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Fátima e a Paixão da Igreja

ESSENCIALISMO E EXISTENCIALISMO

X.SartreO Vaticano 2, pode ser dito anti-Católico e até «deicida», pois assimilou e caldeou o veneno do existencialismo, falsa filosofia que destrói a FÉ, a ESPERANÇA e a CARIDADE, virtudes teologais que vêem de Deus para o ser humano. No seu orgulho modernista, esse «concílio» quis o homem criador de seus valores próprios e do culto humano (vide Paulo 6º); eis o culto existencialista do homem gerado pelo retorno às fontes de uma gnose original; ideia de verdade e bondade próprias à sua existência ! Torna-se assim responsável… pelo próprio ateísmo!

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

ESSENCIALISMO E EXISTENCIALISMO

Escutemos o Papa Pio XII, nalguns excertos da encíclica “Humani Generis” promulgada em 12 de Agosto de 1950:

«No que se refere à Teologia, alguns pretendem reduzir, quanto podem, o significado do Dogma, e libertar este do modo de exprimir-se há muito utilizado na Igreja, e dos conceitos filosóficos em vigor entre os doutores católicos, para voltar, na exposição da Doutrina Católica, às expressões da Sagrada Escritura e dos Santos Padres. Assim esperam eles, que o Dogma, despojado de elementos extrínsecos, como dizem, à Revelação Divina, possa ser proveitosamente comparado com as opiniões dogmáticas daqueles que se separam da Igreja; e deste modo, se possa chegar, pouco a pouco, à assimilação mútua do Dogma Católico e das opiniões dos dissidentes.
Além disso, reduzida a estes termos a Doutrina Católica, pensam eles que desembaraçam  o caminho para, COM A SATISFAÇÃO DADA ÀS NECESSIDADES DO MUNDO HODIERNO,  se poder exprimir o Dogma com as categorias da filosofia do nosso tempo, quer sejam do imanentismo, quer sejam do idealismo, quer sejam do existencialismo, ou de qualquer outro sistema.
É claro, à vista do que dissemos, que essas tendências não sòmente conduzem ao “RELATIVISMO DOGMÁTICO” como de facto JÁ O CONTÊM. RELATIVISMO ESSE, QUE É POR DEMAIS FAVORECIDO PELO DESPREZO QUE MOSTRAM PARA COM A DOUTRINA TRADICIONAL, E PARA COM OS TERMOS EM QUE ELA SE EXPRIME.
(…) Objectam, além disso, que a filosofia perene não é senão A FILOSOFIA DAS ESSÊNCIAS IMUTÁVEIS, ao passo que uma mentalidade moderna deve mas é interessar-se pela “EXISTÊNCIA” DE CADA INDIVÍDUO, E DA VIDA SEMPRE EM MOVIMENTO.
(…) Nenhum fiel pode pôr em dúvida o quanto tudo isto seja falso, especialmente tratando-se de sistemas, como o imanentismo, o idealismo, o materialismo, quer histórico, quer dialéctico, OU AINDA O EXISTENCIALISMO, QUANDO PROFESSA O ATEÍSMO, OU QUANDO NEGA O VALOR DO RACIOCÍNIO NO CAMPO DA METAFÍSICA.»

