessa insigne a Pedro, e a nenhum outro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra Eu edificarei a Minha Igreja” (Mt 16, 18).
Em primeiro lugar, é certa e evidente a união dos bispos com o sucessor de Pedro, pois dissolvendo-se este vínculo, necessáriamente se dissolve e se dispersa a própria multidão dos cristãos, de modo a não poder formar, de nenhuma maneira, um só corpo e um só rebanho. “A saúde da Igreja depende da dignidade do Sumo Sacerdote, e se não se lhe dá um poder especial e superior a todos, HAVERÁ NA IGREJA TANTOS CISMAS QUANTOS SÃO OS SACERDOTES” no dizer de São Jerónimo. É BOM, PORTANTO, ADVERTIR, QUE NADA FOI CONFERIDO AOS APÓSTOLOS SEPARADAMENTE DE PEDRO, MAS MUITAS COISAS A PEDRO SEPARADAMENTE DOS APÓSTOLOS.»

Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, Criador e Redentor nosso, ao instituir a Sua Igreja – a qual deveria prolongar vicàriamente, Sacramentalmente, a Sua presença, a Sua Personalidade, o Seu Divino Sacrifício, o Seu Magistério, através dos séculos e até ao fim do mundo – quis constituí-la à Imagem da Sua própria realidade Divina e Humana. Assim como Nosso Senhor é verdadeiramente Deus, assim a Sua Igreja teria de ser Divina na Sua Personalidade, Divina na Sua Constituição, Divina nos Seus meios de Adoração, Propiciação e  Santificação, Divina nos Seus Fins; mas também humana, porque concretamente servida por homens; homens assumidos pela Personalidade de Direito Divino, com todas as suas limitações intelectuais, culturais e morais. Deste quadro conceptual inferimos que a Santa Madre Igreja É SUBSTANCIAL, E NÃO ACIDENTALMENTE, DIVINA. A Santa Igreja possui, à semelhança de Nosso Senhor, uma Personalidade e uma Natureza Divina, mas também uma natureza humana. A União Hipostática é absolutamente indissolúvel, quer no tempo, quer na Eternidade, de Direito e de facto. Na morte do Senhor, apenas a Santíssima Alma se separou do Santíssimo Corpo, mas a Pessoa Divina continuou unida ao Corpo e à Alma. Na Santa Madre Igreja, também a alma se pode separar do Corpo, isto é – morrer! Mas assim como a alma, separando-se ontològicamente do corpo, continua, TRANSCENDENTALMENTE, unida a ele; assim mesmo, na Santa Igreja, a alma – isto é, a Fé, a Esperança e a Caridade Sobrenatural, bem como a CUSTÓDIA SOBRENATURAL DA REVELAÇÃO – mesmo separada do Seu Corpo – isto é, dos elementos pròpriamente históricos, geográficos, humanos, materiais e nominais que a constituem – permanece TRANSCENDENTALMENTE unida a esse mesmo Corpo, conquanto ontològicamente separados.
Estes últimos cinquenta anos, os mais trágicos da História Universal, demonstraram o como a Santa Madre Igreja segue absolutamente, em tudo, os caminhos do Seu Fundador.
Mas então, questionar-se-á, se na Santa Madre Igreja, a Alma e o Corpo continuam  unidos à Personalidade de Direito Divino, então os heresiarcas, embora vomitem o Inferno sobre a Terra, continuarão unidos a Deus? NÃO, de maneira nenhuma, quando se afirma que na Santa Igreja a Personalidade de Direito Divino continua unida ao corpo, NÃO É ESTE CORPO, EM CONCRETO, APODRECIDO PELA APOSTASIA, MAS SIM A UM CORPO CONCEBIDO EM SENTIDO ORGÂNICO E ACTIVADO PELA SUPREMA DIGNIDADE DA ALMA.
Na natureza humana, também a morte separa ontològicamente a alma do corpo, permanecendo a união TRANSCENDENTAL entre os dois. Não é necessário, para a realidade da Ressurreição Final, que a alma volte a animar as mesmas moléculas, individualmente consideradas, que animava na sua vida mortal, basta que a alma reactive o processo vital com a unidade orgânica que TRANSCENDENTALMENTE LHE CORRESPONDE.
Anàlogamente, para que a Santa Madre Igreja ressuscite, basta que a sua alma, vinculada à Pessoa Moral de Direito Divino, reencontre e anime estruturas históricas, geográficas, humanas, e nominais que orgânicamente, transcendentalmente, correspondam à suprema dignidade da sua  alma.
Mas então a quem compete declarar, solene, oficial e definitivamente o estado de Sede Vacante, ou mais rigorosamente de Sede usurpada, numa Igreja usurpada e conquistada pela maçonaria internacional?
