Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A RACIONALIDADE E OBJECTIVIDADE DA VIRTUDE

Santo thomas e a VirtudeAlberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em passagens de uma sua alocução aos jovens esposos; 12 de Maio de 1943:

« A docilidade não é, efectivamente, para quem a considera no sentido originário e profundo, o sinal do vigor que anima, sustenta e forma um espírito suficientemente aberto para reconhecer os limites estreitos do saber humano, e inteiramente pronto a receber com reconhecimento e adesão a Doutrina d’Aquele que possui a ciência e a autoridade de Mestre? Nada de mais legítimo do que buscar com inteligência e amor, a confirmação na certeza de que a palavra escutada é bem a Revelação de Deus; nada de mais louvável do que disso fazer o objecto de um respeitoso raciocínio, aí aplicando o seu espírito e os seus conhecimentos humanos, esforçando-se em melhor a entender e melhor a penetrar, para a saborear e amar mais, e praticar mais fielmente os seus ensinamentos. Mas que contraste, se nós consideramos a atitude de tantos pretensos espíritos fortes, que desdenham de admitir seja que ponto for da Revelação, se eles não o pesaram prèviamente nas suas falsas balanças. Eles não admitem nada, sem o ter submetido ao julgamento incompetente da sua crítica, e reduzido à curta vista da sua inteligência, incapaz de ver os seus próprios limites, e de compreender que a Verdade é mais vasta que o espírito, e do que a procura humana; e que, para lá dos segredos da natureza, que lhe escapam, existem mistérios mais elevados; CONHECÊ-LOS, É ATINGIR A SUBLIME PERFEIÇÃO DO ESPÍRITO HUMANO; É UMA HONRA INCLINAR-SE PERANTE ELES; É SABEDORIA E PACIFICAÇÃO DA ALMA ENTREVÊ-LOS SÒMENTE.
Estes espíritos soberbos, vós os encontrareis nas ruas da cidade, nas cátedras, nas academias. Nas hesitações em matéria de Fé, nas incertezas, nas objecções que os perturbam, eles não sabem recorrer a Nosso Senhor Jesus Cristo, Autor da Fé, e dizer-Lhe:”Eu creio Senhor, ajuda a minha incredulidade (Mt 17,1).
Efectivamente, declara Santo Ambrósio, em matéria de crença, A FÉ DEVE PRECEDER A RAZÃO; DESTA FORMA, NÓS NÃO PARECEREMOS PEDIR CONTAS A DEUS, COMO A UM SIMPLES MORTAL. TOMEMOS BEM ATENÇÃO A ISTO: CONSTITUI SINGULAR INDIGNIDADE, O CRER EM HOMENS, TESTEMUNHAS DE OUTROS HOMENS, ENQUANTO SE RECUSA A CRER EM DEUS, QUE DÁ TESTEMUNHO DE SI MESMO.»

