Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

HIERARQUIA CELESTE E HIERARQUIA TERRESTRE

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral                                            

EVANGELHO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO SEGUNDO SÃO MARCOS:

«Aproximaram-se Tiago e João, os filhos de Zebedeu, dizendo-Lhe: – Mestre, queremos que faças o que Te vamos pedir –  Disse-lhes Ele: – Que quereis que vos faça? – Eles disseram-Lhe: – Que nos sentemos, um à Tua direita, outro à Tua esquerda, na Tua Glória – Jesus respondeu-lhes: -Não sabeis o que pedis; podereis beber o cálix que Eu hei-de beber, ou ser baptizados no Baptismo em que Eu hei-de ser baptizado? – Responderam-lhe: – Sim, podemos – Disse-lhes Jesus: – O Cálix que Eu hei-de beber, bebê-lo-eis, e com o Baptismo com que Eu for baptizado, sereis vós baptizados; todavia, sentar-vos à Minha direita ou à Minha esquerda, não me toca a Mim concedê-lo, é para aqueles para quem está preparado – Os dez, ouvindo isto, agastaram-se contra Tiago e João; mas, chamando-os a Si, Jesus disse-lhes: – Já sabeis como os príncipes das nações as governam com império, e os grandes  exercem poder sobre elas; não há-de ser assim entre vós, pelo contrário,  se algum de entre vós quiser ser grande, seja vosso servidor; e aquele que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servidor, porque tão pouco o Filho do Homem veio para ser servido, mas para servir, e dar a vida pela redenção de muitos».  Mc 10, 35-45

«Vieram a Cafarnaum, e estando em casa perguntava-lhes:- Que discutíeis no caminho?- Eles calaram-se, porque durante o caminho haviam discutido  sobre quem seria o maior. Sentando-Se chamou os doze e assim lhes falou: – Se algum quer ser o primeiro, que seja o último de todos, e o servidor de todos; –  e tomando um menino, colocou-o no meio deles, e abraçando-o,   disse-lhes: -Quem recebe a um destes meninos em Meu Nome, a Mim Me recebe, e quem Me recebe a Mim, não é a Mim que recebe, mas sim Aquele que Me enviou.»     Mc 9, 33-37

O Princípio da Ordem é Metafísicamente constitutivo do Ser, e consequentemente se pode afirmar que tudo o que É, de uma forma ou de outra, tende necessáriamente a moderar a diversidade dos seus  elementos fazendo-os convergir teleològicamente numa Unidade que, em última análise, não pode ser distinta da Unidade de Origem. Ou dito de outra forma: TUDO O QUE VERDADEIRAMENTE PROVÉM DE DEUS, SÓ A DEUS PODE SER ORDENADO.

A Criação reflecte contingentemente a Ordem Divina e Incriada; assim, a desordem, que é privação de ser,  só pode ser introduzida pelo pecado, a começar pelo pecado original. Efectivamente, os nossos primeiros pais, ao ofenderem originalmente a Deus, obliteraram a privilegiada condição em  que se encontravam, com graves repercussões no conjunto da Criação. Os Dons Preternaturais, que haviam sido concedidos em ordem aos Dons Sobrenaturais, significavam uma elevação da criatura corporal a determinadas propriedades caracterizadamente inerentes a criaturas espirituais – a começar pela própria imortalidade. Realmente, a imortalidade natural é própria dos Anjos, e só poderia ser comunicada a Adão e Eva mediante o Dom Preternatural da imortalidade. Com isto não se pretende afirmar que Adão e Eva viveriam para sempre na Terra, mas sim que teriam passado da Terra ao Céu sem se submeterem à provação e humilhação da morte física. O mesmo se diga da impassibilidade; na exacta medida em que esta é naturalmente própria da essência espiritual do Anjo, sendo comunicada a Adão e Eva, igualmente, por um Dom Preternatural. É curial esclarecer-se, que no Paraíso Terrestre, Adão e Eva tinham de trabalhar, mas o trabalho não lhes era penoso. Assinale-se que o pecado original, que para Adão e Eva foi um pecado pessoal, introduziu, na realidade, neste mundo, a morte, a doença, o sofrimento, a guerra, a coacção, e toda a espécie de discórdia; no estado paradisíaco de natureza, nem o homem se alimentaria de animais, nem estes uns dos outros. Consistindo o trabalho numa sinergia intelectual, psíquica e física, que permite, até certo ponto, contrariar e compensar, ùtilmente, a raridade dos bens deste mundo, a qual, por sua vez, brota da elevada tendência da natureza para a degradação, a dispersividade e a desutilidade, fenómeno  que os cientistas denominam – entropia. Acaso já reparámos que o único bem livre que Deus criou é o ar atmosférico, sem o qual os seres vivos morrem instantâneamente? Bem livre significa que não é preciso trabalhar para obtê-lo, visto não possuir raridade, não possuindo, então, valor. Por este quadro conceptual se pode, de alguma maneira, inferir as condições excepcionais em que viviam os nossos primeiros pais, antes de pecarem miseràvelmente; e tanto é assim, que a morte física deve ser considerada como a vitória final da lei da entropia sobre um ser vivo, cuja vida biológica constituiu precisamente uma permanente luta contra essa inevitável desagregação.             

