Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O PODER DA ORAÇÃO NA NOSSA RELAÇÃO COM DEUS NOSSO SENHOR

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em passagens da sua encíclica “Octobri Mense”, promulgada em 22 de Setembro de 1891:

«Os ataques à Igreja não são, certamente, uma novidade para a Igreja militante. Pois, após o aviso que Cristo deu aos Apóstolos, sabe que para ensinar aos homens o caminho da Verdade e guiá-los à salvação Eterna, deve entrar em campo e iniciar o combate. Na verdade, ela durante os séculos, lutou sempre corajosamente, até ao martírio, julgando a sua principal alegria e glória poder misturar o seu sangue com Aquele do seu Fundador, no qual está depositada a esperança segura da vitória prometida.

Por outro lado, não podemos esconder o sentido profundo de tristeza que invade os melhores nessa contínua tensão de batalha. Com efeito, é motivo de tristeza imensa ver o grande número dos que são arrastados para longe e empurrados para o abismo  pela perversidade dos erros e por essa atitude insolente contra Deus; o grande número dos que, pondo no mesmo nível toda a forma de religião, parece que estão próximos a abandonar a Fé Divina; o grande número dos que são cristãos só de nome, e não cumprem os deveres da sua Fé. E nos molesta e atormenta ainda mais o ânimo, considerar que a causa principal desses perniciosos e lastimáveis males, está na exclusão completa da Santa Igreja dos ordenamentos sociais, e ao mesmo tempo, a hostilidade propositada à sua influência salutar. NISSO DEVEMOS RECONHECER UM CASTIGO DE DEUS, GRANDE E MERECIDO, O QUAL CEGA MISERÀVELMENTE AS NAÇÕES QUE SE AFASTAM DELE,

Esse estado de coisas demonstra com evidência sempre maior o quanto seja necessário que os católicos rezem e invoquem a Deus, com fervor e perseverança, “sem nunca cessar,” (ITess 5,17), não sòmente em particular, mas ainda mais em público. Reunidos nos Templos Sagrados, roguem, queira Deus, na Sua Bondade infinita, libertar a Sua Igreja de “homens ímpios e perversos” (IITessa 3,2) e reconduzir os povos no caminho da Salvação e da Razão, na Luz e no Amor de Cristo.

Espectáculo incrível, e maravilhoso!  Enquanto  o mundo anda no seu caminho atribulado, confiando nas suas riquezas, na sua força, nas suas armas e no seu engenho, a Santa igreja, com passo rápido e seguro,  atravessa os séculos, pondo a sua confiança sòmente em Deus, para O Qual, de dia e de noite, levanta o olhar, e apresenta as mãos suplicantes. Porque ela, sem desprezar, na sua prudência, os socorros humanos que os tempos lhe oferecem, por Bondade Divina, contudo não é nesses meios  que depõe a esperança principal, MAS NA ORAÇÃO COLECTIVA E INSISTENTE, LEVANTADA AO SEU DEUS. Ela alimenta e fortifica a sua vida, a partir dessa fonte, porque por meio de uma oração assídua, elevando-se acima dos acontecimentos humanos, e mantendo-se constantemente unida a Deus, É-LHE CONCEDIDO VIVER TRANQUILA E SERENA DA PRÓPRIA VIDA DE CRISTO. E NISSO, ELA É A IMAGEM FIEL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, AO QUAL O HORROR DOS TORMENTOS, PADECIDOS PELO NOSSO BEM, EM NADA DIMINUIU, NEM TIROU, DA LUZ BEATÍSSIMA, E DA FELICIDADE QUE LHE SÃO PRÓPRIAS».

 

 

A virtude da Religião é aquela que nos conduz e acalenta na oblação a Deus Nosso Senhor, dos nossos sacrifícios, das nossas orações, das vicissitudes tristes e humilhantes de toda a nossa vida penitente; sendo estas nossas oblações santificadas e consagradas pela sua união ao Santo Sacrifício do Altar. Efectivamente, Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, SUBSTANCIALMENTE SACERDOTE, e VÍTIMA, ofereceu na Cruz um Sacrifício de valor Infinito, como só pode oferecer uma Pessoa de Dignidade Infinita, que vinculou ontològicamente realidades tão infinitamente distantes, no plano Metafísico, como são Deus e o homem.  O tesouro dos Mistérios Sobrenaturais é, aliás, precisamente este: Conceder ao homem uma participação, acidental, mas real, nos Bens Divinos.

