Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A CHANCELA DA CONTINGÊNCIA E A SUA PERVERSÃO OPERATIVA NOS INDIVÍDUOS

Marianne statua

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em passagens da sua encíclica “Libertas,” promulgada em 20 de Junho de 1888:

«Tal é, a principal de todas, a Lei natural, que está escrita e gravada no coração de cada homem, porque é a razão mesma do homem que lhe ordena a prática do Bem e lhe interdiz o pecado. Mas essa prescrição da razão humana não poderia ter força de Lei se ela não fosse orgão e intérprete de uma RAZÃO MAIS ALTA, À QUAL O NOSSO ESPÍRITO E A NOSSA LIBERDADE DEVEM OBEDIÊNCIA. Sendo, na Verdade, a missão da Lei, impor deveres e atribuir direitos, A LEI ASSENTA COMPLETAMENTE SOBRE A AUTORIDADE, ISTO É, SOBRE UM PODER VERDADEIRAMENTE CAPAZ DE ESTABELECER ESSES DEVERES E DE DEFINIR ESSES DIREITOS, CAPAZ TAMBÉM DE SANCIONAR SUAS ORDENS POR CASTIGOS E RECOMPENSAS; COISAS QUE NÃO PODERIAM, EVIDENTEMENTE, EXISTIR NO HOMEM, SE ELE SE DESSE A SI PRÓPRIO, COMO  LEGISLADOR SUPREMO, A REGRA DOS SEUS ACTOS. Disso se conclui, pois, que a Lei Natural, outra coisa não é senão A LEI ETERNA GRAVADA NOS SERES DOTADOS DE RAZÃO, INCLINANDO-OS PARA O ACTO E O FIM QUE LHES CONVENHA; E ESSA NÃO É SENÃO A RAZÃO ETERNA DE DEUS, CRIADOR E GOVERNANTE DO MUNDO. 

A essa regra dos nossos actos, a esse freio do pecado, a Bondade de Deus quis adicionar certos auxílios, singularmente próprios para defender e guiar a vontade do homem. O primeiro e mais excelente é o poder da Graça Divina, a qual, esclarecendo a inteligência, e inclinando incessantemente para o Bem Moral a vontade salutarmente reforçada e fortificada, torna ao mesmo tempo mais fácil e mais seguro o exercício da nossa liberdade natural. E seria afastar-se completamente da verdade, o imaginar, que por meio dessa intervenção de Deus,  os movimentos da vontade perdem a sua liberdade; porque a influência da Graça Divina alcança o íntimo do homem,  e harmoniza-se com a sua propensão natural, pois que tem a sua Fonte n’Aquele que é o Autor da nossa alma e da nossa vontade, e move todos os seres de maneira conforme à Natureza deles. Pode-se mesmo dizer que a Graça Divina, como observa o doutor Angélico, por isso mesmo que dimana do Autor da natureza, é maravilhosa e naturalmente apta para proteger todas as naturezas individuais, e para conservar a cada uma o seu carácter, a sua acção, e a sua energia.»

A contingência metafísica das criaturas radica na sua “abaleidade”, isto é, no facto das mesmas criaturas não encontrarem em si mesmas a razão da sua existência, não existirem por si mesmas, porque, caso contrário, seriam Deus, Cuja Essência Metafísica é precisamente a Asseidade. Efectivamente, nem um  Anjo pode dizer: “Eu sou o meu ser”. Por aqui se discerne a distinção real entre a essência e a existência; SENDO a primeira na Infinita Riqueza e Simplicidade Divina, porque todo o ser das criaturas É virtualmente em Deus; e a Criação não é mais do que a manifestação extrínseca e contingente das Infinitas Perfeições Divinas.

Toda a criatura encerra em si mesma a chancela, o sinete, da contingência, mas os irracionais, por definição, jamais podem assumir intelectual e espiritualmente esse carácter. Quando asseveramos não sermos o nosso ser, já explicitamos a nossa contingência, porque embora nós sejamos REALMENTE DISTINTOS DE DEUS, na exacta medida em que Deus É, e nós existimos; o que é facto é que só o PRINCÍPIO METAFÍSICO ESSE, que é constitutivamente indissociável de Deus Nosso Senhor, pode colocar essências, que SÃO EM DEUS, existentes fora de Deus; consequentemente, o ente existente, assim criado, alcança, em si mesmo, intelectual e espiritualmente, essa composição metafísica ESSE-ESSÊNCIA, ou seja, entre o Princípio do Ser, que é Infinito e Incriado, e o modo de exteriorização das Divinas perfeições absolutas, em entes, necessàriamente, finitos, plurais, mutáveis, e no caso do homem, também temporais.

