Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A VIDA COMO DOM DE DEUS

benedito-calixto-anchietaAlberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI,  em excertos da encíclica “Casti Connubii”, promulgada em 31 de Dezembro de 1930:

«Entre os benefícios do matrimónio, ocupa, portanto, o primeiro lugar, a prole. Na verdade, o próprio Criador do Género Humano, que na Sua Bondade, quis servir-se dos homens como ministros seus, para a propagação da vida, assim o ensinou quando, no Paraíso Terrestre, instituindo o matrimónio, disse aos nossos primeiros pais, e neles,  a todos os futuros esposos: “Crescei e multiplicai-vos, e enchei a Terra “(Gn 1,28). Esta mesma Verdade a deduz brilhantemente Santo Agostinho das palavras do Apóstolo São Paulo a Timóteo (I Tim 5,14) e dizendo: “A procriação dos filhos seja a razão do matrimónio”; o Apóstolo o testemunha nestes termos:”Eu quero que as jovens se casem. E como  lhe dissessem: Mas Porquê? logo acrescenta: Para procriarem os filhos, para serem mães de família.”

Para apreciar a grandeza deste benefício de Deus e a excelência do matrimónio, basta considerar a dignidade do homem e a sublimidade do seu fim. Na verdade o homem ultrapassa todas as outras criaturas visíveis, mesmo só pela excelência da sua natureza racional. Acrescente-se que Deus quer as gerações dos homens, não só para que eles existam e encham a Terra, MAS PARA QUE HONREM A DEUS, O CONHEÇAM, O AMEM, E O GOZEM ETERNAMENTE NO CÉU; em consequência da admirável elevação realizada por Deus, do homem à Ordem Sobrenatural, este fim ultrapassa “tudo o que os olhos vêem, os ouvidos ouvem, e o coração do homem pode conceber” (ICor 2,9). Por isso se vê fàcilmente quão grande Dom de bondade Divina, e que precioso fruto do matrimónio é a prole, concebida pela virtude omnipotente de Deus, com a cooperação dos esposos.

Os pais cristãos compreenderão, além disso, QUE NÃO SÃO SÓ CHAMADOS A PROPAGAR E CONSERVAR NA TERRA O GÉNERO HUMANO; MAS PRINCIPALMENTE A EDUCAR ADORADORES DO VERDADEIRO DEUS, E A SUBMINISTRAR FILHOS À IGREJA, A PROCRIAR CONCIDADÃOS DOS SANTOS E MEMBROS DA FAMÍLIA DE DEUS (Ef 2,19); a fim de que o povo, dedicado ao culto do nosso Senhor e Salvador, cresça cada dia mais. E embora os cônjuges cristãos, por mais santificados que estejam, não possam transmitir a sua santificação aos filhos; e apesar de, pelo contrário, a natural geração seja veículo de morte, pelo qual se transmite à prole o pecado original, no entanto, participam, de algum modo, naquela primeira união no Paraíso Terrestre, pertencendo-lhes oferecer a sua prole à Igreja, a fim de que esta mãe fecundíssima de filhos de Deus a regenere pela água purificadora do Baptismo para a Justiça Sobrenatural, e a torne membros de Cristo, participantes da Glória, À QUAL TODOS ASPIRAMOS DO ÍNTIMO DO CORAÇÃO.»

Como diz a encíclica, todos os homens são chamados a conhecer, amar, e servir a Deus, neste mundo, e glorificá-l’O para sempre na Eternidade. NENHUM HOMEM VEM AO MUNDO POR ACASO, POIS PARA TODOS E PARA CADA UM EXISTE UM PROPÓSITO DIVINO.

A vida natural constitui um Dom de Deus, pois que todo o universo visível, sendo criado para maior Glória de Deus, deve contudo servir ao homem na proclamação racional e formal dessa mesma Glória. O mundo visível não é Deus, mas reflecte as perfeições Divinas e arrebata, OU DEVE ARREBATAR, o nosso amor a Deus, na Ordem Natural e na Ordem Sobrenatural. Quando a Santa Madre Igreja anuncia o mundo como o inimigo fundamental da alma, trata-se, evidentemente, do mundo NO PLANO ESSENCIALMENTE MORAL!

