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UM SACROSANTO «IMPEACHMENT» DEVERIA VARRER ALÉM DA DILMA

 Bergoglio e DilmaArai Daniele

O termo «impeachement» hoje, para nós brasileiros, está ligado à figura da deplorável “presidenta” Dilma Rousseff e seu governo. Mas será que quando ela cair os problemas de fundo vão ser resolvidos? Nada o indica. Não seria então sábio focalizar estes, se não para resolve-los, o que se revela ilusório no presente, para entender e reagir ao mundo em que vivemos?

Quem me lê sabe que eu ponho sempre em primeiro plano a questão religiosa, da qual toda outra depende. Mas aqui só pretendo lembrar a sua «sucursal» na ordem natural da sociedade humana. Até que ponto o «democratismo» hoje imperante a respeita? Para responder a isso vou seguir aqui algumas notícias, seja sobre a demonstração nacional do dia 16 para o «impeachement», resumida no editorial do mais prestigioso jornal de economia britânico «Financial Times», seja a da entrevista do ministro aposentado Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto que há cerca de três anos deixou o Supremo Tribunal Federal onde guiou o julgamento do «mensalão», pioria da história política recente do Brasil. Menciono depois a entrevista do General Antônio Hamilton Martins Mourão sobre o respeito dos militares de Caxias pela constituição. Para finalizar, lembrando que Pio XII distinguia «duas democracias» de valores opostos, cito autores que falam dessa «causa revolucionária» das crises modernas: – La démocratie? C’est le mal!

O Financial Times publicou nesta segunda-feira (17), um editorial no qual questiona o impeachment de Dilma Rousseff pedido nos protestos. “Mesmo que a senhora seja removida, é provável que outro político medíocre a substitua — e depois implemente a mesma estabilização econômica que ela está tentando”. A publicação resumiu por que a presidente caiu no desgosto da população e tem o índice de aprovação mais baixo da história recente: escândalo de corrupção na Petrobras, deflagrado pela Operação Lava Jato, economia em recessão pelo menos até 2016, real desvalorizado perante o dólar, inflação duas vezes acima da meta, confiança de investidores em baixa, desemprego em crescente. “Não é uma surpresa que tenha havido protestos em massa por todo o Brasil no domingo e que 66% queiram o impeachment da senhora. “Mas isso deveria acontecer? Faria alguma diferença se acontecesse?”. O FT lembrou que para isso dois terços do Congresso precisariam apoiá-lo. “Esse apoio não existe. Políticos que também são acusados de corrupção estão relutantes em apertar o gatilho”, disse o editorial. Mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “antigamente um dos políticos mais populares do mundo, pode ser indiciado em denúncias de corrupção”. Os únicos alegres com este contexto são os caciques do PSDB, que vêem o governo de Dilma se deteriorar para as eleições presidenciais de 2018.

E o jogo democratista com o PT continuaria como dantes no quartel de Abrantes! Isto se diga, mesmo que o Poder judiciário interviesse com «mão de ferro» contra alguns corruptos. O problema vai mais além. Vejamos agora o nível médio dos juízos democráticos sobre estes e elas.

O Ministro Carlos Augusto Ayres De Freitas Britto

Aposentado do Supremo Tribunal Federal, onde comandou o julgamento do mensalão, o maior da história recente do país, quase três anos depois, mas atento ao cenário político brasileiro, deu ao «Correio» a entrevista de quase duas horas, aqui resumida.

– O AP 470 (mensalão)? “Aquilo foi um marco, uma virada de página política e penal… Pela primeira vez… três procuradores-gerais denunciaram 40 pessoas, todas situadas nos patamares mais elevados da pirâmide social, até banqueiros, 25 foram condenados e presos…tudo está na Constituição. É isso que me alenta, que realmente temos um patrimônio material e objetivo, que é nosso atestado de povo civilizado. O Brasil é juridicamente primeiro mundista, graças a essa Constituição. O STF aplicou, com toda técnica e isenção, atuando como um tribunal judiciário e não como um tribunal político, de exceção, aplicou a regra do artigo 5 da Constituição, que diz que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.”