De alguma forma todos, filósofos e não filósofos, se apercebem, mais ou menos confusamente, com maior ou menor definição, dessa composição metafísica do ente criado, embora A EXPRIMAM FILOSÓFICA E EXISTENCIALMENTE EM MOLDES TOTALMENTE DIFERENTES: O existencialismo expende o conceito de FACTICIDADE, ou seja, segundo o mesmo existencialismo, “a projecção do ente no mundo, sem razão, sem fundamento, sem apoio e sem finalidade”; em Heidegger o ente como que flutua no vazio ontológico e metafísico, incapaz de condensar o ser, de situar-se no ser, sente-se catapultado para uma culpa e uma angústia existencial, sem fundamentação e sem finalidade; em Sartre, é a consciência aniquilante e temporalizante (Pour Soi) que segrega o nada no mundo, pois se apresenta como um “FUNDAMENTO INFUNDAMENTADO” “CONDENADA À LIBERDADE” E “ISOLADA DOS OUTROS”; Sartre professa um ateísmo postulatório, pois o seu ateísmo decorre de uma “DECISÃO EXISTENCIAL”. No marxismo, procede-se a uma concretização histórica do Hegelianismo, mas conservando o finito como um momento na vida do infinito, o qual, pela sua absoluta indeterminação é também o nada. O infinito hegeliano é um vazio irreal. Portanto, fora da colectividade, ou do Estado, na fase pré-comunista, o indivíduo nada é, por não possuir acto metafísico próprio. A escatologia marxista, necessàriamente, tem que incorporar uma descontinuidade histórico-antropológica, ao apresentar o seu “paraíso”, no qual se procederá à plena integração e pacificação do colectivo com o individual, do cultural e do material, da natureza e do homem, do público e do privado. Até lá; haverá um povo eleito – o operariado; um redentor – o partido comunista; uma redenção – a revolução comunista total; e finalmente o paraíso já referido. Aqui se encontram, decalcadas em NEGATIVO INFERNAL, as principais categorias da Revelação. Mas a democracia liberal, embora com mais dificuldade – pois seca tudo à sua volta – também concretiza o seu NEGATIVO DA RELIGIÃO: O desporto, a ciência deificada, os seres extraterrestres, “PARA A HUMANIDADE NÃO ESTAR SÓ”, como proclamam os corifeus mundialistas, no seu ateísmo.

Nesta perspectiva, são bem visíveis, as categorias, que em NEGATIVO INFERNAL, procuram inconscientemente suprir o desaparecimento histórico, social e cultural, do Magistério da Santa Madre Igreja, do Santo Sacrifício da Missa, dos Sacramentos e do culto público, em geral. É extraordinário verificar essa propriedade da condição humana, que é demonstrar em negativo o que, diabòlicamente, renegou em positivo. A facticidade, na falsíssima filosofia existencialista, se for rectamente concebida, à Luz Sobrenatural de Deus Criador, Redentor, e Consumador, consubstancia-se na própria CHANCELA DA CONTINGÊNCIA, QUE CONSTITUI COMO QUE O CARÁCTER ONTOLÓGICO E METAFÍSICO IMPRESSO NA CRIATURA INTELECTUAL PELO ACTO CRIADOR; TAL CARÁCTER SURGE-NOS, SUBJECTIVAMENTE, COMO UM APELO INDETERMINADO A UMA TRANSCENDÊNCIA, TAMBÉM INDETERMINADA.

CUMPRE AO ACTO DE SER DO ENTE INTELECTUAL DETERMINAR OBJECTIVAMENTE ESSA TRANSCENDÊNCIA INDETERMINADA. SE PROCEDER COM RECTIDÃO, NATURAL E SOBRENATURAL, ASSUMIRÁ OS “PREAMBULA FIDEI” COMO A EXPRESSÃO DO ADEQUADO USO DA RAZÃO NATURAL; E ACOLHERÁ A SACROSSANTA FÉ CATÓLICA COMO A VERDADE SOBRENATURAL OBJECTIVAMENTE REVELADA, E COLOCADA SOB A CUSTÓDIA DA SANTA MADRE IGREJA. Mas se orientar mal o seu acto de ser, o ente intelectual determinará esse apelo indeterminado à transcendência, segundo CRITÉRIOS OBJECTIVAMENTE FALSOS E MORALMENTE MAUS – QUE É O ACONTECE NA GRANDE MAIORIA DOS CASOS.

