Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A VERDADE NÃO É SOCIAL

J23-Club de Paris

O ESPÍRITO DO ANTI-CONCÍLIO MAÇÓNICO DE NÁPOLES (9 DE DEZEMBRO DE 1869) DEIXOU MUITOS HERDEIROS!

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio IX, em excertos da sua encíclica “Quanta Cura”; promulgada em 8 de Dezembro de 1864:

«A causa da Igreja Católica, a Salvação das almas, confiadas por Deus ao nosso cuidado, e o Bem da própria sociedade humana – prossegue o Pontífice – exigem imperiosamente que de novo excitemos o vosso zelo pastoral, para combaterdes outras falsas opiniões (…) que tendem a impedir e suprimir a influência salutar da Igreja Católica, que em virtude da instituição e do Mandato do seu Divino Autor, deve exercer até à consumação dos séculos, não só sobre cada indivíduo, como sobre as Nações, os Povos e os Príncipes, assim como tendem A SUPRIMIR A UNIÃO ENTRE O SACERDÓCIO E O IMPÉRIO, E A CONCÓRDIA QUE SEMPRE FOI TÃO BENÉFICA PARA A IGREJA E A SOCIEDADE CIVIL.

Há hoje muitos homens, que aplicando à sociedade civil o PRINCÍPIO ABSURDO E ÍMPIO DO CHAMADO NATURALISMO, ousam ensinar que o interesse do Estado e o progresso social exigem imperiosamente que a sociedade humana seja constituída e governada sem atenção nenhuma à religião, e como se esta não existisse, ou pelo menos sem distinguir entre a religião verdadeira e as falsas. E contradizendo a Doutrina da Sagrada Escritura, da Igreja e dos Santos Padres, não temem afirmar que o melhor governo é aquele em que se não reconhece ao poder político a obrigação de punir com sanções os violadores da Religião Católica, excepto quando a tranquilidade pública assim o exigir. Dessa falsa concepção de governo, deriva a afirmação do direito de cada homem à liberdade de consciência, de culto, e de opinião, LIBERDADE DE PERDIÇÃO NO DIZER DE SANTO AGOSTINHO, E UMA LOUCURA NAS PALAVRAS DO PAPA GREGÓRIO XVI.

SEPARADA A RELIGIÃO DA SOCIEDADE, A PRÓPRIA NOÇÃO DE JUSTIÇA SE OBSCURECE E PERDE, E A FORÇA MATERIAL SE SUBSTITUI À VERDADEIRA JUSTIÇA E AO DIREITO LEGÍTIMO. A SOCIEDADE HUMANA, CORTADOS OS VÍNCULOS DA RELIGIÃO, BEM COMO DA VERDADEIRA MORAL, ACABA POR TER COMO ÚNICO FIM A DESMEDIDA BUSCA DA RIQUEZA, E A ÂNSIA DOS PRAZERES COMO ÚNICA LEI. DAQUI NASCE A TENTAÇÃO DE EXTIRPAR A RELIGIÃO, NÃO APENAS DA SOCIEDADE PÚBLICA, COMO AINDA DA PRÓPRIA SOCIEDADE FAMILIAR.»

 

REIVINDICAÇÕES E PROPÓSITOS CONSIGNADOS NO ANTI-CONCÍLIO MAÇÓNICO, INAUGURADO EM NÁPOLES, EM 9 DE DEZEMBRO DE 1869:

1- Liberdade religiosa e dos meios de torná-la plena e segura.

2- Separação absoluta entre Igreja e Estado

3- Necessidade de uma moral independente das crenças religiosas

4- Criação de um organismo internacional que promova o bem estar económico e moral do povo.

Haverá quem estranhe, que tendo sido realizado um anti-concílio maçónico, em diabólico ultraje ao Sagrado Concílio Vaticano I, não tenha ocorrido algo semelhante no Concílio Vaticano 2? Tal estranheza não tem qualquer sentido, visto que o anti-concílio era então precisamente o Vaticano 2, preparado por maçons, para destruírem a Santa Madre Igreja. E o que é facto é que as teses supra-referidas, aprovadas no anti-concílio de 1869, foram exactamente as mesmas que foram aprovadas no Concílio Vaticano 2, aparentemente católico, mas realmente satânico e maçónico.

O sentido profundo da Verdade, tão cultivado pela Santa Madre Igreja, quer no plano Teológico, quer no plano Filosófico, foi sendo progressivamente diluído nos últimos 500 anos. E nos últimos 50 anos foi completamente elidido pela seita conciliar.

