Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

ENTREVISTA DE BERGOGLIO SOBRE CRISES E CAUSAS QUE NÃO VÊ

 

Newsweek Bwergoglio'           

Numa entrevista à Rádio Renascença, Jorge Bergoglio fala da crise imigratória, da Igreja acidentada, do Sínodo, da reforma no processo de nulidade, etc. (Perguntas da entrevistadora e comentários de ProRoma Mariana em negritos)

Depois de elogiar o povo português, manifesta duas preocupações: uma em relação aos jovens e outra em relação à catequese: “os vestidos da primeira comunhão já não servem aos jovens”, mas que há “certas comunidades que insistem em vestir-lhos”. «Qual é o problema? “Os jovens são mais informais e têm o seu próprio ritmo. Temos de deixar que o jovem cresça… Um jovem é inquieto. Não quer que o incomodem e, nesse sentido, pode-se dizer que “o vestido da primeira comunhão não lhes serve”. As crianças gostam. É uma ilusão. Os jovens têm outras ilusões que, muitas vezes, são muito boas, mas há que respeitar, porque eles mesmos não se entendem, porque estão a mudar, estão a crescer, estão à procura… para cuidar dos doentes, durante uma semana ou quinze dias, entusiasma-se porque quer fazer algo pelos outros. Está envolvido. «Involucrado? Sim, fica por dentro, compromete-se. Não olha a partir de fora. Envolve-se, ou seja, compromete-se.

«Qual é o desafio que a Igreja, então, deve enfrentar? É importante que a catequese não seja puramente teórica. Isso não serve. A catequese é dar-lhes doutrina para a vida e, portanto, tem de incluir três idiomas: da cabeça, do coração e das mãos. E a catequese deve entrar nesses três idiomas: que o jovem pense e saiba qual é a fé, mas que, por sua vez, sinta com o seu coração o que é a fé e, por sua vez, faça coisas. Se falta à catequese um destes três idiomas, não avança: pensar o que se sente e o que se faz, sentir o que se pensa e o que se faz, fazer o que se sente e o que se pensa.”

  • Comentário de ProRomaMariana: aqui esta nova catequese não se revela um “avançar” no entendimento da Palavra de Deus, mas no que o jovem pensa e sente segundo o que vive. É a direção contrária da cristã pela qual se deve viver como se pensa sim, mas pensar como se crê e não como se vive no mundo que muda, num «dialogar sincretista»!

Escutando vossa Santidade, isto parece óbvio, mas, olhando à volta – sobretudo na velha Europa, na velha cristandade – não é assim. O que é que falta? Mudar a mentalidade? Como se faz? Mudar a mentalidade, não sei, porque não conheço tudo, não é? Mas é verdade que, a metodologia catequética, às vezes, não é completa. Há que procurar uma metodologia da catequese que junte as três coisas: as verdades que se devem crer, o que se deve sentir e o que se faz, o que se deve fazer, tudo junto.

Santidade, para o centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima, nós esperamos por si em Portugal. Três Papas já nos visitaram (João Paulo II por três vezes). O Senhor, que ama muito a Virgem, o que espera da sua visita em 2017? Bom, vamos lá esclarecer as coisas. Eu tenho vontade de ir a Portugal para o centenário. Em 2017 também se cumprem 300 anos do encontro da Imagem da Virgem de Aparecida. E o que espera de nós, portugueses? Como podemos preparar-nos para o receber e também para seguir os pedidos de Nossa Senhora? O que a Virgem pede sempre é que rezemos, que cuidemos da família e dos mandamentos. Não pede coisas estranhas. Pede que rezemos pelos que andam desorientados, pelos que se dizem pecadores – todos o somos, eu sou o primeiro. Mas a Virgem pede e há que se preparar através desses pedidos da Virgem, através dessas mensagens… manifestando-se às crianças. É curioso, Ela procura sempre almas muito simples.

  • PRM – A Virgem “não pede coisas estranhas”… como seja a consagração da Rússia para a sua conversão à Igreja? Eis o novo modo de censurar de modo velado os pedidos da Mensagem profética de Maria Santíssima.

