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DONA AMÉLIA, ÚLTIMA RAINHA DE PORTUGAL (28.IX.1865, 25.X.1951)

DONA AMÉLIA, ÚLTIMA RAINHA DE PORTUGAL (28.IX.1865, 25.X.1951)

Dª Amélia

A questão da sucessão do trono português foi a Rainha D. Amália que resolveu, indicando como sucessor D. Duarte

Arai Daniele

Depois de descrever um período tão negro da história, como seja o regicídio em Portugal, do qual foram vítimas não só o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro D. Luís, mas o País inteiro, vem a vontade de descrever também as pessoas que nesse panorama se sobressaíram.
Aqui já foi publicada a foto em que a Rainha, com o seu alto porte, ergue-se na carruagem real para bater e afugentar os assassinos com o maço de flores que recebera na estação ao chegar.
A Rainha Dona Amélia, foi uma das grandes figuras de Portugal, que muito sofreu no exílio de onde escreveu: “Nunca compreendi o que é que se passou no Terreiro do Paço. Porquê tanto ódio, tanto sangue? Porque é que fizeram aquilo? Eu que não pensava a não ser no bem do meu povo?…(…) Foi necessário eu sofrer tanto para que vocês me amem tanto, mulheres do povo. Vós, mulheres, viúvas como eu, que eram jovens quando eu também era jovem, ofereceram-me flores e lágrimas… Quem sabe se quando fizer a minha última viagem a Portugal elas me irão oferecer flores de novo?».
Essa viagem de retorno foi apoteótica, porque era muita amada pelo povo português, embora tivesse sido odiada por outros, inimigos da Monarquia, mas também da Igreja.
Dona Amélia de Orleães, era descendente de Luís Felipe de Orleães, filho do regicida Felipe Égalité. Do lado materno, a mãe, Maria Isabel de Bourbon, era neta de Fernando VII de Espanha, e assim sobrinha de Isabel II de Espanha. «Foi a última rainha de Portugal, viveu num mundo em grandes transformações políticas, sociais e culturais.
Princesa de França, mas portuguesa de coração, assistiu ao assassinato do marido e do filho, príncipe herdeiro, abatidos a tiros de carabina em pleno Terreiro do Paço e depois acompanhou o fim da monarquia no País que a havia acolhido com entusiasmo. Rumou ao exílio, primeiro em Inglaterra e depois em França. Viveu a Primeira Guerra Mundial, resistindo à ocupação nazi, recusando deixar o país que a acolhera e que também era seu.
Contudo, apesar da tragédia que marcou o seu quotidiano, D. Amélia orientou a sua vida pela divisa que escolheu para si: Esperança.» Desde a apresentação do livro de José Alberto Ribeiro, um apaixonado pela figura desta rainha alta e de personalidade forte, traz-nos uma biografia reveladora de fatos e acontecimentos até agora ignorados ou silenciados sobre a sua vida.
Após anos de pesquisa em arquivos nacionais e estrangeiros, nomeadamente no Arquivo Nacional de França, em Paris, da leitura dos diários privados da rainha, escritos ao longo de 65 anos, desde que chegou a Portugal até ao fim dos seus dias, o autor reconstituiu a vida e o quotidiano de D. Amélia. Da sua infância, passando pelo seu casamento, a relação com D. Carlos e com os filhos de quem sempre foi uma mãe extremosa, os dias comuns e os dias de grande gala, os seus gostos, a sua curiosidade pelas novidades da ciência, pela cultura e as suas ações de solidariedade, passando pelos seus desencantos e tristezas, o exílio forçado, o calvário da morte de mais um filho, D. Manuel, as questões de sucessão do trono português, e a sua relação de correspondência com António de Oliveira Salazar que a convida a visitar Portugal.
Sobre as questões de sucessão do trono português, foi a Rainha, que depois de muitas dúvidas, devido a dificuldade quanto a uma sucessão em linha direta, a resolveu indicando como sucessor D. Duarte Pio. Aqui vai reproduzir em breve a questão, conforme o livro citado, que documenta a parte saliente de Dª. Amélia.
Sobre as questões de sucessão do trono português, foi a Rainha, que depois de muitas dúvidas, devido a dificuldade quanto a uma sucessão em linha direta, a resolveu indicando como sucessor D. Duarte Pio. Aqui será lembrado em breve a questão, conforme o livro citado, que documenta a parte saliente de Dª. Amélia.
Pelos diários da Rainha deprende-se que para ela como para o rei D. Manuel, dois anos antes da precoce morte do rei, havia um sucessor a rei de Portugal, que era D. Duarte Nuno. O problema remonta è divisão entre Pedro IV e D. Miguel.
