Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

FÁTIMA: 30 ANOS DE NÉVOAS E MORTE, APÓS HAMISH, P. CAILLON, AGORA Rv. GRUNER. RIP

Foto da Conferência de Fátima de novembro 1985 no Agostinianum de Roma, a 100 metros do Palácio do Santo Ofício no Vaticano. Na foto acima o Rv. Nicolas Gruner que discursa, vendo-se ao lado o Autor (Chairman na ocasião). Na foto superior os conferencistas, Dr. Emilio Cristiano de Nápoles, Arai Daniele, Rever. Gruner, P. Pierre Caillon, Hamish Fraser de «Approaches» e o Irmão Michel de La Sainte Trinité, que hoje é o superior num convento conciliar em França. Diz cancelar tudo o que havia dito na ocasião e escrito nos seus bons tratados: «Toute la Vérité sur Fátima». A foto é inédita, porque na revista «Fatima Crusader», do Rv. Gruner, somos por ele «censurados» porque ele não queria mais problemas com o mundo conciliar! E nós estávamos então ligados ao testemunho dos Bispos Marcel Lefebvre e Antônio de Castro Mayer, que haviam mandado uma dura carta a João Paulo II. Nós ajudamos a distribui-la aos Bispos no último dia, porque a FSSPX tinha evitado de fazê-lo, apesar do que fora combinado com Dom Mayer. Segue parte dessa história.

CARTA DOS DOIS BISPOS A JOÃO PAULO II  (para o Sínodo de 1985)

 Santo Padre,

Durante quinze dias, antes da festa da Imaculada Conceição, Vossa Santidade decidiu reunir um Sínodo Extraordinário em Roma, a fim de fazer do Concílio Vaticano II, encerrado há vinte anos, “uma realidade sempre mais viva.”

Permita que por ocasião deste evento, nós que participamos ativamente no Concílio, possamos apresentar-vos respeitosamente nossas apreensões e augúrios, para o bem da Igreja e a salvação das almas que nos foram confiadas.

Estes vinte anos, segundo o prefeito da sagrada Congregação da Fé em pessoa, evidenciaram suficientemente uma situação que confina numa verdadeira autodemolição da Igreja, salvo nos meios onde a milenar Tradição da Igreja foi mantida.

A mudança operada na Igreja nos anos sessenta, concretizou-se e afirmou-se no Concílio pela “Declaração sobre a Liberdade Religiosa”: outorgando ao homem o direito natural de ser isento da coação que a lei divina lhe impõe de aderir à fé católica para salvar-se, coação que necessariamente se traduz nas leis eclesiásticas e civis submetidas à autoridade legislativa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Essa liberdade de toda coação da lei divina e das leis humanas em matéria religiosa está inscrita entre as liberdades proclamadas na Declaração dos Direitos Humanos, declaração ímpia e sacrílega condenada pelos papas e em particular pelo papa Pio VI em sua encíclica Adeo nota, de 23 de abril 1791, e sua alocução no consistório de 17 de junho de 1793.

Dessa declaração sobre a liberdade religiosa emana como de uma fonte envenenada:

1) O indiferentismo religioso dos estados, mesmo católicos, que se realiza desde há 20 anos sob a instigação da Santa Sé.

2) O ecumenismo levado avante sem cessar por vós mesmo e pelo Vaticano, ecumenismo condenado pelo magistério da Igreja e em especial pela encíclica Mortalium animos do papa Pio XI.

3) Todas as reformas consumadas desde há 20 anos na Igreja para agradar aos heréticos, aos cismáticos, às falsas religiões e aos ini-[198]-migos declarados da Igreja como os judeus, os comunistas e os maçons.

4) Esta libertação da coação da Lei divina em matéria religiosa evidentemente vai fomentar a libertação da coação em todas as leis divinas e humanas e mina toda autoridade em todos os campos, especialmente no da moral.

Nós não cessamos de protestar, no Concílio e depois do Concílio, contra o inconcebível escândalo desta falsa liberdade religiosa, nós o fizemos com a palavra e com escritos, privada e publicamente, apoiando-nos nos documentos mais solenes do Magistério da Igreja, entre outros: o Símbolo de Atanásio, o IV Concílio de Latrão, o Syllabus (p.15), o Concílio do Vaticano I (Dz 3008) e sobre o ensino de Santo Tomás de Aquino a respeito da fé católica [Sum. Theol., IIa, questões 8 a 16], ensino que foi sempre o da Igreja durante cerca de 20 séculos, confirmado pelo direito e suas aplicações.