Esta entrevista acontece em plena crise dos refugiados. Santo Padre, como está a viver esta situação? É a ponta de um icebergue. Vemos estes refugiados, esta pobre gente que escapa da guerra, que escapa da fome, mas essa é a ponta do icebergue. Porque debaixo dele, está a causa; e a causa é um sistema socioeconómico mau e injusto, porque dentro de um sistema económico, dentro de tudo, dentro do mundo – falando do problema ecológico –, dentro da sociedade socioeconómica, dentro da política, o centro tem de ser sempre a pessoa. E o sistema económico dominante, hoje em dia, descentrou a pessoa, colocando no centro o deus dinheiro, que é o ídolo da moda. Ou seja, há estatísticas, não me recordo bem, mas 17% da população mundial detém 80% das riquezas. E esta exploração das riquezas dos países mais pobres, a médio prazo traz esta consequência: a de estes todos que agora querem vir para a Europa… E o mesmo acontece nas grandes cidades. Por que surgem as favelas nas grandes cidades? O critério é o mesmo… É o mesmo; é gente que vem do campo, porque o desflorestaram, porque fizeram monocultivo, não têm trabalho e vão para as grandes cidades. Em África, também é igual… Em África… ou seja, é o mesmo fenómeno. Então, esta gente emigrada que vem para a Europa – é a mesma coisa – à procura de um sítio. E, claro, para a Europa neste momento, é uma surpresa… Mas acontece. O Santo Padre, quando foi a Estrasburgo, disse que era “necessário actuar sobre as causas e não apenas sobre os efeitos”. Mas parece que ninguém ouviu e, agora, os efeitos estão à vista… Temos de ir às causas.

  • PRM – Na linguagem revolucionária as causas dos problemas humanos são sempre de ordem material, sócio-econômicas. Eis o desvio da causa fundamental quanto à “crise do homem contemporâneo que têm sua raiz nos problemas mais profundos da alma de onde se estendem para todos os aspectos de sua personalidade e dai de suas atividades”. Que alguém vestido de papa use esta outra linguagem nas assembleias do mundo moderno, só pode significar uma justificação clericalista do que dizem os revolucionários contra as razões da Igreja vardadeira.

E ninguém o ouviu, muito provavelmente… Onde as causas são a fome, há que criar fontes de trabalho, investimentos. Onde a causa é a guerra, procurar a paz, trabalhar pela paz. Hoje em dia, o mundo está em guerra contra si mesmo, ou seja, o mundo está em guerra, como digo, uma guerra em folhetins, aos pedaços, mas também está em guerra contra a Terra, porque está a destruir a Terra, ou seja, a nossa casa comum, o ambiente. Os glaciares estão a derreter-se, no Árctico, o urso branco vai cada vez mais para o norte para poder sobreviver. E a preocupação pelo homem e pelo seu destino, parece ignorada. Como vê a reacção da Europa à vaga de refugiados? Uns constroem muros, outros escolhem os refugiados consoante a sua religião, outros aproveitam esta situação para fazer discursos populistas. Cada um faz uma interpretação da sua cultura. E, por vezes, a interpretação ideológica, ou das ideias, é mais fácil do que fazer as coisas, que é a realidade… O fenómeno migratório é uma realidade. Mas eu queria abordar o tema, sem censurar ninguém. Quando há um espaço vazio, a gente procura preenchê-lo. Se um país não tem filhos, vêm os emigrantes ocupar o lugar. Penso no nível dos nascimentos de Itália, Portugal e Espanha. Creio que é quase 0%. Então, se não há filhos, há espaços vazios. Ou seja, o não querer ter filhos, em parte, – e isto é uma interpretação minha, não sei se está correcta (!) – é um pouco o resultado da cultura do bem-estar…

  • PRM – Depois de pontificar usando a linguagem revolucionária pela qual as causas dos problemas humanos são sempre de ordem material, sócio-econômicas, que redundam na falta de bem-estar, agora diante da grave questão da família isto é invertido; a cultura do bem-estar sócio-econômico, reaparece numa sua interpretação conformista oposta. Isto é, a procura do bem-estar, que depende dos bens materiais, é nociva!

Mas este desafio do acolhimento a estes refugiados que estão a entrar, na sua perspectiva, pode ser muito positivo para a Europa? É um benefício, uma provocação? Finalmente, de algum modo, a Europa pode despertar, mudar de rumo? Pode ser. É verdade e reconheço que, hoje em dia, as condições de segurança territorial não são as mesmas de outra época porque, na verdade, temos, a 400 quilómetros da Sicília, uma guerrilha terrorista sumamente cruel, não é? Então, existe o perigo da infiltração, isso é verdade. E que pode chegar até Roma. Ah sim, ninguém assegurou que Roma seja imune a isto, não é? Mas podem-se tomar precauções e pôr toda a gente que vem a trabalhar. Mas também há outro problema, é que a Europa atravessa uma crise laboral muito grande. Há três países…em que o desemprego juvenil dos jovens com menos de 25 anos, é de 40%, noutro de 47% e noutro de 50%. Há uma crise laboral, o jovem não encontra trabalho. Ou seja, misturam-se muitas coisas. Nisto, não podemos ser simplistas. Evidentemente, se chega um refugiado, com as medidas de segurança de todo o tipo, há que recebê-lo, porque é um mandamento da Bíblia. Moisés disse ao seu povo: “Recebei o forasteiro porque não esqueçais que vós fostes forasteiros no Egipto”.

