Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A SOBERANIA DOS CORAÇÕES DE JESUS E MARIA É ABSOLUTAMENTE UNIVERSAL

Sacro Cuore e Santa MMNesta data comemora-se Santa Margarida Maria Alacoque, a quem o Sagrado Coração de Jesus manifestou-se em 1675 no seu Convento das Visitandinas. Nada melhor então do que recordar agora a Soberania dos Sagrados Corações, porque naquela ocasião disse Jesus: “Eis o Coração que tem amado tanto aos homens a ponto de nada poupar até exaurir-se e consumir-se para demonstrar-lhes o seu amor. E em reconhecimento não recebo senão ingratidão da maior parte deles“.

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da encíclica “Quas Primas”, promulgada em 11 de Dezembro de 1925:

«Erraria gravemente, aquele que negasse a Cristo-Homem o poder sobre todas as coisas humanas e temporais, posto que o Pai Lhe conferiu um direito absoluto sobre todas as coisas criadas, de forma tal que todas estão submetidas à Sua Vontade. Não obstante isso, enquanto viveu na Terra, absteve-se inteiramente de exercitar esse poder, e assim como então desprezou a posse e o cuidado das coisas humanas, assim também permitiu, e continua permitindo, que os possuidores se utilizem delas. Acerca disso bem se adaptam essas palavras: “Não tira o Reino terreno, Aquele que dá o Reino Eterno Céus”(Hino Crudelis Herodes – Ofício da Epifania). Portanto, o Domínio do nosso Redentor abrange todos os homens, como afirmam estas palavras do nosso predecessor de imortal memória, Leão XIII, que aqui nós fazemos nossas: “O REINO DE CRISTO  NÃO SE ESTENDE SÒMENTE AOS POVOS CATÓLICOS, OU AQUELES QUE, REGENERADOS NA FONTE BAPTISMAL, PERTENCEM, DE DIREITO, À IGREJA, AINDA QUE OPINIÕES ERRADAS OS AFASTEM, OU A DIVERGÊNCIA OS DIVIDA DA CARIDADE; MAS ABRANGE TAMBÉM AQUELES QUE NÃO POSSUEM A FÉ CRISTÃ, DE FORMA QUE TODO O GÉNERO HUMANO ESTÁ SOB O PODER DE JESUS CRISTO”. (encíclica “Annum Sacrum” -25 de Maio de 1899)

Não há diferença entre indivíduos e sociedade doméstica ou civil, pois os homens, unidos em sociedade, não estão menos sob o poder de Cristo, do que o estejam os homens particulares. Sòmente Ele constitui a Fonte de Salvação, privada e pública: “Não há Salvação em nenhum outro, nem sob o Céu foi dado outro nome aos homens, pelo qual possamos ser salvos” (Act 4,12). Sòmente Ele é o Autor da prosperidade e da verdadeira felicidade, quer para cada cidadão, quer para os Estados: “Pois o bem estar da sociedade não tem origem diferente da dos indivíduos, enquanto a sociedade outra coisa não é senão a concórdia entre a multidão de homens” (Santo Agostinho- Epístola ad Macedonium cap.III). Não recusem, portanto, os chefes das Nações, prestar testemunho público de reverência e de obediência ao Império de Cristo, junto com seus povos, se quiserem, com a incolumidade do seu poder, o incremento e o progresso da Pátria. Com efeito, são bem adaptadas, e oportunas no momento actual, aquelas palavras que no início do nosso pontificado escrevemos sobre a falência do princípio de autoridade e do respeito ao poder público: ” Efectivamente – assim nos queixávamos – afastado Jesus Cristo das Leis e da sociedade, a autoridade aparece, sem dúvida, como derivada, não de Deus, mas dos homens, de forma que também o fundamento dela cambaleia: Afastada a Causa Primeira, não há motivo pelo qual um deva mandar e o outro obedecer. Disso é que derivou uma perturbação geral da sociedade, a qual já não se apoia sobre seus eixos cardeais naturais.

