Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O LONGO PROCESSO DE DESCRISTIANIZAÇÃO EUROPÉIA E PORTUGUESA

santana

Natividade da puríssima sempre Virgem Maria

 

Arai Daniele

Já vimos que em Portugal o processo revolucionário que quebrou a unidade religiosa do País, abrindo as portas do reino à invasão ideológica que dividiu a nação com expansão da seita maçônica, começou com Pombal. Não foi ele quem criou a maçonaria no País, mas é como se fosse pois abriu às ideias e políticas anticatólicas e anti-jesuíticas desta; plano político que foi realizando, apesar de Portugal continuar sendo governado por uma monarquia católica; devido à fraqueza moral do rei D. José, ele assumiu esse poder na sua pessoa. Mostrando-se com se fosse um católico, desfez com sucesso seja o poder dos Jesuítas, seja a influência da Santa Sé. O resultado foi ter convertido o governo de Portugal num dos tantos, dentre os demais países da Europa, atribulados por divisões intestinas; Portugal não foi sacudido logo pela convulsão da Revolução francesa, mas o foi aos poucos, porque fora preparado para isto por Pombal.

República em PortugalQuando esse déspota caiu e foi submetido a processos e humilhações acabando miseramente roído pela lepra e pelos desgostos, nem por isto sua obra de demolição desapareceu. O País coeso e católico, que crescera aos olhos do mundo pelos seus descobrimentos e conquistas, passou a ter uma classe dirigente roída pelas dúvidas revolucionárias, associadas a um novo mercantilismo excitado por mil interesses estrangeiros, que começavam a dominar as mentes. Era o materialismo que tinha por aliados o ceticismo na religião e o anarquismo na política.

A ideia patriótica de Portugal unido para seguir o destino de uma sua história especialmente abençoada, cedeu ao interesse de pequena nação que almejava ser igualmente incluída nas confusões das demais nações da Europa. Isto é o que significava adotar os ideais maçônicos de «liberdade, igualdade e fraternidade» para o seu governo!

Neste sentido vamos retomar a leitura do livro «Fátima à Luz da História» de Costa Brochado, no seu capítulo intitulado «A Cruz e o Triângulo» (p. 49).

«O século XIX que Leão Daudet classificou de estúpido, teve a virtude de ser claro e decidido, abrindo à discussão problemas fundamentais da humanidade que andavam incubados, há séculos na consciência dos povos. É o período áureo da Maçonaria, organização tipicamente discursiva, para quem os eternos problemas da vida e do homem se resolvem, pelos recursos da inteligência humana, numa série de conquistas progressivas que já vêm desde o homem das cavernas aos papuas da Polinésia…

«Dada a natureza secreta da Maçonaria, é muito difícil fazer a sua história. Mas de tudo que se apura uma coisa podemos concluir, e é que a Maçonaria se opõe, fundamentalmente, à Religião revelada. E muito embora a Maçonaria não seja a única força contra a Igreja Católica, não há dúvida de que é a maior, tanto pelo poder da sua organização como pela natureza dos seus fins imediatos.

«Dir-se-ia que todas as doutrinas, ideias e movimentos que têm combatido o Catolicismo desde os tempos primitivos, acabaram por cristalizar, em pleno século XIX, nesta sociedade internacional que lisonjeia os corpos e despreza as almas. Desta concentração resultou, sob o símbolo do triângulo da vida, a maior força que jamais se ergueu no mundo contra a Cruz do Redentor. Nem o Crescente de Maomé, apesar das legiões que o serviam num império formidável, se comparou em força e perigos ao triângulo maçónico. É que o Crescente, apesar de todos os defeitos irremediáveis do islamismo, impunha, e impõe, aos seus sujeitos, uma concepção da vida e do homem que lhes não deixa ilusões sobre a impotência humana perante o dedo sempre atento da Providência. E a Maçonaria tira precisamente a sua força da convicção com que transfere para o homem os atributos da Divindade, fazendo-o origem e fim das coisas, libertando-lhe os instintos, e tudo subordinando à sua própria inteligência.

«É, pois, o Triângulo, a maior ameaça que tem pesado sobre a Cruz de Cristo. O duelo entre os dois símbolos, que se trava em todos os campos e latitudes da terra, deve considerar-se o último expoente da eterna querela entre o Bem e o Mal, a Verdade e o Erro. Reduzida a este extremo, a questão é indiscutível, sendo pelos frutos que se pode concluir de que lado está o Bem, graças à reação das leis naturais que regem a vida humana.

«Como o nosso fito não é, neste lance, fazer a história da Maçonaria, mas tão somente estudar a sua ação na vida portuguesa, dispensamo-nos de mais considerações e passamos ao que importa para agora. O desenvolvimento da Maçonaria em Portugal, de Pombal para cá, foi rápido e fácil, não obstante a perseguição que lhe moveram no reinado de D. Maria I. Facilitava-lhe o caminho o prestígio da França entre nós e a circunstância de nestes primeiros tempos a Maçonaria assumir um ar aristocrático que muito agradava aos fidalgos dissolutos e aos bacharéis filosofantes.