– Então, o mensalão não foi nada, comparado ao petrolão? “Sim, do ponto de vista do assalto ao erário. É verdade que o juiz só pode julgar a ponta do iceberg, o que é provado contra os réus. A base do iceberg do mensalão é possível que tenha sido maior. Mas nós só podemos julgar a ponta. Aí vêm os colaboradores premiados e mostram todo o iceberg.” Nessa entrevista analisou a atual situação da presidente Dilma: “Ela já não reúne nenhuma das três qualidades de um presidente”.

O ex confessa seu desalento “perceber que a corrupção no Brasil é sistêmica, é atávica, impressionante.”

Seu alento? “Que a Constituição combate a corrupção… Escreveu o artigo: “Deus salve a rainha ou salve-se quem puder”. A rainha é a Constituição. Estamos em crise, crise econômica, crise política, é verdade. É uma crise de existência coletiva. Mas não é uma existência de crise. Para resolver, é só você não sair do esquadrio da Constituição. A Constituição contém todos os antídotos que nos permitem sair da crise.”

– A solução para a crise passa pelo Ministério Público e pela Polícia Federal? “Enquanto as instituições do segundo bloco funcionarem, nós sairemos, sim, desse impasse. É uma questão de tempo.”

– A Constituição salva Dilma? “Aí é que está. A presidente é figura central, é chefe do Poder Executivo. Aqui no Brasil é o seguinte: o Poder Executivo é muito forte porque o titular tem três chefias; chefe da administração pública, das atividades administrativas e dos serviços públicos” (Forças armadas)… É chefe do governo, não confundir governo com administração. No governo, ele não precisa da mediação da lei para agir… só da Constituição… Chefe da administração, chefe do governo e chefe do Estado. É muito poder, é imperial. Aí você exige que o presidente seja um estadista, um governante e um administrador. Quando falha nas três, a coisa fica delicada. E parece que é a situação da Dilma. Já não se reconhece nela nenhuma das três qualidades… Acho que só cabe impeachment para os atos apurados no curso do mandato atual… ela só reponde por crime de responsabilidade, ensejador do impeachment, se ela cometer um daqueles crimes arrolados pelo artigo 85 no atual mandato.”

– Mas ela está blindada? “Não. Você tem a instância penal, a instância eleitoral e está com três processos na Justiça Eleitoral, tem a instância de contas.”
– Mas ela está com processo eleitoral por causa da campanha para este mandato
Mas não é crime de responsabilidade. É crime eleitoral.

– Se ela perder o cargo será pelo Poder Judiciário? “Exato, pelo Poder Judiciário.
– O Congresso não tem essa força? “Aí viria outra saída que está se cogitando. Seria o parlamentarismo.”
– O debate sobre parlamentarismo, com um Congresso atolado até o pescoço em corrupção? “A Constituição, nas disposições transitórias, disse que dentro de cinco anos haveria um plebiscito para o povo decidir sobre a forma de governo, República ou Monarquia, e sobre o sistema de governo, presidencialismo ou parlamentarismo…”

– Qual é a saída? #Aí a renúncia que se apresentaria. Mas se ela não quiser renunciar, não pode ser forçada. É ato unilateral e espontâneo.”
– Aí serão três anos sangrando? “Serão três anos de agonia. A menos que outra saída apareça. O brasileiro é muito inventivo”.

Um de seus votos mais famosos foi lido no julgamento que reconheceu as uniões homoafetivas. Hoje, está forte no Congresso um lobby pela retirada de direitos da população LGBT. Como analisa esse movimento conservador?

“Vejo com maus olhos. Mas eles (os conservadores) vão nadar e morrer na praia, porque a liberdade sexual faz parte da autonomia de vontade do indivíduo, é cláusula pétrea. Qualquer adulto tem a liberdade de se relacionar sexualmente com quem quiser.”

