Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA DA REPÚBLICA JACOBINA EM PORTUGAL (IIIº)

Revoltosos_nas_barricadas_marcha_com_a_bandeira_da_carbonaria (1)

Revoltosos que marchavam com a bandeira carbonária. Como foram depois empregados pela ordem republicana»? Veja-se a nota final sobre Machado Santos, o carbonário no governo, que aqui aparece na foto (?)

Relato do período revolucionário da História de Portugal, segundo a obra: FÁTIMA À LUZ DA HISTÓRIA de Costa Brochado, a partir da p. 86

III

«É Machado Santos*, chamado o fundador da República, e que por ela veio a ser canibalescamente chacinado, quem nos garante que a proclamação da República «à Maçonaria se deve única e exclusivamente»[1].

«Consumatum est, portanto! Ao cabo de quase um século de lutas porfiadas, a Maçonaria assume, em 5 de Outubro de 1910, o governo da Nação Portuguesa, iniciando febrilmente a fundação da sociedade maçónica — sonho doirado de tantos idealistas que por ela deram a vida, esperança constante de muitas cobiças que vieram a transformar a República na «bacanal de percevejos numa enxerga podre» de que falava Junqueiro depois de desiludido.

«O carácter nitidamente anti-católico que a República havia de ter manifestou-se logo nas primeiras horas da revolução, de uma forma insofismável. Enquanto grupos de humildes revolucionários, rotos e sem vintém, se iam colocar, de sentinela, à porta dos bancos, defendendo as burras que guardavam o deus milhão, numa atitude deveras admirável, a maior parte dos civis armados entregava-se, por toda a cidade, à profanação, saqueio e incêndio das igrejas e casas religiosas, caçando padres e freiras como quem procura feras!

«Colocava-se, deste modo, simbolicamente, o dinheiro acima de Deus e imprimia-se à República, no acto do seu baptismo, o selo indelével da mais trágica impiedade.

«Começaram por assaltar o convento das Trinas onde apenas encontraram a madre Superiora e uma religiosa louca, que foram conduzidas sob escolta para o Arsenal, convertido em depósito de todos os padres e irmãs de caridade presos naquelas horas infernais. Dali foram assaltar o colégio dos Jesuítas em Campolide, onde prenderam o director, P.e Alexandre Faria de Barros, os padres Beirão, Luisier, Roliz e alguns empregados.

«Seguindo para o Colégio de S. Vicente de Paula, na Calçada de Arroios, de lá tiraram 24 educandas que levaram para o Centro Afonso Costa. Entretanto, os de Setúbal assaltavam a igreja do Coração de Jesus, onde prenderam e vaiaram dois jesuítas, fazendo uma grande fogueira com as imagens do templo, paramentos e livros da biblioteca, o mesmo se passando no Convento de Brancanes onde tudo foi incendiado.

«Ao mesmo tempo prendiam em Carnide 14 seminaristas e três padres e trucidavam barbaramente o padre francês Alfred Fragues e o erudito padre Barros Gomes, metendo a um deles um crucifixo pela garganta abaixo! Nisto dera a longa e solta propaganda contra os padres.

«Uma vez senhores da cidade, dominava-os a mania dos jesuítas, vendo-os por toda a parte, no seu delírio persecutório, opondo resistência à revolução triunfante. Por isso foi rara a igreja e casa religiosa que não sofresse tiroteio como resposta a hipotéticas resistências de Jesuítas entrincheirados. E os jornais republicanos alimentavam esta infâmia, exacerbando os ódios e cegueiras dos civis armados.

«Contra a residência dos jesuítas, ao Quelhas, houve intenso tiroteio, durante horas seguidas, por os revolucionários estarem convencidos de que ali havia muitos padres bem armados e providos de munições, quando o certo é que àquelas horas todos os padres regulares se encontravam a ferros ou haviam procurado o caminho do exílio[2].

