Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

OS MISTÉRIOS DA SANTIDADE

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, em excertos da sua encíclica “Ad Diem Illum”, promulgada em 2 de Fevereiro de 1904:

«Uma vez que, enfim, é culto autêntico da Mãe de Deus, aquele que vem espontâneo do coração, os actos do corpo não possuem, neste caso, nem utilidade, nem valor, se vêm separados do impulso interior. Esse impulso deve ser dirigido a este objectivo: Que nós observemos plenamente o que manda o Divino Filho de Maria. Afinal, se o verdadeiro amor é apenas aquele que tem a virtude de unir as vontades, necessáriamente nós devemos ter a mesma vontade de Maria, isto é, de servir ao Cristo Senhor.

A sapientíssima Virgem Maria faz a nós a mesma recomendação que fez aos servos nas núpcias de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5). Eis a Palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo: ” Se queres entrar na vida Eterna guarda os Mandamentos” (Mt 19,17). Cada um se convença, então, que se a devoção que professa à beatíssima Virgem não o remove do pecado, ou não lhe inspira de expiar as suas culpas, TRATA-SE DE DEVOÇÃO FALSA E MENTIROSA, DESPROVIDA DO SEU FRUTO PRÓPRIO E NATURAL.

 Se alguém deseja confirmação disso, pode encontrá-la fàcilmente no Dogma mesmo da Imaculada Conceição de Maria. Afinal, para não esquecer a Tradição Católica – que também é fonte de Verdade, como a Sagrada Escritura – como é que essa convicção da Conceição Imaculada da Virgem, sempre foi aderente ao sentimento Católico, que pode dizer-se ínsita e inata no espírito dos fiéis? Assim explicou a questão Dionísio Cartusiano: “Temos horror de afirmar que esta criatura feminina, destinada a esmagar um dia a cabeça da serpente, foi por Ela vencida, e que Ela, a Mãe do Senhor, foi filha do diabo.”

Por outro lado, quem quiser – e todos devem querer – que a devoção para com a Virgem seja digna d’Ela e perfeita, deve ir além, e esforçar-se de todos os modos para imitar os Seus exemplos. Por Lei Divina, afinal, obtêm a Eterna beatitude, sòmente aqueles que imitaram fielmente a paciência e a santidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Porque os que de antemão Ele conheceu, também predestinou a serem conformes à Imagem do Seu Filho, a fim de ser Ele o primogénito entre muitos irmãos” (Rom 8,29). Mas por ser grande a nossa fragilidade, fazendo com que a grandeza de semelhante exemplo fàcilmente nos desencorage, Deus quis prover, propondo-nos outro, tão próximo a Cristo quanto é permitido à natureza humana, e mais em conformidade com essa nossa fragilidade. Trata-se da Mãe de Deus. A este propósito disse Santo Ambrósio: “Tal foi Maria, que a Sua vida É PARA TODOS ENSINAMENTO.”   E conclui: “Tende então diante dos olhos, como na pintura de um quadro, a virgindade e a vida da Beatíssima Virgem, que reflete como um espelho o esplendor da castidade, e o teor mesmo da virtude”.

Embora convenha QUE OS FILHOS IMITEM TODAS AS VIRTUDES DESTA SANTÍSSIMA MÃE, TODAVIA NÓS DESEJAMOS QUE OS FIÉIS SIGAM PREFERENCIALMENTE AS QUE SÃO AS PRINCIPAIS, E COMO QUE OS NERVOS E JUNTAS DA VIDA CRISTÃ, ISTO É, A FÉ, A ESPERANÇA E A CARIDADE, PARA COM DEUS, E PARA COM O PRÓXIMO.»

 

A Santidade de Deus é a Sua Verdade Moral; e esta traduz que n’Aquele que possui em Si a razão mesma do Seu Ser, o princípio ordenador moral apenas se conforma con’Sigo próprio pois É por Si mesmo. Nas criaturas, a norma de procedimento deve conformar-se com a Lei Eterna, daí retirando toda a sua dignidade operativa. Mas Deus Nosso Senhor opera necessàriamente, metafìsicamente, segundo essa mesma Lei Eterna, que consiste no Princípio de Ordem, Incriado, constitutivo de qualquer criatura, criada ou possível. Não é Deus que num acto arbitrário decide o que é Bem e o que é mal; não; a Verdade Moral é INTRÌNSECAMENTE CONFORME, E É CONSTITUTIVA DA NATUREZA DIVINA (INTELECTUALISMO TEOLÓGICO). Consequentemente, TUDO O QUE DEUS FAZ, ESTÁ BEM FEITO. Não é Deus Nosso Senhor que Se tem, extrínseca e necessàriamente, de conformar com a Lei Moral; É DEUS QUE INTRÌNSECAMENTE, FUNDAMENTA, METAFÍSICA E TEOLÒGICAMENTE, A INTEGRIDADE DA MESMA LEI MORAL.

