Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A NECESSÁRIA OBJECTIVAÇÃO DA NOSSA VIDA

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Gregório Magno, Doutor da Igreja, (590-604) em excertos da Homilia 17, Livro I, das suas Homilias sobre os Evangelhos:

«Eu creio, irmãos caríssimos, que a Igreja não recebe de outros dano maior que aquele que Deus tolera da parte dos sacerdotes, quando vê que aqueles que colocou para corrigir os outros, dão eles mesmos exemplos depravados; quando nós pecamos, que devíamos reprimir os pecados. E o que é mais grave, geralmente os sacerdotes que deviam dar as próprias coisas, disputam pela posse das alheias. É frequente que escarneçam quando vêem alguém a viver humilde e sòbriamente. Considerai, assim, o que será do rebanho QUANDO OS PASTORES SE FAZEM LOBOS; porque tomam a seu cargo o cuidado da grei, os que não temem que atentem contra a Lei do Senhor aqueles contra os quais devem ser defendidos os rebanhos de Deus. Não procuramos proveito nenhum para as almas; quotidianamente, entregamo-nos aos nossos caprichos; cobiçamos o terreno e com todo o afã procuramos conquistar glória humana; e como somos prelados dos outros, possuímos maior liberdade para fazer qualquer coisa; convertemos o ministério de abençoar, que recebemos, em motivo da nossa ambição. Abandonamos os interesses de Deus e dedicamo-nos aos negócios da Terra; recebemos ofício de santidade, e enredamo-nos em ocupações terrenas. Oh! Certamente se cumpre em nós o que está escrito (Os 4,9): SERÁ O SACERDOTE COMO O POVO; porque o sacerdote não se diferencia do povo quando a sua vida não sobrepuja em mérito algum a conduta do vulgo. Peçamos lágrimas a Jeremias, considere a nossa desgraça, e deplorando-a diga: Como se obscureceu o ouro, e mudado a sua cor belíssima! Dispersas estão as pedras do santuário pelos ângulos das praças (Lam 4,1). Efectivamente, O OURO ESCURECEU-SE, PORQUE A VIDA DOS SACERDOTES, ANTES LUMINOSA PELO ESPLENDOR DAS VIRTUDES, AGORA SE MOSTRA DIGNA DE REPROVAÇÃO POR CAUSA DAS SUAS ACÇÕES BAIXÍSSIMAS. Nós, irmãos caríssimos, somos as pedras do santuário, que devemos aparecer sempre na privacidade de Deus, e nunca podemos ser vistos fora, ou seja, em negócios estranhos. E andam dispersos não só pelas praças, mas também pelos ângulos das praças, PORQUE OBRAM CONFORME AOS GOSTOS DESTE MUNDO, e não obstante, pelo hábito religioso, pretendem ser cumulados de honras. Logo se o povo é manjar, os sacerdotes devem ser o condimento desse manjar. Mas como, quando deixamos a oração e o exercício dos santos ensinamentos, o sal torna-se insípido, já não pode condimentar-se o manjar de Deus, nem é ingerido pelo seu Autor, precisamente porque devido à nossa insipidez – NÃO SE CONDIMENTA!»

Quando o Verbo de Deus Se fez Homem no tempo e na História, não quis estabelecer um Reino terreno, nem acomodar-se em palácios e viver faustosamente; não; Nosso Senhor Jesus Cristo, muito embora seja, de pleno direito, Rei Espiritual e Temporal de todo o Universo, não devia, na Sua vida mortal, constituir padrões que se opusessem diametralmente àquela que seria a vida penitente dos Seus santos, através dos séculos. Nosso Senhor é o novo Adão, pois veio reparar aquilo que o velho Adão deteriorou. Ora os bens da Graça superam infinitamente os bens, mesmo legítimos, da natureza; e sendo a Santidade de Nosso Senhor, Causa meritória e Causa exemplar da nossa própria santidade, o Salvador nunca poderia passar pela Terra, senão numa atitude da mais profunda humildade.

É certo que as riquezas deste mundo, em si mesmas, não constituem um mal, são até um bem positivo; mas depois do pecado original, a condição diminuída do espírito humano, muito difìcilmente logra gerir essas mesmas riquezas sem concomitante subversão da necessária hierarquia e objectividade dos meios e dos fins, e até de si mesmo; neste enquadramento é que Nosso Senhor declarou que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus.

Neste pobre e desgraçado mundo, existem duas realidades extremamente corruptoras da humana condição: O PODER E A RIQUEZA. O poder corrompe na exacta medida em que os homens, na sua esmagadora maioria, são completamente incapazes de governar-se a si próprios segundo padrões essencialmente objectivos; ora se não se administram a si próprios – muito menos administrarão os outros, visto não poderem nutrir qualquer ideal de serviço público. Ora, qualquer forma de poder, eclesiástico ou civil, exercido pelo homem neste mundo mortal, não apenas promana, em absoluto, de Deus Nosso Senhor, como deve, soberanamente, conduzir até Ele, governante e governados. Também sabemos, que desde a revolução de 1789, nos países de antiga Tradição Católica, passou a ser crime a invocação do Santíssimo Nome de Deus, quando no exercício de funções públicas. A Santa Madre Igreja, em épocas mais recuadas, nunca deixou de advertir Imperadores e Reis acerca do carácter eminentemente público das suas funções. Todo o legítimo desenvolvimento político, cultural e humano, que é comummente atribuído ao laicismo, já o Magistério da Santa Mãe Igreja o havia providenciado, não como laicismo, mas como corolário da fecundação Sobrenatural da História e da Inteligência humana, pelas riquezas infinitas da Revelação.

