Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A INOCÊNCIA DAS CRIANÇAS E O AMOR DE JESUS

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em passagens da sua encíclica “Rerum Ecclesiae”, promulgada em 28 de Fevereiro de 1926:

« Primeiramente, quer com a palavra, quer com os escritos, procurai introduzir e gradualmente estender o hábito santo de pedir ao Senhor da Messe que envie operários para a sua Messe (Mt 9,38), e pedi para os infiéis as ajudas da Luz da Graça Celeste; e conscientemente falamos de hábito e de uso estável e contínuo, o qual, como cada um vê, tem, na Misericórdia Divina, mais valor e eficácia, do que as orações pedidas uma só vez, ou de quando em quando. E verdadeiramente, os pregadores evangélicos poderiam cansar-se, e derramar suores, e também dar a vida para levar os pagãos à religião católica; poderiam usar de toda a forma, de toda a diligência, e de todo o género de meios humanos; mas tudo isso não serviria para nada, tudo cairia no vazio, se Deus, com a Sua Graça, não tocasse os corações dos infiéis para torná-los dóceis e atraí-los a Si. Ora, é fácil entender,  que não faltando a ninguém a possibilidade da oração, todos têm em mãos esta ajuda, e este como que alimento das Missões. Por isso fareis coisa conforme aos nossos desejos e à índole e ao sentimento dos fiéis, ao mandar acrescentar, por exemplo, ao Rosário da Bem – Aventurada Virgem Maria, e a outras orações semelhantes, que se costumam rezar nas Paróquias e nas outras igrejas, alguma oração especial para as Missões, e pela conversão dos pagãos à Fé. Com essa fidelidade, veneráveis irmãos, sejam chamadas a cooperar e a inflamar-se ESPECIALMENTE AS CRIANÇAS E AS RELIGIOSAS. Desejamos que nos asilos, nos orfanatos, nas escolas, nos colégios juvenis, e nas casas e conventos de religiosas suba cada dia ao Céu a oração para fazer descer sobre tantos infelizes, sobre tantas e tão numerosas Nações pagãs, a Misericórdia Divina. Será que o Pai Celeste não atenderá a tantas almas puras e inocentes? Por outro lado, este uso LEVA A ESPERAR QUE NO CORAÇÃO TERNO DOS JOVENS, ACOSTUMADOS A REZAR PARA A SALVAÇÃO DOS INFIÉIS, COM O PRIMEIRO DESABROCHAR DA FLOR DA CARIDADE, POSSA, COM A AJUDA DE DEUS, INSINUAR-SE TAMBÉM O DESEJO DO APOSTOLADO, DESEJO QUE CULTIVADO COM CUIDADO, DARÁ, TALVEZ, COM O PASSAR DO TEMPO, BONS OPERÁRIOS PARA O MINISTÉRIO APOSTÓLICO.»
A Criação encerra uma maravilhosa harmonia, na sua analogia profunda, na sua sistematização hierárquica; contudo, nela existem regiões que são susceptíveis de nos elevar, em maior, ou menor, medida, a alma para Deus. Em geral, quanto mais perto da natureza estamos, mais captamos um apelo para as coisas do Alto. Certamente, que tudo o que existe é Obra de Deus; todavia, a transformação, operada pela indústria humana, sobre os elementos básicos da natureza, de alguma forma obscurece o referido apelo, emurchecendo a alma; é o que acontece nas grandes cidades, desde o início da revolução industrial, pois que as grandes massas de betão, totalmente desprovidas de formas espirituais, os “arranha céus”, símbolos do orgulho ímpio do homem, CONSTITUEM FONTES QUALIFICADAS DE ATEÍSMO, originando uma total falta de solidariedade entre os homens, um abandono, e um absoluto anonimato, gerador, aliás, de inúmeros suicídios. Por isso Monsenhor Lefebvre aconselhava as pessoas a irem viver para o campo; mas infelizmente, é o próprio mau estar moral das cidades que vai invadindo os campos e as aldeias, sobretudo por causa da televisão; como aconteceu em Portugal nos últimos cinquenta anos. E isto sem falar nos gravíssimos danos, religiosos, morais e até psíquicos, contemporâneos, causados pela Internet.