A Oblação cruenta da Cruz, renovada incruentamente no Santo Sacrifício da Missa, constitui a expressão suprema do ACTO ABSOLUTO DE RELIGIÃO; e consequentemente todas as nossas orações e sacrifícios, para serem formalmente aceites por Deus Nosso Senhor, têm que ser regados pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Um modernista, na realidade, não pode rezar; pois carece de objecto transcendente; exactamente o mesmo acontece aos protestantes liberais.  As orações islâmicas, salvo casos excepcionais, são dirigidas conscientemente a um demónio, portanto não constituem orações – MAS MALDIÇÕES!. Todavia, as orações dirigidas a Deus, enquanto conhecido e amado apenas na Ordem Natural, POR UM SUJEITO NÃO BAPTIZADO, com o auxílio da Graça Medicinal, constituem verdadeiras orações, conquanto só possam ser aceites por Deus, MATERIALMENTE, pois que não há salvação na Ordem Natural.

Embora seja mais perfeito solicitar a Deus apenas Bens Sobrenaturais; é perfeitamente lícito pedir também bens naturais, desde que sobrenaturalmente iluminados. Contudo devemos solicitar sempre Graças a Deus segundo a Sua Providência Ordinária, e não segundo a Sua Providência Extraordinária, e menos ainda segundo a Sua Providência milagrosa, Física ou Moral. Quando imploramos algo a Deus, nunca devemos pensar que podemos alterar os decretos Divinos com que Deus Nosso Senhor, na Sua Santa Providência, governa o mundo; não; tais decretos são Eternos, Absolutos e Imutáveis; simplesmente, na Inteligência Divina, a Ideia Eterna da Criação, comporta necessàriamente todas as realidades passadas, presentes e futuras, incluindo as nossas súplicas, todas as súplicas, que como se sabe, possuem todas como Mediadora Universal e necessária junto de Deus Nosso Senhor, a Bem-Aventurada sempre Virgem Maria Nossa Senhora. Consequentemente, todos os decretos Divinos já têm em linha de conta, com perfeita proporção transcendental, toda a compreensão da Providência sobre a Criação. Quando invocamos a Omnipotência Divina, nas nossas orações e nas nossas solicitações, podemos realizá-lo segundo uma concepção de Providência Ordinária e comum das disposições Eternas de Nosso Senhor; e deverá ser sempre esse o nosso propósito fundamental, como ficou dito. Mas porque Deus não governa o mundo através de milagres – o qual seria mesmo subversivo do recto conceito de Providência – nunca devemos “pedir milagres” nem mesmo milagres morais, SALVO SITUAÇÕES LIMITE, como seria a conversão de uma pessoa moribunda. É evidente que mesmo neste caso, o decreto Divino para o milagre possuiria comensurabilidade transcendental plena com qualquer solicitação que nesse sentido fosse proferida, no quadro da Providência Eterna de Deus Nosso Senhor.

Devemos assinalar que a relação da criatura com Deus é transcendental, visto que esta, na sua existência, depende totalmente de um Acto Criador de Deus, e no que concerne à sua essência, esta É em Deus, como integrando a riqueza Infinita e Incriada de Deus Uno e Trino, sempre manifestável extrínseca e contingentemente na Criação. Mas por isso mesmo, a relação de Deus com a criatura é de Razão, visto que o ser da criatura em nada acrescenta ao Ser Divino, manifestando-O, contudo, na forma de existência extrínseca, como ficou dito.

É uma tremenda falsidade desdenhar a consagração quotidiana da nossa vida a Deus, argumentado que nós, pobres criaturas, nada podemos oferecer a Deus Infinito; isso implica o desconhecimento total da economia Sobrenatural. Podemos ler no Livro do Profeta Isaías: “Assim como a chuva a a neve que caem no solo não voltam a subir sem primeiro o fecundarem, facultando o crescimento da semente e o alimento ao homem; assim a Palavra de Deus que desce à Terra (pela Revelação) não volta a subir (pela Oração) sem primeiro ter feito frutificar (Sobrenaturalmente) os corações” (Is 55, 10-12). Sem dúvida que o homem não pode ofertar nada a Deus que de alguma forma  d’Ele não provenha; MAS ESSA É PRECISAMENTE A ECONOMIA DA SALVAÇÃO, POIS QUE A ORDEM SOBRENATURAL É ABSOLUTAMENTE GRATUITA DA PARTE DE DEUS, E É SOBERANAMENTE OBRIGATÓRIA DA PARTE DO HOMEM, SOB PENA DE CONDENAÇÃO ETERNA.

