Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A ETERNIDADE DO CORPO MÍSTICO

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em excertos da sua encíclica “Mystici Corporis”, promulgada em 29 de Junho de 1943:

«Mas o nosso Divino Salvador governa e dirige também, por Si mesmo, e directamente, a Sociedade que fundou; pois que Ele reina nas inteligências e corações dos homens, e dobra e compele a Seu beneplácito as vontades ainda mais rebeldes. “O coração do Rei está na Mão do Senhor, incliná-lo-á para onde quiser”(Pr 21,1). Com este governo interno, Ele, qual Pastor e Bispo das nossas almas, (1Pe 2,25) não só tem cuidado de cada um em particular, mas também de toda a Igreja; tanto quanto ilumina e fortalece os Sagrados Pastores, para que fiel e frutuosamente se desempenhem dos seus ofícios, como quando – em circunstâncias particularmente graves – faz surgir do seio da Igreja homens e mulheres de santidade assinalada, que sejam de exemplo aos outros fiéis, para incremento do Seu Corpo Místico. Acresce ainda, que dos Céus Cristo vela sempre com particular amor pela Sua Esposa intemerata,que labuta neste terrestre exílio; e quando a vê em perigo, ou por Si mesmo, ou pelos Seus Anjos, ou por Aquela que invocamos como auxílio dos cristãos, e pelos outros celestes protectores, salva-a das ondas procelosas, e serenado e abonançado o mar, consola-a com aquela Paz que “supera toda a inteligência”(Fl 4,7).

Não se julgue porém, que o Seu Governo se limita a uma acção invisível, ou extraordinária. Ao contrário, o Divino Redentor governa o Seu Corpo M+istico DE MODO VISÍVEL E ORDINÁRIO, ATRAVÉS DO SEU VIGÁRIO NA TERRA. Vós bem sabeis, veneráveis irmãos, que Cristo Nosso Senhor depois de ter,durante a sua carreira mortal, governado pessoalmente e de modo visível o Seu pequeno rebanho (Lc 12,32)quando estava para deixar este mundo e voltar para o Pai, confiou ao Príncipe dos Apóstolos o governo visível de toda a sociedade que fundara. E realmente, sapientíssimo como era, não podia deixar sem cabeça visível o corpo social da Igreja que instituíra. Nem se objecte, que com o Primado de Jurisdição instituído na Igreja ficava o Corpo Místico com duas Cabeças. Porque Pedro, em força do Primado, não é senão Vigário de Cristo; e por isso a Cabeça principal deste Corpo é uma só: Cristo; O Qual sem deixar de governar a Igreja misteriosamente por Si mesmo; rege-a também de modo visível, por meio de aquele que faz as Suas vezes na Terra;E assim a Igreja,depois da gloriosa Ascensão de Cristo ao Céu, não está edificada só sobre Ele, SENÃO TAMBÉM SOBRE PEDRO, como fundamento visível. QUE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO E O SEU VIGÁRIO FORMAM UMA SÓ CABEÇA, ENSINOU-O SOLENEMENTE O NOSSO PREDECESSOR DE IMORTAL MEMÓRIA BONIFÁCIO VIII, NA CARTA APOSTÓLICA UNAM SANCTAM; E SEUS SUCESSORES NÃO CESSARAM NUNCA DE O REPETIR.»

A Teologia do Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo é a Luz do Redentor ilustrando as nossas vidas, nutrindo-as, conferindo-lhes um sentido eminentemente Sobrenatural. Ensina-nos São Tomás, que a Teologia do Corpo Místico constitui o fundamento de toda a Doutrina de São Paulo. E na realidade, este Mistério Sobrenatural como que refulge em todos os outros, iluminando-os, e concomitantemente haurindo das suas mesmas riquezas. Tal não nos deve surpreender, visto que o Depósito da Fé constitui uma Fonte inexaurível de maravilhas Sobrenaturais, QUE SACIAM REAL E PLENAMENTE A ALMA, MAS NUNCA A FARTAM.