Neste quadro conceptual, todos os homens, de qualquer maneira que for, mais ou menos inconscientemente, assumem essa chancela, esse carácter ontológico e metafísico da contingência. Os chamados intelectuais ou pseudo-filósofos, edificam sistemas fantásticos de irrealidade, como os de Hegel e Kant, PRECISAMENTE ENQUANTO EXPLICITAM, OU PENSAM EXPLICITAR, O REFERIDO CARÁCTER. A crença em civilizações extraterrestres constitui outra expressão, ainda mais óbvia, e mais alienante, desse carácter. Cumpre assinalar, que a crença em vida inteligente fora da Terra vai directamente contra a Fé Católica. Mas então, questionar-se-á, para que existe essa multidão de astros, aos quais o homem nunca chegará? Para os Santos Anjos contemplarem; sempre à Luz de Deus! Quer enquanto contemplam directamente a mesma Essência Divina, e n’Ela conhecem tudo o resto; quer mesmo com as suas próprias espécies inteligíveis naturais, representativas do mundo e do próprio universo sensível. Nesta perspectiva, não é impossível que exista fora da Terra vida em estado elementar, vegetal ou animal.

O espírito de seita, pululando um pouco por todo o lado, espírito pesadamente terrenista, fanático e antropolátrico, igualmente demonstra até onde o apelo da chancela da contingência pode ser subvertido e desviado da sua rectidão objectiva. O desporto, renegando a sua finalidade de equilíbrio higiénico, somático e espiritual, constitui-se noutro tipo de fanatismo, hediondo, deificando o esforço e a perfeição física; gerador de máfias, corrupção, e crimes sem conta; também aqui é perfeitamente visível a contrafacção do apelo originário à transcendência, deixado em nós pelo acto criativo.

Mas a maior aberração e o maior atentado contra o apelo originário e indeterminado à transcendência, provém da seita anti-Cristo saída do Vaticano 2; POIS QUE CONSTITUI A SÍNTESE DE TODAS AS HERESIAS E TODOS OS ERROS, NO SUPREMO CRIME DE AUTENTICAR E RESOLVER O REFERIDO APELO ORIGINÁRIO NO SEIO DO PRÓPRIO HOMEM, TORNADO “deus” DE SI MESMO, E EXPRESSÃO ÚLTIMA DA EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE DEUS. Teillard de Chardin (1881-1955) já dizia, na sua juventude, que era necessário substituir o “conceito antiquado de Deus”, o qual, segundo o apóstata, “já não correspondia às nossas necessidades”. Exactamente por isso, o apóstata Karol Wojtyla, insinuava claramente “que cada homem era um cristo”; porque todo o modernismo concebe a encarnação e a divinização como duas faces da única moeda panteísta da auto-evolução de “deus” que culmina, precisamente, no homem, já consciente da sua “divindade”. Aqui reside A INVERSÃO ANIQUILANTE DE TODA A SÃ FILOSOFIA E TEOLOGIA, POIS TRANSFORMA A CITADA CHANCELA DA CONTINGÊNCIA EM PRINCÍPIO DE AUTO-DIVINIZAÇÃO, INDIVIDUAL E COLECTIVA – É ISTO O VATICANO 2.           

Os Anjos, na sua puríssima transparência espiritual, não podem iludir o significado da Chancela da contingência, que com especial nitidez, contemplam gravada em si mesmos, determinando-a, com necessária rectidão objectiva, na Ordem Natural. Mas uma vez elevados à Ordem Sobrenatural, podem os Anjos recusar a participação na Natureza Divina, encerrando-se orgulhosamente na própria excelência da sua privilegiada natureza.

Os santos, determinando com rectidão objectiva a marca da sua contingência, assumiram como sua única missão na Terra, o anúncio formal da Glória extrínseca de Deus, na mais perfeita Caridade Sobrenatural, para com Deus, e para com as almas. Na realidade, os santos  discerniam com absoluta nitidez que TUDO O QUE VERDADEIRAMENTE PROCEDE DE DEUS – SÓ PODE CONDUZIR A DEUS. PORTANTO, NADA MAIS LHES RESTAVA DO QUE REFLECTIREM COM A MÁXIMA LIMPIDEZ E FIDELIDADE A SACROSSANTA GRAÇA DE DEUS. MAS ATÉ O CORRESPONDERMOS À GRAÇA TEMOS DE AGRADECER A DEUS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 9 de Novembro de 2015

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