Quando a alma fiel se encontra esmagada, cilindrada, pela imensa maioria de pessoas más, que a discriminam negativamente, que a julgam severamente, que a caluniam, deverá contudo, não só oferecer a Deus Nosso Senhor os seus sofrimentos, mas ainda considerar a sua própria vida, enquanto tal, UM DOM, UMA DÁDIVA DE DEUS, NA ORDEM NATURAL E NA ORDEM SOBRENATURAL, NA MEDIDA EM QUE CADA PESSOA É ABSOLUTA E METAFÌSICAMENTE ÚNICA; E A MAIOR PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS DEVERÁ ASSIM A ALMA ENUNCIÁ-LA: SE EU EXISTO, ENTÃO DEUS EXISTE.

É legítimo a alma fiel não gostar da vida, enquanto que é um verdadeiro suplício viver num mundo moralmente mau; todavia a própria existência da alma fiel cumpre um desígnio Providencial que ninguém pode renegar sob pena de condenação Eterna.

O individualismo, o evolucionismo, e o marxismo, preconizando todos o materialismo, não podem deixar de considerar as pessoas humanas, no seu conjunto e singularmente, em última análise, como frutos das propriedades físico-químicas da matéria, em evolução absolutamente cega. Por outro lado, o protestantismo, o modernismo, e a seita anti-Cristo que saiu do Vaticano 2, destronam a Deus, colocando no pedestal um mau homem arvorado em “deus”.

Ao contrário das afirmações inqualificáveis de Bergoglio, quem não crê, verdadeiramente, em Deus Nosso Senhor, Uno e Trino, o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, NÃO PODE SER, VERDADEIRAMENTE, UMA BOA PESSOA; pode, sem dúvida, na Ordem Natural, praticar boas acções nessa Ordem, todavia não salutares, visto não aproveitarem à Salvação Eterna, nem glorificarem formalmente a Deus; pois que o nosso destino Sobrenatural é absolutamente gratuito da parte de Deus e estritamente obrigatório da parte do homem. Bergoglio renega formalmente a Ordem Sobrenatural, amputanto grotescamente a própria Ordem Natural; para ele, “deus” não é mais do que a humanidade em evolução vital e cultural; e isto é tanto mais verdade, que o mesmo Bergoglio aprecia invocar uma suposta “EVOLUÇÃO DE DEUS,” opondo o “deus” antigo, ao “deus” pretensamente correspondente à mentalidade moderna. E acrescenta Bergoglio, que os maiores crimes da humanidade foram cometidos em Nome de Deus, exactamente o que a Maçonaria Internacional sempre proclamou. Nem Giordano Bruno, muito justamente executado em 1600, expeliu tanta apostasia, como Bergoglio, usurpando o Sólio Pontifício.

Ao contrário do que habitualmente se pensa, não existe qualquer diferença essencial entre Bergoglio, e Wojtyla, e Ratzinger; os princípios ateus são os mesmos, diferindo sòmente no facto de Bergoglio haver deixado cair completamente a máscara.

Vivemos num mundo e numa civilização, onde a quase totalidade dos homens, na sua vida, se comportam como “pequenos deuses,”sem o menor conceito de Verdade Objectiva, sem a menor recordação do que possa constituir viver à sombra da Sacrossanta Lei Divina, vivê-la como Fonte da Verdadeira felicidade, vivê-la como a única Sabedoria, àquela que não depende, nem da nossa inteligência natural, nem dos diplomas e das hipócritas convenções humanas; nada disso ilumina a nossa paupérrima civilização, a PRIMEIRA GRANDE CIVILIZAÇÃO PÓS-CRISTÃ.

