Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

ANTHONY BURGESS e o PODER DAS TREVAS no VATICANO

satanismo islâmico

Jp2 Korao

Qual poder em nome deste mesmo livro

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Les puissances des ténèbres-750x750Reproduzo aqui parte da longa entrevista concedida por Anthony Burgess a Sophie Lennes, do L’Express, por ocasião do lançamento de sua última obra, «O Poder das Trevas», entrevista cuja tradução portuguesa – provavelmente de Lenildo Pessoa – foi publicada pelo «O Estado de São Paulo»  (10 de janeiro de 1982).

A intenção é apontar para o extremo mal causado por quem guia multidões esternando atitudes que passam por bondosas, mas são frutos do pelagianismo, tortuosa heresia que nega o pecado original e o poder necessário da Graça divina para saná-lo, é engano ainda sinuosamente dominante no mundo leigo e clerical católico.

Burgess, famoso autor mundano mas de formação católica, fala do que detectou nada menos que em João 23, primeiro «papa conciliar», paradoxalmente dito «papa bom» e incrivelmente «canonizado» pela nova Igreja do Vaticano 2.

Hoje, ao transparecer de  tantas atitudes semelhantes entre Roncalli (João 23) e o atual Bergoglio, vale a pena voltar à questão do «pelagianismo» através de Burgess. Isto não significa que a leitura do volumoso livro desse famoso autor, que aos 64 anos, “parece uma espécie de profeta irônico e bem-humorado” para sua entrevistadora, seja recomendável. Nem este nem outros, mas isto não ofusca o fato que um escritor mundano pode perceber e acusar com palavras fortes o mal de uma das heresias que vê difundida, da qual os «papas conciliares» sendo nela imbuídos, se tornam propugnadores!

Aqui vale como sempre o que ensina a «Imitação de Cristo»: não há que prestar tanta atenção em quem disse mas prestar atenção ao que foi dito. Segue a breve apresentação do Estadão.  *

  •   *   *

«Para Anthony Burgess, o autor do romance «Laranja Mecânica», o “mal também é criação de Deus” – e ninguém, no mundo atual, parece capaz de combatê-lo: “Até o papa é seu cúmplice”. As manifestações do mal no mundo, nos últimos 70 anos, são o tema do novo romance desse escritor, filósofo, antropólogo e pensador católico inglês. Em “O Poder das Trevas”, já saudado na Europa como “o livro do século”, Burgess opõe dois personagens, um papa, Carlo Campanatti, inspirado na figura de João XXIII, e um escritor homosexual, Toomey. No confronto entre os dois, a discussão sobre a essência do bem e do mal. «O Poder das Trevas», segundo os críticos, é uma severa condenação da Igreja nascida do Concílio Vaticano II. Pois, para Anthony Burgess a Igreja atual ”parece extremamente estúpida”. E João ‘XXIII teria sido “o homem mais perigoso que o século produziu”.

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Depois de 41 livros publicados – 25 de ficção – este é o primeiro a entrar numa lista de best-sellers. – Você contava com esse sucesso?

Isto não quer dizer lá muita coisa: há best-sellers e best-sellers. É possível – sendo as editoras de hoje o que são – que os tais best-sellers ainda estejam sendo lidos daqui a um século, quando todos os Camus ou Henry James já tiverem desaparecido. Chegamos ao ponto em que a longevidade de uma obra depende não dos seus méritos mas ‘de critérios comerciais, o que é terrível.

Então o seu livro tem apenas a aparência de um best-seller?

Em certo sentido é isso: usei a técnica do best-seller para escrever um livro sério. Claro que procurei divertir o leitor, mas, mais que tudo, tentei dar uma imagem do mundo que conheci, do ano do meu nascimento, 1917, até os nossos dias. Acho, cinicamente, que se o livro está vendendo bem nos Estados Unidos é porque é comprido. Os americanos não gostam de comprar livros que lêem num instante…

Não é o caso, na Inglaterra.

O livro foi bem recebido lá também, mas com certa desconfiança. Acho que foram poucos os leitores britânicos que entenderam do que é que se tratava. Aliás, isso também é verdade em relação aos meus outros livros. Eles são entendidos na Irlanda e na França, mas não na Inglaterra.

E do que é que trata o livro? Qual o seu significado profundo?