Também revela grave incompreensão das coisas de Deus, considerar que é inútil operar, agir, porque Deus nos Seus decretos Eternos, já tem tudo pré-estabelecido. São Tomás ensinava: “Não te preocupes se és ou não predestinado – AMA A DEUS SOBRENATURALMENTE SOBRE TODAS AS COISAS E AO TEU PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS, E SERÁS PREDESTINADO”.

O Dom do Espírito Santo da Piedade enriquece a virtude da Religião, aprimorando a nossa consagração a Deus, a nossa familiaridade Sobrenatural com Deus. Os santos facultam-nos o exemplo daqueles que só encontrando nos homens, inconsequências, vilanias e traições, surpreenderam na Riqueza Infinita do Deus Santo, não apenas a razão última da sua existência, mas o fundamento Incriado e Imutável da sua perfeição moral; a bússola orientadora dos caminhos a trilhar e do Fim Absoluto a atingir, pois que as criaturas só na intimidade orante do seu Criador podem disfrutar daquela Paz, daquela contemplação, das próprias essências puríssimas e inalteráveis, modelo Incriado de todas as maravilhas da Criação.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 6 de Novembro de 2015

 

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7 Respostas para “O PODER DA ORAÇÃO NA NOSSA RELAÇÃO COM DEUS NOSSO SENHOR

  1. maria alcina novembro 9, 2015 às 10:44 am

    Bom dia a todos do site, preciso da ajuda de vocês, não é a primeira vez que escrevo, mas essa em especial é preocupante, nunca me decidi pelo tradicionalismo na Igreja, mas diante dos fatos…, nesse fim de semana participei de um retiro da Igreja católica com um pessoal: freiras e consagrados da Comunidade Sementes do Verbo de Palmas- TO; COMO EM TODO ATUAL RETIRO DE NOSSA IGREJA houve um momento ou vários da famosa orações em língua e para minha surpresa foi revelado a mim que Deus me chamava para a vida consagrada, quase caí para trás, pois, não acho que tenho perfil de uma religiosa, como fiquei perplexa perguntei a outra freira o que queria dizer isso e ela disse que não era necessário seguir a vida religiosa mas que Deus queria dizer outra coisa; diante dessa confusão preciso de um padre TRADICIONALISTA que possa me ajudar, vocês conhecem algum, de preferência que more em Brasília? É o lugar mais perto da minha cidade.Preciso saber se a oração em línguas é algo da Igreja de sempre, por favor me respondam.

    • Pro Roma Mariana novembro 11, 2015 às 9:09 am

      Prezada amiga, daqui de Portugal não sabemos quem indicar-lhe em Brasília. Talvez em Anápolis. Quanto ao falar em línguas, há grupos carismáticos que pensam que o evento de Pentecostes se repita hoje quando invocado. Isto já ocorreu até ao nível de sínodos conciliares mas ignorando que o Pentecostes foi único como manifestação do Espírito Santo para formar a Igreja nascente. Quanto a uma chamada para consagrar a vida, que não é o mesmo que se entende por vida consagrada, é intenção que todos nós batizados devemos ter, propósito renovado na Crisma. Da Igreja verdadeira temos tudo; das novas só confusões.

    • Jacob novembro 11, 2015 às 11:23 pm

      Cara Maria Alcina,

      Há que ter muita prudência!

      Não se deixe levar por êxtases. Ainda mais considerando o lugar onde você diz ter recebido a dita revelação: um encontro de “carismáticos” que praticam aquele exercício grotesco que chamam de “falar em línguas”! Parece-me que o demônio tira muitíssimo proveito disso. Se essa prática que chamam de “falar em línguas” fosse de Deus Nosso Senhor, a Igreja, em mais de dezenove séculos, já a teria aprovado. Mas isso é só mais uma febre que se espalhou entre os fiéis após a tomada do Vaticano pelo clero modernista. O legítimo dom de línguas, como mencionado acima, é um dom especial e raro, muito concedido por Deus aos apóstolos no tempo das primeiras evangelizações, para que pregassem a outros povos.

      Eu ficaria longe desses lugares. Você não tem nada a ganhar perto de quem balbucia, grunha e geme ininteligivelmente, e de propósito! Pois a maioria ali está apenas fingindo. E quem sabe se ali não haverá possessos! Lembro-me de ter lido algo sobre os sinais da possessão demoníaca, sendo um deles justamente o falar em línguas desconhecidas.

      Há que buscar a sobriedade e a discrição.

      Fique com Jesus, Maria e José.

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