Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

FRATURA DEVASTADORA TRAMADA PELO «PAPA SINODAL»

Arai Daniele

Para avaliar o alcance do que aconteceu na sede que consta como católica e apostólica, há que entender a definição do termo que a define como «igreja sinodal», segundo o mesmo chefe que a promove com esse nome, para um «aggiornamento» contínuo.

Para isto pode-se recorrer às mais recentes manifestações de Jorge Bergoglio, – a sua homilia na missa matinal de sábado na Casa Santa Marta, – o artigo para o jornal italiano «Corriere», e o seu discurso de fechamento do sínodo para a Família.

Sucessivamente serão vistos trechos do fruto final desse mesmo sínodo de bispos, agora dado a conhecer. As externações são do mesmo sábado e concorrem para o resultado final, que de há muito era previsto, isto é, da sinuosa inserção de uma «novidade doutrinal» quanto à admissão da comunhão sacramental dos divorciados recasados. Esta encontrou muita resistência até o fim nesse sínodo, mas passou de modo ambíguo sob a forma de «discernimento», segundo casos especiais, isto é, a exceção inserida na norma de princípio evangélico: a mesma palavra de Jesus Cristo.

O anúncio da manobra foi feito na homilia matutina: “I tempi cambiano e noi cristiani dobbiamo cambiare continuamente”, refletindo sobre o «discernimento» pedido à Igreja para operar em vista dos “sinais dos tempos, sem ceder à comodidade do conformismo, mas deixando-se inspirar pela oração. Os tempos fazem o que devem: mudam. Os cristãos devem fazer o que quer Cristo: avaliar os tempos e mudar com eles, permanecendo “firmes na verdade do Evangelho” [que não muda]. O que não é admissível é um tranquilo conformismo que, de fato, faz restar imóveis”.

Eis, pois, o que deveria fazer a Igreja, seguir as mudanças da sociedade que muda com revoluções nas revoluções, numa sociedade em contínua mutação. Discernir sobre as mudanças tornadas independentes da referência evangélica que não muda? Mas se após o Vaticano 2 ampliou-se o direito à liberdade de mudar, até de religião e justamente através desse sistema «sinodal» que de ano em ano deveria reforçar a tendência conciliar de abertura ao mundo? Esta intenção vamos ver aqui num artigo que enaltece um mestre das mudanças, o Cardeal Carlo Maria Martini S. J.

No cair do pano sobre o presente espetáculo desse «sinodabulo para a nova família», aparece publicado na primeira página do «Corriere», (o maior jornal italiano em concorrência com a «Repubblica» das entrevistas com Scalfari) uma carta de Bergoglio, assinada Francesco. Trata-se de artigo sobre o legado do Cardeal Martini para aprimorar aspectos, “da sua atenção na promoção e acompanhamento dentro da comunidade eclesial do estilo da «sinodalidade» colegial tão desejada pelo Vaticano II. Isso exige, por um lado uma atitude de escuta e discernimento do que o Espírito move na consciência do povo de Deus, na variedade dos seus componentes; do outros lado o cuidado, a fim de que as diferenças não degenerem em conflito destrutivo … “

Estas palavas evocam algo das «novas Pentecostes» em continação de sinodos anteriores; revoluções nas revoluções em vista de uma evolução conciliar, quando o Espírito Santo, suscitaria nas consciências, mais que a fé, adaptação às variações de componentes variáveis, neutralizando diferenças (doutrinais) de sentido ecumenista …“ sem medo de tensões, ou mesmo de contestações, que todo impulso profético necessariamente traz consigo (pro veritate adversa diligere era o lema episcopal de Martini)… ele sempre evitou a contraposição que não conduz a nenhuma solução, pensando criativamente em termos de alternativas.… Ao mesmo tempo era consciente da presença na Igreja de tantas sensibilidades diversas segundo os contextos culturais, que não podem ser integrados sem un debate livre e humilde (com outras crenças!)…Com este estilo pastoral e espiritual de diálogo o cardeal Martini não procurou só envolver membros da comunidade eclesial, mas ativamente de encontrar quem na comunidade dos crentes imediatamente não se reconhecia… assim ia além das fronteiras consolidadas, favorecendo uma Igreja missionaria «em saída» e não fechada sobre si mesma, fazendo emergir a mensagem universal do Evangelho, portador de luz e de inspiração para todas as pessoas.”