O Verbo de Deus encarnou e fez-Se Homem, antes de tudo como o Supremo Sacerdote e a Suprema Vítima, ORDENADOS AO SUPREMO SACRIFÍCIO, ao Sacrifício de valor Infinito, com O Qual Nosso Senhor satisfez a Deus pelos pecados de todos os homens. Os Escotistas afirmam que mesmo que não tivesse havido pecado no mundo, Nosso Senhor teria, ainda assim, nascido entre nós, já não como Redentor, mas como a Flor mais bela da Humanidade. Todavia, embora não seja herética, tal posição não pode sustentar-se; na exacta medida em que o Verbo feito Homem, só poderia sê-l’O, como Supremo Sacerdote de dignidade Infinita, consumando um Sacrifício de valor Infinito. NÃO SE PODE CONCEBER UM CRISTO QUE NÃO FOSSE SACERDOTE.

Afirmou Nosso Senhor: “Eu Sou a videira verdadeira e Meu Pai é o Agricultor; toda a vara que em Mim não dá fruto, Meu Pai corta-a, e limpa toda aquela que dá fruto – PARA QUE DÊ MAIS FRUTO; Assim como a vara não pode dar fruto de não estiver na videira, assim sucederá convosco se não estiverdes em Mim.”(Jo 15).

Ninguém pode produzir fruto algum salvífico sem a união Sobrenatural com Nosso Senhor Jesus Cristo, sem receber do Redentor aquele influxo, que É Luz, e conduz à Eterna Luz.

Segundo os modernistas, em particular o coveiro da Fé Católica Teilhard de Chardin, a “cristificação” é indissociável da “divinização”, bem como da autoconsciência total de “deus”, apenas realizável no homem; o que significa UM PANTEÍSMO EVOLUCIONISTA, PARTICULARMENTE MONSTRUOSO, QUE VIRIA A SER ABRAÇADO, INTEIRAMENTE, PELA SEITA CONCILIAR.

Mas não! O Verbo de Deus assumiu uma Natureza Humana particular, CAUSA INSTRUMENTAL DA NOSSA REDENÇÃO OBJECTIVA, BEM COMO DA APLICAÇÃO DOS FRUTOS DESSA MESMA REDENÇÃO.

Nosso Senhor Jesus Cristo É SUBSTANCIALMENTE SANTO, ENQUANTO DEUS E ENQUANTO HOMEM, PRECISAMENTE PELA GRAÇA DA UNIÃO HIPOSTÁTICA. Mas a Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo como Cabeça do Corpo Místico, não é a Graça de União, mas a Graça Santificante habitual; porque o fundamento da Comunhão Mística reside na homogeneidade entre membros e Cabeça, o que exige que o Autor Principal e Instrumental da Graça, a possua em grau absolutamente eminente. Efectivamente, existe uma identidade específica entre a Graça de Cristo e a Graça dos homens (mas já não, no que aos Santos Anjos concerne, pois que, no seu conjunto, pertencem a outro Género, e cada Anjo constitui, por si só, uma espécie), mas no plano moral, a diferença é infinita; ainda que fìsicamente a Graça de Cristo seja finita, como finita é a Natureza Humana que ela santifica. Porque a Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo a Graça do Filho de Deus feito Homem, embora seja da mesma espécie que a nossa, PARTICIPA MORALMENTE,INFINITAMENTE MAIS DA NATUREZA DIVINA, DO QUE A NOSSA. A Graça pode fazer participar da Natureza Divina segundo duas modalidades: Enquanto informa mais profundamente a natureza a que adere, de modo que esta participa também mais da fecundidade da forma acidental; ou ainda, enquanto a Graça, em si mesma, E SEM MUDAR DE ESPÉCIE, participa mais profundamente da Natureza Divina. Em Nosso Senhor Jesus Cristo, a Sua prioridade ontológica nos Bens Sobrenaturais filia-se em ambas as modalidades, na exacta medida em que a Graça do Homem-Deus correspondia ontológica e moralmente ao Seu Estatuto de Dignidade Infinita. Cumpre assinalar que seria completamente absurdo que a Causa Instrumental Eminente da nossa santificação, não possuísse, Ela Mesma, a Graça que distribui.