Mas o ideal era que eles não tivessem fugido, que ficassem nas suas terras, não? Isso, sim. No Angelus de 6 de Setembro, lançou o desafio às paróquias para que acolham refugiados. Já houve reacções? O que espera em concreto? O que eu pedi foi isto: que cada paróquia, cada instituto religioso, cada mosteiro, acolha uma família. Uma família, não uma pessoa. Uma família dá mais segurança de contenção, um pouco para evitar que haja infiltrações de outro tipo. Quando digo que uma paróquia deve acolher uma família, não digo que tenham de ir viver para a casa do padre, para a casa paroquial, mas que toda a comunidade paroquial veja se há um lugar, um canto num colégio para aí se fazer um pequeno apartamento ou, na pior das hipóteses, que arrendem um modesto apartamento para essa família; mas que tenham um tecto, que sejam acolhidos e que se integrem na comunidade. Já tive muitas reacções… Há conventos quase vazios… E estas famílias ficam até quando? Até quando o Senhor quiser. Não se sabe como isto vai acabar, não é? De todas as maneiras, quero dizer que a Europa tomou consciência, e eu agradeço-lhe. Agradeço aos países da Europa que tomam consciência disto.

  • PRM – É falso que a Europa tenha tomado consciência do problema, tanto é que já se começou aqui e ali a fechar as fronteiras do espaço Schengen, sem seguir os rumos traçados de completa abertura.

É muito crítico também sobre o estilo de vida ocidental e da Europa, o chamado primeiro mundo, muito centrado no bem-estar. O que é que o incomoda mais? Bem, quer dizer, também nas grandes cidades americanas, quer da América do Norte, quer da América do Sul, existe este mesmo problema, não é só na Europa… é o chamado primeiro mundo. Sim, nas grandes cidades… Em Buenos Aires há um grande sector da cultura do bem-estar e, por isso, também há esses cordões à volta das cidades, as favelas e todas essas coisas, não é? Eu, em relação à Europa, hoje, não lhe atiraria à cara este tipo de coisas. Há que reconhecer que a Europa tem uma cultura excepcional. Realmente, são séculos de cultura e isso também dá um bem-estar intelectual. Em todo o caso, o que eu diria da Europa, é a sua capacidade de retomar uma liderança no concerto das nações. Ou seja, que volte a ser a Europa que define rumos, pois tem cultura para o fazer.

Mas mantém a identidade, hoje em dia, a Europa? Está em condições de afirmar a sua identidade? O que eu disse em Estrasburgo, pensei muito antes de o dizer. Ou seja, volto a repetir um pouco isso: a Europa ainda não morreu. Está meia-avozinha [risos], mas pode voltar a ser mãe. E eu tenho confiança nos políticos jovens. Os políticos jovens tocam outra música. Há um problema mundial, que afecta não só a Europa, mas o mundo inteiro, que é o problema da corrupção. A corrupção a todos os níveis… e isso também revela um baixo nível moral, não é?

  • PRM – É impressionante ouvir que sobre a causa dessa decadência moral na Europa se fale até de abstenção nas eleições mas não da descristianização que avança até na constituição européia, quando a questão das raízes cristãs da Europa foi cancelada da sua memória histórica. Isto seria um engano casual que não desilude Bergoglio, apesar de demonstrar-se na indiferença à perseguição dos cristãos.

O Santo Padre fala disso na sua última encíclica e pede para as populações estarem mais conscientes. No entanto, verifica-se muita abstenção. Se vemos os resultados das eleições, a abstenção é quase maior do que um partido… Porque a gente está desiludida. Em parte, por causa da corrupção, em parte pela ineficácia, em parte pelos compromissos assumidos anteriormente. E, no entanto, a Europa – volto a dizer o que disse em Estrasburgo – tem que desempenhar o seu papel, ou seja, recuperar a sua identidade. É verdade que a Europa se enganou – não estou a criticar, mas só a recordar –, quando quis falar da sua identidade sem querer reconhecer o mais profundo da sua identidade, que é a sua raiz cristã, não foi? Aí enganou-se. Bom, mas todos nos enganamos na vida… está a tempo de recuperar a sua fé.

