Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

QUANDO A VOZ INFALÍVEL SOBRE A VERDADE DA HORA PRESENTE ESTÁ AUSENTE…

 Segredo de Fátima

Arai Daniele

A vida humana é guiada pelo pensamento e a vontade livres, que para seguir o bem precisam ter certezas. Aqui vem a questão primordial da verdade. Mas qual pode ser a certeza sobre a realidade relativa à vida do homem, sua origem,  fim último e estado atual? É claro que quanto a esta realidade não há método lógico ou matemático e científico que possa defini-la. E vista a sua importância, o cristão sabe que sua certeza está na Verdade, que é o mesmo Jesus Cristo, Deus encarnado para salvar-nos por meio do pensamento e da vontade com que nos criou.

Deste modo abreviamos a conclusão do discurso sobre a certeza da verdade para a vida pessoal e social do ser humano, em qualquer tempo, sendo a que nos revelou e confiou para ser confirmada pela Sua Igreja de modo infalível. Aqui vem então o discurso católico para definir o modo de reconhecê-la na sua continuidade, como pronunciadas pelos lábios mesmo de Nosso Senhor.

Neste sentido, desde há muito, um conceito direto sobre a questão da continuidade foi pronunciado por São Vicente de Lérins no Commonitorium primum, cujo título antigo era De Peregrino em favor da antiguidade e universalidade da fé católica contra as profanas novidades dos hereges nos diversos tempos. Eis o ensinamento fundamental: os cristãos devem crer somente e tudo quanto foi crido sempre, por todos e em todas as partes (quod semper, quod ubique, quod ad ómnibus). Papas e Concílios confirmaram a validade desta regra perene de fé, que portanto resta atual para a continuidade da Fé.

Esta citação de São Vicente não deveria suscitar problemas, mas assim não é no nosso tempo. De fato, se é condição para a salvação crer com certeza na Revelação de Deus, esta condição não pode ser discricionária, porque foi revelada para ser reconhecida e aplicada com docilidade de vontade, segundo a inteligência da verdade da Revelação confiada à Igreja Católica Apostólica e Romana, para ensiná-la aos fiéis e confirmá-la, justamente na sua continuidade.

Mas esta continuidade não exclui que deva continuar a ser explicada pela Igreja e que, portanto, devemos crer em tudo o que a Igreja ensina. Esta deve ser a nossa regra geral da fé a seguir para ter certeza sobre a autenticidade e infalibilidade de verdades da Doutrina. Assim também temos necessidade de uma regra próxima da fé, que nos permita conhecer qual seja e como entender essa doutrina segundo a modalidade utilizada pela Igreja a fim de comunicar o ensinamento de que é depositária aos fiéis.

Chegamos assim à noção de certeza infalível, tanto de quem ensina em Nome de Cristo, como de quem é ensinado, certo de que ouve Nosso Senhor ao ouvir essa voz, que se apresenta como Magistério necessariamente infalível. De fato, sem essa condição, que transcende a capacidade humana, como se poderia pretender assentimento inabalável na fé divina, sem parecer uma opinião humana, como acontece nas seitas protestantes.

Ora, como já se aludiu acima, no mundo tradicionalista atual, abalado pelas dúvidas que suscita o «papado conciliar», muitos se apelam ao Commonitorium para estabelecer suas próprias condições de certeza. O Pe. Belmont, junto ao John Daly, tratam de dois erros, opostos um ao outro e opostos ambos a essa infalibilidade da regra próxima da fé, sob o título «O erro sobre a infalibilidade é ruína da fé», http://wp.me/pw2MJ-134, São Paulo, dez. 2011, traduzidos por Felipe Coelho no blogue Acies Ordinata, (original: “L’erreur sur l’infaillibilité est ruine de la foi. Extrait d’un fil sur « Le forum catholique »”, blogue Quicumque, documento A-5 do dossiê “Sedevacantismo” (jul. 2011).

“O primeiro erro é o que exige, entre as condições de todo ato infalível da Igreja, a conformidade com a doutrina tradicional. Essa conformidade… é aquilo que a infalibilidade garante. É evidente que, se essa conformidade fosse uma condição a verificar antes de saber se o ensinamento está garantido ou não pelo Espírito Santo, o fiel não poderia mais crer simpliciter aquilo que a Igreja lhe diz. Nenhum ato da Igreja, por mais solene, poderia ser suficiente para autorizar o “credo” do fiel. Antes de crer, o fiel deveria controlar a doutrina do Magistério, para ver se a regra próxima não se teria enganado, por azar. Mas o seu controle nunca poderia ser mais do que um ato de sua própria inteligência, no mínimo tão falível quanto o juízo do Papa sobre o mesmo assunto. Na melhor das hipóteses, somente um grande teólogo, detentor de conhecimento detalhado da tradição, seria capaz de saber se o Magistério teria razão. E, por conseguinte, somente o grande teólogo seria capaz de fazer um ato de fé. O simples fiel seria reduzido a salvar-se pela opinião… a qual não é virtude teologal e nunca salvou ninguém.