«Figuravam nos seus quadros individualidades proeminentes da nobreza, magistratura, exército, finança e política. A ideia que então faziam da Maçonaria em Portugal era que se tratava de uma 0rganização científico-religiosa consagrada a restituir à humanidade as verdadeiras leis de Deus, metendo na ordem o clero desregrado e absorvente, dando rumo direito à Igreja, e libertando o homem das trevas da ignorância e dos prejuízos do fanatismo.

«Deste modo, foi grande o número de adesões que conseguiu e fácil se lhe tornou a conquista do poder sem alarmar o espírito católico do país. Mas é claro que longos anos teve a Maçonaria de viver nas trevas, organizando lojas e triângulos por toda a parte, sobretudo entre oficiais do exército e bacharéis em direito, à espera do momento azado para vir à superfície sem receios de maior.

«Esse momento chegou com as primeiras tropas invasoras de Junot. Napoleão, como se sabe, era mação, e vangloriava-se dizendo que levara a toda a parte, na ponta das suas baionetas, a luz da liberdade. Por isso houve aqui um grave dissídio, entre os maçãos, pois não faltava quem entendesse que os invasores deveriam ser recebidos como irmãos. Triunfou, porém, o senso comum e a Maçonaria furtou-se a tal opróbrio. Mas desde o dia em que as tropas francesas acamparam em Portugal, este país foi convertido num feudo intelectual do rito francês que passou a inundar as cidades, vilas e aldeias, com toneladas de papel impresso, defendendo e explicando as doutrinas maçónicas de que a França era a fonte caudalosa naqueles tempos.

«Pode dizer-se que o pior das invasões francesas para a alma portuguesa ainda foi o vírus da impiedade que os soldados napoleónicos para cá trouxeram na bagagem. Um caudal de livros e folhetos, que logo encontravam tradutores, começou a circular entre a França e Portugal, abalando profundamente a mentalidade do pais e convencendo grande parte dos melhores talentos daquela geração. Com a ausência da Corte, no Brasil, mais ainda se agravou a situação, sendo grande o número daqueles que pensaram numa República apoiada pela França, espécie de eco tardio da revolução de 89. Tudo isto agradava, evidentemente, à política francesa, e se não fossem os interesses ingleses sabe Deus a que delírios se entregariam, nessa altura, os portugueses fomentados pelas paixões ideológicas que a França alimentava com a subtileza e a atração que caracterizam o labor intelectual dos gauleses (Latino Coelho. História Política e Mililar, Tomos 1 e II; Luz Sariano. História da Guerra Civil, 1.ª época, Tomo I, e 2.ª época, Tomo lI.)

«Sucede, porém, que a Maçonaria portuguesa logo ali se divide pelos ritos francês e escossês, acabando os de este por suspender na forca o infeliz general Gomes Freire, Grão-Mestre da Maçonaria francófila, que tentara um golpe de Estado prejudicial à política peninsular dos ingleses e aos interesses da Corte portuguesa. Matara-se o homem mas ficara a ideia. O embrião revolucionário foi-se desenvolvendo, alastrando por todo o país, com raízes profundas na cidade do Porto, onde uma geração ilustre de burgueses bacharelados, incendidos de patriotismo e fé maçónica, explorando habilmente a prolongada ausência do Monarca e a afrontosa permanência dos ingleses no governo da Nação, acabou por desenvolver a revolução de 24 de Agosto de 1820. Na aparência, este movimento era a reação patriótica mais justa e nobilitante que o povo português poderia ter naqueles dias amargurados. E não se pode negar que muitos dos revolucionários, talvez mesmo a maior parte, agissem por louvável patriotismo, nas mais nobres intenções. No fundo, porém, esta era a primeira tentativa da Maçonaria para escalar os degraus do Trono e se apoderar das rédeas do Estado, como de facto apoderou (Borges Grainha. Ob. cit., págs. 76-77.)

«Marca, portanto, o ano de 1820 uma data memorável na história de Portugal. Sobe o Triângulo maçónico à altura da Cruz de Cristo, sentando-se os Grão-Mestres nas cadeiras dos Monarcas que fizeram esta pátria ao serviço da fé católica. Começa um mundo novo. Interrompe-se o curso da história nacional, abrindo-se novo parágrafo na vida coletiva do povo português.

«O que triunfa, agora, é a deusa Razão, filha legítima daquela que morrera coberta de ridículo nas ruas de Paris, durante o consulado da Revolução Francesa. Era para ela que iam as melhores simpatias da grande maioria dos deputados do Soberano Congresso de 182I. Não obstante, o Congresso percebeu, a tempo, que o país não estava disposto a deixar de adorar a Deus para passar a adorar os homens. Refreou, portanto, os seus ímpetos e optou pela dissimulação, fingindo-se religioso e temente a Deus, nos Te-Deum que mandava cantar pela vitória da Revolução e nas missas de ação de graças que ia ouvir devotamente, mas não perdendo o ensejo de se afirmar maçónico sempre que se tratava de assentar doutrina e definir princípios.