Numa forma sintética e genérica, podemos definir o existencialismo, como a consciência formal, exclusiva e operante, do homem, isoladamente, como único criador de valores próprios, que o exprimam na sua singularidade, embora não o expliquem, nem o pretendam fazer. O existencialismo finitiza o ser, tendencialmente num sentido fenomenológico e anti-científico; possui um sentido dramático do peso do próprio destino, existencialmente concebido como uma projecção dinâmica e cega para um futuro vazio.
Històricamente, o existencialismo vincula-se à desilusão profunda sentida pelo homem ocidental perante o fracasso prático dos ideais iluministas e burgueses; e pela verificação de como as modernas técnicas se voltavam contra o homem; o que ficou amplamente demonstrado na forma monstruosa como a Primeira Guerra Mundial DEVORARA A CARNE HUMANA, utilizando o motor de explosão, bem como todo o imenso progresso material introduzido pelos vários ramos da engenharia. Tal explica a referida hostilidade à ciência e à técnica propugnada sobretudo por Heidegger (1889-1976) e Sartre (1905-1980) principais corifeus do existencialismo.
Já contudo no século XIX, o nórdico protestante Soren Kierkegaard (1813-1855) lançara as bases de um LETAL conceito da fé, na qual esta criaria o seu próprio objecto; conceito ulteriormente desenvolvido por Unamuno. Na realidade, o ponto fulcral do existencialismo consiste no sentimento do peso trágico e absolutamente inexplicável da própria existência em busca de uma autenticidade, cujo único fundamento seja ela própria, e consequentemente indissociável daquilo a que  Sartre denominou como: CONDENAÇÃO À LIBERDADE.
O existencialismo, sobretudo o sartreano, nega a substancialidade da alma, reduzindo-a a uma transparência aniquilante e temporalizante (pour soi) em oposição à opacidade do mundo (en soi). Curiosamente, Sartre produziu a asserção de que Deus (que ele odiosamente negava) seria simultâneamente “en soi” e “pour soi”. O ateísmo de Sartre é um ateísmo postulatório, pois repousa numa decisão existencial, não fundamentada em provas objectivas.
Existe uma oposição radical e absoluta entre a atitude existencialista, como consciência de uma liberdade incondicionada e aniquilante; e a atitude essencialista, como consciência de uma liberdade espiritual e Sobrenatural, constitutivamente, em Deus Nosso Senhor fundamentada, e n’Ele teleològicamente orientada.
A verdadeira liberdade está ESSENCIALMENTE ancorada ao Ser; pois consiste precisamente na faculdade DE NOS MOVERMOS NA VERDADE E NO BEM DO SER.
A liberdade existencialista é nauseante e aniquilante; pois não possui nem fundamento, nem fim, nem substância espiritual, elevada sobrenaturalmente pela Graça, na qual se exerça. Exactamente por isso, é que Sartre afirmava que a consciência (pour soi) é o meio pelo qual o NADA penetra no mundo; e que por isso a humanidade só possui História porque a erigiu em monumento, pois que o homem tenta sempre “opacificar” o “pour soi” conferindo-lhe a consistência que a sua liberdade não possui.
A liberdade essencialista não cria valores, porque sabe que Deus criou o mundo segundo uma Ideia Eterna, segundo
Essências Eternas, porque tal é o modo como o mundo É VIRTUALMENTE EM DEUS. O mundo, mesmo que não existisse, SERIA VIRTUALMENTE, ETERNAMENTE, EM DEUS. O Essencialismo consagra essa prioridade Metafísica e Teológica absoluta do SER sobre o existir. O existencialismo não apenas FINITIZA, mas DESSUBSTANCIALIZA o ser, rebaixando-o a sombras aniquiladas,e aniquilantes, produzidas por uma existência completamente cega. Portanto a liberdade essencialista não cria valores, REALIZA-OS, EM OBEDIÊNCIA AOS MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS, E DA SANTA MADRE IGREJA.
O existencialismo não sabe de onde vem, nem para onde vai. Em Heidegger, o “Dasein”, ou seja, o existente no seu dramatismo de busca de autenticidade,  pressente a perda irreparável do Ser, sente-se a flutuar no vazio, numa angústia perpassada pelo sentimento de culpa; mas não procura criar valores em sentido sartreano – até porque neste tipo de existencialismo, qualquer valor só pode existir como condição da própria aniquilação –  procura, sim, desvendar o negrume da sua condição existencial, na qual falha o ser.
Inversamente, para a Doutrina Essencialista, a alma será tanto mais autêntica, quanto mais se identificar sobrenaturalmente, objectivamente, com a Lei Eterna, princípio de Ordem, Incriado, de toda a natureza, criada ou possível.
Em Jaspers (1883-1969) o mistério da existência apresenta-se na forma de cifras, ou seja, situações existenciais limite nas quais a transcendência surge em negativo, facultando a denominada “fé filosófica”; atitude, em que segundo Jaspers, o existente se auto-redime, tocando as balizas do ser, aliás, totalmente incognoscíveis.
Para a Doutrina Essencialista, muito pelo contrário, todo o bom católico sabe que as provações e desastres deste vida, constituem, ou devem constituir, remédios, Graças naturais, com que Deus Nosso Senhor quer desapegar a alma das afeições terrestres desordenadas, orientando-a para Si, como Fonte de toda a Verdade e toda a Santidade.
O diabòlicamente denominado “existencialismo cristão” QUE MAIS NÃO É SENÃO REMATADO ATEÍSMO, e que foi sobretudo divulgado por Gabriel Marcel (1889-1973) demonstra bem o nível de aberração alcançado pela filosofia contemporânea. Para Marcel, as provas tradicionais da existência de Deus – SÓ CONDUZIAM A ALMA AO ATEÍSMO! Marcel concebia Deus como um “TU” absoluto, que mais não constitui senão uma projecção fantástica, caracterizadamente irreal, do próprio “eu”.
Todas estas desgraçadas formas de existencialismo infectaram gravemente, bem antes do concílio, os ambientes intelectuais e universitários católicos, e embora discretamente, foram eivando a Fé de muitos sacerdotes e seminaristas. Porque o existencialismo só difere do modernismo, quando hipertrofia o sentido profundo de autenticidade humana, centrada em si mesma e projectada vitalmente, como princípio totalmente independente de criação e vivência de valores próprios; mas também por isso, ENCONTRA-SE, IRREVOGÀVELMENTE, NOS ANTÍPODAS DO ESSENCIALISMO CATÓLICO, OBJECTIVISTA E SOBRENATURAL.
O concílio Vaticano 2, anti-Católico e deicida, assimilou  e caldeou todos estes existencialismos, todos eles ateus, como vimos, com a possível excepção do existencialismo de Heidegger, o qual será mais rigorosamente denominado agnóstico. Consequentemente, sintetizamos com felicidade a Doutrina Católica de sempre, não só no plano filosófico, mas no plano Teológico, qualificando-a de ESSENCIALISTA, ESCOLÁSTICA; e apelidando a apostasia do Vaticano 2 de EXISTENCIALISTA. O Papa Pio XII, na sua encíclica “Humani Generis” mais não pretendeu senão actualizar as condenações da encíclica “Pascendi”; mas foi MUITO MENOS VIGOROSO DO QUE SÃO PIO X NO COMBATE AO DEMÓNIO MAÇONICO, JÁ ENORMEMENTE INFILTRADO NA SANTA MADRE IGREJA. Pio XII devia ter aproveitado a sua suprema soberania temporal no Estado do Vaticano (o que não acontecia com São Pio X, pois este viveu antes dos acordos de Latrão, em 1929) para castigar temporalmente, mesmo com a pena máxima, os fautores da traição que conseguisse capturar. Mas, muito lamentàvelmente, assim não procedeu.
A filosofia dos últimos cinco séculos tem representado, quase sempre, uma afronta a Deus Nosso Senhor, Constituidor da razão humana. É certo que Deus Nosso Senhor não nos julgará senão por realidades ESTRITAMENTE SOBRENATURAIS; mas não é menos certo que uma falsa filosofia DESTRÓI POSITIVAMENTE A FÉ, A ESPERANÇA E A CARIDADE; anàlogamente uma boa filosofia, participação natural na Inteligência Divina, o Tomismo, quase canonizado pela Santa Madre Igreja, infalível nestas matérias, precisamente uma boa filosofia pode constituir condição extrínseca providencial da Graça Sobrenatural.
Exaltemos a Fé Católica, exaltemos a Santa Madre Igreja, Sociedade Perfeita, que nutre os seus filhos com o Pão da Sã Doutrina, em todos os aspectos da vida – e também nos filosóficos.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 25 de Maio de 2015

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