Para a criatura espiritual, a Santidade consubstancia o anúncio formal da Glória extrínseca de Deus, mediante o conhecimento e o amor.

Certa teologia superficial, mesmo clássica, apresenta a Santidade como algo necessàriamente muito difícil, e tanto mais difícil quanto maior a santidade for. Neste particular é imperioso distinguir entre dificuldade intrínseca e dificuldade extrínseca; e é bem ilustrativo o exemplo de Nossa Senhora, a Bem-Aventurada sempre Virgem Maria, a nossa querida Mãe do Céu: Não há pura criatura que nesta vida mortal tenha sofrido, tanto, tanto, como Nossa Senhora, as investidas EXTRÍNSECAS de um mundo maciçamente mau; mas também não há pura criatura que tenha sido, INTRÌNSECAMENTE, tão sobrenaturalmente ditosa, tão inefàvelmente abismada nas maravilhas Incriadas, mesmo neste mundo, como Nossa Senhora. A perfeição religiosa e moral é indissociável da felicidade Sobrenatural, mesmo neste mundo, ainda que em conjunção com grandes perseguições e grandes sofrimentos de ordem moral, extrìnsecamente originados de uma realidade corrompida pelo pecado original e pelos pecados actuais.

Em Nossa Senhora, a Sua Imaculada Conceição preservava-a daquele esforço, pelo menos inicial, ontológico e moral, que todos nós temos de realizar para nos orientarmos para Deus. Nossa Senhora sofria, sem dúvida, os embates do mundo, mas intrìnsecamente não experimentava qualquer dificuldade em amar sobrenaturalmente a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus; NÃO DEIXAVA DE SER, MESMO ASSIM, A MAIS SANTA DAS CRIATURAS. A SANTIDADE NÃO RESIDE NA DIFICULDADE, MAS NO ARDOR DA CARIDADE. E esta tese é tanto mais verdadeira, quanto os santos, ao crescerem na amizade Divina, realizam com maior facilidade, e até com verdadeiro prazer espiritual, a integridade da Lei Moral.

Seria Nossa Senhora impecável? Sim, possuía uma santidade e uma impecabilidade acidental, e estava confirmada em Graça; isto é, sabia não só que possuía a Graça Santificante, mas também que jamais a perderia. Tal se devia a um privilégio da parte de Deus. NOSSA SENHORA, BEM COMO TODOS OS SANTOS, NÃO ERAM PREDESTINADOS POR SER SANTOS; ERAM, SIM, SANTOS PORQUE ERAM PREDESTINADOS. É DEUS QUEM FAZ OS SEUS SANTOS, NÃO SÃO OS SANTOS QUE SE FAZEM A SI PRÓPRIOS. NÃO SOMOS PREDESTINADOS POR POSSUIRMOS MÉRITOS, MAS POSSUÍMOS MÉRITOS PORQUE SOMOS PREDESTINADOS.

Nosso Senhor Jesus Cristo era SUBSTANCIALMENTE SANTO, porque a União Hipostática consagrava a Humanidade de Nosso Senhor, segundo o grau mais elevado, e mais nobre, de potência obedencial que é concebível: A Única Pessoa do Verbo que subsiste em Duas Naturezas realmente distintas, a Divina e a Humana. Mas além dessa Santidade substancial, Nosso Senhor possuía a Santidade ACIDENTAL; pois que, tal como nós, a Sua Alma possuía a Graça Santificante, as Virtudes Teologais (excepto a Fé, e em parte a Esperança)e Morais; e os Dons do Espírito Santo; mas possuindo-os em grau fìsicamente FINITO, a Alma de Nosso Senhor estava, contudo, adornada com Graças,Virtudes e Dons, MORALMENTE INFINITOS, pois que à sua oblação correspondia uma Pessoa de Dignidade Infinita. Neste enquadramento, a Esperança do Senhor consubstanciava-se sòmente no concernente à Sua Ressurreição e exaltação gloriosa como Cabeça do Corpo Místico.

