Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O PECADO ORIGINAL COMO EXPLICAÇÃO ÚLTIMA DA MISÉRIA DA CONDIÇÃO HUMANA

Pecado original

  • Na visão do Gênesis o Anjo com a espada para afastar Adão e Eva do Paraíso, condenados às agruras da terra, não será outro que o da terceira parte do «Segredo de Fátima» :
  • «Depois… vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda, ao centilar, despedia chamas que parecia iam encendiar o mundo, mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontado com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência!
  • Toda a história humana, do início ao fim, está pautada pela voz imperiosa de penitência para a salvação!

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em excertos de uma alocução à União dos homens da Acção Católica Italiana – 20 de Setembro de 1942:

«O nosso pensamento e a nossa expectativa (…) confiam designadamente em vós, que à plenitude de homens feitos unis o conhecimento e a experiência da seriedade da vida, das vicissitudes e necessidades espirituais, morais e materiais, que a acompanham e seguem; porque na mente e nas mãos dos homens feitos está o saber, o trabalho sensato, o vigilante e profícuo governo da família e do movimento social. Vós sois o nervo da sociedade: Na vossa maturidade está a raiz da vossa dignidade. Deus não criou o primeiro homem menino, mas na plenitude das suas forças e perfeições corporais e espirituais, porque estava destinado a ser pai, mestre e guia de toda a família humana, que dele havia de proceder. O Género Humano, desventuradamente, cai,; e a sua história, cuja primeira página foi manchada pelo sangue fraterno derramado, NÃO DEIXOU DE ENSANGUENTAR-SE PELOS SÉCULOS FORA, mesmo depois de ser o homem erguido à altura da sua primeira dignidade, pelo Filho de Deus feito Homem. A Igreja de Cristo é a Luz do Mundo; é o Sal da Terra; é a coluna da Verdade e da Graça; é a Cátedra da Paz e da Justiça; No doloroso fermento da Humanidade, trata-se nada menos do que tudo restaurar e reordenar em Cristo, restabelecer na sua integridade e no seu vigor as articulações deste corpo de que Nosso Senhor Jesus Cristo é a Cabeça, e que embora TRIUNFANTE NO CÉU, SOFRE E LUTA NA TERRA.»