«Da linha constitucional da qual D. Manuel descendia, tinha mais pri¬mos, todos estrangeiros mas descendentes próximos de D. Maria II, através de duas filhas desta última: D. Antónia, casada com o príncipe Leopoldo de Hohenzollern, avó de Mimi, e D. Maria Ana, casada com o rei Jorge I de Saxe, ambas com descendentes. Os primos alemães pareciam mais inte¬ressados pelos seus próprios países e não são conhecidas quaisquer ideias destes em requerer direitos dinásticos portugueses. Havia, no entanto, mais primos e muito próximos familiarmente, enquanto descendentes de D. Pe¬dro IV (I do Brasil), e simultaneamente Braganças e Orléans, tal como D. Manuel. Será precisamente junto do ramo da Casa Imperial do Brasil, dos bisnetos de D. Pedro II, também eles exilados após a implantação da república no Brasil, que D. Manuel acalentou um projecto sucessório.»
Dª. Amélia era muito próxima dos condes d’Eu, e partilhou sempre visitas e correspondência com do conde, Gastão de Orléans, marido da Princesa Isabel, filha de D. Pedro II, filho de Pedro I (IV de Portugal). «O conde d’Eu era seu tio, filho do duque de Nemours, e por casamento com a princesa Isabel Bragança do Brasil iniciara a dinastia Orléans Bragança.»
Para os príncipes brasileiros, uma pretensão ao trono português não era um assunto estranho, embora fosse uma questão mantida em segredo. Quando foi implantada a república no Brasil em 1889, D. Pedro II dirigiu se para Lisboa com a família. O ministro Barão di Rio Branco, que acompanhava o imperador, levantou a questão ao seu soberano que também ele era por direito rei de Portugal. Não seriam os príncipes brasileiros a querer fazer valer quaisquer eventuais pretensões mas o próprio D. Manuel II. O assunto foi matéria de discussão com D. Pedro de Alcântara de Orléaus e Bragança (1875-1940), filho primogénito da princesa Isabel, que abdicou de seus direitos dinásticos para casar, em 1908, com uma condessa checa, sem a exigência de pertencer a uma família real, requisito da época, Dª. Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz (1875-1951). Desta união nasceram os filhos: D. Isabel Maria (1911-2003); D. Pedro Gastão (19 13-2007), Dª. Maria Francisca (1914-1968); D. João Maria (1916 2005), 1de quem Dª. Amélia era madrinha, e D. Teresa Teodora (1919-2011).
Anos mais tarde, os encontros continuam, até com Salazar. A velha questão era o da divisão, que levou até à guerra fratricida entre D. Pedro I, que foi o IV em Portugal e seu irmão d. Miguel.
«Entretanto, a guerra interrompe comunicações físicas e humanas e a rainha poucas notícias tem destes familiares. Por fim, no ano de 1942, prepara-se o casamento de D. Duarte Nuno de Bragança, neto de D. Miguel I, com uma princesa da família imperial brasileira, D. Maria Francisca de Orléans Bragança, trineta do imperador D. Pedro I. D. Amélia fora informada antes e, de acordo com o protocolo, convidada a pedido do irmão da noiva e primogénito da Casa Imperial do Brasil, D. Pedro Gastão, para ser madrinha, ao que acede. Não podendo estar presente, D. Amélia faz-se representar por procuração e ofereceu uma das suas jóias aos noivos. A 15 de Outubro, a rainha escrevia: «Jouve [o mordomo] anunciou-me casamento no Rio da Chica d’Orléans e Bragança, filha do Pedro e da Elsie, com Duarte de Bragança. Aceitei ser madrinha a pedido de Pedro [Gastão] e representada por Camello Lampreia.»
«O casamento civil ocorreu a 13 de Outubro de 1942 na Embaixada de Portugal, no Rio de Janeiro, e a cerimónia religiosa na Catedral de Petrópolis numa manhã chuvosa do dia 15 do mesmo mês. D. Duarte Nuno teve como padrinhos o conde de Barcelona e a infanta D. Filipa, e D. Maria Francisca teve por padrinhos o conde de Paris e a rainha D. Amélia. O presidente da República do Brasil, Getúlio Vargas, por sua vez, reconheceu o casamento civil dos duques de Bragança, enquanto cidadãos portugueses.
«Este casamento solucionava o que nenhum pacto de família antes havia conseguido, nem o último projecto de sucessão de D. Manuel não implementado. Neste sentido, a união não era só a do duque de Bragança, D. Duarte Nuno, naturalizado português, mas também da princesa imperial do Brasil, D. Maria Francisca de Orléans-Bragança, que ao naturalizar-se portuguesa se torna na primogénita da Casa de Bragança da linha constitucional, enquanto descendente do rei D. Pedro IV de Portugal e primeiro imperador do Brasil. Complexos enredos familiares!»
A rainha deixou expresso que após a sua morte estes diários deveriam ser queimados, o que não veio acontecer. José Alberto Ribeiro foi o único historiador a ter acesso, na sua totalidade, a estes diários, bem como a um conjunto de imagens desconhecidas que são reproduzidas nesta biografia amplamente ilustrada. D. Amélia morre a 25 de outubro de 1951, na sua cama gravada com as armas de França e dos Bragança. Tinha então 86 anos. As suas últimas palavras foram: «Levem-me para Portugal, adormeço em França mas é em Portugal que quero dormir para sempre. No presente, Deus está comigo.»

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