Dizem que um autor deveria ser capaz de resumir o assunto de um livro nas costas de um selo. É difícil, no caso deste meu livro. Ele trata de dois temas opostos, de duas formas de sucesso: o “sucesso terreno, de um escritor de êxito, e o sucesso espiritual de um papa. E os dois se tornam, pelo acaso de um casamento, aliados, membros de uma mesma famílla. Na verdade o livro fala das manifestações do mal no nosso mundo, da irrupção do mal no nosso século, e da nossa incapacidade em atacá-lo. Ninguém parece capaz de combatê-lo: os políticos o favorecem, os artistas mantêm-se afastados, e até os grandes homens da Igreja, como o papa, são seus cúmplices. Esta é a imagem do mundo tal qual o conhecemos, desde a Primeira Guerra Mundial, com o surgimento do nazismo, a escalada do fundamentalismo religioso nos Estados Unidos, o Concilio Vaticano II. E, é claro, a irrupção do sexo e dos imensos, problemas que ligados. Destina-se o sexo à procriação, à perpetuação da espécie? Ou, na espécie humana, é apenas um atributo curioso destinado ao prazer? Que diabo é o sexo? Ningμém o sabe.

Aliás, esta é a interrogação lancinante do seu personagem central, o escritor Toomey, narrador do “Poder das Trevas”.

Toomey é homossexual. E é católico. Sua fé e sua orientação sexual são inconciliáveis. A Igreja proíbe o homossexualismo. Donde, ele tem dois deuses, duas forças: uma que fez o que ele é, outra que o expulsa da Igreja, ou ordena-lhe que renuncie ao que é, se quiser nela permanecer. Portanto, ele é um excluído: não pode procriar e fundar uma família. Aos olhos da lei do seu pais, a Grã Bretanha, é um criminoso. Não lhe resta outra função senão escrever livros populares. Dilacerado por essa contradição, ele nao se sente no direito de formular julgamentos de ordem ética, e sua vida reduz-se ao que Dante chama de “a grande recusa”. Ele se recusa a intervir nos assuntos deste mundo, de interferir nos debates, quando se trata de deduzir uma lei moral. O papa, Carlo Campanati, seu cunhado, está mergulhado na ação, condenado a trabalhar em prol do que considera o bem. E, assim fazendo, torna-se responsável por certos atos que engendram o mal. Assim, realizando um milagre, ele cura uma criança que irá tomar-se chefe de uma seita religiosa fanática, como a do reverendo Jim Jones, que em 1978, na Guiana, levou 900 pessoas ao suicídio. Daí a pergunta: devemos intervir para tentar modificar o curso das coisas? Ou será melhor ficarmos afastados?

Uma pergunta que é também a sua?

Será que o ser humano pode fugir de certas responsabilidades? Quem as rejeita se abstém de fazer o mal, quem as aceita pode cometê-lo. É perigoso mas sem dúvida necessário intervir, no domínio ético. O bem e o mal não são dois times de futebol que se enfrentam em um campo: na verdade, eles estão terrivelmente entrelaçados. É provavelmente mais seguro ficar de fora, mas será que é segurança o que queremos? É preciso que assumamos o risco, agindo, de sermos danados. Foi porque ele agiu que querem fazer do meu papa um santo, ainda que, agindo, ele tenha cometido o mal.

É o problema básico do livre arbítrio.

Toomey acha que isso não existe. Não lhe foi perguntado se queria ser homossexual. Já Carlo Campanati crê profundamente no livre·arbítrio. Temos o direito de escolher, mas, sendo criaturas de Deus, só podemos escolher o bem. O mal, que ainda assim existe, existe fora de nós. chamemo-lo de diabo, príncipe das potências do ar, ou poder das trevas; ele não é criação do homem. Penso, quanto a mim, que também é criação de Deus. Quando Campanati diz que “o homem é livre, mas o homem é bom”, são dois dados contraditórios. Creio, pessoalmente no livre arbítrio. Acredito que temos o poder de escolher entre o bem e o mal no sentido mais amplo, no sentido moral desses termos, e que não se trata simplesmente de escolher entre fazer o bem e fazer o mal.

Você falou da irrupção do mal no nosso século. Então o mal nem sempre existiu?

Claro que sim, mas acho que houve períodos especialmente no século passado, em que tínhamos uma visão tão mecanicista do desenrolar da História que não estávamos prontos a aceitar a idéia de que o bem e o mal são forças absolutamente autônomas, que existem fora do homem e da mulher, fora do mundo e que participam na evolução da História. Começamos a perceber isso apenas com a escalada do nazismo, que é o exemplo mais evidente da irrupção dessas forças do mal. Não podemos dizer que os nazistas se equivocaram, que suas intenções eram más. É muito mais que isso. O extermínio dos judeus foi uma manifestação do mal em si. Temos certa reticência em empregar esse termo, que invoca conceitos ultrapassados, como se acreditar no mal obrigasse a acreditar num demônio de chifres e rabo. Mas quando, durante a guerra do Vietnã, o tenente Calley mandou massacrar os habitantes da aldeia de My Lai, a revista Time, pela primeira vez na história da Imprensa, usou esta expressão: “Só podemos explicar esse ato como sendo uma manifestação do mal” -, indicando assim que existe, nitidamente uma força voltada à destruição, cuja única razão de ser é destruir por destruir.

