Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

FÉ EXPLÍCITA E FÉ IMPLÍCITA

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  • … E ENTRETANTO, AS SUAS DECLARAÇÕES, A SUA CONDUTA, AS OPINIÕES QUE PROFESSAM, COM UMA OBSTINAÇÃO IRREDUTÍVEL, DEMONSTRAM QUE ELES PERDERAM A FÉ, E QUE EMBORA ACREDITEM AINDA ESTAR SOBRE O NAVIO, JÁ PORÉM NAUFRAGARAM.»  

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos São Pio X, em excertos da alocução pronunciada ao Consistório de 16 de Dezembro de 1907:
«Veneráveis irmãos
Prestes a deixar a Igreja adquirida com o Seu Sangue, e de passar deste mundo a Seu Pai, Nosso Senhor Jesus Cristo nos predisse, em vários momentos, e muito claramente, que nós sempre seríamos alvo das perseguições dos nossos inimigos, e que jamais, nesta terra, nos faltariam dificuldades. O que tinha constituído o quinhão do Esposo, deveria efectivamente, ser também o do Esposa; ao Esposo havia sido dito: “Reina no meio dos teus inimigos”;  assim a Esposa deveria disseminar o seu Império de um oceano ao outro, através dos inimigos e no âmago de combates, até que entrasse na terra prometida para gozar  da felicidade da eterna tranquilidade.
Este oráculo do Divino Redentor, nós o vemos, hoje, como em todos os tempos, realizar-se à letra. Aqui o combate realiza-se entre tropas organizadas em guerra aberta; noutro lado, recorre-se à astúcia e à dissimulação dos estratagemas; mas por todo o lado assistimos ao espectáculo da Igreja assaltada; as suas leis, são aqueles mesmos que deveriam manter a autoridade – que as desprezam. Simultâneamente, uma inundação de jornais ímpios e imorais profana a santidade da Fé e a pureza da moral, com o maior detrimento das almas e não menos prejuízo da sociedade civil – que se dissolve.
Mas a estes males, eis que se associa um outro, que é incontestàvelmente de uma gravidade extrema: Um certo espírito ávido de novidades, propaga-se cada vez mais; impaciente a toda a disciplina e a toda a autoridade, ele coloca em discussão as doutrinas da Igreja, e mesmo a Verdade revelada por Deus, esforçando-se por abalar, até aos fundamentos,a nossa santíssima religião.(…)
Certamente, deveríamos lamentar se tais homens, abandonando o seio da Igreja, passassem às fileiras dos nossos inimigos declarados; mas, o que é bem mais deplorável, eles alcançaram um tal grau de cegueira, que se crêem ainda e se proclamam filhos da Igreja, ainda que tenham renegado, de facto, senão talvez por palavra, o juramento de fidelidade que prestaram quando do seu baptismo.
É assim que, movidos por uma falaciosa tranquilidade de consciência, ELES CONTINUAM COM SUAS PRÁTICAS CRISTÃS, NUTREM-SE DO SANTÍSSIMO CORPO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO – Ó HORROR – SOBEM AO ALTAR DE DEUS PARA AÍ OFERECER O SACRIFÍCIO; E ENTRETANTO, AS SUAS DECLARAÇÕES, A SUA CONDUTA, AS OPINIÕES QUE PROFESSAM, COM UMA OBSTINAÇÃO IRREDUTÍVEL, DEMONSTRAM QUE ELES PERDERAM A FÉ, E QUE EMBORA ACREDITEM AINDA ESTAR SOBRE O NAVIO, JÁ PORÉM NAUFRAGARAM.»  

