Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A NOVA PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA EM PORTUGAL

Profanação em Roma

Nossa Senhora disse  em setembro de 1917 aos pastorinhos que no dia 13, em outubro, “farei um Milagre para que todos acreditem.” 

Foi o grande Milagre do sol, realizado com dia e hora marcados, para que todos pudessem crer.

Até hoje nem consta entre nossas festas!

*   *   *

Momentos da história das sombras

revolucao-18204

Continuamos aqui descrevendo, segundo o livro «Fátima à Luz Da História» de Costa Brochado, aquela que pode ser considerada a 2ª perseguição religiosa em Portugal, depois da de Pombal.

A perseguição religiosa seguiu a revolução maçônica com suas leis anti-cristãs. Por causa destas o Cardeal Patriarca, D. Carlos da Cunha, foi convocado para a jurar as novas bases de uma constituição maçônica, cujos artigos 10º e 17º o Cardeal declarou não poder jurar porque contrários aos deveres do seu ministério eclesiástico, visto que deixava dúvidas acerca da religião oficial dos portugueses. Atitude semelhante tomou o venerando octogenário, a esse tempo retirado, D. Vasco José Lobo, alegando repugnar-lhe o juramento de princípios ofensivos da crença que professava, sendo portanto enclausurado na Torre de Belém. Isto para falar só dos mais altos eclesiásticos perseguidos e classificados de rebeldes pelo novo regime anti-católico.

Assim a Regência, sem nenhum julgamento, havia recolhido sob prisão o Cardeal.

«Com o Patriarca aferrolhado no Bussaco, continuou o Congresso a discussão do assunto, para se resolver se ele devia ser ou não desnaturalizado, visto que todo aquele que se negasse a jurar as bases da Constituição deixava de ser português. Posta à votação esta questão, foi resolvido, por 88 votos contra 1, que o Cardeal Patriarca de Lisboa devia ser desnaturalizado. A seguir, como se tanto não bastasse, procedeu-se a outra votação para resolver se o indivíduo assim desnaturalizado devia ou não sair do reino. Decidiu-se, por 84 votos contra 5, que o Patriarca tinha de ser expatriado, o que sucedeu, indo fixar-se em Baiona, de onde procurava orientar os seus fiéis, no meio de tão grandes calamidades. De lá mandou uma célebre Pastoral, apreendida na Alfândega, em que advertia os católicos sobre os verdadeiros fins da revolta triunfante: «Nós vemos em nossos dias (e com quanta mágoa do nosso coração!) que os ímpios, esses falsos filósofos, esses verdadeiros precursores do Anti-Cristo, põem todos os seus esforços para arrancarem da terra as salutíferas sementes do Evangelho; mas vós, fechando os ouvidos às suas cavilosas doutrinas, dai só indubitável ascenso aos dogmas e verdades que a Igreja vos propõe para crer» (Ibidem, I, i33-t 35; li, 85-86). Ficava assim esclarecida, pela autoridade competente, a natureza e fins, em relação à fé Católica, da Revolução de 1820.

«Nada devia admirar, por isso, que o Núncio de Sua Santidade em Lisboa não houvesse iluminado as janelas da sua residência, nem mandado deitar foguetes, na noite em que o Congresso pôs a cidade em festa para comemorar o juramento da Constituição concluído nesse dia. Não entenderam assim os partidários do Congresso, e os vidros da casa do Núncio foram todos espatifados, à pedrada, enquanto a multidão comemorava o despertar da aurora das liberdades …

«Triunfava plenamente o espírito anti-católico que a Maçonaria representava. E o Soberano Congresso, sua criação, punha e dispunha, à vontade, do país, nada já o preocupando a não ser o Monarca ausente, cujas ideias sobre a Constituição se aguardavam com ansiedade. É evidente que El-Rei D. João VI não podia concordar com as bases de uma tal Constituição; mas, como estava longe e o momento era gravíssimo, mandou o seu assentimento político. Foi um delírio. De tal forma, que descobriram tudo, quando o Ministro da Marinha, em transportes de júbilo, fez ao Congresso, em nome do Governo, a seguinte declaração: «Completou-se a grande obra! O Supremo Árbitro do Universo coroou os nossos trabalhos! Sua Majestade acaba de aceder à nossa causa»! Se isto fosse verdade, que não era, pois o monarca apenas procurava ganhar tempo, queria dizer que o Grão-Mestre da Maçonaria ia sentar-se no trono de Portugal. Mas o Congresso, de momento, julgou tudo arrumado, e deu-lhe, então, para a bondade, aparecendo deputados a chorar as dificuldades em que vivia o Cardeal exilado, para quem se pedia um subsídio, ao passo que outros falavam mesmo do miserando estado a que chegara a Patriarcal, que era preciso socorrer urgentemente, não obstante Borges Carneiro, mais lógico e decidido, propor que se cortasse o mal pela raiz, extinguindo, de uma vez para sempre, a Patriarcal.