«Por fim, ao verificarem a inexistência de quaisquer padres nos conventos e casas religiosas, espalhou-se na cidade que os jesuítas preparavam a resistência em casas particulares e nos canos do esgoto. E vá, então, de fiscalizar os esgotos da cidade, enchendo-os de balas e imprecações !

«Já quando a estupidez atingia o cume do delírio, interveio o Dr. Eusébio Leão, primeiro Governador Civil de Lisboa, publicando o seguinte e memorável edital: «Previne-se o público contra boatos malévolos sobre a existência de frades em casas particulares. A casa do cidadão é inviolável, ninguém, sem autorização especial, pode forçar o domicílio de quem quer que seja. A contravenção deste preceito será rigorosamente punida. As autoridades competentes estão procedendo com segurança e energia para resolverem a questão religiosa».

«Em face disto, acabou, em 9 de Outubro, data do edital, a miserável caça aos padres, podendo-se contar, no depósito do Arsenal, 300 religiosas presas, fora os sacerdotes cujo número ignoramos. O desaforo chegara a ponto que, passando o Cardeal Patriarca, D. José Neto, no Rossio, um cadete, que mais tarde seria monárquico muito activo, colocou-lhe, num ombro, uma fita verde-rubra, por entre os enxovalhos da multidão. — Não é assim que se trata um velho, um Cardeal e um par do Reino!, desabafou o Patriarca. Mas a chusma respondeu-lhe com vivas à República e morras à reacção.

«O que os padres e as irmãs de caridade tiveram de ouvir, da multidão desvairada, quando iam de suas casas, a caminho do Arsenal, sob escolta, não se pode reproduzir. E se a história não tem hoje a registar uma chacina cafreal, isso se deve apenas ao bom-senso de alguns chefes republicanos que vieram para o meio da multidão cobrir com o próprio peito essas mulheres indefesas cujo crime consistia em sacrificarem a vida ao serviço do próximo, por amor de Deus!

«Após as primeiras horas da revolução, o próprio Ministro da Justiça, Dr. Afonso Costa, quis para si a honra de presidir, em pessoa, ao acto final desta incrível perseguição religiosa.  «Acompanhado de fotógrafos que depois o apresentavam nos jornais entre grupos de freiras e regulares vestidos com as roupas mais extravagantes, por terem sido proibidos os trajos das suas ordens, começou Afonso Costa a ronda pelas Oficinas de S. José a cujos directores concedeu um breve prazo para entregarem seus alunos às famílias, fechando as portas. Depois foi ao Convento de Arroios, onde mandou arrolar os paramentos e reposteiros bordados a oiro, que foram arrecadados no Paço das Necessidades. Daí seguiu para o Convento do Sacramento, em Alcântara, arrolando muitas obras de talha doirada e pratas valiosas. Prosseguindo, visitou o Dispensário Rainha D. Amélia, o Convento dos Franciscanos, à Graça, e, por fim, o Recolhimento do Bom-Pastor. De caminho, foi despachando os edifícios: o de Arroios coube, por exemplo, às Escolas Laicas, e o do Sacramento à Repartição do 4.0 Bairro. Depois de descansar um pouco, voltou, em Janeiro de 1911, a pôr sua alçada em movimento, visitando a casa dos Franciscanos e o Convento do Desagravo, deles dispondo a favor de obras laicas.

«Nalguns pontos do país, não se querendo ficar atrás da capital, verificaram-se cenas parecidas. Em Coimbra, assaltaram o Centro Académico da Democracia Cristã, queimando tudo, o mesmo suce-cendo ao Círculo Católico dos Operários do Porto, que foi incendiado e ardeu até o fim sob os olhos alegrados do Governador Civil, Paulo Falcão, que havia acorrido para presenciar o espectáculo! Na mesma cidade arrancaram do cemitério do Prado do Repouso a monumental estátua de Cristo que ali recebe de braços abertos os restos mortais dos seus fiéis, de nada valendo os protestos dos crentes, que todos os dias a cobriam de flores, nem a representação da Sociedade das Belas-Artes, que pedia a sua conservação ao menos por motivos artísticos.

