Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

MAÇONARIA E «OPUS DEI» NA HISTÓRIA DE FÁTIMA?

templo

Arai Daniele

No passado mês de novembro, foi editado em Portugal o livro «O Fim dos Segredos» – Tudo o que nunca lhe contaram sobre o mundo do Opus Dei e da Maçonaria em Portugal – » de autoria da jovem jornalista Catarina Guerreiro (Ed. a esfera dos livros, Lisboa, 2015, distribuidora@bertrand.pt).

Visto que neste blog estamos lembrando a história da influência do poder maçônico em Portugal e que nesta obra se envolve a «amiga Irmã Lúcia» no avanço da Opus Dei, penso ser útil repassar algumas questões histórias à luz dessas informações.

Nada de transcendental, mas profícuo para conhecer ou confirmar pontos históricos sobre quem teve poder em Portugal. A autora escolheu de classificar os personagens envolvidos como amigos ou inimigos da instituição de que trata, por exemplo «a amiga Irmã Lúcia» para a Opus Dei. Aqui apenas reproduzimos parte desse estudo, sem por isto, como católicos, concordar em tudo com sua autora. Mas iniciemos nossa leitura sobre a Maçonaria (p. 230).

MAÇONARIA

«O amigo marquês de Pombal

«Se a Irmã Lúcia foi no século XX essencial para o Opus entrar em Portugal, o mesmo sucedeu, no século XVIII com o marquês de Pombal em relação à maçonaria. Foi durante a sua governação, numa altura em que os maçons eram perseguidos, que a organização teve momentos de paz e conseguiu penetrar e crescer no país. 1

«Deu os primeiros sinais de vida em 1727, mas desde então não foi fácil. Nesse ano, William Dugood, um inglês católico amigo de Alexandre de Gusmão, um diplomata português, criou a primeira loja maçónica em Portugal. A inquisição batizou-a como Loja dos Hereges por ser constituída por ingleses e escoceses protestantes, não havendo qualquer membro português. Em 1733, surgiu a segunda loja em Lisboa com o nome A Casa Real dos Pedreiros Livres, erguida por católicos irlandeses.

«Mas não tardaram a começar as perseguições. Em 1738, o papa Clemente XII publicou a bula ln Eminenti a condenar a maçonaria, e quando a 28 de setembro o inquisidor-mor D. Nuno da Cunha e Ataíde afixou em Lisboa o documento papal, iniciou-se a ‘caça’ aos maçons, com prisões no seio da Loja Pedreiros Livres. Só seis anos depois apareceu uma terceira loja na capital portuguesa, desta vez fundada pelo lapidário de diamantes John Coustos, que liderava um grupo com cerca de 30 estrangeiros e um único português, D. Manuel de Sousa, administrador dos Morgados de Calhariz. 3 Foram todos denunciados à inquisição e Coustos e dois colegas condenados ao degredo e galés. O clima antimaçónico acalmou quando D. José 1 ocupou o trono, em 1750. E apesar de, um ano depois, o papa Bento XIV ter renovado a bula que condenava a maçonaria, a tolerância para com a organização manteve-se, especialmente com a ajuda de Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês do Pombal, que depois de ser ministro dos Negócios Estrangeiros se tornou, em 1755, primeiro-ministro do reino. Com ele cresceu a maçonaria e mudou o perfil do maçon. 4 Se antes eram essencialmente comerciantes, no tempo do marquês de Pombal passaram a ser aristocratas, académicos e oficiais do Exército e da Armada. Para isso terá contribuído também a vinda para Portugal, em 1762, do conde de Lippe para reorganizar o Exército. 5 Com ele vieram mais de trezentos oficiais de várias nacionalidades, muitos deles maçons cujo contato com os militares portugueses levou à criação de lojas nos locais onde estavam as guarnições militares. Por essa altura, a maçonaria começou também a ganhar terreno na ilha da Madeira. E, em 1774, contrariando até as orientações do Vaticano, o novo regimento da inquisição em Portugal já não fez referência à maçonaria. 6

«A tolerância de Pombal para com a sociedade secreta levava muitos a acusarem-no de ser maçon, não existindo, porém, provas de que tenha sido iniciado. Apenas se sabe que pertenceu à Royal Society, dominada por maçons, e visitou a Loja austríaca Aux Trois Canons, em Viena. Apesar do clima de acalmia, durante este período não deixou de existir alguma perseguição, como a que sucedeu na Madeira, onde o sobrinho do marquês de Pombal, José António de Sá Pereira, se aplicou, como governador, a combater a organização.

«A queda do marquês de Pombal, depois da morte de D. José 1, trouxe de volta os ataques em força à irmandade. D. Maria 1 fez regressar as detenções. Logo em 1778 foi preso o lente da Universidade de Coimbra José Anastácio da Cunha e entre 1791 e 1792 o intendente Diogo Inácio Pina Manique liderou uma série de perseguições. 7

«Mas a guerra que atingiu a Europa a partir de 1792 acabou por dinamizar a maçonaria em Portugal, onde cada vez mais se faziam reuniões maçónicas nos regimentos. Em 1797 decorreram sessões na Fragata Fénix com oficiais portugueses e ingleses, onde terá nascido a importante Loja Regeneração, com 140 membros. Foi nesta altura que surgiu uma comissão de seis maçons com a tarefa de reorganizar a instituição. Conseguiram promover no Palácio Gomes Freire uma reunião com 200 maçons, presidida por José Joaquim Monteiro de Carvalho e Oliveira. Pouco depois, foi assinado um tratado de amizade com a Grande Loja de Inglaterra e o mesmo contacto foi feito com a Grande Loja Francesa. Em 1804, fundou-se assim o Grande Oriente Lusitano e foi eleito o primeiro grão-mestre, Sebastião José de São Paio de Melo e Castro Lusignan, neto do primeiro marquês de Pombal. No Brasil, que na época ainda era uma colónia portuguesa, começaram a surgir lojas, onde muitos membros por questões de segurança usavam nomes de código. 8 Em 1806, aprovou-se a primeira constituição maçónica e decidiu-se adotar os rituais e as normas da maçonaria francesa. 9