O dia 30 de Junho de 1988, teria sido a grande oportunidade para assim proceder; era essa aliás a disposição de Monsenhor de Castro Mayer; mas para desgraça nossa Monsenhor Lefebvre, que já era sedevacantista a título privado, entendeu que ainda não estavam criadas as condições para comprometer, pùblicamente, a sua autoridade episcopal numa proclamação desse tipo; temia sobretudo que a maioria dos fiéis o abandonassem. Seja como for, se tal proclamação tivesse sido produzida, ter-se-iam separado radicalmente as águas, impedindo futuras altas traições, à Santa Madre Igreja, e ao próprio Monsenhor Lefebvre.
Em abstrato, um concílio, mesmo não ecuménico, tem autoridade para declarar que A ou B não foram papas, mas não pode depor papa nenhum, como é evidente.
Há historiadores menos versados em Direito Constitucional da Santa Igreja, afirmam que o concílio de Sutri (1046), convocado pelo Imperador Henrique III e pelo papa Gregório VI, teria deposto os ex-papas Bento IX e Silvestre III. Embora esta época seja das mais tenebrosas da História da Igreja, até ao Vaticano 2, e os especialistas não concordem na identificação rigorosa de papas e anti-papas, é certo que nenhum concílio pode depor um papa, mas o concílio de Sutri PODIA DECLARAR, SOLENE E OFICIALMENTE, A RENÚNCIA VÁLIDA E LEGÍTIMA DE DOIS PAPAS, como parece ter sido o caso.
No drama extraordinário que vivemos, é certo que SÃO OS REPRESENTANTES QUALIFICADOS DA TRADIÇÃO, BISPOS, SACERDOTES E MESMO LEIGOS, QUE POR UNANIMIDADE, DEVERÃO PROCEDER A TAL DECLARAÇÃO, EM NOME DA SANTA MADRE IGREJA. A Fraternidade que FOI DE SÃO PIO X, com as chefias actuais, já só representa mais um miserável afluente da apostasia deicida e ateia bergogliana. Todavia existem nesta Fraternidade forças sacerdotais extremamente válidas, que querem ser libertadas da tirania religiosa em que vivem.
Mas essa declaração seria infalível?
Em Teologia distinguem-se os “Factos Dogmáticos”, isto é, realidades e acontecimentos humanos que de alguma forma se relacionam com elementos revelados, por exemplo: A eleição válida e lícita de um Papa, a convocação válida e lícita de um concílio; neste caso, a Pessoa Moral de Direito Divino, que é a Igreja, não só autoriza, mas até exige, uma certeza (não uma presunção) que participa formalmente na própria Infalibilidade da mesma Santa Mãe Igreja. Cumpre assinalar, que embora a Infalibilidade da Santa Igreja se concretize e actualize na Cátedra de São Pedro, este princípio de Infalibilidade irradia gradativamente em todo o raio de actuação da Santa Madre Igreja, incidindo com mais forte intensidade na chamada “Fé Eclesiástica” a qual compreende, entre outras realidades, a Infalibilidade estritíssima das canonizações. Todavia, a união entre o corpo e a alma da Santa Igreja, defendendo esta, o mais possível, contra os acidentes da História, não garante em absoluto que uma rotura como a dos últimos cinquenta anos não possa suceder; também a Natureza Humana do Senhor sofreu, e de que maneira, os ataques e as perfídias do mundo, SEM QUE A UNIÃO HIPÓSTATICA FOSSE SEQUER TOCADA.
A resposta à questão da infalibilidade de uma proclamação oficial declarando a usurpação da Cátedra de São Pedro, é de que uma tal sentença participaria efectivamente, formalmente, da própria Infalibilidade da Santa Igreja, não como uma questão de Fé eclesiástica, a qual EXIGE UMA SENTENÇA PAPAL, mas como um facto dogmático, pois tal proclamação é feita em Nome da Santa Igreja e PARA SALVAR A IGREJA.
Evidentemente que uma tal proclamação teria de preceder, lógica e temporalmente, a eleição de um Papa.
O ideal seria uma tomada de poder no próprio Estado do Vaticano, com a colaboração de alguns Cardeais e Bispos; este seria o caminho mais transparente, mais seguro, mais institucional, e mais benéfico para com as necessidades das almas. Além disso gozaria de credibilidade internacional, pois estaria ancorado na dignidade moral de um Estado Soberano. A época dos anti-Cristos surgiria então como um dolorosíssimo, mas transeunte, interregno punitivo na linhagem dos Papas. Mas um interregno ultrapassado com plena legitimidade e legalidade, pela própria força Sobrenatural da Santa Igreja.
Mas para tal, certos Cardeais têm que cessar de invocar “São João Paulo II”!!!
Há ainda um imenso caminho a percorrer.
Através da Pessoa Moral de Direito Divino, a alma da Igreja tende necessáriamente a revivificar orgânicamente o seu Corpo, a sua estrutura humana, histórica e geográfica; sem dúvida que, quantitativamente, a expressão será menor, mas o resplendor de uma ressurreição, comportará, sem dúvida, uma irradiação mais profunda de Verdade e Santidade.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 21 de Abril de 2015

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