Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA DA REPÚBLICA JACOBINA EM PORTUGAL (Iº)

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Arai Daniele

Continuamos a seguir esse período da História de Portugal, valendo-nos da obra: FÁTIMA À LUZ DA HISTÓRIA de Costa Brochado, a partir da p. 66.

IV

«Em 1870, o escol intelectual do país já se ri da Maçonaria e do Supremo Arquiteto com o mesmo à-vontade com que blasfema contra Deus e os mistérios da sua religião. Os espíritos melhor dotados intelectualmente são ateus, manifestando a sua impiedade sem rebuços. O mais completo racionalismo se apodera daquela geração que assim abre caminho a todos os excessos do feroz materialismo que chegou a nossos dias. O Supremo Arquiteto do Universo, pseudónimo com que a Maçonaria procurava afastar Deus sem romper imediatamente com o sobrenatural, caiu no ridículo, ficando à conta dos veteranos e de um ou outro transviado com espírito religioso. Na época que vimos analisando prestavam culto ao Ente Supremo, e continuavam fiéis à Maçonaria ronceira, as altas figuras da política que se revesavam no poder. A massa enorme que ela doutrinara através dos tempos, era agora uma força claramente materialista, que reivindicava completa liberdade de pensamento e movimentos. Daí o curioso espetáculo de se ver a maior parte dos maçãos injuriando e combatendo ferozmente os irmãos que governavam o país, sentados ao lado dos Monarcas, pela razão lógica de eles não terem a coragem de levar até o fim a realização dos princípios com que haviam aliciado grandes multidões de almas simples.

«E foi assim que nasceu em Portugal o partido republicano, o qual não era mais do que a lógica reação do povo maçónico contra os altos graus da ordem que se negavam a cumprir os seus deveres e promessas. Com efeito, todos os chefes políticos da Monarquia foram, desde 1832 a 1910, maçãos graduados, salvo uma ou outra exceção ocasional.

«E todos eles fizeram, do alto do poder, obra maçónica consoante ao que já veremos. Mas em face das realidades nacionais e internacionais, falecia-lhes a coragem para irem até o fim. Davam uma no cravo e outra na ferradura, como diz o povo r acabaram por cair no ceticismo, contentando-se com evitar a reação.

*   *   *

Sobre a Revolução literária dos 5 grandes: Eça, Antero, Ortigão, Guerra Junqueiro e Oliveira Martins, já publicamos algo que pode parecer pouco, mas faz conhecer o clima intelectual que se vivia na atmosfera revolucionária, pela qual, “pior das invasões francesas para a alma portuguesa ainda foi o vírus da impiedade que os soldados napoleônicos trouxeram na bagagem. Um caudal de livros e folhetos, que logo encontravam tradutores, começou a circular entre a França e Portugal, abalando profundamente a mentalidade do pais”, na ausência da Corte, que estava no Brasil.

Razão a mais para que muitos cogitassem uma república apoiada pela França da revolução de 89. Sendo que uma grande maioria dos mações já era republicana, venceu esta corrente, e a Constituição da Ordem foi reformada, «modernizando-se e seguindo «as generosas aspirações da maçonaria francesa» Era a hora do livre-pensamento para a extinção do catolicismo, ao serviço do qual puseram-se os cinco literatos mencionados que, com as conferências do Casino, promoveram o maior movimento de descrença do país. O Cardeal Patriarca de Lisboa descreveu a revolução intelectual como a pior porque era como um ministério do governo para implantar abertamente em Portugal o regime da impiedade. Algo como fez Saramago nos nossos dias com a bênção do prêmio Nobel.

