Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A ESFERA CIVIL ESTÁ INTEGRALMENTE SUBMETIDA A DEUS NOSSO SENHOR

  • Duas IgrejasUma das grandes falsificações dos que, como o P. Paulo Ricardo, procuraram branquear o Vaticano 2, consiste na asserção de que este se limitou a confirmar a liberdade religiosa, na esfera civil, a qual nada tem a ver com a jurisdição e a missão salvífica da Santa Igreja: pérfida monstruosidade que defrauda a Revelação, como se o Direito Público da Igreja em nada se relacionasse com a ordem jurídico-política dos Estados.

*   *   *

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Bento XV, em excertos da sua encíclica “Ad Beatissimi Apostolorum Principis”; promulgada em 1 de Novembro de 1914:

«Nunca, talvez, mais do que hoje, falou-se de fraternidade humana; pretende-se antes, esquecendo as palavras do Evangelho, e a Obra de Nosso Senhor Jesus Cristo, que esse zelo de fraternidade seja uma das partes mais preciosas da moderna civilização. A verdade, porém, é esta: QUE NUNCA SE DESCONHECEU TANTO A FRATERNIDADE HUMANA COMO HOJE. OS ÓDIOS RACIAIS SÃO LEVADOS AO PAROXISMO, MAIS DO QUE POR FRONTEIRAS, OS POVOS ENCONTRAM-SE SEPARADOS POR RANCORES – DENTRO DE UMA MESMA NAÇÃO, E DENTRO DOS MUROS DE UMA CIDADE, OS CIDADÃOS ARDEM DE INVEJA ENTRE SI. ENTRE OS INDIVÍDUOS TUDO SE REGULA COM O EGOÍSMO, FEITO LEI SUPREMA. (…)
Afinal, a partir do dia em que cada poder humano se quer emancipado de Deus, Criador e Dominador de todo o Universo, e se quer originado da livre vontade dos homens, os vínculos intercorrentes entre superiores e súbditos vão se enfraquecendo de modo tal, que dão a impressão de quase ter desaparecido. Desenfreado espírito de independência, unido ao orgulho, infiltrou-se aos poucos por toda a parte, não poupando sequer a família, em que o poder germina claríssimamente da natureza; antes, o que é mais deplorável, nem sempre ficou contido no limiar do Santuário. Daí o desprezo das leis, a insubordinação das massas, a petulante crítica do que a autoridade dispõe, os mil modos excogitados para tornar ineficaz a força do poder, os espantosos delitos dos que, professando a anarquia, não hesitam em atentar, quer aos bens, quer à vida dos outros.
Diante dessa monstruosidade do pensar e do agir, deletéria à sociedade humana, nós, constituídos por Deus PARA ZELAR PELA VERDADE, não podemos deixar de elevar a voz, e lembramos aos povos, A DOUTRINA QUE NENHUMA SENTENÇA HUMANA PODE MUDAR:”NÃO HÁ AUTORIDADE QUE NÃO PROVENHA DE DEUS E AS QUE EXISTEM FORAM ESTABELECIDAS POR DEUS. TODO O PODER, PORTANTO, QUE SE EXERCE SOBRE A TERRA, QUER DE SOBERANO, QUER DE AUTORIDADE SUBALTERNA, TEM DEUS COMO ORIGEM. DISSO, SÃO PAULO DEDUZ O DEVER DE OBEDECER, NÃO DE QUALQUER MANEIRA, MAS COM CONSCIÊNCIA, SOB A DIRECÇÃO DE QUEM É INVESTIDO NO PODER – SALVO O CASO EM QUE SE OPONHAM ÀS LEIS DIVINAS.»