Eis porque, se o próximo Sínodo não voltar ao magistério tradicional da Igreja em matéria de liberdade religiosa, mas confirmar esse grave erro, fonte de heresias, nós teremos o direito de pensar que os membros do Sínodo não professam mais a fé católica.

De fato, eles agirão contrariamente aos princípios imutáveis do Concílio Vaticano I que afirmou em sua IV secção, no Cap. IV, “O Espírito Santo não foi prometido aos Sucessores de Pedro para permitir-lhes de publicar, segundo suas revelações, uma nova doutrina, mas para guardar santamente e expor fielmente com sua assistência as revelações transmitidas pelos Apóstolos, isto é, o depósito da Fé.”

Nesse caso, nós não podemos senão preservar na Santa Tradição da Igreja e tomar todas as decisões necessárias a fim de que a Igreja conserve um clero fiel à fé católica, capaz de repetir com São Paulo: “tradidi quod accepi.” (Transmitimos o que recebemos.)

Santo Padre, a vossa responsabilidade está gravemente comprometida nessa nova e falsa concepção da Igreja que conduz o clero e os fies à heresia e ao cisma. Se o Sínodo sob a vossa autoridade perseverar nessa orientação, não sereis mais o Bom Pastor.

Nós nos dirigimos à Nossa Mãe, e Bem-aventurada Virgem Maria, com o Rosário nas mãos, suplicando-A de vos comunicar Seu Espírito de Sabedoria, bem como aos membros do Sínodo, a fim de pôr um termo à invasão do modernismo no interior da Igreja.

Santo Padre, queira perdoar a franqueza desta iniciativa que não tem outro fim senão render ao nosso único Salvador Jesus Cristo a honra que lhe é devida assim como à Sua Única Igreja.

(ass.) Arcebispo Marcel Lefebvre e Bispo Antônio de Castro Mayer.

O Sínodo inaugurou-se com uma celebração solene na Basílica de São Pedro na manhã de domingo, 24 de novembro de 1985. No mesmo dia, à tarde, apenas do outro lado da colunata da praça e a poucos passos do Palácio do Santo Ofício, iniciavam-se os trabalhos da Conferência sobre Fátima com o título: “Este Sínodo Extraordinário de 85 é a última ocasião para a paz?”

Sendo um dos organizadores, posso dizer que foi num encontro em que conheci o Rv. Gruner (editor da revista Fatima Crusader), dia 13 de novembro, que aventamos a importância de uma iniciativa sobre Fátima em Roma e às vésperas do Sínodo. A dificuldade estava na sua organização em tempo tão exíguo e na conhecida oposição da Igreja conciliar, além do silêncio da imprensa, dado como certo.

Realizou-se, não obstante. Contou com a participação do padre Caillon, que estava em Roma, do sr. Emílio Cristiano, que veio de Nápoles, de Hamish Fraser, que veio da Escócia, e do irmão Michel de la Sainte Trinité, autor dos três volumes sobre Fátima, que veio da França (St. Parres Les Vaudes).

Se a presença do público foi modesta em número, não o foi em qualidade. Havia dois bispos, muitos sacerdotes e freiras, professores e magistrados entre os fiéis. Falou-se então da resistência sempre encontrada pela mensagem de Fátima, da qual se deu testemunho. Lembrou-se, então, que Sua Beatitude o Patriarca Latino de Jerusalém, Giacomo Beltritti, presente no Sínodo de 1983, havia naquela ocasião lembrado a João Paulo II e à Assembléia Sinodal a importância de fazerem a consagração colegial da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, ainda não realizada nos termos pedidos. Como se viu, João Paulo II fez uma consagração novamente incompleta depois disso. A intervenção do patriarca, porém, foi omitida dos documentos sinodais e deixada no silêncio até aquele momento em que o revelamos nessa conferência e em presença do Patriarca, sentado logo diante de quem falava.