No texto supracitado, o Papa Pio XI refere as mulheres e as crianças como sendo tendencialmente vocacionadas para conhecerem e amarem as coisas de Deus; efectivamente, e falando de rapazes, é nítido, que nas idades mais tenras são particularmente mais receptivos a ponderarem e levarem a sério os deveres religiosos, e se o não são mais, é por culpa dos adultos, da sua incúria, da sua impiedade, da sua superficialidade. É na adolescência, que, em geral, o rapaz abandona a Fé Católica; mas aqui, a culpa é também dos Estados ateus, e até de Estados nominalmente confessionais, que negligenciam totalmente a educação religiosa de toda a população, em particular da juventude. Nunca se deixe de advertir, que não é suficiente, para a manutenção de elevado nível religioso e moral da população, que a escola seja integralmente católica, em todos os graus, e todas as matérias, é também imperioso que a população adulta frequente obrigatòriamente, E SOB COACÇÃO DO BRAÇO SECULAR, centros de formação religiosa, de nível primário, médio e superior, dirigidos superiormente pelos Bispos, e a cargo de professores de Seminário; será preciso acrescentar que estou pensando na verdadeira Santa Madre Igreja, bem como num Estado realmente Católico, até à medula? Outro grande obstáculo existente genèricamente à formação religiosa dos rapazes e dos homens, é precisamente o serviço militar, NÃO POR SER SERVIÇO MILITAR, EM SI MESMO NOBRE, mas pelo ambiente moral terrìvelmente deletério que nele se respira, mas que poderia, ao menos em parte, ser obviado por um Estado constituído nas condições já referidas.

Sendo as crianças, claramente, as preferidas de Jesus, pois de alguma maneira, elas são como todos nós seríamos no Paraíso Terrestre, se não houvesse pecado original. Apresenta-se assim como evidente, que as consequências do pecado original, revelam-se no ser humano com progressiva maior gravidade, salvo casos excepcionais. É conbecido como o pecado original e suas consequências, em si mesmas, não atinge, ontológica e transcendentalmente. os primeiros princípios, quer do conhecimento, quer da moralidade, actuando sim, NA APLICAÇÃO MESMA DESSES PRINCÍPIOS À REALIDADE DAS VICISSITUDES QUOTIDIANAS. Como foi referido, o amor de Nosso Senhor Jesus Cristo pelas criancinhas não brotava de um sentimentalismo superficial, mas da própria condição humana, ferida pelo pecado, e inserida na complexidade da Criação. AS CRIANÇAS REFLECTEM, COM PARTICULAR ACUIDADE, AS PERFEIÇÕES DIVINAS, A CARIDADE DIVINA, PARTICIPÁVEL PELA ALMA FIEL. Os santos obtiveram, muitas vezes na sua infância, as suas mais delicadas impressões Sobrenaturais, aquelas que se lhes gravaram mais vincadamente no espírito e na memória religiosa. Todo o paganismo, antigo e moderno, pré-cristão e pós-cristão, despreza a infância, como despreza a velhice, e mesmo dentro da Igreja, infelizmente, como atesta a História, pràticamente só pessoas de grande santidade, se aperceberam qualificadamente do elevado potencial religioso e moral das crianças, antes de serem contaminadas pelos maus adultos, ou por outras crianças já corrompidas.

São João Bosco é o grande santo defensor das crianças. Aos nove anos, foi favorecido com um sonho em que Maria Santíssima lhe mostrava como ele haveria de conduzir, com brandura, nas sendas da Verdade e do Bem, os tenros rebanhos dos preferidos de Jesus. E no fim da vida, São João Bosco confessaria: Sempre lidei com crianças, de quem consegui não só o que era de lei, mas até mesmo o que simplesmente desejava; não tendo para tal sido obrigado a aplicar quaisquer castigos violentos.