«Em Paredes, como quer que o pároco de Vandoma tivesse dirigido, na missa dominical, uma prédica aos fregueses, tentou o administrador prendê-lo na própria igreja, provocando tal levantamento, que o Governador Civil do Porto ali se apresentou, em pessoa, com uma coluna mista de cavalaria, infantaria e artilharia!

«Enquanto o povo republicano se entrega a estas manifestações de liberdade e tolerância, vejamos como o Governo Provisório da República vai legislando, na tranquilidade do seu gabinete. O seu primeiro cuidado, logo que se extinguiram os ecos dos últimos tiros da vitória, foi para a Igreja em geral e para os Jesuítas em particular.

«Por decreto de 8 de Outubro de 1910, é posta em vigor a legislação pombalina e a de Joaquim António de Aguiar, extinguindo todas as Congregações religiosas e expulsando os Jesuítas, que novamente são «desnaturalizados», ao passo que os seus bens entram imediatamente, sem mais formalidades, na posse do Estado, e ficam considerados como malfeitores todos os membros das ordens extintas que inflijam o referido decreto.

«Por decreto de 18 do mesmo mês é abolido o juramento religioso, em geral, e por decreto do dia 23 ficam igualmente abolidos os juramentos tradicionais do reitor, professores e alunos da Universidade de Coimbra, nomeadamente o que há séculos dizia respeito ao dogma da Imaculada Conceição. A 26, outro decreto manda que «os dias até agora considerados santificados sejam úteis e de trabalho, para todos os efeitos».

«A 3 de Novembro, vibra-se um golpe mortal na sociedade religiosa instituindo-se o divórcio; e a 14 suprime-se, por inútil, a cadeira de direito eclesiástico da Universidade de Coimbra. No dia de Natal, brinda-se a família portuguesa com um decreto considerando puramente civil o casamento.

«Entretanto, a 14 de Dezembro, o Ministro do Interior, Dr. António José de Almeida, casava catolicamente, servindo-lhe de padrinhos, no acto civil, Manuel de Arriaga e Guerra Junqueiro… Para fechar o ano, decreta-se, em 31 de Dezembro, que os religiosos autorizados a viver em Portugal não poderão exercer o ensino ou intervir na educação das crianças, nem usar hábito talar, sob pena de prisão que poderá ser feita por «toda a pessoa do povo»!

«Não temos espaço para levar o rol até ao fim. Digamos, apenas, que este labor apressado e significativo remata com o memorável decreto de 20 de Abril de 1911 que ficou conhecido pela Lei da Separação.

IV

«Não há dúvida de que a legislação republicana do Governo Provisório é a legalização do golpe de misericórdia que a Maçonaria apontara ao coração da Igreja portuguesa. O Núncio de Sua Santidade retirara-se de Lisboa, logo em 20 de Outubro, não levando quaisquer ilusões. A Santa Sé ficava, uma vez mais, mas agora em condições nunca sonhadas, separada desta cristandade que fora obra sua. E as grandes figuras do novo regime não hesitavam em declarar, com louvável franqueza e coerência, que os dias do catolicismo em Portugal estavam contados.

«Magalhães Lima, Grão-Mestre da Maçonaria, símbolo acabado do livre-pensamento superficial e sectário, profetisava, num comício, que dentro de alguns anos não haveria quem quisesse ser padre em Portugal, motivo porque os seminários ficariam desertos[3]. E Afonso Costa, dando ao Grémio Lusitano as premissas da sua Lei da Separação, num discurso ali feito no dia 26 de Março de 1911, afirmou solenemente: «Está admiravelmente preparado o povo para receber essa lei; e a acção da medida será tão salutar que em duas gerações terá eliminado completamente o catolicismo, que foi a maior causa da desgraçada situação em que caiu»[4].

«Não era da mesma opinião, diga-se de passagem, o Governador Civil de Viana do Castelo, Dr. Alfredo de Magalhães, quando, alarmado, lamentava, em conferência pública realizada em Lisboa, três meses depois de Afonso Costa falar, que o povo do norte não acompanhasse «a obra republicana, como seria para desejar», concluindo que fora «um erro o partido republicano não ter educado a província como educou Lisboa»[5].