Aconteceu, porém, que estes autores podiam ser iconoclastas mas eram inteligentes e perceberam depois a que abismos de ateísmo e anarquia levaram essas ideias. Diz nosso autor que estes autores acabaram convertidos à fé, ou pelo menos reconciliados com Deus. Não assim para Antero que suicidou-se, mas crendo que sua alma repousava enfim na mão de Deus; Oliveira Martins expirou rezando a Ave-Maria; Eça de Queiroz confessou que «o nosso velho e valente amigo o livre pensamento vai atravessando realmente uma crise», e teria expirado repetindo as orações cristãs ditas pela sua mulher. Quanto a Ramalho Ortigão converteu-se publicamente e quis ser enterrado envolvido no hábito de S. Francisco. Guerra Junqueiro, então, repudiou sua obra contra a fé, que ele mesmo classificou de abominável. Classificou a república dominante como uma enxerga podre e roída de percevejos. Deixou testamento pedindo à Igreja Católica, a esmola das suas orações.

Como se vê esses talentos literários que haviam embarcado no movimento de revolução cultural, anos depois, já no fim desse século agitado, perceberam ao que levavam tais ideias, mas já era tarde porque o espírito que provocou o regicídio e depois uma república que tentou afastar a alma portuguesa da Religião já tinha sido inoculado amplamente!

Ora os governos eram dominados pelo mações, mas estes dividiram-se e poucos dispunham-se a atacar o Catolicismo de frente, por isto o minavam.

Naquele tempo, quando chegaram a Roma os ecos deste grave movimento de impiedade que ameaçou a nação inteira, e o Papa Pio IX, dirigindo-se à peregrinação Portuguesa que, em 1877, fora à Santa Sé, havia denunciado o perigo:«Tendes um terrível e poderoso inimigo é a impetuosa Maçonaria que quer destruir em vós todos os vestígios do catolicismo».

«Assistiu-se, então, ao espetáculo singular de ver os governos declararem que a religião oficial era o catolicismo, mas tirando-lhe, por outro lado, os maios de existência essenciais. Com efeito, ficara consignado, em todas as Constituições políticas do país, desde 1822 para cá, o princípio do beneplácito régio, com o fundamento de que sempre os monarcas portuguese gozaram desse privilégio, o que, conforme já dissemos, não se prova historicamente, visto que a Mesa da Consciência, argumento aduzido, estava muito longe de justificar uma tal conclusão. Armados com este instrumento de limitação ao exercício religioso, os governos da monarquia constitucional, sem se afirmarem contra a Igreja, causavam-lhe os mais graves prejuízos e promoviam o seu descrédito lentamente. De tal forma que quando essa situação chegava ao auge um jornal de Lisboa podia escrever que «mais parece estarmos numa Igreja lusa do que numa Igreja Católica». Outra era naturalmente a opinião dos elementos maçónicos preponderantes, que Trindade Coelho havia de resumir, em 1905, dizendo que nos reinados de D. João V e D. José I a Igreja «era mais portuguesa do que romana, ao contrário do catolicismo atual» «que não reconhece, imbuído de Jesuitismo, senão a autoridade do Papa».

«Chegara-se, portanto, ao cúmulo da hipocrisia, aceitando a religião e a Igreja como fatos consumados mas reivindicando o direito de o Estado a tutelar, mesmo nas coisas mais sagradas do seu íntimo ministério. Seriam inacreditáveis, se não fossem históricas e não conhecemos a época que vimos analisando, as conclusões a que publicamente chegavam os melhores talentos das últimas gerações maçónicas do tempo da Monarquia.

«Acerca do ensino ministrado nos seminário protestavam eles, com a maior naturalidade deste mundo, contra o fato de os futuros sacerdotes do Catolicismo aprenderem doutrinas «redondamente anti-regalistas. E como se tanto não bastasse, protestava-se ainda contra o fato de os reitores, professores e perfeitos dos Seminários estarem sendo nomeados sem aprovação do governo, e de a escolha dos livros por onde estudavam os seminaristas não sofrer a inspeção do governo. Disto resultava, diziam eles, aprenderem os futuros padres por livros cheios de matéria contrária aos direitos do Estado. E exemplificava-se desta forma que ainda agora causa espanto: “Com que direito, por exemplo, se defende nos Seminários a infalibilidade do Papa, decretada dogmaticamente pelo Concílio do Vaticano, se tal doutrina não recebeu em Portugal o beneplácito? Quer dizer – e isto resume tudo – podia haver religião católica em Portugal, mas os padres não podiam acatar a infalibilidade do Papa se o Estado assim o deliberasse! Desta forma não podia viver-se.