Desgraçadamente, ao longo dos séculos, logo a começar pelo Santo Baptismo, o mimetismo nominalista dos pais e da família, associado a uma certa rotina da parte dos párocos, não procedia a este Sacramento com a ilustração Sobrenatural que era exigida. O mesmo se deveria afirmar, quer da Primeira Comunhão, quer da Confirmação, porque esta última deve confirmar-nos como soldados de Cristo, e não como actores sociais fabricados em série.

É conhecido como a presença religiosa de uma boa mulher, mesmo que por infelicidade não seja mãe, é eficacíssima na nutrição Sobrenatural das crianças; mas uma das estratégias da maçonaria É TIRAR A MULHER DO LAR, colocando-a, mais ou menos, a par dos homens, LEVANDO-A A FAZER VIDA DE HOMEM, E A DESPREZAR A FEMINILIDADE QUE CONSTITUI A SALVAGUARDA DA SUA NATUREZA, QUE É A SUA DIGNIDADE, NATURAL E SOBRENATURAL, NO PLANO PESSOAL, FAMILIAR E SOCIAL. A sensibilidade feminina é essencial à formação da criança, mesmo na ordem natural, e paralelamente a figura materna franqueia o coração dos pequeninos à realidade da própria Santa Madre Igreja, ao seu Magistério sublime, preparando as tenras inteligências para   as suprema realidades da nossa História Divina, da Santíssima Trindade, do Amor de Jesus, dos Novíssimos, do Santo Sacrifício da Missa e dos Sacramentos.

Yodos os que não gostam de Deus, tendencialmente, também não gostam de crianças; e mesmo na ordem natural, não gostar de crianças, é péssimo indício moral do conjunto da personalidade.

Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto Homem, possuiu a Idade da Razão, logo aquando da Sua concepção no seio puríssimo da Virgem Maria; tal acontece, porque a Santíssima Alma Humana de Jesus gozava da Visão Beatífica e havia sido enriquecida com as Ideias Infusas, representativas da realidade, pois, tal como o Corpo, estava hipòstaticamente unida ao Verbo de Deus. Todavia, em Nosso Senhor houve um progressivo aumento da ciência experimental, oriunda do contacto das Faculdades Humanas do Senhor com o concreto da realidade circundante. Neste enquadramento, Nosso Senhor, mesmo recém nascido, estava já plenamente consciente da Sua Missão Redentora; todavia só o demonstrou ao mundo segundo uma rigorosa proporção com a referida ciência experimental, inerente à condição humana. O Menino Jesus deve pois ser proposto a todas as crianças, verdadeiramente, como MENINO DEUS; tanto mais que ao fazer-Se Homem, Nosso Senhor, em certo sentido, não deixou de ser Menino; e a razão profunda para este Mistério reside no facto de os corpos ressuscitados gloriosos, já longe da nossa paupérrima corrupção, NÃO TÊM IDADE, PORQUE ESTÃO NA ETERNIDADE, E ESTA SUPERA INFINITAMENTE A DEGRADAÇÃO DO TEMPO; E POR NÃO TEREM IDADE, PODEM TOMAR, NÃO SÓ APARENTEMENTE, MAS REALMENTE, ONTOLÒGICAMENTE, A FORMA DE QUALQUER IDADE. Consequentemente, Nosso Senhor Jesus Cristo, quando aparece na forma de Menino, É REALMENTE UM MENINO DEUS; que quer santificar todos os pequeninos, tal como na Sua vida mortal os acariciou e abraçou, como Criador como Redentor e como Consumador; Princípio, Meio e Fim, de todo o Ser, de toda a Verdade e de todo o Bem.  

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 17 de Novembro de 2015

 

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