“O erro oposto a esse é o que impõe ao fiel o dever de aderir às doutrinas que emanem do “magistério vivo” sem se incomodar de conciliar as aparentes contradições entre o objeto da fé apresentado hoje e aquele apresentado ontem. Afirma-se, com muita exatidão, que somente o Magistério é competente para esclarecer com autoridade as dúvidas sobre o sentido de seu conteúdo e imagina-se, por conseguinte, que uma mudança radical de doutrina (ecumenismo? liberdade religiosa?) não apresenta nenhuma dificuldade para a consciência católica, a qual só tem de se curvar. É por isso que, contrapondo-se a cada um desses erros, a doutrina católica é suficientemente resumida na palavra “Credo”: eu creio, não “eu opino” nem “eu subscrevo”.

Ficou deste modo explicado que a conformidade na fé… é aquilo que a infalibilidade garante… se essa conformidade fosse condição a verificar antes de saber se o ensinamento está garantido pelo Espírito Santo, o fiel não poderia mais crer simpliciter aquilo que a Igreja lhe diz. E com isto chegamos à questão do sujeito investido de modo imediato por Deus mesmo para exercitar o “Magistério vivo”, isto é o Papa.

A este ponto é bom ter em mente o que se viu antes, isto é da absoluta necessidade da certeza na verdade sobre a vida pessoal e social do ser humano, em qualquer tempo, que está na Revelação confiada para ser confirmada em todos os tempos pela Igreja de modo infalível. E não se trata apenas de repetir o Magistério anterior e todo ensinamento que os cristãos devem crer, segundo tudo quanto foi crido sempre, por todos e em todas as partes e portanto é de fé, trata-se de seguir, como é nos desígnios de Nosso Senhor, quem encarna o Seu Magistério vivo infalível, para em todo tempo infundir certezas. Inútil, pois, tratar da infalibilidade com o Papa católico substituído por «anticristos em Roma». Se a infalibilidade é de necessidade absoluta, igualmente o sujeito dela, o Papa, que falta hoje. Nas questões de Fé, como dizem os franceses: “tout se tient”! Se é o Papa que está ausente, falta quem pode exercitar a infalibilidade sobre matéria presente de fé como seja a necessidade de reconhecer os desígnios de Deus para esta hora. É este ligado à Profecia de Fátima mediada por Nossa Senhora para a crise atual?

A questão suspensa da Mediação de Maria Santíssima

O Cristianismo é a Religião da intervenção divina na polis terrena através da mediação da obra redentora de Jesus Cristo, que depois de Sua ascensão deixou a Igreja para representá-Lo. O Seu Vigário, portanto, está investido também de uma missão política em seu sentido mais elevado, o de Cristo, para o bem de toda a humanidade. Seria, no entanto, por esta razão, o alvo final da revolução extrema que pretende “liquidar” o Cristianismo e a autoridade que representa Deus na Terra, a dar frutos da apostasia.
Agora vivemos um curso trágico da história da humanidade com as últimas gerações cada vez mais em desordem civil e religiosa. E sabemos que o Segredo de Fátima trata justamente disso, com a promessa de ajuda mediada por Nossa Senhora.
O conhecido mariólogo Pe. Gabriele Roschini coloca, portanto, essa questão de fé nos seguintes termos: “É discutido se na mediação de Maria, além da causalidade moral (de intercessão), deva-se admitir também a causalidade física instrumental” [de intervenção?] («Dizionario di Mariologia», Studium, “Studium, Roma, 1961, p. 349; Enc. Cat. ed. 1959, volume XIII, p. 576). Portanto, não é sem base dizer que a política do bem da “polis” universal pode estar na Mensagem de Fátima. Mas é urgente que seja o Magistério vivo a esclarecê-lo e atendê-lo para o bem geral. Eis a urgência da volta do Papa. Devemos rezar para que Deus conceda esta graça. Mas como fazê-lo dignamente sem antes reconhecer que a Sede está vacante?

Para implementar a ajuda Nossa Senhora, às vésperas da Revolução Bolchevique, confiou aos três pastorinhos de Fátima o “segredo” que alertava sobre “ao erros espalhados pela Rússia” e os enormes perigos para os homens, se eles não voltassem para o caminho certo. Após a desastrosa 1ª Guerra Mundial, viria “outra guerra pior.” Se mesmo depois disso o mundo não reavaliasse seus erros, viria um terceiro flagelo, mais devastador das guerras, e tão sorrateiro ao ponto de permanecer secreto e, portanto, incompreensível durante um longo tempo para os que esqueceram a visão católica que nada pode ser mais mortal para a humanidade do que a «supressão» do Pastor da Igreja de Deus, resultante então na apostasia universal.
A este ponto, pode-se negar a necessidade de intervenção divina na vida da humanidade? Na Revelação isto aconteceu através da participação de Maria, que levou pais e santos da Igreja a prever a sua continuação nos últimos tempos. Estamos de volta à questão central do Segredo referida a uma perseguição política sem precedentes na sequência do “grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre”. Foi profetizada assim a “supressão” do “Pastor”, o equivalente à retirada do poder divino por um tempo? Hoje o sabemos porque uma vez “tirado do meio” o poder que fez de obstáculo aos erros do mundo, este estaria enredado num desastre político pior do que as grandes guerras.