E seria esta uma força nova?

A História conheceu épocas terríveis: a guerra dos Trinta Anos, o Massacre de São Bartolomeu, o Terror. Mas jamais um historiador as interpretou como uma irrupção do mal. Sempre se julgou que, em suas tentativas para construir uma sociedade melhor, era inevitável que o homem, para fazer uma omelete, quebrasse os ovos. Foi apenas por volta de 1945 que se começou a crer na existência de uma força sobrenatural à qual o homem se alia para destruir, ou que deixa que se instale nele. Mas é perigoso crer, como o nosso personagem Carlo Campanati, que existe apenas essa forma de mal, exterior ao homem, e que o homem, criação de Deus, não pode ser habitado pelo mal. Foi isso que permitiu a Charles Manson, o assassino de Sharon Tate, atirar a responsabilidade do seu ato sobre o demônio: “Sou inocente, foi o Diabo que agiu por minha mão”. 

Há duas maneiras, portanto, de cometer o mal?

O próprio Carlo Campanati não percebe isso. O mal, aliás, não se manifesta necessariamente sob a forma extrema do holocausto de judeus ou de um ato contrário à lei. Se alguém, em um concerto onde estão sendo tocados os últimos Quartetos de Beethoven, faz deliberadamente um ruido obsceno, isto também é uma manifestação do mal. Vemos hoje em dia o mal manifestar-se com maior evidência junto aos jovens – e não por acaso. Os jovens têm uma vitalidade, uma energia, que, não tendo ainda sido canalizada no sentido da criação, se expressa na destruição.

Você evocou o nazismo. E Hiroshima? _

Esse é um dos casos mais difíceis de discutir. Dizem que os Estados Unidos fizeram bem em lançar aquela bomba, porque ela pôs fim à guerra, poupando assim milhares de outras vidas. Pessoalmente, adiro a posição tradicional dos jesuítas, segundo a qual o fim não justifica os meios. Hiroshima foi um ato de destruição pura e simples, e qualquer que tenham sido os seus motivos, uma manifestação do mal.

Carlo Campanati acha que do mal pode vir o bem?

Talvez. Pessoalmente, não acredito nisso. Quando ele reencontra Toomey em 1918, ele se rejubila porque a guerra terminou, mas acrescenta, apesar disso, que a guerra foi um meio de fazer emergir o que há de bom no homem: coragem, espírito de sacrifício, solidariedade, amor aos camaradas. Donde a questão fundamental: “Será preciso escolher deliberadamente um mal, a pretexto de que dai pode resultar um bem?”. Se for assim, é o caso de desejar imediatamente uma nova guerra.

“O Poder das Trevas” é uma severa condenação da Igreja nascida do Concílio Vaticano II.

– Carlo Campanati é João XXIIl. No meu livro, ele sobe ao trono papal no mesmo dia que João XXIII, e morre no mesmo dia que ele. João XXIII é, para mim, o homem mais perigoso que o século produziu. E, naturalmente, querem transformá-lo em santo! Quando morava em Roma, escrevi um artigo onde dei um bom número de argumentos contra a sua canonização. O Vaticano levou-os tão a sério que o artigo foi incluído no dossiê do “advogado do diabo”, constituído para o processo de canonização. Muita gente, aliás, já chegou à conclusão de que ele foi um homem perigoso. Eu mesmo constatei danos terríveis dos quais ele foi o responsável, especialmente nos Estados Unidos. Vi, lá, padres desesperados, perdidos, não sabendo mais o que eram, nem totalmente homens nem totalmente santos. Não sabendo mais no que crer, onde se situar, sequer sabendo o que significava Deus. Obrigados a usar paletó e gravata, como as freiras de minissaia. Vi muita gente deixar a Igreja por causa disso. O final do meu livro, quando um poeta diz a Toomey: “Converta-se à Igreja Anglicana, é seguro e não compromete mais do que ser membro de um clube de críquete”, não é reflexo dos meus sentimentos pessoais, é a realidade.

Por que toda essa virulência contra João XXIII?