– O que o senhor acha da proposta de mudar o Código de Processo Penal, de recolher 1,5 milhão de assinaturas, como foi com a Lei da Ficha Limpa?
“Só não quero que mude a maioridade penal. A maioridade penal aos 18 anos é cláusula pétrea, os jovens têm o direito de ultimar o ciclo de sua própria formação psicológica.”

– Qual o papel do ex-presidente Lula, que parece meio abatido, apesar de ainda ter uma liderança política forte? “O Lula é líder, é carismático, é inteligentíssimo, mas não tem pontificado, não tem sido um condutor de destinos, como quem está meio em banho-maria, como quem está aturdido, como quem está acusando o golpe dos últimos acontecimentos.”
– O senhor concorreu pelo PT. Como vê o partido hoje?
“Tenho me escusado de falar sobre o PT hoje porque vim de lá. Prefiro não falar. Não me sinto à vontade para falar sobre um partido que me empolgou tanto, que me estimulou, que despertou em mim tantos sentimentos bons de depuração das coisas.”

– Acha que a presidente Dilma é corrupta?
“Não. Meu juízo sobre ela é abonador da personalidade moral.”

– E o ex-presidente Lula?
“Não falo sobre isso, como não falo sobre o PT.”

– Quem é o seu mestre?
“Aprendi a meditar há 20 e tantos anos com um guru, o Osho, um indiano. Eu o tenho como um iluminado. Tudo que eu leio dele, eu já li uns 30 livros, tem qualidade literária, é uma prosa poética o tempo todo de conteúdo, de sapiência. Claro que o meditante, com o tempo vai desenvolvendo uma técnica própria. A segunda coisa maravilhosa é o vegetarianismo, eu sou vegetariano há uns 23 anos e eu acho uma maravilha.” Gurus e iluminados se entendem de dieta para sublimar a poesia dessa vida.

Entrevista do General Antônio Hamilton Martins Mourão (https://www.facebook.com/groups/582720335145205/permalink/860079067409329/?n)

Como se vê, o Ministro do STF, que foi do PT abona a “personalidade moral” de Dilma, ex guerrilheira e descreve a força de seu poder “titular tem três chefias; da administração pública, suas atividades e serviços públicos” sem citar a chefia das Forças armadas. Não podia ser diferente, visto o respeito pela ordem constitucional de seus generais num mundo hoje «vacinado», não só contra golpes militares, mas contra a existência mesma de uma autoridade para manter o estado de coisas nascidas do «poder» democratista.

Democratismo – Se faltou defini-lo antes, aqui é definido pelo que este nega na ordem natural: ou seja a autoridade da Lei Natural e Divina que transcende toda outra, porque nos precede e ordena na Verdade, quer a votemos democraticamente quer não. Na religião, revela-se na pérfida «democracia ecumenista» conciliar.

«La démocratie c’est le mal, la démocratie c’est la mort» Charles Maurras.

Jean Madiran, citando os Papas, descreveu as «duas democracias»: Uma é a democracia moderna, nascida da convulsão revolucionária de 1789, que tornou a vontade do homem ídolo para ser o padrão único de legitimidade política nas constituições dos estados. Vontade esta sem limites que se lhe possam opor, porque os limites constitucionais são susceptíveis de revisão sob essa mesma vontade ilimitada, que assim constitui efetiva ditadura do relativismo ético-moral opressor da verdade. Tudo para submeter os que põem a Verdade em primeiro lugar e a tal «direito» não se podem conformar. Trata-se de todo tipo de perseguição revolucionária ao Cristianismo registrado nos últimos duzentos anos.

O que é o democratismo senão essa democracia que leva à alteração da ordem familiar, com o divórcio, o «casamento gay» e suas adoções»; que é a democracia que hoje promove o massacre de milhões de bebês na barriga de suas mães; que é essa democracia internacional responsável pela passividade de povos conformados à sistemática invasão migratória em países já afetados pelo desemprego. Ele é promotor da mentalidade que admite alterar a própria identidade étnica, religiosa e cultural a favor de uma homogeneização favorável a um domínio mundial. Em suma, é o regime político no qual adquire direito de cidadania qualquer monstruosidade porque o governo é posto ao alcance e entregue aos que impõem a própria mediocridade aceitando pactos e compromissos até com o diabo. E este acaba por dirigir toda corrupção e destruição, na passividade dos povos democraticamente degradados e extremados.