Na verdade, a perseguição da ordem natural e divina na terra, o mundo, em nome da liberdade, dissipa o amor ao bem e à verdade que detém o mal e a falsidade em todas as sociedades humanas: o mundo privado da autoridade da lei divina é enredado em erros e crimes. O mistério do «terceiro segredo» torna-se claro apenas à luz desta “liquidação” da suprema Autoridade religiosa que impede o mal e a grande apostasia insuflada pelo Anticristo para a perdição humana, também na ordem terrena.

O evento de Fátima é a “intervenção” esperada de Maria
O foco desta questão pomos aqui na atenção de Maria ao pedido explícito feito pelo Papa, que em 1917 já não era o intrépido São Pio X, mas o diplomata Bento XV, para a Sua intervenção a favor da obtenção da paz de Nosso Senhor. Este Papa tinha então o grande mérito de estar ligado precisamente à verdade de fé sobre a Mediação universal de Maria, que na Igreja se tardava a proclamar embora não se possa ver como questão alheia às Suas importantes aparições reconhecidas pela Igreja. Eram estas as da «Rue du Bac» em Paris, em 1830, de La Salette, em 1846 e de Lurdes em 1858.

Papa Bento XV, disse no Sermão “E” infelizmente verdadeiro “(24 de dezembro 1915),” Ela é a aurora pacis rutilans na escuridão de um mundo conturbado … Ela é Aquela que sempre interveio para salvar a humanidade na lamentação da hora do perigo, e mais rapidamente o fará agora com o nosso pedido, Mãe de tantos órfãos, advogada diante de tão tremenda ruína”.
O apelo do Papa é de 5 de Maio de 1917. A resposta da Mãe de Deus chegou dia 13 de maio de 1917 em Fátima com uma mensagem para a paz e a conversão do mundo para a Fé revelada por Deus.
Como se constata, no entanto, não foi devidamente acolhida e não houve paz no mundo.
Assim, desde que a terceira parte do “segredo” – que seria mais clara em 1960 – foi censurada por João 23, tornou-se possível injetar idéias ecumenistas nas almas em nome da Igreja e do Papa. Mas porque essa falsa evangelização corrompe a Religião revelada, assim, “afasta completamente longe de Deus.” (Mortalium ânimos, condenando toda e qualquer mistificação ecumenista pan-cristã).

A que ponto vai hoje o acolhimento de Fátima: «carisma e profecia»?

Na perspectiva do Jubileu e do centenário das aparições de Fátima (1917-2017) a Pontifícia Academia Mariana Internationalis (PAMI) promove o Fórum Internacional de Mariologia intitulado “Fátima entre carisma e profecia” prevista na Pontifícia Universidade Antonianum de Roma de 7 a 9 de maio. Entre os palestrantes estão o Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, que afirmou logo: sobre a Mensagem tudo já foi publicado e resolvido! “O autêntico significado teológico de Fátima”? “O Fórum foi organizado pela Pontifícia Academia Mariana Internacional, em colaboração com o Santuário de Fátima, a fim de apresentar claramente o verdadeiro significado da mensagem teológica, espiritual e pastoral de Fátima, ligado às aparições da Santíssima Virgem Maria aos três pastorinhos, Jacinta, Francisco e Lúcia “. Além disso, quer oferecer aos movimentos eclesiais e Institutos de vida consagrada inspirada no carisma de Fátima a oportunidade de reunião para trocar experiências e testemunhos. Mas seria o caso de perguntar o que fizeram para lembrar as devoções pedidas por Nossa Senhora em vista da preparação do pedido-ajuda de consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, a fim de converter aquela grande nação à Igreja? É claro que a pergunta só pode ter resposta negativa na atual atmosfera ecumenista, pela simples razão que a palavra «conversão» tornou-se proibida, mas isto já desde o tempo da censura de Fátima para a promoção do Vaticano 2, um «concílio anti-mariano» em que logo de início a questão da «Mediação universal de Maria», ainda proposta pela velha guarda, foi descartada para não desagradar os protestantes. E dali em diante esta recusa só se acentuou numa igreja ecumenista conciliar que desfruta de Fátima para essa «troca de experiências e testemunhos», completamente alheia à Profecia de Fátima para o nosso tempo de profunda apostasia.

Se não ouviram e não ouvem a Mãe de Deus que chora sobre a perda de tantas almas, o que mais podem ouvir e testemunhar?

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