«É sina da Maçonaria sofrer a consequência lógica dos princípios que defende e propaga. Assim, quando agora convinha atenuar os rigores havidos para com o Cardeal e a própria Igreja, como o prelado fora considerado civilmente morto pelo Congresso, quando algum deputado ali se atrevia a referir-se-lhe com brandura, intervinham as galerias, cheias de lógica, fazendo calar o ilustre pai da pátria . . .

«Por estes caminhos lógicos da demagogia, logo que chegou D. João VI a Portugal foi o Congresso violentamente dissolvido e tudo reposto na situação normal, publicando-se leis severas contra as associações secretas e perseguindo-se os mações em atividade política. Mas o país ficava decisivamente dividido em duas partes, uma seguindo a Cruz de Cristo e a outra o Triângulo maçónico. Duas conceções da vida e do homem diametralmente opostas. Quebrada, portanto, não só a unidade religiosa e política da Nação, mas a da própria consciência individual dos portugueses.»

*  *  *

Acrescento aqui a parte que não está no livro de Costa Brochado, para explicar a sucessão ao trono de Portugal mais detalhadamente deixando para ser visto mais adiante um retrospecto sobre o que se poderia chamar de «revolução clerical de Pombal para abater o catolicismo», que merece mais espaço porque se estendeu no tempo.

Portanto aqui inicio lembrando que o irmão mais velho de João, José, era o herdeiro ao trono, educado para isto segundo as instruções de seu avô, D. José I, que já em dezembro de 1768, por indicação de Pombal, indicara para ser seu confessor Frei Manuel do Cenáculo e para instrutor de ler, e escrever António Domingues do Passo. Deste modo o futuro D. José II, seria uma esperança para quem almejava a continuação de um governo iluminista.

Note-se aqui como a educação «iluminada» era concentrada mais no primogênito real, herdeiro do trono, como seja o infante José e em seguida Pedro. Aos irmãos menores, João e depois ao seu filho Miguel, foi ministrada uma educação mais pia a tradicional.

Acontece que o herdeiro D. José morreu prematuramente de varíola com 27 anos de idade, tendo tal morte afetado a saúde mental de sua mãe Dª. Maria I. E os efeitos políticos foram visíveis: morto o 1º herdeiro, assumiu João a regência devido à incapacidade da Rainha. E o mais pio João tornou-se o clemente continuador da moderada monarquia tradicional, abalada pelo feroz iluminismo de Pombal. Do mesmo modo tentaria fazer Miguel em contraste com seu irmão Pedro.

D. João VI (Lisboa, 13 de maio de 1767 — Lisboa, 10 de março de 1826), cognominado O Clemente, reinou no tempo difícil que seguiu à Revolução francesa, do rei guilhotinado e sucedido no trono por um imperador. E Napoleão Bonaparte avançou sobre Portugal, razão porque a Corte transferiu-se para o Brasil.

A Crise na sucessão de D. João VI ao trono de Portugal na verdade inicia-se em 1822 com a proclamação da independência do Brasil, porque ao assumir a coroa imperial do Brasil, pela lei de sucessão portuguesa, D. Pedro I, de Alcântara renunciava ao o trono de Portugal, do qual seria herdeiro. Isto ficava ainda mais claro em 1825 com a assinatura do tratado de paz entre Portugal e o Brasil, em que esta Nação era formalmente reconhecida na sua independência, ficando consumada a separação das duas coroas.

Naquela data esse suposto direito ainda era sujeito a dúvidas, razão porque D. Pedro aceitou abdicar desse poder a favor de sua filha D. Maria da Glória, ainda criança. Mas ao fazê-lo procurou associar a abdicação ao outro legítimo herdeiro do trono, propondo o futuro casamento da menina com seu irmão D. Miguel. Este teria inicialmente aceitado a ideia do futuro casamento com a sobrinha, que depois recusou. Dai que D. Pedro se considerou justificado pela ruptura do pacto a pretender o trono em primeira pessoa. Isto apesar do fato que as Cortes reunidas em 1828 tivessem, por unanimidade, reconhecido seu irmão, D. Miguel I para a sucessão portuguesa.