«Mas Afonso Costa estava tão seguro do que dizia que resolveu ir em pessoa comemorar a aparição da Lei da Separação na «Roma portuguesa». Segundo os jornais republicanos da época, foi um delírio. Braga recebera o «Anti-Cristo da Ceia» sob uma chuva de flores, tendo-lhe as senhoras oferecido um ramo de que pendia esta quadra significativa:

A alma de Afonso Costa

Tem com a flor semelhança

Estadista defensor

Da mulher e da criança.

«Na conferência que ali fez, produziu considerações surpreendentes, pois em vez de afirmar, como um mês antes fizera no Grémio Lusitano, que a sua lei extinguiria a religião em duas gerações, garantiu, ao contrário, que a Lei da Separação representava altos benefícios para o clero, «e tanto que se o Arcebispo o ouvisse sem dúvida diria que os ministros fizeram mais à religião que todos os bispos do continente com a sua pastoral, e que a República oferece à religião uma moralização». Mas, no fim, dando mais uma volta ao pensamento, fez «votos por que o exemplo de Portugal seja imitado e a Igreja saiba aproveitar a situação. Se o fizer, saberá morrer quem viver não soube»[6].

«Quando Afonso Costa desembarcou em Lisboa, vindo desta jornada triunfal, foi apoteoticamente recebido por uma multidão impressionante. Mas o país não é Lisboa, e quem tinha razão era o lente de medicina, Alfredo de Magalhães, sem dúvida mais apto a tomar o pulso ao doente…

«Os Bispos haviam-se reunido, na Patriarcal de Lisboa, nos começos de Novembro, logo que viram o vendaval que aí vinha. Dessa reunião saíra uma pastoral colectiva, a espalhar pelo país, protestando contra a obra do Governo em matéria religiosa.

«Por motivos que não logramos apurar, só em fins de Fevereiro de 1911 essa pastoral chegou impressa ao Paço episcopal portuense, único bispado de que vimos notícias sobre o caso, tendo o Bispo, que era o venerando D. António Barroso, mandado distribuí-la pelos párocos, com ordem de ser lida à hora da missa, no domingo gordo, 26 de Fevereiro de 1911, o que se fez.

«Quando o Governo Provisório soube desta distribuição, mandou intimar os párocos, pelas autoridades administrativas, para que não lessem a pastoral, sob pena de prisão, o que alguns cumpriram, motivo porque o Bispo os intimou a lê-la, sob pena de suspensão imediata. Estava aberto o conflito religioso.

«Afonso Costa, ministro da Justiça, avisa os Prelados, em 3 de Março, de que o Governo resolvera não conceder beneplácito à pastoral colectiva, e pedia-lhes que o informassem do que tencionavam ordenar aos párocos. D. António Barroso respondeu no mesmo dia, dizendo-se convencido de que as pastorais não careciam de beneplácito e ponderando a conveniência de os Bispos se reunirem a fim de concertarem procedimento colectivo. Entretanto, daria ordem aos párocos da cidade para suspenderem a leitura. Insiste Afonso Costa, por telegrama, dizendo ao Bispo que a suspensão tem de ser feita em toda a diocese.

«Na madrugada de 5 de Março, pelas 2 horas e 25 minutos, manda Afonso Costa novo telegrama, urgente, intimando o Bispo a dizer-lhe «claramente, em telegrama oficial, urgente», se fez ou não a recomendação a todo o bispado. D. António Barroso respondeu, esclarecendo só lhe ter sido possível avisar os párocos da cidade. No dia seguinte recebia ordem para se apresentar em Lisboa, no Ministério da Justiça.

«Constitui página singular na história contemporânea o quadro assombroso da chegada a Lisboa deste Bispo a todos os títulos venerando, que entre os pretos conseguira tal respeito que era pelo seu nome que juravam nos momentos mais solenes da sua vida, já depois de ele ter vindo para a Metrópole carregado de trabalhos e de febres que não perdoam.