Porém, se os homens, pública e privadamente, reconhecem o poder soberano de Cristo, necessàriamente virão benefícios incríveis à  inteira sociedade humana, como liberdade justa, tranquilidade e disciplina, paz e concórdia. A dignidade régia de Nosso Senhor, como de alguma maneira torna Sagrada a autoridade humana dos príncipes e dos chefes de Estado, assim também enobrece os deveres do cidadão e a sua obediência.»

Um dos grandes e venenosos erros que circulava nas veias do Corpo Místico, ainda bem antes do Concílio, era precisamente aquele que subordinava a Nosso Senhor Jesus Cristo apenas as almas baptizadas vàlidamente, dentro ou fora da Santa Madre Igreja. Ora Jesus Cristo satisfez a Deus pelos pecados de todos os homens; logo adquiriu-os a preço do Seu Sangue, num Sacrifício de valor Infinito. Evidentemente que a título de Criador, Deus Uno e Trino já possuía autoridade absoluta sobre a Sua Criação, na Ordem Natural e na Ordem Sobrenatural; mas essa autoridade foi como sublimada pelo Acto Redentor. Os não baptizados encontram-se rigorosamente sob a Autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ainda que estejam indirectamente submetidos à Autoridade da Santa Madre Igreja, porém, directamente sujeitos à Autoridade do Estado Católico, Braço secular da mesma Santa Igreja.

Daqui se conclui que O CONCEITO DE ESTADO VERDADEIRAMENTE CATÓLICO SE APLICA E DIRECCIONA TAMBÉM A POVOS E NAÇÕES MAIORITÀRIAMENTE PROTESTANTES, ISLÂMICAS OU PAGÃS. Fica-se com a impressão, ao ler certos textos tradicionalistas, de que o Estado Católico se aplicaria sòmente aos povos tradicionalmente católicos; nesse quadro conceptual, então o povo apóstata perdia o direito e o dever de se constituir, mediante a sua fina-flor, em bases jurídico-políticas essencialmente católicas. Não, não existem zonas sombra que eximam da Salvífica presença de Deus Nosso Senhor, das exigências da Sua Divina Soberania, da estrita obrigatoriedade dos Seus Mandamentos.

Poder-se-á, contudo, argumentar que não se pode forçar a imposição do Estado Católico, caso a forma religiosa e político-coactiva se apresente com vigor insuficiente para incorporar leis severamente católicas. Nesse caso, a sabedoria multissecular da Santa Madre Igreja, pode e até mesmo deve, omitir quaisquer tentativas directas de instaurar um Estado verdadeiramente Católico, as quais só poderiam provocar males espirituais e religiosos ainda maiores; mas não fica dispensada de, por meios indirectos, continuar a combater pela integral consagração do Reinado Temporal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nesta perspectiva, jamais, jamais, se pode apresentar como exemplo os Estados Unidos da América, com a sua absoluta liberdade religiosa, que até há menos de um século só excluía a Santa Mãe Igreja dessa mesma liberdade; efectivamente, até a Lei Seca (1920-1933) foi utilizada como meio de impedir a celebração de Missas. Neste país o relativismo está tão entranhado, que não constitui problema algum, que um político invoque o Nome de Deus no exercício das suas funções, o que nos países de antiga tradição Católica é um verdadeiro escândalo nacional, em certos casos legalmente punível. A explicação para este fenómeno reside no facto do relativismo assumir que cada um interprete e conceba a ideia de Deus como bem lhe aprouver; ao passo que nos países de antiga tradição Católica, essa pluralismo está automàticamente excluído pela própria cultura e mentalidade consuetudinária vigente, mesmo séculos depois dessa Nação ter oficialmente apostatado.

Outro erro muito comum, mesmo em ambientes tradicionalistas, consubstancia-se numa propensão para sustentar que desde que se proíba a propaganda e o culto público das falsas religiões, pode ser consentida a sua disseminação por via do culto particular. Ora isto é absolutamente falso e incompatível com um Estado verdadeiramente católico, que não procura encontrar as tais zonas sombra para escapar à Caridade de Deus Nosso Senhor.

