Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A LIBERDADE RELIGIOSA E O “DIVÓRCIO CATÓLICO”

implantacao_republica

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em passagens de uma alocução pronunciada em 1 de Janeiro de 1954:

«Às autoridades públicas respeita primàriamente tomar todas as providências para que de nenhum modo seja ofendido ou perturbado aquele ambiente de pureza e resguardo que deve circundar o lar doméstico, diante do qual, até a sabedoria antiga, possuída de Sagrado respeito, proclamava: “Nada indigno de se ouvir ou ver há-de entrar no limiar desta casa… à criança é devida a maior reverência”. (JUVENAL, SÁTIRAS, 44,47)

Não deixa de estar presente ao nosso espírito, o quadro doloroso do poder maléfico e perturbador dos espectáculos cinematográficos. E como deixaremos de sentir horror ao pensar que, pela televisão, pode introduzir-se dentro das próprias paredes domésticas, aquela atmosfera envenenada, de materialismo, frivolidade e hedonismo, que demasiadas vezes se respira em tantas salas de cinema? De facto, não se poderia imaginar coisa mais fatal para as forças espirituais da Nação, se diante de tantas almas inocentes, e no seio da própria família, houvessem de repetir-se aquelas impressionantes revelações do prazer, da paixão e do mal, que podem abalar e fazer ruir para sempre um edifício todo de pureza, de bondade, e de sã educação individual e social.

Por estes motivos, nós julgamos oportuno observar que a normal vigilância que deve exercer a autoridade reaponsável pelos espectáculos públicos não é suficiente para se conseguir nas transmissões televisíveis um serviço irrepreensível do ponto de vista moral; é necessário aplicar critério diverso, pois trata-se de representações que devem penetrar no santuário da família. Sobretudo neste campo, VÊ-SE A FALTA DE FUNDAMENTO DOS PRETENSOS DIREITOS DE ABSOLUTA LIBERDADE DA ARTE, OU DO RECURSO AO PRETEXTO DA LIBERDADE DE INFORMAÇÃO E DE PENSAMENTO, POIS ESTÃO EM JOGO VALORES SUPERIORES. QUEM OS VIOLE, NÃO PODERÁ FUGIR ÀS SEVERAS SANÇÕES, FULMINADAS PELO DIVINO SALVADOR: “Ai do mundo, por causa dos escândalos! Ai do homem, por culpa de quem se dá o escândalo”. (Mt 18,7)»

 

Há quem se surpreenda com este novo processo de agilizar o que já era considerado há bastante tempo, e com razão, como “divórcio católico”; e que mais não é senão subverter, de forma deicida, o conceito teológico-canónico de declaração de nulidade. Efectivamente, a Santa Madre Igreja, como Instituição de Direito Divino, como Sociedade Perfeita em sentido eminente, possui, constitutivamente, todo o direito sobre o Matrimónio dos baptizados, o qual foi elevado por Nosso Senhor Jesus Cristo à dignidade de Sacramento. O vínculo Moral do Matrimónio é de Direito Divino Sobrenatural, mas está como que enxertado na vida mortal, precisamente para que os bens naturais que extrìnsecamente produz, cooperem no sentido da estabilidade vital do mesmo Matrimónio, sempre em benefício da propagação qualificada do Género Humano, e em particular, do Nome Cristão.

Por isso a Santa Mãe Igreja instituiu impedimentos; porque não são suficientes aqueles que a natureza ditou e a Revelação ratificou; visto havermos sido elevados à Ordem Sobrenatural, mas vivermos num mundo soberanamente pecador, e ser necessário arraigar na vida humana e nas almas o carácter eminentemente objectivo do Matrimónio. Exactamente por isso, as declarações de nulidade, quer dizer a proclamação de que determinado vínculo, não existe, nem nunca existiu, constitui uma realidade DE INTERESSE PÚBLICO, TEOLÓGICO, CANÓNICO E SOCIAL. A DECLARAÇÃO DE NULIDADE NÃO DESTRÓI NENHUM VÍNCULO MATRIMONIAL, PORQUE ELE, SIMPLESMENTE, NÃO EXISTE, NEM NUNCA EXISTIU.