E não se afirme que os muçulmanos ainda possuem o que falta ao Ocidente apóstata; efectivamente, alá, é objectivamente um demónio; FUNDAMENTALMENTE, É NECESSÁRIO PROCLAMAR ALTISSONANTEMENTE, QUE O ISLÃO NÃO CONHECE, NEM AMA, O VERDADEIRO DEUS, NEM POSSUI QUALQUER NOÇÃO DO QUE SEJA A BENÇÃO IMENSA DE CUMPRIR OS MANDAMENTOS DA LEI DIVINA; MUITO PELO CONTRÁRIO, O CONCEITO QUE OS MUÇULMANOS POSSUEM DO PARAÍSO – É CARNAL! Cumpre igualmente assinalar a grande tendência do homem muçulmano para o homicídio e a violação e escravização da mulher; é de sublinhar outrossim, como a maçonaria internacional jamais se preocupou com o Islão, aliando-se, se for preciso, com ele, sempre contra a Santa Madre Igreja. Neste quadro conceptual, a existência do Islão não retira o carácter ateu à actual civilização.

Os homens que fazem da sua vida um motor de busca de gozo infrene, despojada de qualquer Princípio Ordenador Transcendente, SÓ SE PODEM COMPORTAR SOCIALMENTE ENQUADRADOS PELO MEDO DA POLICIA. E precisamente aqui surge uma questão muito grave: Na grande maioria dos casos não há qualquer diferença essencial entre o polícia e o ladrão, pois foram vicissitudes acidentais que os determinaram num ou noutro sentido; o polícia podia perfeitamente ser ladrão, e o ladrão podia perfeitamente ser polícia. Logo, o medo da polícia não constitui, de forma alguma, dissuasor absoluto, tudo dependendo, em última análise, da relação das forças em presença.

Se a vida humana se constitui e resolve apenas neste desgraçado mundo, então a única diferença entre o Bem e o mal residirá no arbítrio do mais forte e na constituição bio-social do indivíduo; se não nos encontramos na Terra, por vontade Divina, por havermos sido criados por Deus Nosso Senhor, O Qual pretende provar, neste mesmo mundo, a nossa fidelidade e o nosso amor Sobrenatural para com Ele; se não existem Mandamentos, que como expressão luminosa da Razão Divina, nos deverão conduzir à mesma Felicidade Divina Sobrenatural, mesmo ainda cá na Terra, se não – ENTÃO VALE TUDO; EXACTAMENTE SEGUNDO O EXEMPLO DA SEITA BERGOGLIANA, SÍNTESE ACABADA DE NIILISMO, PEDERASTIA, DROGA E EUTANÁSIA.

Toda a criatura intelectual de Deus, pelo mesmo facto de ser criada, de ser obra de Deus, possui em sua existência uma santidade ontológica, a qual, precisamente, exigirá um castigo eterno, caso a mesma criatura não proclame, operativamente, a Glória extrínseca e formal de Deus Nosso Senhor. Observamos assim, o quanto a nossa vida é transcendentalmente preciosa: SOMOS OBRA DE DEUS, FOI DEUS QUE NOS FEZ EXISTIR, QUE NOS TIROU DO NADA, SEGUNDO O MODELO ETERNO E INCRIADO DAS ESSÊNCIAS IMUTÁVEIS. Já pensámos nisto?  

Certo pseudo-rigorismo de tendência jansenista defende que a nossa vida tem que expulsar toda e qualquer forma de actividade lúdica, toda e qualquer gratificação. Mas pensa mal, caindo no pecado da insensibilidade, verberado por São Tomás, que se consubstancia na recusa dos benefícios sensíveis que o recto e ordenado uso da natureza nos pode, legìtimamente, proporcionar, a cada um segundo o seu estado. Efectivamente, a natureza está ao nosso serviço, mas devemos utilizá-la SEMPRE SEGUNDO OS NOSSOS FINS ETERNOS E SOBRENATURAIS: A GLÓRIA DE DEUS E A SALVAÇÃO DAS ALMAS.  