Aqui há que lembrar a mudança da conjuntura política na França com a queda da aparente restauração monárquica de Carlos X. Este irmão menor de Luis XVI, embora pio, não tinha formação católica sólida para enfrentar tantas insídias e sucumbiu sem resistência ao golpe de estado de 30 de julho de 1830, que levou ao poder Luís Felipe Égalité, o mação filho do regicida Orleáns. Era o retorno da revolução com todas as suas insídias, mas com a salvaguarda de uma continuidade e respeitabilidade monárquica” («Entre Fátima, e o Abismo”, p. XXX). Também Portugal iria ter a sua crise sucessória, pelo apoio estrangeiro a D. Pedro, que reivindicava o trono de Portugal para a sua filha, do qual seria regente. Esta crise de sucessão causou a guerra civil ligada à cisão ideológica de então da sociedade europeia que atingia a luso-brasileira, dividida entre tradicionalismo católico e liberalismo de marca maçônica. Esta também subdividida entre influência francesa (jacobina ou moderada) ou influência deísta inglesa.

Será o tratado de Londres de 1834 entre os governos liberais da França e da Inglaterra a pesar no desfecho da guerra civil, pois as tropas portuguesas de D. Miguel lutavam contra as de D. Pedro apoiado pela Inglaterra de Palmerston, juntamente com a França de Luís Filipe e a Espanha de Maria Cristina, que estranhamente aliados (pela nova carta maçônica) deram a vitória a D. Pedro I, quarto de Portugal, e sua filha  d. Maria II,  tornava-se rainha” (‘Entre Fátima e o Abismo’, p. XXXIV ). D. Maria da Glória com apenas 5 anos subia assim ao trono de Portugal, onde reinaria de fato seu pai o mação Pedro IV de Portugal.

*  *  *

«Os dois irmãos, os príncipes D. Pedro e D. Miguel, representavam as duas partes em que a Nação se dividira, entrando o primeiro na Maçonaria, de que foi Grão-Mestre, e ficando o segundo fiel à Cruz de Cristo, defensor intemerato da tradicional religião do seu país (Anais e Código dos Pedreiros Livres, pág. 50; Memórias, de José Libera to Freire, pág. 32; Grainha. Ob. cit., pág. 102).

«Ao cabo de uma longa e pavorosa guerra civil, que ensanguentou Portugal de norte a sul, triunfaram as armas de D. Pedro IV, desse modo se assentando um Grão-Mestre da Maçonaria, pela primeira vez, no trono de D. Afonso Henriques. Erguia-se o Triângulo acima da Cruz. Entrava-se em pleno mundo novo, e o país, como que cego, dilacerava-se à roda de mitos e palavras. D. Pedro IV era, como o irmão, homem medíocre, embora D. Miguel tivesse melhor carácter. Fora iniciado na Maçonaria no vale do Rio de Janeiro, em 1822 e não hesitara em escrever ao pai, convidando-o a filiar -se também. Quando resolveu pôr-se à frente do movimento liberal, embarcou para a Europa, escrevendo ao Papa uma carta que não deixava quaisquer dúvidas, dizendo-lhe que mal chegasse ao trono não reconheceria os Bispos nomeados por indicação de D. Miguel e ameaçando separar a Igreja da Santa Sé (Anais e Código dos Pedreiros Livres, pág. So; Memórias, de José Libera to Freire, pág. 32; Grainha. Ob. cit., pág. 102).

«A Caminho de Lisboa, desembarcando na Ilha da Terceira, onde estava a Junta Revolucionária do seu partido, logo ali assinou, com Mousinho da Silveira, o decreto de 17 de Maio de i832, suprimindo os conventos dos Açores e nacionalizando os seus bens. Eivado destes princípios, desembarcou no Porto com tal fobia religiosa que logo provocou um grave cisma que se estendeu, durante anos, a quase todo o país.