Em breve, o perigo não estava no que ia contra a fé – mas na falta de diálogo livre, mesmo com quem não se poupa de querer humilhar a Igreja e a sua história! “O exemplo de maior ressonância, mesmo internacional desse modo novo de dialogar com o mundo contemporâneo foi a Cátedra dos não crentes… A iniciativa nasceu da convicção que todos, crentes e não crentes, estão a procura da verdade e não podemos dar nada por descontado [nem a Revelação]. Cada crente traz em si a ameaça da não crença e todo não crente a do germe da fé: o ponto de encontro está na disponibilidade de refletir sobre as perguntas que a todos nos acomunam [nas dúvidas!].” Para Martini, a dúvida “não era obstáculo, mas reforçava o seu ministério de bispo chamado para cuidar do rebanho que lhe foi confiado”… [chamado para difundir um novo «magistério da dúvida sistemática» que admite até a eutanásia!]  “… Em particular ele indicou percursos para ligar a Palavra à vida, mostrando a sua pertinência e relevância para a própria experiência pessoal. Assim ela pode tornar-se agente de conversão, alimentando uma vida mais fraterna e justa, impedindo de refugiar-se à sombra de comodas seguranças preconfecionadas.” (!)

Será que converter-se à Fé perene da Igreja significa refugiar-se à sombra de comodas seguranças preconfecionadas? Porque è justamente o contrário disto não aderir às certezas de fé, virtude divinamente suscitada, a única que pode confortar a nossa alma porque é formação «confecionada» por Deus mesmo. O contrário é a dúvida modernista aberta a diálogos sem fim. Pois bem, toda essa conversinha sobre o que “lo Spirito muove nelle coscienze”, sobre evitar contraposições entre tantas sensibilidades diversas segunda os contextos culturais, sobre “lo sguardo oltre i confini consolidati”, favorecendo uma Igreja missionaria «in uscita» (em saída) e não fechada sobre si mesma, sobre a Cátedra dos não crentes, à procura da verdade, pode só acomunar nas dúvidas, como estas levantadas nesse «sínodo», nunca nas certezas de fé. Como se pode desejar alargar as fronteiras estabelecidas por Deus para a Igreja da Fé, a favor de uma igreja indefinida «chiesa in uscita» saída para toda dúvida, usando para isto nada menos que a Cátedra da Verdade? Não se confirma assim que estes conciliares não tem nem mesmo noção do que seja a Verdade, que é uma, universal, católica.

Discurso de encerramento do sínodo

Aqui podem-se notar palavras de ressentimento pelo fato de que as intenções de abertura inicial encontraram uma decidida oposição, ao ponto que foi necessário recorrer a toda possível pressão para fazer passar uma inadmissível relação final, como se verá.

Disse então Jorge Bergoglio no meio dos termos convencionais:

«Certamente não significa que esgotámos todos os temas inerentes à família, mas que procurámos iluminá-los com a luz do Evangelho, da tradição e da história bimilenária da Igreja, infundindo neles a alegria da esperança, sem cair na fácil repetição do que é indiscutível ou já se disse. (A verdade não se repete porque já proclamada?)