Não há que duvidar, que as consequências do pecado original alienaram o pensamento e a conduta humana dos rumos da objectividade, quer na Ordem Natural, quer na Ordem Sobrenatural.

Tudo o que existe é necessàriamente objectivo. Deus Nosso Senhor, que em rigor metafísico, não existe, mas É, constitui a suprema objectividade, pois encerra em Si mesmo a razão do Seu Ser. Objectividade significa aquilo que pertence ao objecto, e não ao sujeito, aquilo que é independente do sujeito que conhece, e da faculdade pelo qual é conhecido, porque detém um acto metafísico próprio. Quanto mais Verdade, mais Unidade, mais Beleza, possui um ente – mais objectivo é.

A grande tragédia da condição humana, é a recusa obstinada das pessoas em submeter-se à hierarquia objectiva da Criação. A vingança, por exemplo, constitui uma manifestação de subjectividade, na exacta medida em que antepõe os próprios interesses individuais, que considera feridos, à necessària hegemonia da Justiça, a qual possui uma objectividade de Ordem superior, enquanto tutela qualificada dos interesses gerais.

É conhecido como a democracia revolucionária, desenvolvimento político-estratégico do protestantismo, que desemboca no ateísmo, constitui por isso um absurdo filosófico e teológico. Acaso contudo já observámos como funcionam mentalmente os políticos da dita democracia, colocando descaradamente os interesses do partido (e que interesses) acima dos interesses da sua Pátria, e os interesses puramente pessoais acima dos interesses do partido, num processo hierárquico completamente invertido e diabólico? Em Portugal, os partidos -à excepção do comunista, há que reconhecê-lo OBJECTIVAMENTE – funcionam como clubes de futebol. E os eleitores? noventa e nove por cento dos votos, são tiros no escuro, completamente cegos, absolutamente não objectivos; as pessoas nunca votam segundo a concepção que acaso possuam de um interesse superior da colectividade em que se inserem, mas apenas em função de um mimetismo puramente pessoal; ora a objectividade pessoal deve sempre ceder perante a objectivade colectiva. Mas ainda o que mais apavora é a mediocridade, intelectual e sobretudo moral, dos políticos, escravos do diabo, mormente nos países latinos.

O futebol constitui outra demonstração de requintada bestialidade, onde é visível a mais hedionda estupidez moral, a mais profunda incapacidade para qualquer espécie de objectividade de análise, mesmo puramente natural e racional; pois que a objectividade da inteligência reside em ser medida pela realidade criada, e no mundo do futebol, é perfeitamente nítido como a mesma inteligência é directamente distorcida pela maldade moral.

E a seita anti-Cristo surge finalmente, para incrementar a confusão e a desordem até aos limites do inimaginável; RATIFICANDO COM A APARÊNCIA DA AUTORIDADE DE DEUS, TODO O RELATIVISMO, TODO O SUBJETIVISMO, TODO O CAOS INTERIOR E EXTERIOR, TODO O ESTERTOR DE UMA PSEUDO-SOCIEDADE E DE UMA PSEUDO-CIVILIZAÇÃO.

Bem diferente foi a vida dos santos; com os olhos postos em Deus Nosso Senhor, submetendo a sua própria objectividade à Lei Eterna e Incriada, operando com aquela suavidade Sobrenatural, que sòmente a virtude da Prudência, elevada ao grau mais sublime, pode facultar; amando a Deus sobre todas as coisas, Sobrenaturalmente, isto é, segundo a própria Caridade Divina, e não com um amor humano; amando o próximo, também com essa mesma Caridade Divina; nutrindo uma conspecção do mundo e da vida infinitamente acima das pobres perspectivas dos mortais sem Esperança; enriquecidos com uma unidade interior, de pensamento, palavras e obras, que só a Caridade, servida pelo Dom da Sapiência, pode ministrar; incorporados profundamente nos Mistérios Sacrossantos da Santíssima Trindade, da Encarnação e da Redenção, os santos ilustram igualmente sobremaneira o Mistério da Graça e da Predestinação; alcançam assim os santos uma Soberana objectividade, porque perfeitamente sublimados com a Luz Celeste, Eterna, Imutável; aquela Luz que este pobre mundo subjectivista inteiramente desconhece, mas que é a única que poderia iluminá-lo, afastando-o das sombras infernais e integrando-o na inefável amizade e intimidade Divina.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 8 de Setembro de 2015

Uma resposta para “A NECESSÁRIA OBJECTIVAÇÃO DA NOSSA VIDA

  1. Jacob setembro 10, 2015 às 11:18 pm

    PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

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