Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

PIO XII, VIGÁRIO DE CRISTO, CONTESTADO … enquanto o mundo cai nas mãos de políticos celerados

Pio XII contestado

Dia de Stª Catarina Labouré

Um dos grandes milagres da Medalha Milagrosa é aqui descrito: http://fratresinunum.com/2015/11/26/a-medalha-milagrosa-e-a-conversao-de-afonso-ratisbonne/

https://promariana.wordpress.com/2013/11/28/4238/

Por que razão se calou Pio XII perante a perseguição anti-semita dos nazis?

  • É a pergunta já debatida pelo conhecido escritor Jacques De Launay no seu noto livro Les grandes controverses du temps présent – 1945 -1965», no anexo: «O Vigário», com tradução portuguesa publicada pela Bertrand, Lisboa, 1967.

«Esta questão, tão discutida, mantém-se obscura em muitos aspectos. No entanto, tentei esclarecer o conjunto dos conhecimentos actuais. Estes dados permitirão, sem dúvida, estimular a discussão e encorajar novas investigações.

«A maior censura que se levanta contra Pio XII é a de não ter protestado publicamente contra o massacre dos judeus nos campos de concentração nazis. Mas, antes de mais, ocorre perguntar se o Papa estaria ao corrente destas chacinas.

«A resposta é afirmativa. Embora os arquivos do Vaticano se tenham mantido, na sua maior parte, secretos, temos conhecimento de vários relatórios de prelados fixados na Europa ocupada que informavam o Papa de factos arrepiantes. Conhecemos igualmente várias cartas do embaixador americano Myron Taylor informando Pio XII das execuções em massa cm curso na Polónia.

«Em todo o caso, o Papa mandou verificar a exactidão das informações e emitiu protestos directos, secretos, sein brilho e sem publicidade junto dos responsáveis que podiam terminar com os excessos.

«Não há exemplos na história política da Santa Sé de que o Vaticano não tenha sido informado de factos importantes e de que a diplomacia pontifícia não tenha reagido. Se o Papa não protestou publicamente, só razões imperiosas o podem ter decidido a agir neste sentido.

«Quais eram essas razões? Tal é, em nossa opinião, o único e verdadeiro enigma que subsiste na atitude diplomática do soberano pontífice. O resto é publicidade barnumesca* de mau gosto.

  • *De Barnum, charlatão americano que viveu no século passado, cujo nome é usado em todas as línguas como um sinónimo de especulador audacioso e de exibicionista excêntrico. (N. do T.)

«Pio XII intervêm

«O enigma ficará esclarecido quando os documentos do Vaticano forem publicados na íntegra. Está em curso uma primeira publicação. Outras se seguirão. A próxima geração saberá, mas nós?

«Até ao Verão de 1940, tudo se apresenta claro. O Vaticano é uma ilhota de paz, donde partem iniciativas públicas e secretas a favor do regresso à paz. A Bélgica, entre outros países, foi prevenida da agressão alemã. O Papa interveio, por diversas vezes, a favor dos judeus perseguidos; tratava-se de intervenções individuais, mas cujo total foi calculado por Lapide, cônsul de Israel em Milão; cerca de quatrocentos mil judeus foram salvos de uma morte certa pelo Papa, pessoalmente, e pelos núncios da Igreja Católica.

«Depois tudo muda, a Alemanha domina a Europa. A Gestapo instalou-se em Roma no Inverno de 1940 e o exército alemão ocupará Roma em Setembro de 1943.

«A partir de então, Pio XII é forçado a renunciar ao método diplomático que até então usara. As relações entre Berlim e o Vaticano regem-se, desde 20 de Julho de 1933, por uma concordata que protege a Igreja Católica alemã. É no quadro deste tratado que Pio XII, na qualidade de secretário de Estado e mais tarde como Papa, dirigiu ao Governo do Reich cinquenta e cinco notas em alemão, com a finalidade de fazer respeitar as cláusulas da concordata.