«A máscara tinha que cair, jogando-se a cartada final, e caiu.

*   *   *

Aqui há que notar como essa diferença assinalada entre uma Igreja lusa e a Igreja Católica liga-se às separações já preconizadas pelo Marquês de Pombal, a favor de uma igreja nacional controlada pelo Estado, no caso pelo mesmo ministro Pombal!

Segundo a nova visão iluminista, então dominante, quanto às relações entre o Estado e a Igreja, esta só teria limitada potestade moral sobre os fiéis, em conseqüência disso, as questões de caráter secular no território – incluída a administração da própria Igreja – deviam ser submetidas às leis e autoridades do Estado. Também se deveriam suprimir as isenções e dispensas outorgadas pelo papa porque se considerava que podiam afetar a soberania do próprio rei. Enfim, só os estados poderiam orientar seus povos.

A nova visão do poder total do Estado sobre a alma e o corpo de seus súditos, estendeu-se pelos diversos países onde se propagava a mesma vontade de independência e ruptura da influência da Igreja que, em plano mais amplo, significava emancipação da idéia de soberania divina. Pretendia-se a supremacia do Estado, mas não a queda do catolicismo, que poderia vir a ser útil. Pretendia-se que a autoridade papal fosse circunscrita e que as igrejas nacionais gozassem de maior autonomia, aumentando o poder dos bispos locais. Na “Alemanha, essas ideias estavam na obra de Febronius, que se opunha ao conceito monárquico do Papado. Era a política que refletia a comunidade de interesses entre os governantes «católicos» do século XVIII: conhecida por galicanismo na França, febronismo na Alemanha, Josefismo na Áustria e regalismo na Península Ibérica. Em qualquer dos casos, a política impunha a superioridade dos direitos do Estado sobre os da Igreja

Além disso o Marquês de Pombal, que foi expoente máximo do despotismo iluminado em Portugal, como  primeiro-ministro do fraco rei D. José I (1750-1777), foi quem decididamente iniciou um movimento de ateização disfarçada do Estado Português, embora salvaguardando as aparências de Estado Confessional – mas de fato usando a Igreja católica, somente, para manter a coesão político-social.

Para isto, Pombal laicizou a Inquisição, transformando-a de Direito num Tribunal de Estado; laicizou o ensino, seguindo as orientações dos intelectuais iluministas, anti-católicos; declarou livres os índios do Brasil para liquidar as reduções jesuíticas, e tramou também para expulsar e destruir essa ordem em conluio com as cortes iluminadas europeias; aconselhava-se Pombal com ateus notórios como Ribeiro Sanches, judeu, que o encorajou a suprimir a distinção entre cristãos velhos e cristãos novos, o que equivale a dizer, que expôs assim a Igreja a toda infiltração para destruí-la do seu interior.

Segue o período em que a Maçonaria vai exprimir sua outra face secreta na violência dos carbonários.

A Carbonária Portuguesa era a organização secreta aparecida no fim do século XIX sem elos orgânicas coma Maçonaria das Lojas. Conforme sua origem italiana de aspecto popular a Carbonária organizou-se em «choças» reunidas em Alta-Venda que, conjuntamente formavam a “Suprema Alta-Venda“.

Esta organização não deixou de utilizar estruturas do então Grande Oriente para instalar seus centros e colaborar com esta Obediência para implantar a  República em 1910. Cumprido seu fim principal, deixa de aparecer, pois a sua operação violenta após a proclamação da república, passou a ser exercida em uniforme, como se pode ver na escolta da prisão das freiras da figura inicial.

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