Na exacta medida em que tudo o que somos na Ordem Natural e na Ordem Sobrenatural, TUDO PROVÉM DE DEUS, TUDO SE FUNDAMENTA EM DEUS; A SANTIDADE DEVE CONFIGURAR-SE COM UM SERVIÇO CONTÍNUO À MAJESTADE, À GLÓRIA DIVINA, E A NOSSA PRÓPRIA SALVAÇÃO DEVE SER CONCEBIDA,O MAIS POSSÍVEL, OBJECTIVAMENTE.

Os principiantes de todos os tempos, alimentaram sempre a tendência de identificar o extremo formal de uma virtude com o seu extremo material; um exemplo grotesco e aberrante desta tendência é considerar uma senhora tanto mais virtuosa quanto mais compridas usar as saias. É estultícia considerar a chamada época vitoriana “muito virtuosa”, quando na realidade foi apenas requintadamente hipócrita; a pedofilia, o abuso dos mais débeis, as orgias dos poderosos; tudo isso estava amplamente disseminado nessa desgraçada época, socialmente, talvez pior do que a nossa, no seu horrível fariseísmo.

Muito diferente é a posição de Santo Tomás; aqui não existe separação entre Dogma e Moral; pois constituem ambos duas faces da mesma moeda – A FÉ CATÓLICA. Os actos humanos, em São Tomás, são considerados segundo o seu objecto substancial próprio; em São Tomás, a Glória extrínseca de Deus obtém-se por uma proporção transcendental entre a matéria e forma intencional dos mesmos actos humanos, no corolário de um regime de coerência essencial de vida, natural e Sobrenatural,vigorosa e prudentemente assumida, perante Deus e perante os homens. A verdadeira virtude é assim aquela que em cada acto humano colocado, com mais integridade se nobilita o florão do conjunto das virtudes. Para São Tomás a virtude é indissociável de uma perfeita unidade pessoal, de rígida conexão de cada um consigo próprio; pois que a substância objectiva de cada acto humano é medida pela Lei Eterna pelo seu conteúdo em ser e não pelas vãs aparências e conveniências humanas. A Moral Tomista é de elevada magnitude e exigência, também pelo facto da AUSÊNCIA ABSOLUTA DE DUALISMO, realidade bastante rara na maioria dos autores; e a razão essencial para tal reside na união muito íntima entre o Dogma e a Moral; para São Tomás a base fecunda da Santidade nutre-se do Dogma e nele se resolve. Já o Padre Garrigou-Lagrange lamentava o facto de posteriormente ao Sagrado Concílio de Trento se haver registado uma tendência para separar o Dogma e a Moral.

Santo, é aquele que ama a Deus, Sobrenaturalmente, sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus. Consequentemente, para a alma se salvar tem que ser santa; pois mesmo na atrição – pela qual a alma se arrepende, realmente, sobrenaturalmente, dos pecados por temor do Inferno – considerada pelo Concílio de Trento um princípio de amor Sobrenatural a Deus; uma vez recebida a absolvição sacramental, a mesma alma recebe, também sacramentalmente, a Graça Santificante e a Caridade perfeita, sem a qual ninguém pode entrar no Céu. Por isso mesmo quem voluntàriamente se detém na ascensão espiritual, dizendo: Basta, já não quero subir mais! Esse alguém em breve perderá a Graça Santificante; NO SANTO CAMINHO QUE CONDUZ A DEUS NOSSO SENHOR, É NECESSÁRIO UM ESFORÇO SOBRENATURAL CONTÍNUO; REALIZADO, EVIDENTEMENTE, COM OS AUXÍLIOS DA GRAÇA ACTUAL E DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO.

Maria Santíssima, mesmo IMACULADA CONCEIÇÃO, mesmo inundada de Graça Celeste, TAMBÉM NÃO SE PODIA DETER NO CAMINHO PARA DEUS, QUANTO MAIS ASCENDIA, MAIS AJUDADA ERA, E MAIS NECESSIDADE TINHA DE SUBIR MAIS.

O grande Mistério da Predestinação ensina-nos que tudo o que somos, somos por Deus; quanto aos condenados, é evidente que não foram predestinados, porque a ideia Divina, transcendental, providencial, do mundo, tal não contemplava; mas os maus não deixam por isso de ser VERDADEIRAMENTE MAUS.   O grande erro, neste particular, é pretender conceber as realidades metafísicas segundo um padrão terreno e humano. Mas é certo que, nem no Céu, os eleitos, Anjos e Homens, poderão jamais compreender perfeitamente o grande Mistério da Predestinação e da Santidade.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 29 de Agosto de 2015

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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