Um conhecido escritor e acadêmico francês, Emile Faguet, pensou de classificar as formas de mentalidade social como cultos. Por exemplo, para a monarquia seria o culto predominante da honra’, enquanto que as democracias – no título do livro «Le culte de l’incompétence» -, se apoiariam no culto pela mediocridade, irresponsabilidade e confusão do poder popular, em abissal contraste com o culto, não só do mérito, mas principalmente do Cristianismo, cuja honra é à imagem do Sacrifício de Jesus Cristo que dá e arrisca a vida para o bem e defesa do próximo. Mas o “culto do cristão adulto”, – culto do homem promovido pelos «papas conciliares» em nome do Vaticano 2 – abateu-o a favor de um culto social, centrado num hedonismo de satisfação pessoal e num sentimentalismo ecumenista para abraços às custas da Verdade.

Eis o culto inspirado por uma «teologia libertária» que propõe às consciências a adoração da obra humana e de suas constituições efêmeras, Como se o homem na sua consciência não aspirasse acima de tudo à verdade sobre o sentido e o fim último de sua vida terrena, que a má política despreza e até persegue, como nos «paraísos comunistas» festejados pelos Lulas, Maduros e Dilmas .

“Dans nos sociétés dites « modernes », on essaye de nous vendre la démocratie comme étant le régime parfait, cette abomination révolutionnaire est toute nouvelle dans l’histoire de l’humanité mais on s’acharne à nous faire croire qu’il ne peut y avoir d’autres alternatives possibles, ni de retour en arrière. Son but premier fut le balayement de toutes sociétés traditionnelles, de toutes sociétés d’ordre où prospérait la Chrétienté.”

A única solução é voltar à Ordem cristã posta como prioridade também política. Mas posto que esse retorno é impossível sem um chefe universal que represente Nosso Senhor Jesus Cristo, a consciência na Comunhão dos Santos da necessidade do retorno do Papa católico vem em primeiro lugar para que se torne possível essa prioridade política.

Daí a certeza que falta, para a eficácia do ansiado «impeachment» de qualquer governo como o da Dilma, reconhecer que este deve iniciar enfrentando a desordem universal da Roma conciliar, de onde parte a suma corrupção que suplanta qualquer Petrobrás; é a da teologia para «aggiornare» e se libertar da Verdade!

Se Bergoglio chega a elogiar o Alcorão e vender a igreja de Syracuse (a Diocese local depende de Roma) aos islamitas, que vão transformá-la em mesquita, para agradar o Islão, o que não fará Dilma para abrir as portas do Brasil a eles angariando votos e investimentos dos seus petroleiros?

Parece coisa abstrata, mas a decadente realidade da corrupção pelo deus dinheiro que se vive, decorre da falta da verdadeira ação humana e portanto social para o bem. Esta ação depende de como se pensa e o bem pensar deriva do como se crê. No sentido oposto, se crê como se pensa e se pensa como apraz a vida… na descida para os piores abismos, já nestas plagas!

Uma resposta para “UM SACROSANTO «IMPEACHMENT» DEVERIA VARRER ALÉM DA DILMA

  1. Jacob agosto 19, 2015 às 10:58 pm

    Está certíssimo. Tudo, absolutamente tudo, começa com a adoração certa ao Deus verdadeiro, e todo o erro provém do desviar-se daí.

    Toda a cultura humana, tão exaltada, que o iluminismo ateu nos vendeu, e que o anti-clero do CV II logrou imiscuir na Doutrina, incluindo aí a democracia, é inútil e perniciosa. Tudo que está desligado do Senhor, ainda que aparentemente bom – como a “liberdade”, “igualdade”, “fraternidade”, “progresso”, “razão”, entre outros ídolos dos ateus humanistas – resulta invariavelmente em transformar a Terra na antesala do inferno.

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