São Tomás considerava que o dano público e político-social das falsas religiões, SENDO REAL, não constituía, contudo, a razão primeira da sua repressão; POIS QUE O ULTRAJE OBJECTIVO A DEUS NOSSO SENHOR SURGIA COMO O FUNDAMENTO DESSA MESMA REPRESSÃO; E TAL ULTRAJE SE ENCARNAVA LOGO E IMEDIATAMENTE NO ACTO EXTERNO CONTRA A FÉ, MESMO NÃO NOTÓRIO. Aliás, o Direito Canónico, que vela pelo bem estar jurídico-social do Corpo Místico, sempre considerou como seu objecto próprio e formal os actos externos. Neste enquadramento, o culto particular das falsas religiões deve ser reprimido, salvo se se considerar, que em virtude da já citada debilidade da forma religiosa e político-coactiva da sociedade em questão, resultaria dessa repressão um mal religioso ainda maior.

Outro erro, ainda mais nocivo, que também viceja em ambientes tradicionais, é admitir genèricamente a denominada liberdade de ensino. De acordo com a encíclica do Papa Pio XI “Divini Illius Magistri”, de 31 de Dezembro de 1929: TODO O ENSINO, EM TODAS AS IDADES, EM TODOS OS GRAUS, E EM TODAS AS MATÉRIAS, DEVE ESTAR ABSOLUTAMENTE IMPREGNADO DE DOUTRINA CATÓLICA, POIS QUE SEM ESTA, TUDO O MAIS É COMPLETAMENTE INÚTIL, E ATÉ GRAVEMENTE PREJUDICIAL. Encontramo-nos, assim, imensamente longe da chamada “aula facultativa de moral e religião” com que os Estados ateus, – e cito aqui expressamente o Estado Novo Português, de que as gerações mais velhas de portugueses foram vítimas no plano moral e religioso – julgavam poder calar a Santa Madre Igreja, oferecendo-lhe um placebo quando deviam, sim, providenciar o Pão da Sã Doutrina.

Anàlogamente, também se não pode consentir na propagação, por via particular, de vírus anti-católicos e deicidas, sufragando por via subterrânea aquilo que se procura combater por via pública. São Tomás, com toda a razão, considerava dignos de pena de morte todos aqueles, sobretudo os relapsos, que Ofendessem o REI DOS REIS, independentemente da repercussão social e pública dessa ofensa; e raciocinava: Se as leis punem justamente, com a pena máxima, as ofensas ao Rei ou ao Imperador, como se poderá punir menos gravemente a ofensa ao REI DOS REIS?         

Não olvidemos que a maçonaria internacional conspirou na propagação secreta dos seus deicídios; e foi secretamente que se foi desenvolvendo ao longo de trezentos anos, até dominar o mundo inteiro; pois havendo conquistado a face humana do Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo – CONSEGUIU TUDO!

Consequentemente, o Estado Católico, Braço secular da Santa Madre Igreja, se quer adorar convenientemente a Cristo Rei, DEVE TENTAR MATAR OS ESCORPIÕES AINDA NO OVO. NÃO PODE CONTEMPORIZAR, COMO INFELIZMENTE SUCEDEU NA ESPANHA DE FRANCO.

Os inimigos da Realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, nunca desarmam, pois o seu ódio e imensamente pior do que o de judas, na excata medida em que tiveram vinte séculos para o incumbar, sempre estimulados pelo príncipe das trevas e pela miséria da humana condição.

Mas o próprio Nosso Senhor no-lo afirmou: Ele venceu o mundo e o demónio, e jamais abandonará aqueles que por Ele combatem, não secreta, mas pùblicamente, pois que a Fé Católica, a Santa Mãe Igreja, Bússolas da existência e Luzes de eternidade,   constituem, de Direito, as mais públicas, as mais perenes, de todas as realidades.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 14 de Outubro de 2015

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