Senhor de Portugal, decretou em 5 de Agosto de 1833 que se considerassem vagas todas as dioceses providas por apresentação de D. Miguel, e bem assim todas as dignidades, priorados-mores, canonicatos, paróquias, benefícios, etc. Ao mesmo tempo, a pretexto de lhe evitar qualquer desacato, expulsava o Núncio Apostólico, Cardeal Justianini, passando ele a dirigir a Igreja em Portugal, com uma sem-cerimónia inacreditável. O Papa Gregório XVI ainda protestou, solene e energicamente, numa alocução de 30 de Setembro de 1833, mas foi como se nada tivesse dito (Fortunato de Almeida. História da Igreja em Portugal, Tomo IV, Parte II, págs. 307-308; Cónego J. Augusto Ferreira. Memória para a História dum Cisma, Braga, 1916; P. Miguel de Oliveira. História Eclesiástica de Portugal, págs. 293-3 16).

«Sentado no trono dos seus antepassados, tendo a Cruz prostrada e o Triângulo erguido, rematou a sua obra de demolição, sem contemplações de espécie alguma. Por decreto de 3 de Agosto de 1833, proibia-se que dessa data em diante fossem admitidos a ordens sacras e a noviciados monásticos de qualquer instituto ou natureza novos indivíduos, mandando-se regressar à «classe civil» a que pertenciam antes da profissão todos os noviços encontrados nos conventos. No mesmo dia se declarava, noutro decreto, que só o governo poderia nomear e apresentar os Arcebispos, Bispos, dignidades, canonicatos, simples párocos e quaisquer outros empregos eclesiásticos. Finalmente, em 28 de Maio de 1834, o célebre mata-frades, Joaquim António de Aguiar, fazia publicar o famoso decreto extinguindo, para todo sempre, em Portugal e seus domínios, todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e quaisquer outras casas de religiosos regulares. Foi Aguiar quem passou à história como autor desta razia. Mas já foi escrito ter sido autor do famigerado decreto o próprio D. Pedro IV, que ficou na sombra por mera conveniência política (António Serpa Pimentel, ‘Portugal Moderno’, pg. 214).

«Foi nessa época que a Maçonaria se desenvolveu entre nós de uma forma assombrosa, como era natural, estendendo a sua influência às mais modestas terras da província. E a partir desta data, quando não era ela que estava no governo, dela recebia o poder a inspiração e a voz de comando (Argus. ‘A Maçonaria em Portugal’). De tal modo que é historicamente indiscutível terem sido obra da Maçonaria todas as reformas eclesiásticas que o partido liberal levou a efeito desde 1832!

«Felizmente para os destinos da Igreja em Portugal, cedo os mações se dividiram, entrando· em lutas fratricidas que acabaram por dividir a Maçonaria em numerosas obediências, de forma que quando um grupo estava no poder outros ficavam de fora a fiscalizá-lo e a combatê-lo (Borges Grainha. Ob. cit., pág. 104). Graças a estas divergências, uma forte corrente de mações inconscientes, de estilo burguês conservador, impossibilitaram o golpe final na religião, facilitando a reação católica e não deixando proclamar-se a impiedade pura e simples.

«Com o andar dos tempos, grandes figuras da Maçonaria, como o marechal Saldanha, vieram declarar publicamente já não terem razão de existir as sociedades secretas, uma vez que seus objetivos estavam alcançados com a conquista do poder. Muitas atitudes destas, e as mostras que o país dava de não se deixar cair na apostasia, fizeram com que a Maçonaria se acalmasse, passando a consagrar-se à propaganda das ideias e desistindo aparentemente de eliminar a religião católica.

«Por este caminho veio a Maçonaria a decair, perdendo o prestígio intelectual que gozava, de tal forma que nos começos do último quarteirão do século estava entregue, em Lisboa, aos caixeiros da baixa, como informa o ilustre e curioso Dr. Coelho de Carvalho (Coelho de Carvalho. ‘Casamento de Conveniência’, pág. CXXXVII). Mas foram esses caixeiros, transformados na Carbonária, que dominaram nos últimos anos da Monarquia e conseguiram proclamar a República, segundo diz o autorizado Borges Grainha (Borges Grainha. Ob. cit., págs. 218-219).

«Quer dizer, ao passo que os intelectuais se desiludiam e abrandavam, ao contacto com as duras realidades do poder e em face da anarquia desencadeada pelos princípios maçónicos, os espíritos simples, hesitando entre o ludíbrio e a traição dos mestres, entravam logicamente no caminho da violência, levando as doutrinas a todas as suas consequências. Estamos às portas do abismo.»

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