O divórcio, pelo contrário, tal como é jurídica e històricamente concebido, À MARGEM DA IGREJA, E CONTRA A IGREJA, O DIVÓRCIO DESTRÓI UM VÍNCULO MATRIMONIAL “EX NUNC”, ISTO É: A PARTIR DO MOMENTO PRESENTE. Neste quadro conceptual, o divórcio é sempre pronunciado no interesse subjectivo dos cônjuges, e não irradiando objectivamente de um fundamento transcendente e de Direito Divino, como acontece com a declaração de nulidade eclesiástica. Cumpre assinalar, que a figura jurídica da anulação, ou seja: Destruição do vínculo matrimonial “Ex Tunc”, quer dizer: Desde a origem – não existe, nem pode existir, em Direito Canónico, porque a Santa Madre Igreja não tem poder para destruir um vínculo matrimonial de Direito Divino Sobrenatural.

Ora, Bergoglio e seus apaniguados, actuam com uma mentalidade OSTENSIVAMENTE DIVORCISTA, SUBJECTIVISTA, IGNORANDO E LANÇANDO À SENTINA, TORPEMENTE, ASQUEROSAMENTE, TODA A TEOLOGIA DOGMÁTICA E MORAL, E TODO O DIREITO CANÓNICO.

Não há, contudo, lugar para qualquer surpresa, visto que todas estas aberrações estavam já FORMALMENTE PRESENTES, EMBORA DE MANEIRA IMPLÍCITA, NA DECLARAÇÃO DE LIBERDADE RELIGIOSA DE HÁ CINQUENTA ANOS. Efectivamente, se há, oficialmente, liberdade religiosa, porque é que alguém se irá submeter a qualquer tipo de disposição canónica ou moral de uma instituição, que proclamando a referida liberdade, SE RENEGA CONSCIENTEMENTE A SI MESMA?

A grande maldição do Vaticano 2 foi precisamente conseguir que as massas profundamente descristianizadas, incluindo aqui o clero e muitos bispos, não se tivessem apercebido que proclamando a dita liberdade religiosa se ingere novamente o fruto proibido, precisamente denominado “a Terra prometida do concílio”, e assim procedendo, SELA-SE UM VERDADEIRO PACTO COM O DEMÓNIO, TORNANDO POSSÍVEIS TODOS OS CRIMES.

Se todas as religiões são boas – então infere-se que o mundo é moralmente bom; o que também condradiz em absoluto a Doutrina da Santa Madre Igreja; e nesse enquadramento demoníaco, lògicamente, não há, nem pode haver, pecado, mas apenas danos sociais ou ecológicos, e tal significará QUE O SENTIDO DA VIDA HUMANA SE RESOLVERÁ INTEGRALMENTE DENTRO DAS COORDENADAS DESTE MUNDO MORTAL; portanto todos os valores serão invertidos de modo a proporcionar aos homens o máximo gozo e bem estar com o mínimo de penosidade; foi o que pretenderam realizar, E REALIZARAM, primeiro o Humanismo renascentista, depois a Reforma, e ulteriormente a Revolução de 1789 e revoluções suas derivadas, foi o que pretenderam realizar, E REALIZARAM, os paladinos da revolução comunista de 1917, e revoluções suas derivadas – finalmente, o Vaticano 2, directamente inspirado por satanás, vibrou o golpe supremo: A conversão da face humana do Corpo Místico à bondade moral do mundo.

Se não tivesse havido pecado original e pecados actuais, aí sim, o mundo seria moralmente bom, porque todas as inteligências permaneceriam unidas na Verdade e todos os corações irmanados na Caridade.

Ora, se o sentido da vida humana apenas neste mundo se resolve – ENTÃO NADA VALE A PENA, TUDO É COMPLETAMENTE INDIFERENTE; E ENTÃO, VALE TUDO! PORQUE, POR DEFINIÇÃO, NÃO EXISTIRÃO VALORES ABSOLUTOS, ETERNOS E IMUTÁVEIS, CLAMANDO: BASTA! RECTIFICA O TEU CAMINHO, POR AMOR SOBRENATURAL A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS, E AO PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS.