A Doutrina do pecado original é capital na Teologia Católica. Nos últimos 50 anos, e infelizmente até antes, ainda que mais discretamente, a negação da própria existência de Adão e Eva, inutilizou toda a Doutrina da Redenção, obliterou o Sacrifício de Nosso Senhor na Cruz, renovado incruentamente nos Altares, acabando por olvidar a própria existência histórica de Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Efectivamente, se os modernistas negam o velho Adão, porque não haveriam de negar o Novo Adão; se não há pecado original, e portanto também o actual, para quê a Redenção? Por isso a negação histórica de Adão e Eva, constituiu apenas uma preparação para os modernistas renegarem a Nosso Senhor.
A História Sagrada, a História da Salvação, na Antigo e Novo Testamento, é absolutamente ininteligível sem o pecado original, concebido como realidade Histórica-Teológica. A própria História Universal é perpassada por um poder maligno que de forma alguma pode ser exclusivamente atribuído à acção de satanás, mas imputável também a uma TENDÊNCIA MUITO MARCADA PARA A PRÁTICA DO MAL, DA PARTE DOS HOMENS. É necessário afirmá-lo com toda a veemência: O PRINCÍPIO IMANENTE, CONCRETO E HUMANO, QUE REGE A HISTÓRIA UNIVERSAL – É O PRINCÍPIO DO MAL.
Então e a Providência Divina?
A Providência Divina constitui a Ideia do mundo, Eternamente presente na Inteligência Divina; é uma Ideia de máxima extensão e infinita compreensão, a qual atinge igualmente os denominados futuríveis, ou seja, os diversos comportamentos que as criaturas espirituais poderiam actuar, nas diversas circunstâncias. É nessa Ideia, que se identifica com a Essência Divina, que Deus, Eternamente, substancialmente, contempla toda a realidade da Criação. As próprias criaturas, admitidas à Visão Beatífica, contemplarão, Eternamente, nessa Ideia toda a realidade do mundo, mas contemplá-la-ão NA PRÓPRIA LUZ DE DEUS, E NA PROPORÇÃO DO SEU CONHECIMENTO E AMOR SOBRENATURAL DE DEUS, E PORTANTO DOS SEUS MÉRITOS. A Providência Divina não possui como missão suprimir o mal, mas ENQUADRÁ-LO TELEOLÒGICAMENTE PELO BEM.
Mas já mesmo neste mundo, o nosso organismo Sobrenatural nos faculta, intrìnsecamente, na própria Luz de uma Fé, formada pela Caridade, e ilustrada pelos Dons do Espírito Santo – O FUNDAMENTADO PRINCÍPIO DA MISÉRIA DA CONDIÇÃO HUMANA!
Porque Adão e Eva, desobedecendo à lei que lhes interditava comer dos frutos da árvore da ciência do Bem e do Mal – isto é, que definia os limites ontológicos e religiosos da sua privilegiada condição – quebraram e dissolveram essa mesma condição, simultâneamente Preternatural e Sobrenatural, perdendo todos os Dons respectivos. Adão e Eva, para pecarem, tiveram que exercer UM GRANDE ESFORÇO MORAL NEGATIVO, POIS NA CONDIÇÃO ONTOLÓGICA EM QUE SE ENCONTRAVAM, O BEM ERA MUITO FÁCIL, E O MAL MUITO DIFÍCIL; AO PECAREM, ADÃO E EVA INVERTERAM AS COORDENADAS DA CONDIÇÃO HUMANA, PRECIPITANDO-NOS NUM MUNDO ONDE O BEM É MUITO DIFÍCIL E RARO, E O MAL MUITO FÁCIL E FREQUENTE. Adão e Eva, com o seu pecado, perderam para si e seus descendentes os Dons Preternaturais, ou seja, a Impassibilidade e a Imortalidade, quanto ao corpo; e perderam igualmente a Graça Santificante, a Caridade, e todas as virtudes morais Sobrenaturais; mas não perderam a Fé, e A GRAÇA DA SUA PENITÊNCIA POSTERIOR, CONSTITUIU JÁ UMA GRAÇA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. Todavia, os descendentes de Adão e Eva, já não nasceriam para este mundo na posse dos Dons Sobrenaturais.
O pecado original não atingiu os primeiros princípios do conhecimento, nem os primeiros princípios da moral; APENAS A SUA APLICAÇÃO CONCRETA. Efectivamente os primeiros princípios são naturais, intrínsecos à constituição e geração da criatura racional, enquanto tal. Na Ordem Natural, depois do pecado original, é impossível o cumprimento integral dos Mandamentos da Lei de Deus, sem a Graça Medicinal, a qual consiste num auxílio Preternatural à recta hierarquização objectiva da pluralidade de bens deste mundo com o Supremo Bem. Cumpre assinalar que um tal cumprimento da Lei Moral NÃO SERVE PARA A SALVAÇÃO ETERNA; VISTO QUE O NOSSO DESTINO SOBRENATURAL É COMPLETAMENTE GRATUITO DA PARTE DE DEUS – E ABSOLUTAMENTE OBRIGATÓRIO DA PARTE DO HOMEM.
É absolutamente falso considerar virtude aquilo que não passam de consequências do pecado original, NÃO COMBATIDAS PELA MESMA VIRTUDE, por exemplo: Sentir grandes tentações INTRÍNSECAS, mesmo sem consentimento, não demonstra a presença na alma dos bens da Graça, mas talvez a sua ausência. As tentações de Nosso Senhor foram PURAMENTE EXTRÍNSECAS, sugestões maliciosas apresentadas exteriormente pelo demónio, como de resto sucedeu a muitos e grandes santos; porque os anjos, mesmo condenados, possuem poder sobre a matéria, logo também sobre a sensibilidade humana. São Tomás de Aquino, procede à distinção entre as almas continentes e as almas temperadas: As primeiras têm que realizar grandes esforços na prática da virtude, precisamente porque as camadas inferiores do seu ser ainda não estão integralmente rectificadas, isto é, assimiladas aos Bens Celestes, o que não acontece com os temperados, para os quais, a Lei Divina brota espontâneamente da sua natureza homogèneamente sobrenaturalizada. Seja como for, a elevação de uma alma na Caridade Divina é sempre acompanhada de uma pacificação unificante e de uma felicidade que não é deste mundo, ainda que acompanhada de grandes sofrimentos morais. Não há contradição, visto que a alma goza e sofre sob pontos de vista diferentes: Sofre, humanamente, naturalmente, por ser maltratada e humilhada pelo mundo; goza sobrenaturalmente, inefàvelmente, por ter sido achada digna de sofrer pelo seu Senhor, a Quem ama sobre todas as coisas.
Adão e Eva, no estado de integridade, não tinham de sofrer por amar o seu Deus; tudo no Paraíso Terrestre se encontrava equilibrado e medido pela Verdade e pela Santidade, já que os dons Preternaturais eram facultados em ordem aos Sobrenaturais. Mas com o pecado original, não foi apenas a morte que entrou no mundo, mas todo um cortejo de sofrimentos, físicos e morais. Não devemos, contudo, olvidar que os sofrimentos dos bons são, em certa medida, aparentes; tal como a felicidade dos maus também é aparente. Os santos exultavam nas suas dores, precisamente, porque pela Graça de Deus sabiam posicionar espiritualmente a sua alma de modo a que a Luz Divina quase extinguisse a treva das dores humanas, físicas e morais, que sentiam. Sabemos que o contrário sucedeu com Nosso Senhor Jesus Cristo: Aqui, a União Hipostática foi providenciada de forma a que a Visão Beatífica da Alma Santíssima do Senhor não repercutisse quantitativamente o Seu Gozo, através da essência da mesma Alma, de modo a extinguir, ou mesmo a suavizar, as dores da Paixão.
A pobre Humanidade é, e sempre foi, um oceano negro de pecados e de crimes – MAS A GLÓRIA DE DEUS É CONSTITUTIVA DA VITÓRIA DA VERDADE E DA SANTIDADE, E CONSEQUENTE CASTIGO DO MAL.
A tendência para o mal – NÃO É O MAL! Porque deve ser combatida e vencida pela Verdade e pelo Bem. O que mais custa à alma é aquele confronto, digamos transcendental moral, natural e Sobrenatural, entre as consequências do pecado original, que nos impelem para o mal, e a Graça de Deus, Medicinal e Actual, que nos conduz para a Verdade e a Santidade. O pecado original, enquanto tendência para o mal, é indelével; todavia compete à Graça de Deus triunfar sobre todas as consequências moralmente letais desse pecado. Desse combate foi isenta Nossa Senhora, para quem a mais impensàvelmente elevada virtude Sobrenatural, foi igualmente, no plano INTRÍNSECO, soberanamente fácil; o que refuta outro erro teológico crasso, segundo o qual, a santidade seria rigorosamente proporcional à dificuldade INTRÍNSECA; de forma alguma; mas cumpre recordar,  que em igualdade de condições INTRÍNSECAS, a maior santidade será proporcional à dificuldade EXTRÍNSECA.
“EU VENCI O MUNDO” disse Nosso Senhor Jesus Cristo; uma só alma em estado de Graça vale infinitamente mais que todo o Universo natural. Logo a Graça de Nosso Senhor pode e deve vencer todas as consequências do pecado original. O Seu Sacrifício Redentor, renovado incruentamente nos Altares, E QUE NÃO EXISTIRIA SEM O PECADO ORIGINAL, constitui Eterna garantia de que o mundo não está abandonado – embora pareça – e que o triunfo, mesmo parcial, mesmo temporal, da Verdade e da Santidade, o qual se consubstancia já, de certo modo, nas almas em estado de Graça, constituirá testemunho Imorredoiro do heroísmo Sobrenatural dos soldados convocados por Nosso Senhor, na Idade mais tenebrosa da História Universal.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 5 de Maio de 2015