Diz que prefere uma igreja acidentada a uma igreja estagnada. O que entende por “igreja acidentada”? Sim, eu explico: é uma imagem de vida. Se uma pessoa tem em sua casa uma divisão, um quarto, fechado durante muito tempo, surge a humidade, o mofo e o mau cheiro. Se uma igreja, uma paróquia, uma diocese, um instituto, vive fechada em si mesmo, adoece (acontece o mesmo com o quarto fechado) e ficamos com uma Igreja raquítica, com normas rígidas, sem criatividade, segura, mais que segura, assegurada por uma companhia de seguros, mas não segura! Pelo contrário, se sai – se uma igreja, uma paróquia saem – lá para fora, a evangelizar, pode acontecer-lhe o mesmo que acontece a qualquer pessoa que sai para a rua: ter um acidente. Então, entre uma igreja doente e uma Igreja acidentada, prefiro uma acidentada porque, pelo menos, saiu para a rua. E aqui, quero repetir uma coisa que já disse noutra ocasião: na Bíblia, no Apocalipse, há uma coisa linda de Jesus, creio que no segundo capítulo (no final do primeiro ou no segundo), em que está a falar a uma Igreja e diz: “Estou à porta e chamo” – Jesus está a bater – “Se me abres a porta, entro e vou comer contigo”. Mas eu pergunto: quantas vezes, na Igreja, Jesus bate à porta, mas do lado de dentro, para que O deixemos sair a anunciar o reino? Por vezes, apropriamo-nos de Jesus só para nós, e esquecemo-nos que uma Igreja que não está em saída, uma Igreja que não sai, mantém Jesus preso, aprisionado. Foi por causa disso que foi eleito Papa? Isso pergunte ao Espírito Santo! [risos]

  • PRM – Esta questão da abertura da Igreja para não ficar mofada foi o cavalo de batalha do Vaticano 2 sob a influência de Maritain, que por sua vez se refaz às ideias da revista «Esprit» de Mounier, cuja data de início (1932) é considerada por eles como fundadora da novo espírito eclesial de abertura ao mundo! Este espírito personalista é impresso pelos «papas conciliares», invertendo o que foi o espírito missionário de saída para o mundo, hoje abatido pelo aparato conciliar deles que, mais que mofado é espiritualmente apodrecido!

Desde que é Papa, considera que a Igreja está mais acidentada? Não sei. Sei que, pelo que me dizem, Deus está a abençoar muito a sua Igreja. É um momento que não depende da minha pessoa, mas da bênção que Deus quis dar à sua Igreja, neste momento. E agora, com este Jubileu da Misericórdia, espero que muita gente sinta a Igreja como mãe. Porque pode acontecer à Igreja o mesmo que aconteceu à Europa, não é? Ficar demasiadamente avó, em vez de mãe, incapaz de gerar vida. É este é o motivo do Jubileu da Misericórdia? Que venham todos! Que venham e sintam o amor e o perdão de Deus. Conheci, em Buenos Aires, um frade capuchinho, um pouco mais novo do que eu, que é um grande confessor. Tem sempre uma grande fila, com muita gente, está todo o dia a confessar. Ele é um grande “perdoador”, perdoa muito. E, às vezes, tem escrúpulos por ter perdoado muito. Então, uma vez, em conversa, disse-me: “Às vezes, tenho escrúpulos”. E eu perguntei-lhe: “E o que fazes, quando tens esses escrúpulos?”. “Vou diante do sacrário, olho para o Senhor e digo-lhe: Senhor, perdoai-me, hoje perdoei muito, mas que fique bem claro que a culpa é toda vossa, porque fostes Vós a dar-me o mau exemplo!”

Por isso o Santo Padre, neste sentido, também decidiu, nesta carta [a monsenhor Rino Fisichella sobre o Jubileu da Misericórdia] propor o perdão às situações mais difíceis e agora mesmo publicou estas cartas [de “motu proprio”, iniciativas do Papa que têm normalmente a forma de decreto] que aceleram os processos de nulidade. Isto também tem a ver com o Jubileu? Sim, simplificar… Facilitar a fé às pessoas. E que a Igreja seja mãe… A razão destas cartas “motu proprio” para a nulidade qual é, exactamente, é agilizar? Agilizar os processos nas mãos do bispo. Um juiz, um defensor do vínculo, só uma sentença, porque até agora havia duas sentenças. Não, agora, é só uma. Se não houver apelo, já está. Se houver apelo, vai para o metropolita, mas agilizar. E também a gratuidade dos processos.