«Aliás, a decisão capital de «solucionar definitivamente o problema judeu» só foi tomada, em Berlim, a 20 de Janeiro de 1942, e é provável que o Papa não tenha sido informado. O soberano pontífice tem de ter em conta a situação de facto frente à qual se encontra, e que é extremamente complexa. Mantém-se em contacto com as embaixadas de todos os países representados junto da Santa Sé, incluindo a Alemanha e os países ocupados cujos diplomatas são germanófilos, mas também com os embaixadores da Grã-Bretanha, Sir Francis d’Arcy Osborne, e dos Estados Unidos, Myron Taylor, enviado especial do presidente Roosevelt.

«Informação unilateral

« Sir Francis só regressa a Londres a 8 de Abril de 1943, quando as ligações se tornam difíceis. Myron Taylor efectuou três estadas em Roma: de 27 de Fevereiro a 22 de Agosto de 1940, de 5 a 21 de Setembro de 1941 e de 17 a 28 de Setembro de 1942. Partiu então para somente regressar com as tropas aliadas, no dia 10 de Junho de 1944: Mussolini tinha-lhe recusado o visto de entrada.

«O mesmo é dizer que, de 8 de Abril de 1943 a 10 de Junho de 1944, o Vaticano não foi informado, senão de forma unilateral, pelos diplomatas do Eixo junto da Santa Sé. Em Setembro de 1943, o marechal Kesselring mandou cercar a Cidade do Vaticano, suprimindo assim toda e qualquer ligação com o exterior.

«Um colaborador de Myron Taylor, Harold Tittman, continuara, no entanto, em Roma, donde comunicava com Washington pela rádio ou através de um estafeta situado em Berna. Por outro lado, os núncios da Europa ocupada continuavam a corresponder-se com o Papa. Não restam dúvidas de que estas ligações difíceis e incertas foram utilizadas com precaução e que Pio XII só de forma muito incompleta foi informado sobre o desenvolvimento da perseguição anti-semita.

«Nos fins de 1942, a situação diplomática do Papa era a seguinte: a Alemanha invencível dominava toda a Europa e preparava-se para instaurar uma nova ordem. Um protesto público acarretaria, ipso facto, a ruptura da concordata com a Alemanha, o encerramento das nunciaturas na Europa e talvez, até, a invasão da Cidade do Vaticano, o que decapitaria a Igreja por tempo indeterminado.

«Não se trata de pessimismo: várias nunciaturas, a de Bruxelas por exemplo, tinham sido encerradas. Os padres alemães, retribuídos pelo Reich de acordo com a concordata, encontrar-se-iam, de um dia para o outro, privados de fundos.

«A missão do cardeal Spellman

«Por outro lado, se os aliados ocidentais alcançassem a vitória, como era possível encarar o futuro? Dos quatrocentos e cinquenta e nove milhões de católicos do mundo, duzentos e cinco milhões residiam na Europa ocupada e cento e noventa e cinco milhões nas Américas. Qual seria a sorte dos europeus? Pio XII resolveu interrogar directamente o presidente Roosevelt.

«O cardeal Spellman, convocado para ir a Roma, teve uma série de conversações com Pio XII, de 20 de Fevereiro a 4 de Março de 1943. O Papa pediu-lhe que o informasse com total exactidão a respeito das ideias do presidente Roosevelt acerca do futuro da Europa.

«O presidente dos Estados Unidos estava então extremamente ocupado com a direcção da guerra: a campanha da Tunísia, a batalha de Guadalcanal, enquanto os Russos, vencedores em Estalinegrado, se dirigiam novamente para a Europa. Foi sòmente no dia 3 de Setembro de 1943 de manhã que o presidente concedeu uma entrevista fundamental de noventa minutos ao cardeal Spellman. No dia seguinte, os aliados iam tentar, e com sucesso, o primeiro desembarque no Sul da Itália.

«Segue-se, feito a partir das notas confidenciais do cardeal, tal como foram remetidas ao Papa e conforme serão, sem dúvida, publicadas um dia pelo Vaticano, o resumo da exposição de Roosevelt.

«Os Quatro Grandes vão partilhar o mundo em esferas de influência. A China terá o Extremo Oriente, os Estados Unidos o Pacífico e a Grã -Bretanha e a Rússia dominarão a Europa e a África. Por a Grã-Bretanha possuir, sobretudo, interesses coloniais, será a Rússia quem, provàvelmente, predominará na Europa. Com efeito, nem a China nem os Estados Unidos se intrometerão na partilha da Europa e da África. O presidente espera que o domínio russo na Europa não seja demasiado duro.