Um dia, o confessor de Santa Teresinha do Menino Jesus, ainda antes da profissão religiosa, disse-lhe:- Estás plenamente em Paz com Deus, MAS SE ELE TE ABANDONASSE SERIAS UM DEMÓNIO. As almas são sobrenaturalmente conduzidas por Deus, mas sem Ele, não são nada, ou mais rigorosamente, são entidades sartreanas e bergoglianas, ANIQUILANDO-SE, E ANIQUILANDO O SEU PRÓXIMO.

A denominada “Terra prometida do concílio,” assim era concebido o objectivo prosseguido pelos modernistas e maçons que pretendiam declarar o mundo como um lugar moralmente bom, ao qual a Igreja se deveria, não apenas converter, mas abençoar. Na realidade esse lugar É O INFERNO; ou seja: OS CONCILIARES QUERIAM TRANSFORMAR, DEFINITIVAMENTE, A TERRA NUM INFERNO, PRIVADA DE DEUS NOSSO SENHOR E DA SANTA MADRE IGREJA PARA TODO O SEMPRE. É a isso que o apóstata D. Fellay apelida de: CONCÍLIO NOVENTA E CINCO POR CENTO BOM. Se o concílio é bom, então é porque o mundo também é moralmente bom, e se o mundo é bom, eis-nos reduzidos ao raciocínio acima referido: VALE TUDO, PORQUE TUDO É INDIFERENTE! Reparai a que ficou reduzida a Fraternidade QUE FOI DE SÃO PIO X, isto é: QUE FOI CATÓLICA!

A canonização do chamado “divórcio católico”, bem como a banalização do aborto, reduzido a um dano ecológico, administrativamente legitimável, apresentam-se assim como consequências inevitáveis da estratégia subliminal da seita conciliar, sustentando MATERIALMENTE uma doutrina verdadeira, enquanto FORMALMENTE a enquadram numa moldura liberal-democrática, QUE A DESTRÓI NECESSÀRIAMENTE. É conhecido como matéria e forma têm de ser transcendentalmente comensuráveis. Pelo facto da seita anti-Cristo vir proclamando, desde há mais de cinquenta anos, uma forma contraditória com o seu conteúdo material, POIS NISTO CONSISTE O SEU TRUQUE, a referida forma apóstata acaba por começar a contaminar, a eivar, o seu conteúdo, MATERIALMENTE, até aí, íntegro. É esta a explicação profunda para o que está a acontecer.

Não renunciamos a repetir o que já afirmámos: O PRINCÍPIO DE TODOS OS MALES, SÓ POR SI CAPAZ DA OBLITERAÇÃO TOTAL DA FÉ CATÓLICA, RESIDE NA PROMULGAÇÃO DA LIBERDADE RELIGIOSA.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 20 de Setembro de 2015

 

6 Respostas para “A LIBERDADE RELIGIOSA E O “DIVÓRCIO CATÓLICO”

  1. Jacob setembro 26, 2015 às 1:25 pm

    “Liberdade”, ao menos no sentido em que a palavra é empregada pelo mundo moderno, se é que há um sentido apropriado, é certamente uma das ideias mais confusas e virulentas que a mente ateísta já concebeu, porque, como um vírus no organismo, penetra a sua pestilência no espírito sem ser notada.

    Corrijam-se se eu estiver errado, mas liberdade, se pode ser definida, é a condição daquele que pode empregar os meios necessários para atingir um determinado fim. Se somos livres, o somos porque podemos chegar a algum lugar. Tendo lá chegado, já não faz sentido falar em liberdade. Liberdade é potência, não ato. Sou livre porque POSSO agir. Tendo agido, nao sou mais livre.

    Logo, quem, como os republicanos, fala em liberdade como um fim a ser atingido (ou ideias semelhantes, como democracia), não sabe o que está falando. E um suposto católico que fale favoravelmente sobre a “liberdade religiosa”, pode-se dizer que seja um ateu sem o saber, pois quem acredita em Deus Nosso Senhor sabe que Ele é o fim.