«Seguramente não significa que encontrámos soluções exaustivas para todas as dificuldades e dúvidas que desafiam e ameaçam a família, mas que colocámos tais dificuldades e dúvidas sob a luz da Fé, examinámo-las cuidadosamente, abordámo-las sem medo e sem esconder a cabeça na areia…Significa que solicitámos todos a compreender a importância da instituição da família e do Matrimónio… Significa que demos provas da vitalidade da Igreja Católica, que não tem medo de abalar as consciências anestesiadas ou sujar as mãos discutindo… Significa que procurámos olhar e ler a realidade, melhor dito as realidades… num período histórico de desânimo e de crise social, económica, moral e de prevalecente negatividade… Significa que testemunhámos a todos que o Evangelho continua a ser…fonte viva de novidade eterna, contra aqueles que querem «endoutriná-lo» como pedras mortas para as jogar contra os outros…Significa também que espoliámos os corações fechados que, frequentemente, se escondem mesmo por detrás dos ensinamentos da Igreja ou das boas intenções para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas… Significa que afirmámos que a Igreja é Igreja dos pobres em espírito e dos pecadores à procura do perdão e não apenas dos justos e dos santos, ou melhor dos justos e dos santos quando se sentem pobres e pecadores… Significa que procurámos abrir os horizontes para superar toda a hermenêutica conspiradora ou perspectiva fechada, para defender e difundir a liberdade dos filhos de Deus, para transmitir a beleza da Novidade cristã, por vezes coberta pela ferrugem duma linguagem arcaica ou simplesmente incompreensível… No caminho deste Sínodo, as diferentes opiniões que se expressaram livremente – e às vezes, infelizmente, com métodos não inteiramente benévolos – enriqueceram e animaram certamente o diálogo, proporcionando a imagem viva duma Igreja que não usa «impressos prontos», mas que, da fonte inexaurível da sua fé, tira água viva para saciar os corações ressequidos. E vimos também – sem entrar nas questões dogmáticas, bem definidas pelo Magistério da Igreja – que aquilo que parece normal para um bispo de um continente, pode resultar estranho, quase um escândalo, para o bispo doutro continente (africano); aquilo que se considera violação de um direito numa sociedade, pode ser preceito óbvio e intocável noutra; aquilo que para alguns é liberdade de consciência, para outros pode ser só confusão. Na realidade, as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral, se quiser ser observado e aplicado, precisa de ser inculturado. [a cultura pode alterar questões dogmáticas, bem definidas pelo Magistério da Igreja?] O Sínodo de 1985, que comemorava o vigésimo aniversário do encerramento do Vaticano II, falou da inculturação como da «íntima transformação dos autênticos valores culturais mediante a integração no cristianismo e a encarnação do cristianismo nas várias culturas humanas»… temos pela frente sempre: anunciar o Evangelho ao homem de hoje, defendendo a família de todos os ataques ideológicos e individualistas. E, sem nunca cair no perigo do relativismo ou de demonizar os outros, [Mas como, se quer relativizar as questões dogmáticas definidas pela Igreja alegando a bondade e a misericórdia de Deus?]… Esta, que ultrapassa os nossos cálculos humanos e nada mais quer senão que «todos os homens sejam salvos», para integrar e viver este Sínodo no contexto do Ano Extraordinário da Misericórdia que a Igreja foi chamada a viver.

“A experiência do Sínodo fez-nos compreender melhor também que os verdadeiros defensores da doutrina não são os que defendem a letra, mas o espírito; não as ideias, mas o homem; não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão. Isto não significa de forma alguma diminuir a importância das fórmulas, das leis e dos mandamentos divinos, mas exaltar a grandeza do verdadeiro Deus, que não nos trata segundo os nossos méritos nem segundo as nossas obras, mas unicamente segundo a generosidade sem limites da sua Misericórdia (cf. Rm 3, 21-30; Sal 129/130; Lc 11, 37-54). Significa vencer as tentações constantes do irmão mais velho (cf. Lc 15, 25-32) e dos trabalhadores invejosos (cf. Mt 20, 1-16). Antes, significa valorizar ainda mais as leis e os mandamentos, criados para o homem e não vice-versa (cf. Mc 2, 27). … O primeiro dever da Igreja não é aplicar condenações ou anátemas, mas proclamar a misericórdia de Deus, chamar à conversão e conduzir todos os homens à salvação do Senhor (cf. Jo 12, 44-50). Do Beato Paulo VI temos estas palavras estupendas: «Por conseguinte podemos pensar que cada um dos nossos pecados ou fugas de Deus acende n’Ele uma chama de amor mais intenso, um desejo de nos reaver e inserir de novo no seu plano de salvação (…). [isto parece com o “peca fortemente” de Lutero]… Deus, em Cristo, revela-Se infinitamente bom (…). Deus é bom. E não apenas em Si mesmo; Deus – dizemo-lo chorando – é bom para nós. Ele nos ama, procura, pensa, conhece, inspira e espera…  Quando a Igreja deve reafirmar uma verdade menosprezada, ou um bem traído [a intenção final era a de reafirmar algo traído?]… Para todos nós, a palavra «família» já não soa como antes, a ponto de encontrarmos nela o resumo da sua vocação e o significado de todo o caminho sinodal [que estava traído?]. Na verdade, para a Igreja, encerrar o Sínodo significa voltar realmente a «caminhar juntos» para levar a toda a parte do mundo, a cada diocese, a cada comunidade e a cada situação a luz do Evangelho, o abraço da Igreja e o apoio da misericórdia Deus! Obrigado!

A conclusão desses discursos é o «discernimento» dos casos particulares de divórcio, com o que o «papa sinodal» não pode esconder o fato de ter relativizado a Lei de Deus, como veremos em seguida.

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