Uma resposta para “O PECADO ORIGINAL COMO EXPLICAÇÃO ÚLTIMA DA MISÉRIA DA CONDIÇÃO HUMANA

  1. Zoltan Batiz maio 9, 2015 às 3:41 pm

    O seguinte passagem (por São Ambrósio) do breviário de manhã esclarece que toda natureza deve ser restaurada por o acto de redenção do Nosso Senhor (o que significa de novo que toda natureza caiu por causa de pecado original).

    Resurréxit in eo mundus, resurréxit in eo cælum, resurréxit in eo terra. Erit enim cælum novum, et terra nova. Sibi autem non erat necessária resurréctio, quem mortis víncula non tenébant. Nam etsi secúndum hóminem mórtuus, in ipsis tamen erat liber inférnis. Vis scire quam liber? Factus sum sicut homo sine adjutório, inter mórtuos liber. Et bene liber, qui se póterat suscitáre, juxta quod scriptum est: Sólvite hoc templum, et in tríduo resuscitábo illud. Et bene liber, qui álios descénderat redemptúrus.

    In him the world, in him the heavens, in him the earth rose again. For there shall be a new heaven, and a new earth. He needed not to rise again, so far as it concerned himself, whom death could not hold in bonds. For although he died as Man, yet was he free in the netherworld itself. Wouldest thou hear how free? I am as a man that hath no strength, free among the dead. Well is he called free, who was able to take up his life again at will, even as he had said: Destroy this temple, and in three days I will raise it up. Well is he called free, who descended into hell only to redeem others therefrom.

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