Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

TRAMAS TEOLOGAIS PARA FOMENTAR A RELIGIÃO + UNIVERSAL: o «personalismo».

Todas as Religiões pela Paz em Assis 1986

 

Arai Daniele

Havia que preparar um programa para chegar – através de «recursos teológicos» – a demonstrar que o mesmo cristianismo já era religião pronta para abrir ao horizonte mais universal que uniria todos os povos; exigia-o o poder da Maçonaria e não só ela, ordenando-o ao novo eleito no Vaticano.

Ora, este programa devia alterar na Doutrina católica antes de tudo o conceito de pessoa humana e de sua consciência no sentido de serem vistos como valores absolutos; de modo que a graça divina (se existe!) não seria mais nela um dom gratuito, como ensina o Cristianismo, mas um atributo absolutamente necessário, e daí que a liberdade de consciência seria igualmente um direito natural revelado (se há revelação!) e portanto absoluto.

Surge assim a questão da “consciência livre” de toda pessoa, entendida, não mais como liberdade da consciência que tem Deus por testemunha, como diz santo Agostinho, mas uma “consciência” liberada de todo dogma e formada somente pelos conhecimentos humanos, ou seja uma consciência como quer o gnosticismo, livre e autônoma. Trata-se o contrário daquilo que se entende por voz da consciência, que dita a justa norma de vida a seguir.

O que significaria uma consciência sem dogmas é explicado por Mons. Delassus: «Os dogmas formam, por assim dizer, o esqueleto das religiões, e é por eles que as religiões se distinguem e se mantém separadas umas das outras. O grande esforço dos apóstolos da religião humanitária consiste pois em fazer que os dogmas desapareçam.» (PHP*., p. 647)

Ora, sobre este plano o texto continua: «a conclusão do que precede é que existe o projeto em vias de formação para uma nova religião do futuro … qualificada de americana, pois se encontram na América (do Norte) suas origens, seu desenvolvimento e seus promotores, que querem introduzi-la na Europa. É a religião humanitarista, que tem por fim substituir Deus pelo homem. Numerosas sociedades activas formaram-se por todo o lado com tal fim. Seus membros estão imbuídos de duas ideias: 1° que uma religião absolutamente universal deve estabelecer-se sobre as ruínas de todas as religiões e isto com a caída de todas as barreiras, com o desaparecimento de todo dogma; 2° que esta religião universal deve ser uma religião social, humanitária, buscando para os homens o paraíso na terra.» (Ibid. p. 673).

Os promotores destas ideias as difundem no mundo em forma clara ou implícita, preparando assim uma opinião pública a favor da nova ordem de coisas almejada pelo poder oculto que visa dominar o gênero humano.

Eis o grande objetivo da operação ecumenista atualmente guiada pelos «papas conciliares» apóstolos da religião humanitarista, “Papas conforme o plano da Sinarquia maçônica, como o demonstram os seus atos e palavras. Vejamos então brevemente o que seja o «personalismo», em modo especial de João Paulo 2º, e praticado em modo espampanante por Jorge Bergoglio.

PERSONALISMO: De Maritain a João Paulo 2º, a Bergoglio

A importância e a necessidade de conhecer as ideias que nutrem o pensamento e a ação dos últimos “papas conciliares” induz a publicar esta breve exposição sobre o personalismo, que está na raiz dessa trama.

O personalismo consiste, em suma, na exaltação do homem como pessoa humana, isto é a exaltação da pessoa humana em quanto tal; é superestimação da dignidade da pessoa humana e da liberdade como a expressão máxima dessa dignidade. O personalismo pretende que a pessoa humana, como tal, se relacione diretamente com o Absoluto (Deus). De modo que a pessoa humana teria direito a uma comunicação direta e imediata com Deus, condição exigida pelo mesmo fato de ser pessoa! Assim, o personalismo invade a ordem sobrenatural em nome da dignidade humana, visto que a comunicação direta e imediata do homem com Deus não se verificaria mais na ordem sobrenatural mas na ordem natural, mesmo nos membros da Igreja. Tal personalismo projeta a felicidade temporal da humanidade num contexto de suficiência e autonomia absoluta do homem. Opõe assim em cada homem concreto, a individualidade e a personalidade, afirmando como lógica consequência uma distinção e mesmo oposição entre individuo e pessoa.

Em breve, a oposição entre individuo (material) e pessoa (espiritual) no homem, decorre do erro filosófico consistente na confusão do princípio de individuação com o princípio de individualidade. Para los filósofos, as substâncias se individualizam por si mesmas, subsistindo. Esta individualidade significa o indivíduo enquanto é um todo completo na substância e se diz singularidade completa e subsistente, um indivíduo completo e acabado, “incomunicável”.

Esta distinção entre indivíduo (material) e pessoa (espiritual) no homem por derivar da consideração da matéria como causa de imperfeição, corno querem os gnósticos que veem na matéria o princípio de todo mal. Por isto um certo personalismo, ao invés de colocar a perfeição moral do homem na submissão de sua conduta à lei divina, quer vê-la residir numa liberação da matéria e ao invés de ver residir o pecado no apartar-se da lei divina, vê-lo consistir numa caída na materialidade. Daí a necessidade de distinguir e opor no homem o indivíduo à pessoa, um como princípio de imperfeição e pecado, o outro corno princípio de perfeição e bem.