A Revelação Sobrenatural é transcendentalmente, lògicamente, perfeitamente comensurável com a elevação, pela Graça, ao mesmo Estado Sobrenatural. Efectivamente, como poderíamos nós participar da vida íntima da Santíssima Trindade se não nos tivesse sido objectivamente revelado, enquanto peregrinávamos neste pobre mundo, o Augustíssimo Mistério da consubstancialidade das Três Pessoas?
Neste quadro conceptual, a Fé Teologal, mediante a qual, a nossa inteligência é elevada acidentalmente à Ordem Sobrenatural, proporciona-se, lògicamente, transcendentalmente com a mesma Revelação Sobrenatural.
As criancinhas baptizadas, conquanto não possam ainda actualizar, concretamente, a Fé, a Esperança e a Caridade, visto ainda não possuírem o uso da razão, POSSUEM, HABITUALMENTE, REALMENTE, FORMALMENTE, ESSA MESMA FÉ.
Um hábito natural estabiliza uma faculdade, segundo uma determinada operação, facilitando-a e tornando-a mais rápida e eficaz com um menor esforço e um menor dispêndio de energia e atenção. Na Ordem Sobrenatural, o Hábito possui sobretudo a função de elevar a faculdade a um plano essencialmente, infinitamente, acima das exigências de qualquer criatura, criada ou possível. Quando pensamos a Fé, quando produzimos actos de Fé, sobretudo na Fé Teologal, formada na Caridade,  PARTICIPAMOS REALMENTE DA INTELIGÊNCIA DIVINA, DA INTELIGÊNCIA TRINITÁRIA, GERADORA DO VERBO DE DEUS; quando amamos sobrenaturalmente a Deus sobre todas as coisas, PARTICIPAMOS REALMENTE DA CARIDADE DIVINA, DA CARIDADE TRINITÁRIA, ESPIRADORA DO ESPÍRITO SANTO. Já pensámos nisto?
Consequentemente, a salvação é sempre impossível sem o conhecimento, ao menos virtual, dos Mistérios Sobrenaturais. Não basta a denominada “fé implícita”; isto é, a “fé” daquele ente dotado de razão, atingido pelo aroma do catecismo, mas que encolhe os ombros, desinteressando-se de conhecer explìcitamente – segundo a sua condição e as possibilidades da sua inteligência – o Magistério da Igreja, embora protestando acreditar em tudo o que a Santa Igreja ensina – tal não é suficiente para a salvação.
Por outro lado, constitui um erro tremendo fazer depender a salvação Eterna da inteligência natural, bem como da cultura humana. Deus Nosso Senhor sòmente nos pedirá contas DE BENS SOBRENATURAIS, que tenhamos, ou não, realizado, quando peregrinos neste pobre mundo. Cada um conhece e ama a Deus, formalmente, intrìnsecamente segunda a medida da Sua Graça de Predestinação; as operações das faculdades naturais constituem apenas um ponto de apoio, extrínseco, mas nem sempre materialmente necessário. Portanto pode haver, e há certamente, grandes santos, cuja concepção de Deus se filia sòmente na Graça Santificante, nas Virtudes Teologais e Morais, e nos Dons do Espírito Santo; e de modo algum em elucubrações filosóficas. Um grande santo que eventualmente perdesse a razão conservaria integralmente todos os Dons Sobrenaturais que já detivesse, e até os poderia intensificar, por exemplo, com a Extrema Unção.
Mas, e os povos denominados selvagens, que sem culpa, desconhecem a Nosso Senhor Jesus Cristo?
Nem esses se podem salvar sem Nosso Senhor Jesus Cristo; pois aqueles que vivem materialmente imersos nas piores superstições, embora constituam casos excepcionais, podem, APESAR DESSAS SUPERSTIÇÕES, COM O AUXÍLIO DA GRAÇA DIVINA, ordenar-se objectivamente, Sobrenaturalmente, para Deus Uno e Trino, e receber plenamente as Virtudes Teologais, a Graça Santificante e os Dons do Espírito Santo, PELOS QUAIS SERÃO SALVOS; CONSEQUENTEMENTE, EMBORA ESSAS ALMAS NÃO TENHAM CONHECIMENTO, ACTUAL, ENCARNADO, CONCRETO, DOS MISTÉRIOS SOBRENATURAIS, POSSUEM DELES UM CONHECIMENTO VIRTUAL, NA EXACTA MEDIDA EM QUE O SEU ORGANISMO SOBRENATURAL OS TORNA TEMPLOS DA SANTÍSSIMA TRINDADE DA QUAL VERDADEIRAMENTE PARTICIPAM, E SE ACASO TOMAREM UM CONHECIMENTO, MESMO MUITO SUPERFICIAL, DO CATECISMO, IMEDIATAMENTE, O ABRAÇAM, O ADORAM, COMO VERDADE FORMALMENTE, VERDADEIRAMENTE, HÁ MUITO CONHECIDA E AMADA.
A própria Fé Teologal de Adão e Eva, era a mesma do que a nossa, porque nela residia a Santíssima Trindade, nela residia Nosso Senhor Jesus Cristo, pois como já se referiu, existe uma proporção verdadeiramente transcendental entre o nosso organismo sobrenatural e a Revelação objectiva.
Neste enquadramento, todos aqueles que julgaram poder parecer  mais tradicionalistas, negando a possibilidade de salvação, mesmo remota, a todos aqueles que, sem nenhuma culpa, não chegaram ao conhecimento dos Mistérios Sobrenaturais, tais ditos tradicionalistas apenas demonstraram desconhecer a riqueza infinita da Graça de Deus, e fundamentalmente, A SUA INFINITA RIQUEZA NA ORDEM VIRTUAL, ONDE ESTÁ, LÒGICAMENTE, CONTIDA TODA A REVELAÇÃO SOBRENATURAL.
O conceito de realidade virtual é dos mais fecundos em Teologia e Filosofia. Efectivamente, todo o ser do mundo É VIRTUALMENTE EM DEUS. Diz-se que uma realidade É virtualmente noutra, de ordem superior, quando nela É, não segundo o seu próprio ser actual e concreto, mas segundo o ser da realidade de ordem superior. Os efeitos preexistem, genèricamente, virtualmente, nas causas, ainda que de forma contingente, incompleta e unívoca. Mas em Deus Uno e Trino, Causa Primeira, Causa incausada, n’Ele É todo o ser do mundo, infinita e anàlogamente sublimado, pois É igualmente infinitamente simples. A Eternidade, por exemplo, não é a Imutabilidade; nem a Inteligência é a Vontade; todavia, em Deus, por uma sublimação infinita, a Sua Eternidade é a Sua Imutabilidade; a Sua Inteligência é, NA ESSÊNCIA, a Sua vontade; porque é necessária muita atenção: Em Deus, existe distinção denominada virtual maior entre os diversos atributos, ou entre a Essência e as Pessoas; MAS EXISTE DISTINÇÃO REAL ENTRE AS PESSOAS.
Encontramo-nos assim habilitados a compreender as infinitas riquezas da elevação ao estado Sobrenatural, da sua necessidade de meio absoluta para a salvação, bem como da exigência de Fé explícita nos Mistérios Sobrenaturais, não baseada numa linha de raciocínio natural e humano, mas única e exclusivamente nos Dons Sobrenaturais de Deus Nosso Senhor.
Quem desleixar o conhecimento Sobrenatural do Catecismo, CONDENA-SE IRREMEDIÀVELMENTE! Uma vez assimilados, segundo a condição de cada um, os Mistérios Sobrenaturais, há que solicitar a Deus Nosso Senhor cada vez mais Luz Sobrenatural, para que mais qualificadamente possamos participar da Intimidade Divina.
E jamais olvidemos que a maior mortificação que podemos realizar, é aquela, em que por amarmos, sobrenaturalmente, mais a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus, mais o Lume da nossa TRANSFORMAÇÃO SOBRENATURAL, operará a purificação plena das zonas inferiores do nossa constituição, ASSIMILANDO-AS ÀS COISAS DO CÉU, NA SUAVE  RECTIFICAÇÃO DAS DA TERRA.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 2 de Maio de 2015