Uma das grandes falsificações cometida por aqueles que, hoje como ontem, desde sempre procuraram branquear o Vaticano 2, consiste precisamente na asserção de que o referido concílio se limitou a confirmar a liberdade religiosa, na esfera puramente civil, a qual nada tem a ver com a jurisdição e a missão salvífica da Santa Igreja. Ora isto constitui uma monstruosidade atroz, pois defrauda torpemente a Revelação, bem como todo o Direito Público Eclesiástico; pressupõe uma mentalidade estritamente modernista, para a qual, a religião não passa de um sentimentalismo subjectivista, que em nada se relaciona, nem pode relacionar-se, com a ordem jurídico-política dos Estados.
Nosso Senhor Jesus Cristo é o Criador e o Redentor DE TODO O HOMEM, SOCIAL E INDIVIDUALMENTE CONSIDERADO, COMO EXISTENTE NA ESFERA PÚBLICA E EXISTENTE NA ESFERA PRIVADA. Nosso Senhor exerce a Sua Soberania sobre todos os homens, de todas as raças e nações, baptizados ou não; é falso e herético, que um sujeito não baptizado se situe num âmbito exterior à soberania de Nosso Senhor; e embora não se encontre submetido, DIRECTA E IMEDIATAMENTE, à Jurisdição da Santa Madre Igreja, está, contudo, necessàriamente submetido, à autoridade imediata do Estado Católico, braço secular da mesma Igreja, e portanto, indirectamente, está submetido à Igreja. Nada do que foi criado pode estar isento, por qualquer forma que seja, da Soberania Divina; quer na Ordem Natural, quer na Ordem Sobrenatural. Os branqueadores do odiado concílio necessitam de enganar os incautos, para lhes torpedear a Fé; e o que é facto, é que muitas almas de Fé sincera se deixaram armadilhar – ACABANDO POR PERDÊ-LA!
Evidentemente, se a “fé” não é mais do que um sentimentalismo cego, que brota do fundo da consciência, então não pode possuir realidade alguma, obrigatoriedade alguma, e nesse caso os poderes públicos apenas criarão condições para que se possam exprimir livremente as diversas “fés” – COM A EXCEPÇÃO DA VERDADEIRA FÉ CATÓLICA, PORQUE ESTA SERÁ SEMPRE NEGATIVAMENTE DISCRIMINADA. Foi este o princípio político iluminista, que originado na anarquia religiosa da chamada reforma, foi sendo progressivamente consagrado pela lei, na revolução de 1789 e revoluções suas derivadas; FOI ESTE O PRINCÍPIO MALDITO APROVADO OFICIALMENTE – NÃO PELA SANTA MADRE IGREJA – MAS PELO CONCILIÁBULO MAÇONICO VATICANO 2. A revolução protestante e os seus consectários políticos de 1789, nunca admitiram no seu panteão a Santa Madre Igreja; exactamente porque eles sabiam que a especificidade intrínseca da Fé Católica exclui liminarmente qualquer promiscuidade da Verdade com o erro, do Bem com o mal; e até à defecção de 1958, a Santa Mãe Igreja recusou-se permanentemente a franquear pórticos internacionais menos claros neste ponto.
São, aliás, conhecidas as gravíssimas discriminações, que até meados do século XIX, os católicos sofreram em terras protestantes – LUGAR PARA TUDO, MENOS PARA A VERDADE!
A intolerância da Verdade é perfeitamente objectiva; não se deve a qualquer capricho subjectivo, a qualquer indisposição particular – É UMA PROPRIEDADE ABSOLUTAMENTE INTRÍNSECA À PRÓPRIA VERDADE.
Porque a Verdade constitui uma propriedade transcendental do Ser, e este, É por si mesmo. Mas então e o Ser de Deus? Ser é um conceito abstracto; Deus é perfeitamente concreto e Pessoal. Todavia, de ambos se deve afirmar que SÃO por si mesmos, pois proporcionam-se rigorosa e transcendentalmente.
A esfera civil possui, sem dúvida, uma autonomia própria, confiada a César, de carácter político, administrativo e judicial; todavia, a esfera civil, ou seja o Estado, recebe obrigatòriamente da Santa Madre Igreja OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS À LUZ DOS QUAIS DEVE PROSSEGUIR, LEGÌTIMAMENTE, A SUA ACTIVIDADE PRÓPRIA. SE A FÉ CATÓLICA É OBJECTIVA, TEM QUE POSSUIR INTEGRAL COBERTURA DA PARTE DE LEIS TEMPORAIS TAMBÉM OBJECTIVAS. O conciliábulo do Vaticano 2, PRECISAMENTE PORQUE REBAIXOU A FÉ CATÓLICA A UM SIMPLES CAPRICHO SENTIMENTAL, IMANENTISTA, EDULCORADO SEGUNDO AS FORMAS DE UM CONTO DE FADAS, EXACTAMENTE POR ISSO, É QUE PROCLAMOU A LIBERDADE RELIGIOSA. REALMENTE, SE ESTAMOS APENAS PERANTE FICÇÕES SUBJETIVISTAS, PORQUE NÃO HÁ-DE CADA UM TER DIREITO À SUA?