Existe uma Verdade ontológica pela qual Deus Nosso Senhor mede metafísica e teològicamente toda a realidade criada, e pela qual esta se adequa necessàriamente aos desígnios Eternos de Deus. Existe uma verdade lógica, mediante a qual a inteligência contingente é medida pela realidade, aperfeiçoando-se precisamente enquanto reflecte essa mesma realidade, mediante princípios inteligíveis, gozando de fundamento objectivo. Neste quadro conceptual, todo o ente criado possui acto metafísico próprio, pelo qual se distingue do sujeito que o conhece, bem como do acto da faculdade, humana ou angélica, pelo qual possa ser conhecido.

A SACROSSANTA FÉ CATÓLICA SÓ PODE SUBSISTIR, EM ABSOLUTO, SEGUNDO UM PADRÃO FILOSÓFICO ESSENCIALMENTE REALISTA E OBJECTIVISTA.

A Verdade, enquanto tal, NÃO DEPENDE DO SUBSTRACTO SOCIAL EM QUE ENCARNE. Ao contrário do ensinamento das falsas filosofias modernas, e tendo em conta as letais consequências do pecado original, o elemento humano só serve pràticamente para subverter a Verdade do Ser que também nele reside pelos primeiros princípios do conhecimento, pois que estes são ontològicamente anteriores à inteligência concreta e operante, e é nesta que se intrometem as consequências do pecado original. E se a Humanidade triunfou na verdade das realizações técnicas, é certo que foi derrotada no que concerne à Verdade Filosófica e Teológica. E a razão para tal filia-se precisamente no imediatismo positivo do conhecimento científico, em contraposição com a mediação transcendental do conhecimento Filosófico e Teológico constitutivo da distância, também transcendental e ontológica, entre o objecto representado e o objecto significado, como adiante se aprofundará. Consequentemente, a Verdade filosófica não deve ser procurada no positivismo sociológico da evolução humana, pois, como já se afirmou, os primeiros princípios do Ser, em si mesmo intangíveis, se corrompem na aplicação prática, em virtude das consequências do pecado original. Por outro lado, e por definição a Verdade Filosófica não é revelada. Mas a alma enriquecida Sobrenaturalmente pela Graça Santificante, pelas Virtudes Teologais e Morais, e pelos Dons do Espírito Santo, a alma cristã, intelectualmente dotada, por essa mesma elevação, produz extrìnsecamente, na Ordem Natural, a mesma Verdade filosófica, procedente também da Verdade Divina, tal como a Verdade revelada. Todavia, Deus Nosso Senhor só lhe pedirá contas dos Bens Sobrenaturais, que possuir, ou não.

A História Universal civil, a própria História da Igreja, as Sagradas Escrituras, demonstram, nìtidamente, o permanente e muito baixo nível intelectual e moral da Humanidade, naufragada no erro e no pecado. Todavia, sem pecado original, tudo seria diferente, a Verdade e o Bem, Naturais, Preternaturais e Sobrenaturais, constituiríam Património comum e indefectível da Humanidade.

Se a Verdade se fundamenta apenas no homem, e nele se resolve, ENTÃO NÃO É VERDADE, OBJECTIVA, ETERNA E IMUTÁVEL, mas muito simplesmente um fluxo contínuo de representações constitutivas da evolução, puramente relativista, de uma determinada hipóstase social, integrada necessáriamente num conjunto de hipóstases mais vasto.

Durkhein (1858-1917)considerava que a unidade científica formal da sociologia não era o indivíduo, mas sim a hipóstase social mínima consubstanciada na integração relacional de dois indivíduos. Neste enquadramento, as sociedades humanas não seriam mais do que enxames de abelhas, e a Humanidade um super enxame integrador da espécie(1); por outro lado, o indivíduo não possuiria verdadeiro acto metafísico próprio. Aristóteles e São Tomás afirmaram decididamente a sociabilidade humana como uma necessidade ontológica e gnoseológica da própria espécie; mas com indivíduos com acto metafísico próprio, com itinerário espiritual e imputabilidade moral própria; para Durkhein, a sociologia constituiria formalmente a única verdadeira antropologia, a única que permitiria conhecer realmente o homem, evidentemente, como espécie, pois que o indivíduo não constituiria objecto formal de estudo, muito ao contrário da filosofia Aristotélico-Tomista.

Questionar-se-á: Mas a Santa Madre Igreja não é uma instituição social? Sem dúvida que sim, e é constitutivamente, de Direito Divino na sua Personalidade Moral. Assim como Nosso Senhor Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem; assim a Santa Igreja é verdadeiramente Divina e verdadeiramente humana. MAS NÃO CONSTITUI CAUSA EFICIENTE DE VERDADE – APENAS CAUSA INSTRUMENTAL; COMO TAMBÉM A ADORÁVEL NATUREZA HUMANA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO CONSTITUI CAUSA INSTRUMENTAL DA REVELAÇÃO E DA GRAÇA SOBRENATURAL. A CAUSA EFICIENTE DA VERDADE É DEUS CRIADOR, REVELADOR, REDENTOR E CONSUMADOR.