«Uma Europa comunista

«Será criada uma Liga das Nações, à qual os pequenos países não terão acesso, ficando a decisão a cargo dos Quatro Grandes.

«No que respeita à Rússia, o presidente tentará obter pessoalmente de Estaline, que é um realista como ele, enquanto Churchill é um idealista, a garantia de que o território russo não se estenderá além de um certo limite.

Estaline obteria, sem dúvida, a Finlândia, os estados bálticos, a metade oriental da Polónia e a Bessarábia, e não valia a pena contrariar tais desejos, que o marechal poderia satisfazer pela força. Seria preferível ceder estes países sem repugnância e, aliás, a população da Polónia Oriental deseja vir a ser russa.

«O presidente está convencido de que os Governos comunistas da Alemanha e da Áustria, actualmente instalados na União Soviética, façam estes dois países passar totalmente para um regime comunista.

«Quanto à França, talvez escape ao comunismo se instaurar um Governo «à Léon Blum», tão à esquerda que possa ser aceite pelos comunistas.

«Quando o cardeal Spellman pretendeu precisar a sorte de alguns países católicos, o presidente respondeu que a Áustria, a Hungria e a Croácia cairiam sob protectorado russo.

«Realizar-se-iam plebiscitos em Itália, na Holanda, na Bélgica, na Noruega e na Grécia. A Checoslováquia ficaria, em todo o caso, na esfera russa.

«Acrescentou que as magníficas realizações da União Soviética não deviam ser subestimadas. A economia russa era bem dirigida, as finanças eram sólidas. Era necessário esperar que os Europeus conseguissem, em dez ou vinte anos, que os Russos se tornassem menos bárbaros. Em lodo o caso, não se punha a hipótese de os Americanos ou os Britânicos combaterem contra os Russos e esperava que de uma amizade forçada viesse a nascer um sentimento duradouro e verdadeiro. O ideal seria que os Russos assimilassem quarenta por cento do regime capitalista e que os capitalistas ficassem com sessenta por cento do seu sistema.

«Foi esta a nota, por nós ligeiramente resumida, que Pio XII recebeu no momento em que os aliados desembarcavam em Itália.

«Era a altura de abandonar os católicos alemães e os da Europa ocupada, de deixar encerrar as nunciaturas que iam ter de acolher os generais vencedores do Exército Vermelho?

«O menor gesto imprudente de Pio XII podia ter consequências desastrosas. O Papa sabia que a ditadura estalinista traria consigo excessos e violências. Não tinha ele próprio condenado antes da guerra, por meio de uma encíclica, todas as ditaduras?

«Calou-se e manteve-se ao leme durante a tempestade. Nem uma palavra saiu da sua boca para condenar os excessos estalinistas, a fim de evitar encorajar os nazis.

«A sequência dos acontecimentos mostrou que Pio XII agira corretamente e que a sua decisão era ditada por valores mais altos.

«A prisão de Pio XII Pio XII ultimo Papa

«Estamos hoje em posição de afirmar que o Papa previra a sua prisão pelos Alemães e, neste sentido, preparara os seus planos. Esta revelação não provém das entrevistas que Pio XII me concedeu em 1948 em Castelgandolfo, porque o soberano pontífice permaneceu, até a morte, discretamente reservado, e não gostava de vangloriar-se de sua habilidade política e diplomática.

«O cardeal Cerejeira, primaz de Portugal, confidenciou ao diplomata brasileiro Osvaldo Rico um testemunho excepcional, que transcrevemos em termos exactos.

«Na Primavera de 1943, Pio XII contava ser imediatamente preso pela Gestapo. Chamou a Roma o cardeal Cerejeira e deu-lhe as seguintes instruções:

« —Se for preso pelos Alemães, deixarei imediatamente de ser o Papa Pio XII para voltar a ser o cardeal Pacelli. Anunciareis esta notícia ao mundo e reunireis em Lisboa um conclave que designará o novo Papa.                                 |l|y|

«Eis os factos. O Papa podia perfeitamente demitir-se ou abdicar, pois pelo menos dois soberanos pontífices já o fizeram no decurso da história da Igreja, e é absolutamente certo que um conclave podia nomear o novo Papa, que resistiria aos Alemães.