Os liberais adoram convencer-se a si mesmos que existem zonas sombra onde a Lei Divina, a Caridade Divina, se não exerce. O próprio Vaticano 2 comportou-se, ele próprio, como uma zona sombra, na qual finalmente se encontrara um rincão, um paraíso – sem Deus; mais uma vez o fruto proibido atraíra letalmente os servidores de satanás.
Como sempre proclamaram os Papas, uma vez obliterada a Fé Católica, a qual nos faculta a ciência Sagrada dos fundamentos, bem como do Fim último Sobrenatural e dos fins secundários; desaparece o alicerce infrangível para todo o vínculo de sociabilidade e para todo e qualquer ordenamento social. É o niilismo como princípio de vida. A maçonaria sempre afirmou que para sustentar com dignidade a integridade dos vínculos sociais, era suficiente a unidade racional do Género humano; mas o século XX, com as suas guerras mundiais, os seus genocídios, o seu terrorismo, demonstrou bem a nenhuma eficácia da razão humana, ferida pelo pecado original, quando não é ilustrada pela Razão Divina.
São Pio X, quando era pároco em Salzano, em 1873, escreveu o seguinte a um jovem sacerdote: “A partir desse dia (da Ordenação) começarás a percorrer a via do Calvário, a única pela qual se chega ao Tabor; saberás então, por experiência, que a vida do Padre é uma vida de sacrifício. Vivemos infelizmente numa época em que o Padre só encontra desprezo, ódio e perseguição; devemos, porém, alegrar-nos, pois é justamente daí que surge essa força, que faz empalidecer aquele que desconhece esse segredo, e que te surpreenderá a ti próprio quando te puseres à obra.”
São João Bosco (1815-1888), um dos maiores santos da Cristandade, referindo-se um dia aos seus métodos de educação, afirmou: “No meu longo convívio com os rapazes, nunca me foi necessário empregar qualquer violência, sendo que não só obtive sempre deles aquilo que queria, mas também aquilo que simplesmente desejava”.
É que nos santos, como obras-primas da Graça Divina, a Verdade resplandece com um fulgor, e uma eficácia, que deixa perplexos  aqueles que desconhecem o segredo maravilhoso dos Mistérios da vida Sobrenatural. É evidente que não estou aqui a subscrever a falsa tese roncalliana e modernista da nocividade e inutilidade dos meios repressivos temporais para impor a Verdade e o Bem, nada disso; o que se ratifica, é que os meios positivos têm prioridade sobre os negativos, exactamente como o Céu tem prioridade, teológica e ontológica, sobre o Inferno. Na realidade, Deus criou o mundo para Sua maior Glória, e as criaturas espirituais deverão anunciar essa Glória, positivamente, pelo amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo por amor de Deus; todavia os condenados anunciam também, negativamente, essa mesma Glória Divina com o seu castigo; e é a sua própria dignidade ontológica, privada da dignidade operativa, que exige esse castigo.
NENHUM HOMEM TEM DIREITO FORMAL A IMPERAR SOBRE OUTRO, A NÃO SER QUE PROCEDA EM NOME DE DEUS. O DENOMINADO MANDATO POPULAR NÃO CONSTITUI, FORMALMENTE, AUTORIDADE ALGUMA. SÒMENTE UMA AUTORIDADE QUE POSSUI EM SI MESMA A SUA RAZÃO DE SER, PODE CONFERIR UM VERDADEIRO E PRÓPRIO DIREITO OBJECTIVO DE MANDAR, NA ESFERA ECLESIÁSTICA, COMO NA ESFERA CIVIL, BEM COMO VINCULAR POR LIAME SAGRADO, A OBRIGAÇÃO DO SÚBDITO DE OBEDECER, SEMPRE, SEMPRE, POR AMOR SOBRENATURAL A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 9 de Julho de 2015

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2 Respostas para “A ESFERA CIVIL ESTÁ INTEGRALMENTE SUBMETIDA A DEUS NOSSO SENHOR

  1. maria alcina julho 17, 2015 às 4:47 pm

    Quem escreve esses textos brilhantes? Vejo os nomes mas não sei quem são.

  2. Jacob julho 18, 2015 às 1:01 pm

    Como pode alguém reclamar poder sobre o povo com base na vontade do povo? Acaso o poder origina-se do mesmo ser sobre o qual é exercido? É claro que não.

    Isso me lembra dos materialistas que enfrentam o problema do sentido da vida. Tentam convencer-se de que o sentido da vida pode ser encontrado na própria vida. Mas o sentido de uma coisa qualquer está obrigatoriamente fora e acima dela, contendo-a. Dizer que o sentido da vida pode ser encontrado na vida mesma é como dizer que uma coisa pode simultaneamente conter e ser contida por outra.

    Nem o poder, nem a vida, nem qualquer coisa pode fazer sentido longe de Deus.

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