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2 Respostas para “FÉ EXPLÍCITA E FÉ IMPLÍCITA

  1. Jacob maio 6, 2015 às 11:32 am

    Caro Alberto, algo que me intriga desde que resolvi buscar a Deus é a tremenda frivolidade e leviandade com que as pessoas, em geral, encaram o fato da morte, apesar de ser este o fato mais certo da vida. Desde que alcançamos a idade da consciência de nós mesmos e do mundo, vemos os seres à nossa volta morrendo. Nas aulas de ciências, aprende-se que os seres morrem. Falamos da morte a todo o momento. Não é de impressionar como um fato tão certo e tão grave seja de tão pouca importância para a maioria das pessoas? Vive-se como se nunca se fosse morrer.

    Foi quando eu comecei a ter uns lampejos sobre a brevidade de minha vida que resolvi procurar seu sentido. Daí resolvi voltar – ou, talvez, vir pela primeira vez – à Igreja e seus ensinamentos – não a seita do CV II, a qual, hoje percebo, só colaborou com minha má vontade juvenil para me afastar de Deus.

    Parece, então, haver essa diferença entre o conhecimento “técnico” do fato da morte e outro conhecimento dela, mais profundo, que nos faz como que “encarar” esse fato, tomar uma verdadeira consciência dele.

    Não é esta a mesma diferença entre a Fé Natural e a Fé Sobrenatural? Posso ler no catecismo as verdades da Fé e aderir “racionalemnte” a elas. Mas é apenas durante alguns raros e efêmeros momentos que tomo consciência… de como Deus me enche de graças imerecidas… da preciosidade de cada instante da vida, independente de quão ruim esteja o mundo à volta… de que devo ao Senhor minha existência… de que a melhor coisa que pode haver, na verdade, a única coisa boa que pode haver, é ser a ele submisso. Em tais momentos, sinto-me livre de todo sentimento ruim: gostaria que cada pessoa, por odiosa que seja, participasse dele; os males e as ameaças do mundo parecem insignificantes – nada me tenta e de nada tenho medo.

    Logo, contudo, a fraqueza da vontade é atraída para os cuidados do cotidiano.

    • Pro Roma Mariana maio 8, 2015 às 8:51 am

      As pessoas “normais ” evitam pensar na morte precisamente pela ferida do pecado original contra a qual não reagem Sobrenaturalmente com o auxílio de Deus Nosso Senhor. Infelizmente é essa a condição da grande maioria dos homens, em todas as épocas e todas as latitudes. Evidentemente que o desaparecimento da Santa Madre Igreja como realidade social e cultural intensificou e muito as consequências negativas de uma tal condição. Pessoalmente, considero-me vítima dos colégios nominalmente católicos que frequentei, ainda em pleno Estado Novo Português, onde o único “deus” que encontrei foi o dinheiro. Hoje em dia é necessário um milagre moral para viver na Graça de Deus Nosso Senhor. Saudações em Jesus, Maria e José.
      Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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