  • PRM – O tipo de perdão misericordioso que está sendo preparado para esse sínodo já se conhece e já se formaram diversas resistências ao que este infringe na lei evangélica. Mas para que não haja dúvidas sobre a intenção personalista de Bergoglio de abrir para o mundo já foram publicados tais «motu proprio» jubilares independentes do sínodo; prelúdio para um grande cisma no cismo.

O Santo Padre fez isto a pensar também no Sínodo e no Jubileu? Está tudo relacionado. Já sei que não quer falar do Sínodo, mas, no seu coração de pastor universal, o que pede? Peço que rezem muito. Sobre o Sínodo, vocês os jornalistas, já conhecem o “Instrumentum Laboris”. Vai-se falar disso, do que lá está. São três semanas, um tema, um capítulo, para cada semana. E esperam-se muitas coisas, porque, evidentemente, a família está em crise. Os jovens não se casam. Não se casam. Ou então, com esta cultura do provisório, dizem “ou vivo junto ou me caso, mas só enquanto dura o amor, depois, tchau…” E que diz a quem vive uma moral contrária à indicação da Igreja e que tem esta ansiedade de perdão? Lá no Sínodo vai-se falar de todas as possibilidades de ajudar estas famílias. Que uma coisa fique clara – e que o Papa Bento o deixou bem esclarecido: as pessoas que vivem uma segunda união não estão excomungadas e têm de ser integradas na vida da Igreja. Isso ficou claríssimo. E eu, no outro dia na catequese, também o disse claramente: aproximar-se da missa, da catequese, na educação dos filhos, nas obras de caridade… há mil coisas, não é?

  • PRM – Depois que foi proclamada pelo Vaticano 2 a liberdade de consciência e de religião até para os que negam a fé (Dignitatis humanae personae), porque é que os jovens de hoje deveriam seguir as restrições sacramentais dessa mesma instituição contraditória?

O Papa Francisco é amado em todo o mundo, a sua popularidade cresce, como revelam as sondagens, e tantos querem vê-lo candidato ao prémio Nobel. Mas Jesus avisou os seus: ”Sereis odiados por causa do meu nome”. Como é que se sente, Santidade? Muitas vezes me pergunto como será a minha cruz, como é a minha cruz… As cruzes existem. Não se vêem, mas estão lá. E também Jesus, num certo momento, foi muito popular e, depois, acabou como acabou. Ou seja, ninguém tem garantida a felicidade mundana. A única coisa que eu peço, é que me conserve a paz do coração e que me conserve na sua Graça, porque, até ao último momento, somos pecadores e podemos renegar a sua Graça. Consola-me uma coisa: que São Pedro cometeu um pecado muito grave – renegar Jesus – e, depois, fizeram-no Papa (!)… Se com este pecado o fizeram Papa, com todos os que eu tenho, consolo-me, pois o Senhor cuidará de mim como cuidou de Pedro. Mas Pedro morreu crucificado, enquanto eu não sei como vou terminar. Que Ele decida, desde que me dê a paz, que Ele faça o que quiser.

  • PRM – Pedro foi escolhido e feito Papa por Nosso Senhor Jesus Cristo. Não se pode dizer o mesmo de Bergoglio que num conclave conciliar “fizeram-no  papa”, para que ele desse o golpe final na Igreja de antes do Vaticano 2. E sabiam o que faziam, como agora se pode constatar; estes é que o amavam e adulam como planejado novo demolidor da Igreja, talvez sem esperar que fosse tão perigosamente desregrado.

Uma resposta para “ENTREVISTA DE BERGOGLIO SOBRE CRISES E CAUSAS QUE NÃO VÊ

  1. jacob setembro 17, 2015 às 6:26 pm

    “É importante que a catequese não seja puramente teórica. Isso não serve.”

    A referida catequese “puramente teórica” foi a catequese de toda a história da Igreja até o conluio chamado Vaticano II. E a Igreja esteve, em geral, muitíssimo bem durante todo esse tempo, até que a maldita seita modernista resolvesse proclamar a obsolescência de tudo o que foi dito e feito até então, como se a Doutrina, a palavra de Deus, pudesse mudar.

    É MUITA ARROGÂNCIA! Essa seita modernista é como um garoto imaturo, presunçoso, mal educado e indisciplinado, que mal chega num lugar e já quer mudar as regras e as tradições que ali existem há tempos, passando por cima dos mais velhos sem qualquer respeito.

    Somente hoje eu vejo a falta que me fez uma catequese de verdade em minha juventude. Uma catequese como a que se lê no Catecismo de Pio X. Talvez assim eu não tivesse andado por tanto tempo longe de Deus e das coisas que realmente importam.

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