É claro que a noção de pessoa encerra uma perfeição, por subsistir no indivíduo a natureza racional, segundo a definição de Boécio adotada por Santo Tomás: “substância individual de natureza racional”, que implica certamente a dignidade de uma natureza à imagem e semelhança de Deus, mas de nenhum modo implica toda essa dignidade moral que esse personalismo, que teve à testa Maritain pretendeu afirmar. Porque ai a dignidade moral depende do fim, isto é da responsabilidade derivada dessa natureza. O homem não é simplesmente bom por ser pessoa, mas pela conformidade de seu agir ao fim de pessoa de natureza racional.

Em suma, não se deve nunca confundir a dignidade do homem, como foi criado, com a dignidade moral de como se comporta; uma é a dignidade de tornar-se bom no exercício da liberdade de que dispõe, a outra de ser indigno no abuso desta sua liberdade. Para o personalismo a liberdade em si é a la máxima expressão da dignidade da pessoa, o que redunda na emancipação da liberdade da moral. É o «direito à liberdade religiosa» da declaração «Dignitatis humanae» do Vaticano 2.

Cabe destacar aqui a rutura operada por esse «direito» de opor-se justamente ao ordenamento religioso de Deus na única Religião dos Mandamentos que revelou.

Quando o personalismo pretende que a pessoa humana tenha direito a uma direta e imediata comunicação com Deus, dessa exigência da pessoa humana não transparece submissão à Lei divina, mas à sua capacidade racional em termos absolutos.

Sim porque a pretensão de comunicação direta implicaria discussão e diálogo, falar além de ouvir! Uma ideia onde está latente o ser «capax Dei» (capaz de Deus) devido a existir na Sua imagem e semelhança! Não mais como diz Santo Tomás: «a semelhança da imagem procede, na natureza humana, de sua aptidão de alcançar a Deus mediante a sua própria operação de conhecimento e amor» (III- 4-1-2).

Mas também o conhecimento e amor a Deus tem duplo aspeto; na ordem natural e na ordem sobrenatural; na primeira, natural, Deus é conhecido e amado como primeira Causa de todos os seres; na segunda, sobrenatural, é conhecido e amado na Sua divindade. Como pode pretender o personalismo que a pessoa humana possa por sua natureza ser capaz de ordenar-se direta e naturalmente a Deus? É o velho erro do «pelagianismo» e mesmo do «semi-pelagianismo», postulando a capacidade da pessoa humana para o Bem por meio da própria ação pessoal. Como se fosse possível à natureza criada ordenar-se à comunicação sobrenatural sem a Graça.

O personalismo repete o grave erro com a pretensão do direito à Graça e aqui vem a trama final: sendo a Graça um direito, esta não se alcança só sendo membro da Igreja, mas num âmbito total porque todas as religiões são caminhos da graça devida à dignidade da pessoa humana à imagem divina, que exige por natureza o direito de alcançar e de gozar a Deus. A obra do P. Meinvielle «Crítica de la Concepción de Maritain sobre la Persona Humana», explica por extenso o que foi aqui resumido.

Há que acrescentar aqui o fato que também a «nova teologia» do «Surnaturel» de Henri de Lubac e companheiros, condenada pelo Papa Pio XII com a Encíclica «Humani generis» de 1950, segue o mesmo erro teológico. Este erro, que é também de origem filosófica, encontrou novas bases no personalismo que exalta a pessoa humana na sua dignidade. Tanto Maritain, como De Lubac, Congar e Karl Rahner, inspiradores de João Paulo 2º, foram convocados como consulentes do Vaticano 2, que difundiu esse personalismo que inspira a operação ecumenista conciliar.

Por isto João Paulo em repetidas ocasiões afirmou: «O Filho de Deus com a sua Encarnação uniu-se, de certo modo, a todo homem (Gaudium et Spes). A Encarnação como expressão de amor de Deus, é o novo fundamento da dignidade humana para todos» (L’Osservatore Romano, 07/08/88, p.7). Esta dignidade inata da pessoa humana constitui assim os direitos do plano de amor de Deus para o mundo que João Paulo proclama nas suas viagens: «Venho para proclamar o Evangelho de Jesus Cristo a todos os que livremente desejam ouvir-me. Foi assim que passou também a falsa noção sobre a razão da Encarnação, que levou à redefinição da Igreja concebida como Povo de Deus, para a nova eclesiologia elaborada pelo Vaticano 2.

Na verdade o conceito de Povo de Deus é expressão bíblica para designar especificamente o Povo da Antiga Aliança. Aqui ela aparece num contexto completamente novo, planeado para dar fundamento à falsa noção sobre a Encarnação; que pela Encarnação do Verbo, efetuou-se uma consagração da Humanidade. Ao tornar-se homem o Verbo, a Humanidade tornou-se real e ontologicamente convertida em povo de filhos de Deus, antes mesmo de uma santificação efetiva de cada um pela Graça. Este povo de Deus abrangeria toda a Humanidade, antecedendo a instituição da Igreja. Assim, pois, onde e na medida que haja povo de Deus, já há também Igreja, independentemente da vontade do indivíduo (Ver: «La Iglesia y el Mundo Moderno» del P. Meinvielle). Teríamos ai, que, pelo fato de ser homem, toda pessoa pertence radicalmente à Igreja, que constitui o tal Povo de Deus. E então como se daria a justificação pessoal? Cada homem seria justificado ao tomar consciência de sua  dignidade.

Ora, o «Novo Direito Canônico» define-se no «grande esforço para traduzir em linguagem canônica a eclesiologia conciliar», ali é dito, pois, que a Igreja de Deus (Povo de Deus) subsiste na Igreja Católica (Canon 204). A Igreja passa a ser parte do todo, que é o povo de Deus, constituído na «religião mais universal», como se queria demonstrar!

 

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