«Se há homens que neste mundo se possam impor integralmente à consideração e ao respeito dos seus concidadãos, tanto pelas virtudes naturais como pela voluntária consagração da própria vida ao serviço do próximo, o Bispo D. António Barroso foi deles um modelo acabado.

«Pois bem. Este velho encanecido ao serviço da pátria e de Deus, foi recebido em Lisboa por uma multidão ululante, que logo o crivou de injúrias e ameaças, como se se tratasse de um repelente criminoso a caminho da Penitenciária pelos maiores crimes deste mundo. Não obstante, o velho Bispo dirige-se, a pé, por entre a turba-multa, «sorridente e afável, a longa barba branca muito bem tratada, o tronco alcachinado» pelo peso dos invernos e dos trabalhos africanos, entrando no carro do Ministério da Justiça e seguindo, a caminho do Terreiro do Paço, acompanhado pelo Dr. Germano Martins.

«Na rua do Ouro, «a multidão irada, espumando de indignação, conforme relata O Mundo, queria violência, queria vingar-se por suas mãos»! Uma chuva de pedras e bengaladas caiu sobre o carro bloqueado pelos díscolos que dirigiam ao venerando antístite as mais infames ameaças e injúrias. Valeu-lhe a ideia que o Dr. Germano Martins teve de mandar safar e carro, a toda a força, por uma rua transversal, indo esconder o Bispo na residência particular de Afonso Costa.

«Conhecedor do que se passava, logo o ministro da Justiça se dirigiu a sua casa, acompanhado pelo Dr. António Macieira, indo encontrar a malta à porta, reclamando, furiosa, a cabeça do Prelado. Falou-lhe Afonso Costa, do estribo do automóvel, dando-se como penhor de que justiça seria feita, assim se conseguindo pôr termo à fúria diabólica daqueles energúmenos sedentos de sangue inocente.

«Uma vez em presença do Bispo, Afonso Costa interrogou-o detidamente, tendo-lhe D. António Barroso respondido com desassombro, mostrando-se bem disposto e à vontade[7]. Diz-se, até, que o Bispo do Porto teria dito ao autor da Lei da Separação, num instante de bom humor, que havia duas coisas de que não receava morrer, e era de parto e de medo…

«Findo o interrogatório, foi D. António Barroso conduzido ao Quartel General, onde aguardou que o Conselho de Ministros resolvesse «destituí-lo de Bispo do Porto», desterrando-o da sua diocese. Mas «atendendo aos relevantes serviços que prestou D. António Barroso outrora, como missionário no Ultramar» e tendo em vista «as suas virtudes pessoais», deliberava o Governo conceder-lhe pensão anual de 1.2oo$oo. D. António não aceitou essa pensão, e lá foi, sob escolta, para o Colégio de Sernache de Bomjardim, onde ficou às ordens do Governo anos a fio.

«E O Mundo esclarecia que «o sr. Barroso podia conservar-se ali, ou mudar de pouso. O que não pode é ir à sua Diocese». Esta considerou-a o Governo vaga, e, no próprio dia em que o Bispo seguia para Sernache, o Governador Civil do Porto fazia saber ao Deão da Sé que «era necessário mandar dobrar os sinos», enormidade que ele repeliu «mui mansamente», alegando que só se fazia isso quando o Prelado falecia[8].

«Entretanto, nesse mesmo mês de Março, realizava-se em Lisboa a festa da árvore, «a primeira que se efectua após o advento da República, livre, sem peias», e as cândidas crianças das escolas conduziam uma bandeira com este dístico espantoso: «Sem Deus nem Religião»!