Nunca se deixe de advertir que a Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo como Cabeça do Corpo Místico, É ESSENCIALMENTE UMA GRAÇA SACERDOTAL, PELAS RAZÕES JÁ ADUZIDAS. O Sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo é Eterno, como Eterno é o Corpo Místico na sua fase Celeste e triunfante. A Glória extrínseca de Deus não é obtida apenas na Terra pelos justos que O adoram e amam, não; É NO CÉU, NA ETERNIDADE, SOBRETUDO, QUE A INFINITA VERDADE E SANTIDADE DE DEUS UNO E TRINO, LOGRA O SEU MAIS FIEL RECONHECIMENTO DA PARTE DOS ELEITOS.

É necessário sublinhar, que a participação da Natureza Divina, da Inteligência Divina, da Caridade Divina, pelas Virtudes Teologais e Morais e pela Graça Santificante, depois do pecado original, e consequente Redenção, constitui sempre uma Graça de Nosso Senhor, que enxerta directamente no Salvador, constituindo um vínculo de consaguinidade com Ele, através do Santo Sacrifício da Missa, de todos os Sacramentos, e das obras Sobrenaturais que nos configuram com “Aquele que passou fazendo o Bem” (Act 10,38); enfim, a nossa incorporação Sobrenatural em Nosso Senhor, consubstancia-se singularmente na Sagrada Comunhão, pois que então, a nossa união com Jesus é tão grande, tão grande, que só no Céu pode ser superada.

Porque o Corpo Místico não constitui sómente uma orgânica jurìdicamente organizada e hierarquizada, prosseguindo fins Sobrenaturais, não; PORQUE OS MEIOS, BEM COMO OS FINS SECUNDÁRIOS, SÃO NECESSÀRIAMENTE HOMOGÉNEOS A ESSES MESMOS FINS ABSOLUTOS; POR ISSO SE DIZ QUE O ESPÍRITO SANTO CONSTITUI A ALMA DA IGREJA, AO MESMO TEMPO QUE HABITA A ALMA DO JUSTO.

Desgraçadamente, a esmagadora maioria dos católicos nominais, em todas as épocas, mais ainda actualmente, nunca fez a menor ideia da Infinita riqueza que é poder participar, acidentalmente, da vida íntima da Trindade Santíssima; consequentemente, também não possuem qualquer conceito das maravilhas da nossa verdadeira incorporação Sobrenatural em Nosso Senhor Jesus Cristo, e através d’Ele, com o nosso próximo. Sem a seiva Divina que perpassa benèficamente todo o Corpo Místico, da Cabeça para os membros, tudo é indiferente, tudo é inútil, nada tem sentido.

Nunca devemos pensar que a ocupação da face humana do Corpo Místico pela maçonaria internacional, de alguma maneira diminuiria o Dogma do Corpo Místico; de modo nenhum; A Divindade da Santa Madre Igreja, na Sua Pessoa Moral de Direito Divino, É INTANGÍVEL. A Cátedra de Pedro, enquanto orgão de Direito Divino, é igualmente INTANGÍVEL. O Depósito da Revelação permanece incorrupto e incorruptível, porque embora separado, ONTOLÒGICAMENTE, da custódia do seu corpo social, PERSISTE TRANSCENDENTALMENTE VINCULADO A ESTE, ASSIM COMO A ALMA DE CRISTO JESUS, NO TÚMULO, ESTEVE, ONTOLÒGICAMENTE, SEPARADA DO SEU CORPO, CONTINUANDO AMBOS, TRANSCENDENTALMENTE, UNIDOS AO VERBO, E ENTRE SI. Existe uma profunda unidade e analogia do Mistério da Encarnação e consequente Redenção, com a avassaladora corrente Sobrenatural que deve irmanar, em Cristo Jesus, todo o Corpo Místico. Daí a luminosa definição que Pio XII outorgou à Liturgia: “CULTO PÚBLICO INTEGRAL, QUE TODO O CORPO MÍSTICO, MEMBROS E CABEÇA, PRESTA A DEUS.”

Porque o culto que Nosso Senhor Jesus Cristo presta a Deus, possui uma solidariedade Sobrenatural, fecundíssima, com os Seus membros; aquela mesma que nos deve impulsionar sempre e cada vez mais para o Alto, identificados com Aquele que, consubstancial ao Pai e consubstancial a nós, Sacerdote perfeitíssimo, constitui, desde já, ardentemente, a nossa Eterna companhia, e vínculo imperecedouro de Caridade e Paz.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 1 de Outubro de 2015

 

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