O Mundo, o Homem, e os Anjos, foram criados por Deus Nosso Senhor; a inteligência humana e angélica possui uma comensurabilidade transcendental com toda a Criação, consequentemente, a inteligência angélica conhece,imediata e intuitivamente, na Ordem Natural, a Verdade Divina, através da própria transparência espiritual; quanto ao homem, a opacidade somática compele-o a conhecer por mediação racional, mas mesmo assim, possui, de Direito, a capacidade de conhecer o seu Criador, na Ordem Natural, através das belezas da Criação.

A Santa Madre Igreja, ensina-nos a Verdade Sobrenatural, da qual é Soberana Depositária instrumental – E NÃO A CAUSA EFICIENTE, como já se afirmou.

Encontramo-nos assim habilitados a compreender como a filosofia moderna, negando uma Verdade, objectiva, Eterna e Imutável, só se pode refugiar no positivismo jurídico, como único pretenso aferidor da utilidade ou da nocividade dos eventos humanos. O positivismo jurídico elege a construção jurídico-política, fundamentada esta também num positivismo sociológico, como A ÚNICA DIVISÓRIA PERCEPCIONÁVEL ENTRE O JUSTO E O INJUSTO, CAPAZ DE SE IMPOR POR SI MESMA, ISTO É, DE UMA FORMA EM QUE O OBJECTO REPRESENTADO COINCIDE COM O OBJECTO SIGNIFICADO.

O CONHECIMENTO POSITIVO É AQUELE EM QUE NÃO EXISTE ESPAÇO TRANSCENDENTAL PARA O ACTO DE SER DO ENTE ESPIRITUAL SE INTERPOR ENTRE O OBJECTO REPRESENTADO, E QUE SE IMPÕE POR SI MESMO, E O OBJECTO SIGNIFICADO. NÃO DEVE SER CONFUNDIDO COM O CONHECIMENTO OBJECTIVO; A FÉ SOBRENATURAL É INFINITAMENTE OBJECTIVA – MAS NÃO É POSITIVA. SE O FOSSE, QUAL SERIA O NOSSO MÉRITO? NENHUM, OU MELHOR, SERIA EXACTAMENTE O MESMO DO DE ISAAC NEWTON, QUE PROCEDEU À INDUÇÃO DA LEI DA GRAVIDADE PELA OBSERVAÇÃO DA NATUREZA.

No quadro conceptual do positivismo sociológico-jurídico, não existe qualquer padrão para condenar qualquer regime político que se consiga manter no poder, e enquanto se mantém. Se não existe, no dizer dos modernos, uma Lei Natural, fundamentada directamente em Deus Nosso Senhor, por não pertencer, nem poder pertencer, ao mundo dos fenómenos, pelas razões já aduzidas; que nos resta senão a referida POSITIVIDADE FENOMÉNICA? Assim raciocinam quase todos os homens de pensamento dos últimos duzentos ou trezentos anos. Não logram transcender o mundo visível, e portanto é-lhes impossível encontrar um fundamento de Verdade com a estabilidade requerida para a honorabilidade da vida humana, a nível pessoal, familiar, social, nacional e internacional, e isto sòmente numa base de Ordem Natural.

No que aos santos Anjos concerne, é certo que todo o seu conhecimento natural é positivo, porque haurido das espécies inteligíveis concriadas com eles e representativas do mundo sensível; ou também o próprio conhecimento natural que possuem de Deus, através da transparência espiritual angélica, como já foi referido. Mas na Ordem Sobrenatural o conhecimento dos Anjos é semelhante ao nosso, visto não ser, nem poder ser, positivo. Por isso os Anjos não erram, nem pecam, na Ordem Natural, sem mérito, aliás, da parte deles, porque se inserem num contexto puramente positivo; ao passo que os homens são susceptíveis de mérito, mesmo na Ordem Natural, no seio da qual, alicerçados na Criação, aprendem a ler a Santíssima Lei Divina, e assim ordenados, ajoelham-se perante a Santíssima Trindade, perante o Santo Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, que a Santa Igreja, no seu Magistério infalível e Eterno, lhes apresenta, glorifica e adora, como O CONSUMADOR DOS MISTÉRIOS SOBRENATURAIS DA EXISTÊNCIA.

NOTA – 1- Durkhein considerava o suicídio uma consequência da anomia do indivíduo, ou seja, a sua dissolução e secessão da hipóstase social. E na realidade, sabe-se que as abelhas excluídas do enxame – não podem viver muito tempo.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 23 de Agosto de 2015

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