II

«Um dos primeiros cuidados do Soberano Congresso foi ocupar-se da religião do país, retomando o tema do Marquês de Pombal, mas desta vez com mais nobreza e desassombro, diga-se a verdade. Antes de mais nada, preocupava-o o número elevado de clérigos, mosteiros e conventos que naturalmente se haviam de opor, quanto estivesse em suas forças, à obra de impiedade que ia começar.  Por isso, logo em 3 de Março de 1821, a Regência mandava, por determinação do Congresso, que, para já, as autoridades proibissem formalmente a entrada de noviços em casas conventuais (Tomás Ribeiro. História da Legislação Liberal Portuguesa, Tomo II, pág. 255). Entretanto, fechadas as portas dos mosteiros a novas vocações, o Soberano Congresso envolvia-se numa longa discussão cujo objetivo era votar a secularização dos clérigos regulares, encerrando, de vez, conventos, mosteiros e casas religiosas. O deputado Botelho, cheio de escrúpulos ou de hábeis subtilezas táticas, ainda propunha, na sessão de 18 de Outubro, que se pedisse Bula ao Papa para tal cometimento. Mas Fernandes Tomás, mais franco e convencido de que a era maçónica ia avante, redarguiu-lhe, com desembaraço e autoridade jurídica, que não era precisa tal Bula para nada, pois o Congresso podia fazer tudo aquilo e muito mais, sem licença do Papa, conforme doutrina ensinada na Universidade de Coimbra, desde o ministério do Marquês de Pombal. Chegando-se a votos, venceu o ponto de vista de Fernandes Tomás, e a Regência mandou, por decreto de 18 de Outubro de 1822, que se fechassem para sempre os mosteiros e conventos. Neste caminho, rapidamente o deputado Maldonado cobrava ânimo para, sem mais considerações, propor a abolição pura e simples da maior parte dos dias santos de guarda, convidando o povo a trabalhar durante eles como em dias comuns.

«Mas ao passo que o Congresso metia por esta direção, agredindo o clero e a Igreja constantemente, mandava circulares aos Bispos e outras autoridades eclesiásticas encarregando-os de propagar as doutrinas constitucionais emanadas do seu seio. Como os Prelados não se mostrassem dispostos a colaborar com a revolução, mandou o Congresso «estranhar mui severamente» aos Arcebispos de Braga e Évora, aos Bispos da Guarda, Algarve, Pinhel, Portalegre, Coimbra, Porto, Bragança, Miranda, ao Governador do Bispado de Elvas, Cabidos do Funchal e Vila Viçosa, colégio da Patriarcal, D. Prior de Guimarães e prior-mor da Ordem de Cristo, o não terem subordinado o serviço de Deus à política do partido triunfante!

A luta estava aberta. Apesar das cautelas e disfarces com que o Congresso procedia, cedo se viu que a sua incompatibilidade com a Igreja não tardaria a manifestar-se. Serviu de pretexto para se extremarem campos o juramento das bases da Constituição, que o Congresso queria feito, com toda a solenidade, pelas figuras representativas da vida nacional, antes de El-Rei D. João VI regressar do Brasil, a fim de o porem perante o facto consumado, não fosse toldarem-se as coisas com a aparição do monarca na capital, onde a obra revolucionária não tinha raízes fundas.

«Chamado o Cardeal Patriarca, D. Carlos da Cunha, a jurar as ditas bases, mandou por si um secretário que declarou não poder o Cardeal jurar os artigos 10º e 17º, por contrários aos deveres do seu ministério eclesiástico, visto que o primeiro abolia a censura prévia aos escritos sobre a religião e o segundo deixava dúvidas acerca da religião oficial dos portugueses (Ibidem, Tomo I).  Atitude semelhante tomou o venerando Bispo de Olha, D. Vasco José Lobo, respeitável octogenário a esse tempo retirado num remanso de Vila Viçosa, alegando repugnar-lhe o juramento de princípios ofensivos da crença que professava e de que era apóstolo. Os do Congresso foram lá buscá-lo, sem mais consideração, fazendo-o atravessar as ruas de Lisboa, sob escolta, por entre as injúrias dos sectários, a caminho da Torre de Belém, onde ficou enclausurado.

«Quanto ao juramento do Cardeal, não o aceitou o Soberano Congresso, alegando que não eram admissíveis restrições em juramentos daquele género, motivo porque logo se abriu no seio do Congresso uma espantosa discussão sobre o assunto, concluindo-se pela criação de um tribunal que julgasse sumariamente o Patriarca classificado de rebelde. Pensando melhor, desistiram do julgamento, e a Regência encarregou-se de recolher o Cardeal, sob prisão, no convento do Bussaco, para onde foi levado, sob escolta, por um oficial do exército.»

Vamos continuar a publicar páginas deste livro para entender como foi possível estabelecer uma NOVA PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA EM PORTUGAL depois daquela enganosa do Marquês de Pombal.

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