Como dizíamos, a Ordenamento da Criação, no plano Natural e no plano Sobrenatural, FOI ETERNAMENTE CONCEBIDO PELA INTELIGÊNCIA DIVINA, COMO UM TODO, E SÓ ESSE TODO RESPONDE FORMALMENTE PELA GLÓRIA EXTRÍNSECA DE DEUS. A REVELAÇÃO OBJECTIVA FOI COLOCADA, POR DIREITO DIVINO, SOB CUSTÓDIA DA SANTA MADRE IGREJA.

Ora, toda a Ordem é, necessáriamente hierárquica, o que significa que cada ente, e cada classe de entes, são chamados a realizar aquilo que, pela condição da sua natureza, realmente podem fazer – e só o que podem; devendo as classes e os entes de ordem superior assumir aquilo que os inferiores não podem realizar; todavia, o vínculo último de unidade teleológica é formalmente o mesmo para todos – DEUS NOSSO SENHOR. Tal não impede que sejam rectamente concebidos fins secundários, os quais, em geral, são constitutivos dos objectivos da vida pròpriamente terrena, enquanto tais, a cargo da autonomia do poder do Estado Católico, ESSENCIALMENTE SUBORDINADO AO FIM ABSOLUTO E PRIMÁRIO, IMPOSTO PELA SANTA MADRE IGREJA, OU SEJA, A GLÓRIA EXTRÍNSECA DE DEUS E A SALVAÇÃO DAS ALMAS.

No Céu, A ÚNICA HIERARQUIA É A DA SANTIDADE. É certo que aos Anjos, a Graça Sobrenatural foi-lhes prodigalizada segundo as suas perfeições naturais, pois que o Anjo possui uma unidade ontológica e psicológica muitíssimo profunda e é extremamente simples, embora, como criatura, esteja a uma distância infinita de Deus Nosso Senhor. Já o Homem possui estrutura complexa e assimétrica, no seu corpo e na sua alma, comparado com o Anjo, é muito pouco uno, e depois do pecado original, o corpo torna-lhe a alma pesada e opaca. Nesta perspectiva, no Homem, os Dons da Graça não possuem qualquer proporção INTRÍNSECA com as perfeições da natureza, embora estas últimas possam constituir CONDIÇÃO EXTRÍNSECA PROVIDENCIAL DOS PRIMEIROS. Além disso, enquanto durar este pobre mundo mortal, os Anjos dos coros intermédios (Potestades, Virtudes e Dominações) governam o Universo, sob ordens de Deus; e os Anjos dos coros inferiores (Anjos, Arcanjos e Principados) cuidam dos Homens e das Instituições; pois que é de Fé Católica, embora não definida, que todos os baptizados têm o seu Anjo da Guarda, sendo crença geral da Igreja e doutrina católica, que o tenham também os não baptizados; pois que o Anjo da Guarda não age por sua iniciativa própria, constituindo um ministro da Providência Divina; pois como foi referido: A CRIAÇÃO É HIERÁRQUICA, E O GOVERNO DO MUNDO POR DEUS TAMBÉM SE PROCESSA HIERÀRQUICAMENTE, AGINDO DEUS ATRAVÉS DOS SEUS MINISTROS, NAQUILO QUE ESTES PODEM EXECUTAR.