«Qual a razão deste apelo ao primaz, de Portugal? Porque Portugal tinha um tratado de aliança com a Inglaterra e porque o governo português mantinha relações diplomáticas com os todos os países da Europa ocupada.

«É a vós que compete julgar!

«Quanto a mim, acrescento este testemunho capital, assim como o relatório Spellman, ao processo do Vigário…

«Fontes referentes à atitude do Papa Pio XII durante a guerra

«Os documentos essenciais encontram-se em:

«Actas e documentos da Santa Sé relativos à Segunda Guerra Mundial: Tomo I: trezentos e setenta e nove documentos, incluindo correspondência dos núncios, quinhentas e cinquenta e duas páginas, Roma, 1965; tomo II: cento e vinte e quatro cartas de Pio XII aos bispos alemães, Roma, 1966.

«Arquivos dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, período entre 23 de Junho e 11 de Dezembro de 1941.

«Der Notenwechsel zwischen dem Heiligen Stuhl und der deutschen Regierung, Mayence, 1965.

«Utilizámos os testemunhos originais do cardeal Spellman e do reverendo padre Leiber:

Robert I. Cannon, The Cardinal Spellman Story.

«Robert Leiber, in Petrusblatt, Berlim, Dezembro de 1964.

«Entre os melhores comentários, considerámos monsenhor Maccarone, Il Nazional-socialismo e la Santa Sede, Roma, 1947.

«O. Malecki, Eugênio Pacelli, Nova Iorque, 1951.

«Jacques Nobécourt, Le Vicaire et 1’Histoire, Paris, 1964.

«Saül Friedlander, Pie XII et le III‘ Reich, Paris, 1965.

  1. Cheinman, Le Vatican contemporain, Moscovo, 1965.

A título de confirmação do testemunho de Rico, registámos a declaração do deputado italiano Giordani (25 de Fevereiro de 1965). Segundo este, Pio XII comunicara, em 1944, que os nazis tencionavam deportá-lo para lá dos Alpes, pois tinha sido avisado por Von Papen.

O cardeal Tisserant precisou, por seu turno, a 13 de Dezembro de 1944, que o Papa havia redigido em 1942 um discurso que condenava as perseguições aos Judeus e que renunciou a pronunciá-lo para não impedir qualquer intervenção ulterior. Vita, Roma, Abril de 1964.

Anúncios

Uma resposta para “PIO XII, VIGÁRIO DE CRISTO, CONTESTADO … enquanto o mundo cai nas mãos de políticos celerados

  1. Eduardo dezembro 6, 2015 às 12:32 am

    Durante todo o período do Papado na 2ª GM, Pio XII foi autêntico cristão e amigo dos judeus, a quem dedicou incansáveis e irrefutáveis esforços para salvar essas pobres almas do inferno nazista, além de outros tantos seguidores de outras religiões. A URSS com sua política de desinformação, além de anti-semita e anti-americana, indignada por ter em seu caminho homem cristão de tamanha coragem em defesa dos judeus, armou uma desinformação contra Pio XII, mas é claro, após sua morte; eis que não poderia se defender, tendo fabricado a idéia de que Paccelli foi o Papa de Hitler. Esse documento elaborado à partir de um dado pouco relevante de verdade, se propôs a deturpar a imagem do Papa de forma completa, desde então foi criado um documentos cheio de ódio e desprezo por ele que passou a ser denominado de “O Vigário”. Simpatizantes comunas no Ocidente, contaminados pela ideologia marxista e movidos por vultuosas somas da KGB, lançaram a caluniosa história na mídia Ocidental, que engoliu a isca. Nunca antes uma personalidade tão amada, querida e combativa contra a opressão (principalmente nazista e comunista) foi tão caluniada e difamada. Até hoje, a imprensa nom sense e os meios literários ocidentais, veiculam assuntos dessa natureza, mostrando que preferem a desinformação à fatos e provas incontestes.
    Para saber mais, leiam “Desinformação” escrito pelo ex-agente da Romênia comunista Ten. Gen. Ion Mihai Pacepa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: