Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

ECLIPSE DO PENSAMENTO CATÓLICO À LUZ DO LUTERANO 2º

L'Esprir désolant 

Arai Daniele

Neste ano celebra-se o 2º centenário da derrota do Bonaparte em Waterloo. Foi realmente derrotado? Sim, militarmente como general. Mas não as suas idéias, que são as da revolução de 1789, porque estas continuaram a expandir-se até hoje.

Quando se ouve então o iluminista luterano Ratzinger dizer que o Vaticano 2º tinha por plano incorporar os duzentos anos do «progresso» iluminista, de que outra coisa fala?

Dai que se conclui da expansão das idéias revolucionárias, das quais foram vetor as guerras napoleônicas, não foram derrotadas, porque são recicladas hoje em Roma.

Vamos rever os pensamentos do imperador corso, para depois conhecer sua ligação com o protestantismo liberal e arraigadamente anti-católico.

O império revolucionário de Napoleão

O imperador Napoleão I repetiria à saciedade que tinha sido o defensor das idéias de 1789. Auto-proclamava-se o “Messias” da revolução: “Consagrei a Revolução, insuflei-a nas leis.” Vejamos o legado desta num escrito do bispo de Angers (Mgr Freppel):

“Lede a Declaração dos Direitos do Homem, quer a de 1789, quer a de 1793, vede qual a idéia que então se formou dos poderes públicos, da família, do casamento, do ensino, da justiça e das leis: lendo-se todos esses documentos, vendo-se todas essas instituições novas, dir-se-ia que, para essa nação cristã desde há quatorze séculos, o cristianismo nunca existira e que não havia lugar para ser tido em conta…

“Era o reinado social de Jesus Cristo que se tratava de destruir e de apagar até o menor vestígio. A revolução é a sociedade descristianizada; é Cristo repelido para o fundo da consciência individual, banido de tudo quanto seja público, de tudo quanto seja social; banido do Estado, que já não procura na Sua autoridade a consagração da sua própria; banido das leis, das quais a Sua lei não é soberana; banido da família, constituída fora da Sua bênção; banido da escola, onde o Seu ensino já não é a alma da educação; banido da ciência, onde não obtém melhor homenagem do que uma espécie de neutralidade não menos injuriosa do que a negação; banido de toda parte, a não ser talvez de um recôndito da alma, onde consentem deixar-lhe um resto de domicílio.”

Esta era a intenção real. Mas, perguntar-se-á, por que razão teria Napoleão restabelecido o culto católico na França? Por que fez uma concordata com o papa Pio VII? Por que convidou este para a sua coroação? Algo se esclarece a esse respeito no seu Memorial de Santa Helena: “Quando restabelecer os altares, quando proteger os ministros da religião, como eles merecem ser tratados em todo o país, o papa fará o que lhe pedir: acalmará os espíritos, reuni-los-á na sua mão e colocá-los-á na minha… Além disso, o catolicismo conservar-me-á o papa, e, com sua influência e as minhas forças na Itália, não desistirei de, cedo ou tarde, por um meio ou por outro, acabar por ter nas minhas mãos a direção desse papa, e, desde logo, dominar essa influência e essa alavanca de opinião sobre o mundo…”

Para quê? “De fato”, escreveu Mgr Delassus, “onde quer que Napoleão levou seus exércitos, fazia o que tinha sido feito em França, impondo a igualdade entre os cultos, expulsando os religiosos, estabelecendo a partilha forçada, vendendo os bens eclesiásticos, abolindo as corporações, destruindo as liberdades locais, derrubando as dinastias nacionais, aniquilando, numa palavra, a antiga ordem das coisas e esforçando-se para substituir a civilização cristã por uma civilização cujo princípio e fundamento seriam constituídos pelos dogmas revolucionários.”

A restauração aparente

Depois da queda de Napoleão os revolucionários não conseguiram impedir a volta de um rei católico na pessoa de Luís XVIII, da família Bourbon. Mas conseguiram colocar junto ao soberano um certo número de homens que pouco tinham de promotores da restauração da ordem cristã. Tratava-se de uma equipe de prelados e padres que haviam abandonado o seu ministério sob a revolução: Talleyrand, de Pradt, Louis, de Montesquieu. Foi a esses quatro eclesiásticos que Luís XVIII confiou o governo da primeira restauração.

No da segunda havia o regicida Fouché. Com a polícia dominada por ele a maçonaria pôde reorganizar-se livremente. E assim a restauração favoreceu o catolicismo, mas também os maçons e o parlamentarismo, de modo que “a constituição de 1814 saiu das próprias entranhas da revolução”, como diria Thieres em 1873. O papa Pio VII manifestava ao rei, através do bispo de Tours, sua dor e os perigos dessa constituição revolucionária. Em 1818 o cardeal Consalvi escrevia ao príncipe de Metternich-Winneburg, da Áustria: “Julgo que a revolução mudou de marcha e de tática. Já não ataca a mão armada tronos e altares: limita-se a miná-los…”

Mas os avisos de Roma de nada serviriam aos monarcas de então. Luís XVIII estava longe de ser um católico de tempera. Havia recusado à contra-revolução da Vandéia de tomar o poder para vencer a subversão revolucionária e o terror dos anos que se seguiram a 1793. Seu irmão e sucessor Carlos X, embora bastante devoto, não tinha formação católica sólida para enfrentar insídias e acabou sucumbindo ao golpe de estado de 30 de julho de 1830 foi levado ao poder Luís Filipe Égalité, filho do regicida Orléans.

Era o retorno da revolução com todas as suas insídias, mas com a salvaguarda de estar sob a continuidade e respeitabilidade monárquica. Rodeado desde o início pelos pontífices da maçonaria — Decazes, La Fayette, Talleyrand, Teste, etc. — começou por colocar o judaísmo no mesmo nível das confissões cristãs, reforçando o interconfessionalismo e o clima de indiferença e liberalismo religioso.

Assim, reconciliada na França a revolução com o trono, na Europa os revolucionários ficaram livres para difundir e intensificar a guerra contra a Igreja, como se verá na Espanha e em Portugal, mas especialmente em Roma, onde o papa foi praticamente forçado a aceitar um projeto de anistia permanente para os revolucionários dos estados pontifícios. Em 1832 a França orleanista chegou a apoderar-se ameaçadoramente da cidade de Ancona, mas sem abalar a firme prudência de Gregório XVI.

A ajuda política de Nossa Senhora

Apraz-me lembrar sempre que as intervenções de nossa Mãe do Céu foram seguindo esses golpes políticos, de maneira a reforçar a devoção católica. Assim, ma noite entre 18 e 19 de julho de 1830, onze dias antes do golpe de estado, Nossa Senhora apareceu em Paris, na capela da “Rue du Bac” das Filhas da Caridade, à jovem religiosa Catarina Labouré. A humilde noviça, que depois se tornou santa, ouviu a Virgem Maria, que com os olhos cheios de lágrimas, profetizava as grandes desgraças que estavam para abater-se sobre a humanidade. Em 27 de novembro, Maria Imaculada confiou a Catarina a missão de propagar a “Medalha Milagrosa” para sustentar os fiéis e a Igreja com a invocação: — Oh Maria concebida sem pecado rogai por nós que recorremos a Vós.

Eis, portanto, a resposta a esta questão capital que nos deve orientar sobre a luminosa seqüência de aparições marianas que vieram prevenir sobre os grandes perigos revolucionários modernos, que de 1830 até hoje se sucedem numa escalada vertiginosa.

A consideração fundamental é esta: a intervenção sobrenatural precede uma ameaça política à vida religiosa, mas a verdadeira ameaça, invisível, está no interior da Igreja, é relativa à defesa da fé, da doutrina, do culto, do clero, da hierarquia e do pontificado. Nossa Senhora veio à “Rue du Bac”, como a La Salette e Fátima, avisar sobre erros políticos, mas para a defesa da Roma católica. A mensagem de ajuda é antes de tudo para que o pontífice romano tenha um novo apoio inestimável para preservar a fé íntegra e pura. Bastaria lembrar estas aparições de Maria Imaculada que em Lourdes, em 1858, diz “Eu sou a Imaculada Conceição”, confirmando assim a plena oportunidade do dogma proclamado pelo papa Pio IX em 1854.

Além dessas grandes aparições, não há que descurar o prodígio dos «olhos de Maria» para apoiar a Igreja, quando da descida das tropas napoleônicas na Itália.

A revolução liberal dentro da Igreja

A esta luz podemos entender que o verdadeiro perigo de 1830 não era tanto a revolução coroada que iria impor o erro no mundo pelas armas, mas uma infiltração liberal que iria enfraquecer as defesas doutrinais da Igreja pelo liberalismo. Este termo tem-se prestado a muitas confusões, razão pela qual se impõe elucidação melhor deste mal, denunciado pelo papa. Liberalismo é, essencialmente, atribuir à liberdade humana prioridade sobre a verdade revelada por Deus. Esta rebeldia à verdade começou a apoderar-se dos governos e das leis com a revolução francesa, mas era condenada e mantida fora da Igreja até que eclesiásticos, como o padre Lamennais, ocuparam-se de acolhê-la e “cristianizá-la”.

Desde o século XIX o liberalismo religioso fez três grandes tentativas de dominar a Igreja. A primeira, de Lamennais, consistia em considerar o direito à liberdade um fato universal no qual se inseria o da liberdade da Igreja, como uma espécie diante do gênero. Esta posição quanto à liberdade religiosa tinha por conseqüência lógica a separação total da Igreja e do Estado, da lei de Deus e da lei dos homens. Depois da revolução de 1830, esta posição revolucionária agravou-se, por ser defendida também por “católicos” da corrente liberal do padre Lamennais, que se apresentaram à opinião pública como os verdadeiros defensores da liberdade da Igreja. Podia haver ilusão nisto?

Essa primeira tentativa com seus embustes e ilusões foi firme e prontamente repelida em 1832 pelo papa Gregório XVI com a encíclica Mirari vos, que reconhecendo a entidade do perigo usou palavras da profecia apocalíptica.

A segunda tentativa de criar um “liberalismo católico” foi no sentido de aliar a Igreja à democracia, repelida porém com grande força e precisão doutrinal pelo papa Pio IX com a encíclica Syllabus e o Concílio Vaticano I: não há maioria democrática que possa prevalecer sobre a infalibilidade da Igreja e do papa, vigário de Cristo.

A terceira tentativa obteve no início um sucesso prático sob Leão XIII que, embora firme na doutrina, concedeu pelo “ralliement” uma aliança dos católicos franceses com o governo que operava com princípios liberais condenados pela Igreja. Mas com o novo papa, São Pio X, essa concessão cessou. As conseqüências foram dramáticas pela reação do governo, que despojou a Igreja na França de tudo quanto possuía.

O mesmo aconteceria anos depois em Portugal, mas os princípios imutáveis da prioridade da lei de Deus sobre os votos democráticos e as preferências dos homens, afirmou-se pela ação de São Pio X de tudo instaurar em Cristo. Seriam desacreditadas pela encíclica Notre charge apostolique também as tentativas da “democracia cristã” do Sillon de Marc Sagnier, que aceitava uma vontade soberana do povo até de rezar ou ofender a Deus (como acontece com a lei do aborto). Ficavam claras as palavras de Leão XIII, de que o Estado que se rege pelos princípios do liberalismo é na prática um Estado ateu. “Este — ateísmo social — baseado numa liberdade depravada não é menos contrário ao direito natural e cristão que o ateísmo individual.” (Enc. Libertas, de 1888)

O liberalismo protestante infectou o clero e os povos

Pela mensagem de Nossa Senhora de La Salette de 1846 veremos que o liberalismo religioso tranformaria muitos padres em “cloacas de impurezas” e preparava o caminho para uma infecção mortal: o ateísmo militante do estado socialista. Era a hora de Marx, da Internacional preparada pelos erros liberais de um imperador carbonário: Napoleão III. Mas o verdadeiro perigo não estava tanto no reforçamento do poder temporal inimigo da Igreja, que manobrou o assalto contra a Roma católica durante o I Concílio do Vaticano.

O papa Pio IX sentiu-se prisioneiro no seu palácio, mas sua preocupação estava sempre na defesa da fé contra os assaltos internos. E estes vinham também da parte do clero e até de bispos. Aqui é importante considerar, seguindo as preocupações dos papas e os avisos sobrenaturais, qual era o perigo apocalíptico com que se deparava a Igreja depois das palavras evocadas na Mirari vos pelo papa Gregório XVI.

De fato, se o grande mal consiste na abertura do poço do abismo que infectará toda a Terra, e a chave doutrinal tem por nome “liberdade religiosa”, a grande questão é interpretar qual é a estrela caída que a usará. Ora, as estrelas do firmamento da Igreja são os bispos. Estas são as luzes que guiam e iluminam no alto com a luz de Deus. Que seria então a estrela que recebeu a chave? O bispo com a chave, senão o bispo de Roma?

Em La Salette, Nossa Senhora disse: “Roma perderá a fé e se tornará sede do anticristo.” Eis então o perigo supremo que, como mostraremos adiante, não deixou de ser previsto pelos grandes papas do século XIX e sobre o qual São Pio X, apenas elevado ao trono de São Pedro, disse ser lícito pensar, diante do desastroso estado do mundo, que o anticristo já estava entre nós.

Não se pode, porém, pensar que este iníquo foi elevado a tanto poder sem o concurso de muitas forças unidas: políticas, culturais, sociais, maçônicas, eclesiais, e tudo reforçado pela impiedade dos povos e a perversão do clero protestantizado pelo Vaticano 2. E foi justamente para avisar disto que a Igreja recebeu as mensagens marianas e pedidos sobrenaturais. Que fizeram os católicos desses pedidos e dessas ajudas? Que tudo isto sirva de introdução à Mensagem profética de Fátima que devemos honrar e testemunhar para merecer Sua ajuda.

Antonio Gramsci, o intelectual da revolução semântica comunista e idealizador da «nova cultura» para minar a educação católica da Civilização Cristã, escreveu: “o socialismo é justamente a religião que abaterá o cristianismo”… Para este «profeta comunista»: “O catolicismo democrático faz o que o socialismo não poderia fazer: amalgama, ordena, vivifica e suicida-se”.

Foi o que fez o modernismo com a democracia cristã e depois o Vaticano 2º: seguiu de João 23 em a lição gramsciana da filosofia da práxis. Eis o nome que Gramsci dá ao materialismo dialético e histórico – pressupõe todo este passado cultural, o Renascimento e a Reforma, a filosofia alemã e a Revolução francesa, o Calvinismo e a economia clássica inglesa, o liberalismo laico e o historicismo na base de toda concepção modernista da vida.

A filosofia da praxis é a coroação de todo este movimento de reforma moral e intelectual… corresponde ao nexo: reforma protestante + revolução francesa”. Hoje só havia que acrescentar a isto: a miserável revolução conciliar do «papado iluminista» aceito pelo povo como «enviado de Jesus Cristo» para modernizar protestanticamente a Fé pela qual 0 Salvador morreu na cruz!

Se isto não é a mais obscura e longa eclipse do pensamento católico, só pode ser a geral apostasia conciliar. Ou uma como consequência da outra. Sim porque parece cada vez mais obscuro à multidão o fato que vivemos a final alienação do Papado católico, sem que se perceba o seu abatimento, por um longo tempo, desde a eleição do modernista mação João 23! Tal atentado, da visão do «Terceiro Segredo de Fátima», já era «mais claro em 1960».

Todavia, para a imensa maioria, até hoje parece impossível entendê-lo, apesar da devastadora ruína espiritual que continua seu avanço inexorável. Pode este não ter uma causa? E pode esta ser alheia ao atentado à «única Fé, do único Batismo, da única Igreja Santa Católica e Apostólica» perpetrado pelo poder da «nova ordem mundial», abastecido pela falsa igreja ecumenista de venéficas setas anti-católicas?

Que Nossa Senhora de Fátima nos ajude.

 NOSSA SENHORA DA MENSAGEM DE FÁTIMA

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