A única questão verdadeiramente importante que perpassa toda a humana condição é só uma: Será que o homem contém em si mesmo a razão da sua existência? Se contém, é “deus”; se não contém, deve prestar culto Àquele, que tendo em Si a razão do Seu Ser, por isso mesmo o criou, a ele homem, devendo constituir a Fim supremo, e a felicidade Eterna de toda a criatura espiritual.
Para o modernismo, em última análise, “deus” é o homem, pois realiza-se no homem, consciencializa-se evolutivamente no progresso cultural e vital do homem; E NO HOMEM SE RESOLVE. Neste quadro conceptual, alcança-se uma simbiose irracional, cega e estéril, de Espinosa e Hegel, na qual a substãncia, no primeiro, ou a ideia, no segundo, são alcandoradas a um falsíssimo estatuto ontológico e metafísico, O QUAL CORROMPE ESSENCIALMENTE A VIDA COGNITIVA E A VIDA OPERATIVA, NOS PLANOS INDIVIDUAL, FAMILIAR, SOCIAL, NACIONAL E INTERNACIONAL; NA ORDEM NATURAL E NA ORDEM SOBRENATURAL.
No célebre debate televisionado sobre a existência de Deus, em   1948, em Inglaterra, entre o dito filósofo Bertrand Russell (1872-1970) e o filósofo e teólogo Jesuíta Frederick Copleston  (1907-1994), este devidamente autorizado; Russell, questionado por Copleston sobre a origem do Universo, respondeu que um tal problema não tinha sentido, visto que só se deveria inquirir sobre a causalidade dos fenómenos particulares, nunca sobre a origem do Todo. Aí está como os ateus, também eles, são forçados a deter-se na cadeia causal – SÓ QUE O FAZEM NA PARAGEM ERRADA, NA CRIATURA; E O RESULTADO É A SUBVERSÃO ACIMA MENCIONADA.
Porque o homem, em si mesmo, constitui uma realidade objectiva, que deverá, contudo, hierarquizar-se, em função de objectividades de ordem superior. O homem, individualmente considerado, deverá dar prioridade à família, esta à sociedade, e TODOS À SANTA MADRE IGREJA, E A DEUS NOSSO SENHOR.
As virtudes Sobrenaturais não negam as virtudes naturais, superam-nas infinitamente, constituindo um organismo “cum ratione” e “ex voluntate”, isto é: Apoiado na racionalidade, MAS NÃO NA EVIDÊNCIA INTELECTUAL, intrínseca dos motivos de credibilidade, com o auxílio da Graça, produz um acto soberano de VONTADE, QUE TRANSFORMA A SIMPLES CREDIBILIDADE NUM ACTO FORMAL DE FÉ SOBRENATURAL. Consequentemente, a estabilização na virtude, pelos Hábitos Teologais, pela Graça Santificante, e pelos Dons do Espírito Santo, constitui igualmente uma objectivação essencial da alma assim consagrada; na exacta medida em que se submete à Objectividade suprema, na Sua Asseidade, na Sua Eternidade, e mais ainda, PARTICIPA ACIDENTALMENTE DA INTELIGÊNCIA, DA CARIDADE, DA SANTIDADE, DA FELICIDADE DO CRIADOR. NÃO PODE EXISTIR MAIOR VENTURA, MAIOR DIGNIDADE, DO QUE PODERMOS PARTICIPAR – PELA GRAÇA, PELAS VIRTUDES, PELOS DONS – DAQUELE QUE MEDE TODO O NOSSO SER, NA ORDEM NATURAL, E NA ORDEM SOBRENATURAL; TODAVIA, UMA TAL DIGNIDADE, NÃO PROVÉM DE NÓS, MAS INTEGRALMENTE DE DEUS NOSSO SENHOR.
As virtudes, naturais e Sobrenaturais, são perfeitamente racionais; contudo, as primeiras surgem em nós pela geração da natureza, criada por Deus, auxiliada pelos nossos esforços operativos, coordenados por uma intenção pura, objectivando-nos, também, na mesma Ordem Natural. Mas para obsequiar formalmente, na mesma Ordem Natural, a integridade dos Mandamentos da Lei de Deus – É NECESSÁRIA A GRAÇA MEDICINAL; A QUAL CONSISTE NUM SOCORRO PRETERNATURAL, SARANDO TENDENCIALMENTE AS FERIDAS HIANTES ORIUNDAS DO PECADO ORIGINAL.
Sabemos que Adão e Eva, para pecarem, tiveram que se violentar a si mesmos, e à privilegiada condição ontológica em que se inseriam – É ESSA A CAUSA DA FERIDA NA NATUREZA, NO CORPO E NA ALMA; E QUE SEGUNDO SÃO TOMÁS DE AQUINO, É EXCLUSIVAMENTE TRANSMITIDA POR VIA VARONIL.
Mas a Ordem Natural NÃO SERVE PARA A SALVAÇÃO ETERNA! Consequentemente, uma alma, que com o auxílio da referida Graça Medicinal, cumprisse integralmente os Mandamentos, durante toda a sua vida, SEMPRE NA ORDEM NATURAL – NÃO SE PODERIA SALVAR; E NEM MESMO IRIA PARA O LIMBO, MAS PARA O INFERNO! A razão é que o nosso destino Sobrenatural É ABSOLUTAMENTE GRATUITO DA PARTE DE DEUS, E RIGOROSAMENTE OBRIGATÓRIO DA PARTE DO HOMEM.
Mas as virtudes Sobrenaturais, apoiam-se na natureza, mas NÃO DEPENDEM DA NATUREZA. Um recém-nascido, depois de receber o santo Baptismo, acolhendo assim na sua alminha, FORMAL E HABITUALMENTE, os tesouros da Fé, Esperança e Caridade, EMBORA AINDA NÃO OS POSSA EXERCITAR EM ACTO; quanto aos Dons do Espírito Santo, possuí-los-á em germe, proporcionalmente ao grau progressivo do desenvolvimento das suas faculdades.