Infelizmente, neste pobre mundo, os homens concebem a hierarquia como uma escada para o poder, as riquezas, e as honras, concebidas, SEM NOSSO SENHOR E CONTRA NOSSO SENHOR, numa perspectiva não apenas terrena, MAS ESSENCIALMENTE PECAMINOSA. Mas como já vimos, mesmo neste mundo, nenhum sistema hierárquico, familiar, empresarial, social, nacional ou internacional, pode, de alguma forma, prescindir do nosso Fim Sobrenatural, MUITO PELO CONTRÁRIO – TÊM QUE CONTRIBUIR POSITIVAMENTE PARA ELE.

As orgânicas hierárquicas deste mundo, necessàriamente, deverão reflectir a Soberania absoluta de Deus Nosso Senhor sobre os homens e as sociedades; consequentemente devem proceder segundo uma ontologia essencialista, tradicionalista, monárquica, com a família monogâmica e indissolúvel como múcleo fundamental, COM A MULHER EM CASA, CUMPRINDO AS SUAS FUNÇÕES INSUBSTITUÍVEIS DE EDUCADORA CRISTÃ DA PROLE, MODERADORA DA AUTORIDADE PATERNAL E ESTABILIZADORA DA FAMÍLIA. Da colaboração das famílias cristãs com o Magistério da Santa Madre Igreja e o concurso do Estado, Braço secular da mesma Igreja, procederá então a Escola Católica, onde nada de menos católico e menos puro poderá penetrar. Uma verdadeira hierarquia social, deverá, através das gerações, tender o mais possível para a Imutabilidade Celestial, consagrando a repressão e o anátema a toda e qualquer forma de liberalismo, seja ele, religioso, político, social, educacional, económico, ou cultural; fomentando ardorosamente o corporativismo estático, num sistema de classes bem diferenciadas, mas unidas por um vínculo de Caridade Sobrenatural; garantindo um mínimo essencial a todas as famílias, instituindo o salário familiar, encorajando vigorosamente as famílias numerosas, que são uma benção de Deus, combatendo o trabalho mecanizado, em série, em prol de uma concepção integralmente católica da pessoa e do trabalhador, em que cada membro da sociedade possui um acto metafísico próprio e uma responsabilidade moral e religiosa diante de Deus e diante dos homens. Em síntese – UMA OUTRA CIVILIZAÇÃO; NA EXACTA MEDIDA EM QUE A HIERARQUIA DESTE MUNDO DEVE REFLECTIR E PARTICIPAR, O MAIS FIELMENTE POSSÍVEL, NA HIERARQUIA CELESTE, QUE COMO JA VERIFICÁMOS, É, E SÓ PODE SER, UMA HIERARQUIA DE SANTIDADE.

Os Apóstolos, como se viu, ainda se encontravam muito presos à ideia judaica de um Reino Terreno presidido por Nosso Senhor Jesus Cristo, no qual, eles Apóstolos, desejariam obter um lugar honroso, em termos humanos. Só no dia de Pentecostes se produziu uma Luz Sobrenatural Integral sobre a Missão do Redentor, e até sobre os Verdadeiros Novíssimos do Homem, que são estritamente Sobrenaturais. Pois que então compreenderam que toda a verdadeira autoridade provém de Deus e deverá conduzir a Deus; será talvez este o ponto dogmático mais difícil de incorporar na nossa vida Cristã – MAS É O PRINCIPAL, FORA DO QUAL NÃO HÁ SALVAÇÃO: Nós nascemos neste mundo natural, sem dúvida, mas para um FIM SOBRENATURAL; foi por ele que Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz; foi por ele que foi fundada a Santa Igreja com uma hierarquia de Direito Divino Sobrenatural, a qual, na sua Essência constitutiva, é intangível, embora possa ser usurpada na sua face humana.

A Ordem Hierárquica, formalmente, anuncia a Glória de Deus; Deus podia criar ou não; mas criando, só o podia fazer hieràrquicamente, pois a Ordem hierárquica não constitui um capricho Divino, não, É INTRÌNSECAMENTE CONFORME À VERDADE INCRIADA. Temos de ser intelectualistas. As maravilhas da Criação, só o são por duas razões: A analogia do Ser e a Ordem hierárquica – mas não podia haver uma sem a outra, porque na Inteligência Divina, tudo se integra e responde a tudo, porque tudo é coerente com tudo. E um tão grande tesouro só se explica pela Asseidade, pela Qual Deus Nosso Senhor possui em Si Mesmo a Razão do Seu Ser. Mas o fundamento último dessa explicação, criatura alguma, Anjo ou Homem, jamais compreenderá perfeitamente, TANTO NA TERRA, COMO NO CÉU.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 13 de Novembro de 2015

 

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