Mais tarde esse alto prelado, embora confirmando o fato, pedia que não se mencionasse que ele pudesse ser o patrocinador da reunião, como foi noticiado nos folhetos e cartazes. Provavelmente isso incomodava as autoridades que votavam ao silêncio o que lembrava Fátima. O que conta é que, bem ou mal, também nesse Sínodo seus participantes não poderão dizer que não lhes foi lembrado o pedido pendente.

Infelizmente, também nesta ocasião os bispos reunidos deixaram de lado a mensagem salvadora de Nossa Senhora. Mas não foi apenas isto. As questões das Igrejas populares, das teologias e liturgias revolucionárias e demais tramóias que vêm corrompendo a vida religiosa, foram igualmente escamoteadas. Prevaleceu o espírito conciliar, que tudo admite ou omite para não condenar. Os abusos, as prevaricações praticadas por grupos de poder que manipulam as conferências episcopais para impor ideologias anti-católicas, foram absorvidos também pelo espírito conciliar que louva a mesma autonomia que multiplica os abusos e o colegiado que disfarça as responsabilidades.

O comunismo continuou sendo assunto tabu para respeitar o pacto Moscou-Vaticano das vésperas do Concílio (p.107). Foi um sínodo de paz! A resposta sinodal consistiu, pois, na anistia de todos os erros e na absolvição de qualquer responsável. Foi uma renovada proclamação da “Pentecostes conciliar”, realizada na “maravilhosa união de bispos” junto ao “papa”. Nesta ficaram reciclados os graves problemas doutrinais, morais, sociais e litúrgicos, bem como cismas e heresias, mostrando que uma Igreja conciliar, mergulhada nestes, não pode nem vê-los. Não só negaram que a causa da crise religiosa estivesse no Vaticano 2, negaram que houvesse problemas e crise de fé. Foram além. Proclamaram que o que veio desse «Concílio» eram bênçãos do Espírito Santo.

Se antes pairava dúvida sobre a amplitude dos desvios conciliares, depois havia certeza. Nessas declarações oficiais havia objetivamente a malícia da blasfêmia contra o Espírito Santo, pecado sem perdão.

Seria ainda possível pensar que João Paulo II agia sem conhecer os problemas e pedidos que lhe eram enviados, mas fraudulentamente desviados?

Quase no fim do sínodo ocorreu um fato que mostra não ser esse o caso: monsenhor Lefebvre e monsenhor Castro Mayer, sendo informados na Argentina, onde celebravam algumas ordenações sacerdotais, da total indiferença para com as questões por eles levantadas na carta ao papa, autorizaram a distribuição desta aos padres sinodais, inclusive cardeais da Cúria. No dia seguinte, sabedor que a carta dos dois bispos era conhecida por muitos prelados, o papa fez o seguinte comentário, rindo, no banquete de encerramento: “Atenção, porque sou um mau pastor!” (Corriere della Sera, 9/12/85). Era uma clara referência à carta.

A «suprema autoridade hierárquica da Igreja» omitia-se de responder sobre graves questões de fé. Rindo, ocultava e transformava fatos, palavras e cartas que pediam sua intervenção em defesa da fé. Mas, quem não respondeu a Maria Santíssima , a que podia ainda responder?

No entanto, depois de 30 anos, os Católicos ainda esperam que um Papa consagre a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, para a sua conversão à Igreja. Mas ainda são muito poucos os que entendem que primeiro é indispensável que seja a mesma Igreja a re- instaurare omnia in Christus, obtendo um Papa Católico que cancele mais de meio século de heresias conciliares e ecumenistas.

Neste sentido, devemos constatar que, se é pelo Santo Sacrifício da Missa que a Igreja Militante obtem tudo o que necessita para a sua ação e o bem da Cristandade e das almas, o que faltam justamente são as Santas Missas votivas para a eleição do Sumo Pontífice.

Só quando isto se der, com a volta de um Papa Católico… “por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”

Uma resposta para “FÁTIMA: 30 ANOS DE NÉVOAS E MORTE, APÓS HAMISH, P. CAILLON, AGORA Rv. GRUNER. RIP

  1. Zoltan Batiz maio 1, 2015 às 10:20 pm

    Só porque ele queria a consagração da Rússia a todo custo, por isso ele aceitou a falsa hierarquia porque era conveniente.
    Portanto, ele queria o reconhecimento da nova igreja. Isto não resultou. Digamos “não” à “wishful thinking”.

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