Aliás, a experiência e a História sempre demonstraram que esses pseudo-rigoristas são quase sempre os primeiros a cair nas piores aberrações.

O segredo de uma vida na presença de Deus Nosso Senhor, sedimenta-se claramente no EQUILÍBRIO, na exacta medida em que o extremo formal de uma virtude não coincide, quase sempre, com o seu extremo material. É à PRUDÊNCIA, natural e sobrenatural, virtude intelectual em meio moral, que compete, com o auxílio de Deus, determinar, nas vicissitudes do quotidiano, as acções, ou omissões, que glorificam mais a Deus, ao mais eficazmente ilustrarem o Tesouro do conjunto das virtudes.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 25 de Outubro de 2015

2 Respostas para “A VIDA COMO DOM DE DEUS

  1. Jacob outubro 29, 2015 às 1:23 am

    “Vivemos num mundo e numa civilização, onde a quase totalidade dos homens, na sua vida, se comportam como “pequenos deuses,”sem o menor conceito de Verdade Objectiva, sem a menor recordação do que possa constituir viver à sombra da Sacrossanta Lei Divina, vivê-la como Fonte da Verdadeira felicidade, vivê-la como a única Sabedoria, àquela que não depende, nem da nossa inteligência natural, nem dos diplomas e das hipócritas convenções humanas”

    Na nossa civilização pós-cristã, as pessoas em geral ignoram por que existem. Mais do que isso: sabem que o ignoram e não se importam com isso. Tudo parece feito “sob medida” para afastar o homem de pensar no sentido da vida. Quem o faz publicamente, vira alvo de zombaria e é taxado de louco!

    Mas o sentido da vida é, na verdade, muito simples. Um pequeno catecismo que encontrei num alfarrabista – anterior a 1958 – tem esta como a primeira pergunta a que responde: Para que vivemos nesta terra? – Vivemos nesta terra para conhecer, amar e servir a Deus e assim salvar nossa alma. Orientar-se a este fim, mesmo nas ações mais simples do cotidiano, é a verdadeira Sabedoria.

    Sendo assim, deixemos de lado a falsa sabedoria humana que não concorre para o conhecimento, a obediência e o amor a Deus. Comecemos a ler mais o catecismo – bons e antigos catecismos – as Escrituras (sempre à luz do catecismo), livros de piedade, biografias de santos, os Padres e os Doutores, documentos eclesiásticos, bons e antigos manuais de teologia. E busquemos colocar em prática esta Sabedoria, aprendendo a orar, meditar e amar e servir a Deus até nas menores ações.

    Uma alma ávida por leituras encontrará aí material para ocupar toda a vida.

    E, contudo, quantos católicos há que se apegam ao estudo de doutrinas e leitura de autores que pouco ou nada têm a ver com o que ensinaram Nosso Senhor Jesus Cristo e a Igreja. Encontra-se católicos simpáticos ao maometanismo, ao judaísmo, a falsas filosofias. Há quem se apegue com fervor à leitura dos chamados “clássicos”, entre os quais abundam autores iluministas, pagãos, ateus…

    De que serve a “sabedoria” que se extrai daí? Se os santos são exemplos de vida a seguir, mostrem-me quantos se destacaram pelo apego a essas leituras. Entre os santos há gênios e analfabetos, reis e mendigos, guerreiros e enfermos, crianças e anciãos… encontra-se de tudo, menos quem tenha se destacado por estudar essas coisas. Que sabedoria, pois, pode alguém – ainda mais um católico – esperar tirar daí? E se há alguma, não se encontrará ela em grau infinitamente maior na Igreja, e não misturada no erro?

    • Pro Roma Mariana outubro 29, 2015 às 4:02 pm

      Tem absoluta razão, dizia Santa Teresa de Avila: “Repara bem como os homens mudam e como podemos confiar pouco neles; portanto agarra-te a Deus que é imutável, e que jamais te abandonará quando todos te tiverem abandonado.”
      Alberto Neves Cabral

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