Por duas razões. Primeiro, porque ele pôs fim à idéia da universalidade da Igreja. Com ele a Igreja deixou de ser universal, tomou-se vernacular. Vivi em Malta, fui à missa em Malta, e não compreendi coisa alguma, porque a missa era rezada em maltês. A única palavra que eu reconhecia era o nome de Alá. Deus, o Deus dos cristãos, tinha-se tomado Alá. Há conceitos intraduzíveis em certas línguas primitivas. O Espírito Santo,

traduzido na língua dos índios americanos evoca-lhes um espírito mau, maligno, tabu. Da mesma forma a fórmula da comunhão: “Este é o meu corpo, este é o meu sangue”, traduzida nas línguas africanas perde o significado simbólico. Comer o corpo de Cristo, beber o seu sangue, são noções perigosas, quando interpretadas ao pé da letra por tribos que praticam o canibalismo.

O inferno cheio de boas Intenções!

O outro erro, outro perigo, é acreditar que o homem é bom e que tudo se resolve pelo amor. Com João XXIII, tudo é amor, o amor é tudo de que precisamos. Que perigo! Quem foi que disse “Ame, e faça tudo o que quiser”? Isso é a filosofia dos Beatles – e veja o que aconteceu com John Lennon. O homem que atirou nele justificou o seu ato pelo amor: “Foi porque eu o amava”. É essa perigosa inocência que caracterizava João XXIII.

É uma espécie de ingenuidade?

Sim. E inocência por falta de conhecimento, de saber, por incapacidade de compreender é sem dúvida o maior pecado. Culpo disso o abandono pela Igreja das forças intelectuais, o controle do espírito e da inteligência. Foi com João XXIII que começou a morte da razão. Um homem atira no papa. Por quê? Outro atira em Reagan. Por quê? Onde está a racionalidade disso tudo? Pode-se decidir da noite para o dia que o Estado está errado, e que o que era ilegal ontem se tomou legal hoje? Pode-se abandonar assim todo procedimento democrático, para mudar a lei? Vivemos, hoje, em pleno irracional.

Você faz com que Toomey e sua irmã Hortênsia digam, no fim do livro e de suas vidas: “No entanto, só queríamos fazer o bem”. É um modo de absolvê-los?

Sim, tudo saiu errado, mas as nossas intenções eram boas. É isso que eu diria, o que todo mundo diz para se justificar. E não é bastante. Não basta ter boas intenções, é preciso ter também o conhecimento. Da natureza do bem e do mal, da natureza de toda ação humana. Houve uma época, na história da Europa, provavelmente a melhor que ela conheceu, onde uma grande voz, um grande espírito, tinha as respostas. Isso foi na Idade Média, no século XIII, quando Tomás de Aquino, racionalista e santo, as expôs com clareza em sua “Suma Teológica”. Na época das catedrais, de Dante e de Tomás de Aquino, as pessoas sabiam em que se apoiar!

Podiam fazer o mal, matar, pilhar, violar, massacrar – mas pelo menos sabiam o que é que estavam fazendo. Hoje sequer sabemos onde estamos. O quadro intelectual, indispensável para construir um código de conduta, desapareceu. Em que acreditar? E por quais motivos? Ninguém sabe mais coisa alguma. Ora, o livre arbítrio nada significa se a nossa liberdade não se apóia no conhecimento dos limites dessa liberdade! Pode-se matar um cantor pop “porque o amamos”: coisa inconcebível no século XIII. Já se disse tudo, quando se classificou de louco o homem que atirou no papa ou que atirou em Reagan. Mas chegamos a um ponto em que não sabemos mais onde passa a fronteira entre a demência e a sanidade mental. João XXIII foi um dos homens que contribuíram para quebrar as nossas estruturas. E, contudo, o homem não tem outra razão de viver a não ser combater o mal.

E ele pode fazer Isso? Existe, para você a separação em dois mundos, o físico e o sobrenatural?

Sim, um mundo binário em que dois pólos são o nascimento e a morte. Apenas nascemos, e já começamos a morrer: essa é a contradição da vida. E acho que a mesma contradição deve existir no mundo sobrenatural. Deve haver uma correspondência entre os dois. Debruçamo-nos impensadamente sobre o sobrenatural sem saber o que iremos captar. Nem é que estamos em busca de Deus ou do Diabo, do bem ou do mal: não, pesquisamos ao acaso, para captar não importa o quê. Desde que seja sobrenatural, só pode ser bom, construir um mundo melhor. Só que pode, sim,’ ser pior, e é o que acontece nos Estados Unidos, com o renascimento religioso, e todos aqueles cristãos renascidos. Pode acontecer que eles estejam escutando a estação errada, assistam ao canal errado, captem a emissão errada, estejam num comprimento de onda equivocado. Esse perigo acaba de ser ilustrado por Norman Mailer, que conseguiu a libertação condicional de um criminoso, Jack Abbott, colocando-se como seu fiador. Você sabe o que aconteceu: apenas libertado, Abbott cometeu outro assassinato. Mailer parece considerar a capacidade de matar como sendo um dom sobrenatural. Os assassinos seriam “seres à parte”, dotados de qualidades especiais – o que não está desligado de certos aspectos do existencialismo francês.