  • MACHADO SANTOS, o conspirador carbonário no gpverno (da Wikipedia)

António Maria de Azevedo Machado Santos GCTEGOA (Lisboa, 10 de Janeiro de 1875Lisboa, 19 de Outubro de 1921), mais conhecido por António Machado Santos ou simplesmente Machado Santos, foi um militar e político português, considerado o fundador da República Portuguesa pelo denodo com que se bateu na Revolução de 5 de Outubro de 1910 e depois na defesa do regime contra a intentona monárquica de 22 a 24 de Janeiro de 1919 em Monsanto. Machado Santos alistou-se na Armada Portuguesa em 1891 iniciando uma carreira de comissário naval que o levaria ao posto de comissário de 2.ª classe (segundo-tenente) aquando da Revolução de 5 de Outubro de 1910.

Ainda durante a Monarquia já se tinha iniciado na Carbonária, afirmando-se como um conspirador inveterado, presente em todos os movimentos revolucionários que precederam a queda do regime, distinguindio-se na Revolta de 28 de Janeiro de 1908.

Jovem e de aspecto romântico, exercendo um importante papel de coordenação operacional do movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910, acabou catapultado pela imprensa para o papel de herói da Rotunda e pai da República. A sua incontestável heroicidade, principalmente quando organizou e manteve, perante o aparente fracasso da revolução, a resistência no alto da Avenida da Liberdade (a ‘’Rotunda’’) está bem patente nos relatos da época e no seu próprio relatório dos acontecimentos.[1]

Eleito deputado à Assembleia Constituinte de 1911, foi dos primeiros a manifestar sinais de desencanto face ao andamento da política na República, a qual se afastava rapidamente dos ideais de pureza republicana dos seus defensores iniciais. Funda então o jornal O Intransigente, que dirige, no qual expressa o seu desencanto.

Mantendo o fervor revolucionário e conspirativo do período anterior à implantação da República Portuguesa, passa da palavra aos actos, organizando ou participando nos movimentos insurreccionais de Abril de 1913, de Janeiro de 1914, no Movimento das Espadas de 1915, naRevolta de Tomar de 1916 e no golpe de 1917 que colocou Sidónio Pais no poder.

No Movimento das Espadas, quando vários oficiais militares descontentes com o estado do país tentaram simbolicamente entregar as suas espadas ao Presidente da República Manuel de Arriaga, teve um papel determinante, já que ao deslocar-se ao Palácio de Belém para entregar a espada que usara nos combates da Rotunda no dia 5 de Outubro de 1910, deitou por terra a acusação de pró-monárquicos com que o Partido Democrático (no poder) justificara a prisão dos oficiais amotinados.

Nesse mesmo ano foi preso e deportado para os Açores durante a ditadura de Pimenta de Castro.

Durante a ditadura de Sidónio Pais foi feito senador e ocupou as funções de secretário de Estado das Subsistências e Transportes esecretário de Estado do Interior (título usado pelos ministros do governo sidonista), mas entrou em ruptura com Sidónio Pais.

Em 1919, durante a Monarquia do Norte, voltou a salvar a República ao contribuir para a derrota do grupo de revoltosos monárquicos acampados na Serra de Monsanto. A 11 de Março esse ano foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis.[2]

Ainda lança o Partido da Federação Republicana, com que pretende continuar a sua intervenção política, mas acaba por se retirar da vida política. Morreu assassinado na Noite Sangrenta de 19 de Outubro de 1921, vítima das forças revolucionárias que tão longamente cultivara.

[1] Machado Santos. A Revolução Portuguesa, pág. 34.

[2] Joaquim Leitão. Anais Políticos da República Portuguesa, Lisboa, 1916, págs. 77 e 85.

[3] P.e Miguel de Oliveira. História da Igreja, pág. 259.

[4] O Tempo, 27 de Março de 1911, na 1.ª página.

[5] O Tempo, 10 de Junho de 1911.

[6] O Século, 25 de Abril de 1911, e O Mundo, 24 e 25 de Abril de 1911.

[7] A Capital, 7 de Março de 1911.

[8] O Mundo, 8 de Março de 1911; O Século, 8 de Março de 1911; Deão Luis Coelho da Silva. Dez Meses de Governo do Bispado do Porto, 1912, págs. 7 e seguintes.

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