Embora seja ilícito, é válido que criancinhas baptizadas do sexo masculino recebam o Sacramento da Ordem; e se mais tarde tiverem vocação, já não necessitariam de ser ordenados; mas insiste-se – É ILEGÍTIMO PROCEDER DESSA MANEIRA.
As virtudes não podem progredir, SÓ PODEM APROFUNDAR-SE, HOMOGÈNEAMENTE, SEMPRE SEGUNDO O MESMO PRINCÍPIO, QUE É O DA FÉ CATÓLICA. É O HÁBITO OPERATIVO DA CARIDADE E O HÁBITO ENTITATIVO DA GRAÇA SANTIFICANTE QUE AO INFORMAREM SEMPRE MAIS PROFUNDAMENTE A ALMA, A ELEVAM PROPORCIONALMENTE NO CONHECIMENTO E AMOR DE DEUS; NESTE PLANO, ESTRITAMENTE SOBRENATURAL, QUEM MAIS AMA, MAIS CONHECE. A ciência teológica e filosófica obtida na Terra, com intenção formalmente sobrenatural, será assumida como mérito Eterno integrado na visão beatífica, ou como consubstanciando a chamada beatitude acidental, extrínseca à Divina Visão, mas perfeitamente ilustrada e enquadrada por esta. A nossa inteligência natural, enquanto tal, os nossos conhecimentos terrenos, enquanto tais, nada aproveitam para a vida Eterna; a menos que constituam condição extrínseca providencial para a Graça Divina.

Quanto maior e mais profunda for a nossa Caridade, a nossa Graça Santificante, mais rica e nobilitante será a nossa Eterna visão de Deus, bem como a nossa felicidade acidental, a qual compreende as realidades criadas consideradas sob a sua espécie própria, e não como sendo virtualmente em Deus, o que é objecto da beatitude essencial.
Questionar-se-á: Mas se para a vida Eterna só contam as realidades sobrenaturais, porquê o labor dos teólogos, dos estudiosos, que ao longo dos séculos, procuraram cultivar as ciências eclesiásticas? Precisamente porque as realidades naturais devem, em princípio, constituir, como já se disse, condição extrínseca providencial para a acção da Graça; ainda que exista uma distância infinita entre a Ordem Natural e a Ordem Sobrenatural, e a primeira jamais possa merecer a segunda, a Divina Providência estabeleceu um paralelismo extrínseco entre ambas; por isso a leitura de bons livros, um bom conselho, até mesmo certos acontecimentos aparentemente funestos das nossas vidas, denominam-se em Teologia – Graças naturais. É conhecido como almas com pouquíssimas letras humanas, mas elevadas a grande santidade, falaram de Deus com um lume sobrenatural de magnitude muito superior ao de doutores e sábios teólogos; pode citar-se Santo Afonso Rodriguez, falecido em 1617, e que deixou excelsos escritos sobre o sofrimento sobrenatural.
A virtude Sobrenatural é fonte imarcescível de Luz Eterna, mesmo já neste pobre mundo, onde tanto se sofre para servir a Deus. Um mundo miserável, no qual as pessoas só contam por aquilo que materialmente produzem, ou por aquilo que socialmente aparentam; e onde a beleza moral, mesmo natural, não é obsequiada.
Se é verdade, como se afirmou, que as realidades naturais sãs deverão como que atrair (nunca merecer) extrìnsecamente os Bens Sobrenaturais; também não é menos verdade, que os legítimos bens materiais, sociais, e intelectuais, que poderemos adquirir neste mundo, deverão constituir outrossim um extravasamento extrínseco da superabundância dos Bens Sobrenaturais.

Efectivamente, pelo paralelismo extrínseco já referido entre a Ordem Sobrenatural e a Ordem Natural; a Graça Santificante,  e a Fé, Esperança e  Caridade, aumentam extrìnsecamente a inteligência natural e a consequente eficácia social; enquanto que a actividade intelectual e cultural natural pode, como já se referiu, constituir condição extrínseca dos Bens Sobrenaturais.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 14 de Julho de 2015

2 Respostas para “A RACIONALIDADE E OBJECTIVIDADE DA VIRTUDE

  1. Jacob julho 23, 2015 às 12:55 pm

    “Mas a Ordem Natural NÃO SERVE PARA A SALVAÇÃO ETERNA! Consequentemente, uma alma, que com o auxílio da referida Graça Medicinal, cumprisse integralmente os Mandamentos, durante toda a sua vida, SEMPRE NA ORDEM NATURAL – NÃO SE PODERIA SALVAR; E NEM MESMO IRIA PARA O LIMBO, MAS PARA O INFERNO!”

    Caro Alberto, que quer dizer “cumprir os mandamentos na ordem natural”? Quer isso dizer: observar os mandamentos mas sem a intenção de agradar a Deus?

    • Pro Roma Mariana julho 25, 2015 às 5:12 pm

      Significa conceber, reconhecer e amar a Deus apenas naturalmente, só com o concurso da Graça Medicinal, que é preternatural e não Sobrenatural.
      Não será uma situação muito comum, mas segundo Garrigou-Lagrange, não é impossível.

      Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral.

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