Você não estaria pensando em O Estrangeiro”, de Camus?

Onde o herói se realiza, com efeito, através do assassinato que o faz ter acesso a um mundo que o ultrapassa. É um imenso perigo dos nossos tempos. Um chefe religioso crê estar em contato com Deus, e só encontra um mundo terrivelmente ambíguo – e isso sem a inteligência, o conhecimento, a capacidade de escolher. O assassinato, hoje, é sempre justificado em termos religiosos. Charles Manson cita o Apocalipse de S. João. Já que o assassinato é um ato gratuito, tem de ser de essência divina, sobrenatural. Um verdadeiro perigo.

Qual a estação de rádio sobrenatural que lhe parece mais seguro escutar?

A da Igreja tradicional de antes do Concilio Vaticano II, que soube acumular sabedoria e inteligência. A Igreja atual parece-me uma organização extremamente estúpida, à qual falta totalmente a inteligência. Todo teólogo que der sinais de inteligência é excomungado imediatamente. Carlo Campanati tem uma visão mais simples das coisas: Já que o mal é exterior ao homem, é preciso atacá-lo, boxear com ele, golpeá-lo. Há cenas extraordinárias de exorcismo no seu livro. Mas isso existe! A cena que se passa na Malásia não foi inventada: conheci lá um mágico, desses que conseguem fazer com que as pessoas morram, mediante certos feitiços. Na Grã-Bretanha recorre-se muito ao exorcismo. Um primo meu, o arcebispo de Birmingham, pratica-o com sucesso. Curiosamente, só funciona quando as palavras rituais são ditas em latim. Em inglês, em vernáculo, não funciona. O demônio é muito, muito conservador!

6 Respostas para “ANTHONY BURGESS e o PODER DAS TREVAS no VATICANO

  1. Jacob novembro 10, 2015 às 1:02 pm

    “Todo teólogo que der sinais de inteligência é excomungado imediatamente”

    É isso mesmo. Estupidez é sabedoria, e sabedoria é estupidez. O bem é mal e o mal é bem.

    Essa não é uma descrição figurativa, hiperbólica, da modernidade, mas literal! O clero de hoje prega aberta e descaradamente tudo o que foi condenado pela Igreja ao longo de de mais de dezenove séculos, e absolutamente NADA se faz contra eles. Muito pelo contrário…

    O último exemplo escandaloso disso, li num texto do padre (?) Anselmo Borges:

    http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/anselmo-borges/interior/a-pessoa-ser-em-tensao-4873797.html

    “O jesuíta J. Mahoney, que já foi membro da Comissão Teológica Internacional, escreveu de modo feliz: ‘Não se deve considerar a alma humana, constitutiva da pessoa, como se fosse um espírito puro infundido a partir de fora num receptáculo biológico no instante da concepção, mas referir-se a ela mais apropriadamente entendendo-a como um brotar ou emergir a partir do interior do próprio material biológico dado pelos progenitores, genuínos originantes pela sua parte, sem necessidade de ter de recorrer a uma intervenção divina quase milagrosa, para a produção de uma nova realidade.'”

    […]

    “A própria Bíblia tem uma concepção unitária da pessoa. Por isso, não se crê na imortalidade da alma, mas na ressurreição dos mortos, não no sentido da reanimação do cadáver, mas da plenitude da existência da pessoa toda em Deus.”

    Quer dizer: um padre que abertamente não crê que Deus crie as almas e as infunda nos corpos, de onde sairão no dia da morte e aos quais voltarão a unir-se no dia do Juízo?

    E nem da parte daqueles de índole mais “tradicional” se vê grande reação, mas, em geral, só pusilanimidade. Falam de forma tortuosamente vaga sobre a crise na Igreja e sempre “pisando em ovos”, como se diz; como um pai que fala de temas adultos com o filho, evitando ser explícito demais. Nunca citando nomes, nunca sendo devidamente precisos, pois temem faltar com o respeito humano e as excomunhões proferidas pelo clero herético. Mas não há que temer a excomunhão daqueles que se desligaram a si mesmos da Igreja! Há que amar a Verdade, que é Dues, acima de tudo.

    Pode isso tudo ser outra coisa senão o sinal da grande apostasia que precede o anticristo?

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