    Porque você quer liberdade religiosa, meu caro modernista? Você responde: para que as pessoas possam escolher a religião verdadeira e salvar suas almas. Mas se você sabe que a Doutrina da Igreja é a verdadeira – como diz que sabe -, porque quer liberdade? A resposta só pode ser uma: você, modernista, NÃO ACREDITA que a Doutrina da Igreja seja a verdadeira; não acredita que ela foi fundada por Nosso Senhor; não acredita em milagres; não acredita em Deus; não acredita em nada disso, embora diga-se católico. Você não passa de um MATERIALISTA, a quem a Igreja não é mais que uma organização humana dedicada a assuntos meramente humanos. VOCÊ É UM ATEU.

    • Alberto Cabral setembro 30, 2015 às 12:19 am

      Absolutamente correcto.
      Alberto Neves Cabral

    • Pro Roma Mariana setembro 30, 2015 às 8:50 am

      De fato o que foi escrito neste comentário sobre a liberdade religiosa, não só bem descreve a posição ateista de um indivíduo modernista – como assinalado por San Pio X -, mas quanto à posição de uma “autoridade religiosa”, que declara a liberdade para a falsidade, descreve a sua posição de “falsa autoridade”; uma tácita renúncia a qualquer autoridade!

    • Pro Roma Mariana setembro 30, 2015 às 8:56 am

      De fato o que foi escrito neste comentário sobre a liberdade religiosa, não só bem descreve a posição ateista de um indivíduo modernista – como assinalado por San Pio X -, mas quanto à posição de uma “autoridade religiosa”, que declara a liberdade para a falsidade, descreve a sua posição de “falsa autoridade”; uma tácita renúncia a qualquer autoridade!

  2. Jacob setembro 26, 2015 às 1:58 pm

    Caros amigos da fundação Pro Roma Mariana, gostaria de saber se vocês conhecem o livro de um autor chamado Yves Dupont intitulado “Catholic Prophecy”. Ele pode ser baixado no seguinte site:

    http://ia802602.us.archive.org/6/items/CatholicProphecy/CatholicProphecy.pdf

    O livro reúne várias profecias, a maioria de beatos e santos católicos, feitas ao longo de toda a história cristã sobre os tempos modernos, a apostasia geral e um grande castigo – possivelmente a passagem de um cometa muito próximo da Terra – a ocorrer antes de um período de paz e triunfo da Igreja sem precedente, capitaneado por um grande monarca, associado á França, e por um grande Papa. Tal período de paz, por sua vez, é identificado àquele predito por Nossa Senhora de Fátima. Diz-se também que este período de paz, a vir após o grande castigo, é o que precede a vinda do anticristo.

    O que mais me impressiona no livro é 1) a quantidade de profecias que relatam os mesmos eventos; 2) a distância geográfica e temporal entre os profetas, de modo que ninguém poderá associar as profecias catastróficas a uma “moda”, uma “febre” particular a algum tempo, ou ao contato entre os profetas, seja pessoalmente, seja pela leitura dos seus escritos, ainda mais considerando que as telecomunicações não pasaram a existir senão muito recentemente; 3) a riqueza dos relatos proféticos e a inconfundível associação deles com os nossos tempos. Não se trata de falar vagamente acerca dum período muito duro a ocorrer no futuro. Alguns profetas mencionam até detalhes sobre inovações tecnológicas.

    Tal é o meu assombro que chego a questionar a legitimidade dos escritos referidos pelo autor. Muitos deles são conhecidos, como os de Anna Catarina Emmerich e Anna Maria Taigi, mas outros são de fontes mais obscuras. Por isso recorro a vocês.

    • Pro Roma Mariana setembro 29, 2015 às 8:00 pm

      Obrigado caro amigo Jacob pela indicação. Já conhecemos alguns desta mesma TAM editora sobre o assunto como do Rev. Herman Bernard Kramer (1975); também do Rev. Gerald Culleton (1974), no qual encontramos aquela do Papa Pio IX, que pode ser considerada uma previsão de Fátima.

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