«Mas as invasões francesas baralharam a estabilidade que os maçons estavam a alcançar e vieram dar novos sinais da perigosa relação entre poder político e maçonaria. Se nos primeiros tempos de ocupação francesa, maçons e invasores tiveram um certo entendimento, quando Junot, que liderava o exército francês, tentou controlar a maçonaria o mal-estar instalou-se. Os «irmãos» portugueses criaram, em fevereiro de 1808, um corpo para-maçónico, isto é, uma estrutura paralela à maçonaria, o Conselho Conservador de Lisboa, com 183 membros, cujo objetivo era lutar contra a invasão francesa, restaurar a independência e restituir o poder ao legítimo príncipe. Funcionou até 1 de outubro de 1808, mês em que as tropas francesas se retiraram, terminando a primeira invasão francesa.

«Durante as invasões seguintes, ordenadas por Napoleão, cujo império era constituído também por bastantes maçons, a atividade maçónica portuguesa sofreu grandes perturbações, ficando dividida entre a influência dos franceses e a dos ingleses, que nas forças militares tinham também muitos membros da maçonaria. E quando se iniciou a terceira invasão, assistiu-se a um aumento de repressão, com dezenas a serem presos e deportados por suspeitas de ligação à maçonaria ou de simpatia para com os franceses. Apesar das perseguições, muitos maçons continuaram a sua atividade dentro e fora do país.10

«No Brasil, a maçonaria subsistiu e em Portugal reorganizou-se. Com o fim das invasões, começaram a regressar alguns exilados políticos, antigos militares da legião portuguesa ao serviço de Napoleão, que tinham sido acusados de traição. Um deles foi Gomes Freire de Andrade, que voltou a 25 de maio de 1815 e não tardou a tomar posse como grão-mestre em março de 1816.11 Mas pouco depois foi acusado de conspirar para derrubar o governo, no seio de uma organização (Supremo Conselho Regenerador), sendo detido em 1817. A situação gerou preocupação na corte, que ainda estava no Rio de Janeiro. Uma preocupação que aumentou com o protesto armado que ficou conhecido como a Revolta de Pernambuco e que queria proclamar uma república, promovida por revolucionários maçons. Resultado: o rei D. João VI apertou o cerco às irmandades e em 1818, apoiando-se na bula do papa Clemente XII, emitiu um alvará a proibir as sociedades secretas e a prometer penas que iam do arresto de bens à condenação à morte. Sem alternativa, muitas lojas pararam a atividade. Mas surgiram também pequenos sinais de que os maçons não tinham desistido de intervir.

«Prova disso foi que muitos deles integraram um grupo que se reuniu durante 24 meses em segredo para preparar uma mudança de regime.

«Tratou-se do Sinédrio, uma organização secreta que originou a Revolução Liberal de 1820. Durante dois anos, 13 homens, alguns maçons, encontraram-se em sigilo total, sempre no dia 22 de cada mês, para jantarem na Foz do Porto. Aqui, organizaram o que veio a ser a revolução de 24 de agosto, que trouxe o liberalismo.12• A insurreição introduziu a maçonaria nos meios de poder político, pois muitos dos liberais eram maçons. Estes depressa ocuparam lugares de destaque no país, onde não se iriam conseguir manter, por ação do homem visto por muitos como o maior inimigo dos maçons: D. Miguel.

«O inimigo D. Miguel

«O poder que a maçonaria ganhou nos primeiros tempos após a revolução de 1820, levou a que depressa começassem a surgir ataques à organização. A maioria vinha daqueles que contestavam o regime e a Constituição de 1822, considerando-a quase republicana.

«Nos protestos e manifestos a maçonaria era sempre visada, sendo acusada de estar na origem de tudo. Este clima antimaçónico e antiliberal que se vivia no país contava com um aliado de peso: a Santa Sé, que, pela mão do papa Pio VII, tinha dado mais sinais de luta às sociedades secretas com uma nova bula de setembro de 1821, que combatia a maçonaria e a carbonária, outra sociedade secreta. 13

«Foi neste ambiente que, motivado pelo que se passava em Espanha, onde as campanhas contra os liberais espanhóis lideradas pelo general Quesada e pelo conde de Espanha puseram fim à segunda experiência liberal, em 1823, D. Miguel e a sua mãe, D. Carlota Joaquina decidiram agir. Os dois protagonizaram o golpe de Estado que ficou conhecido como Vilafrancada, que obrigou o rei D. João VI a chegar a acordo com o filho D. Miguel, assumindo este o cargo de generalíssimo do Exército, a nomear um governo mais moderado e a dissolver as cortes liberais, a 3 de junho. 14

«Nesta altura intensificaram-se os ataques aos meios maçónicos. E um mês depois, a 20 de junho de 1823, surgiu um documento que se revelou fatal para a maçonaria. «Todas as sociedades secretas ficam suprimidas, quaisquer que sejam os seus institutos e denominações, e nunca mais poderão ser instauradas», e todos os empregados públicos, civis ou militares, tiveram de assinar uma declaração escrita a garantir que desde aquela data não pertenciam a nenhuma estrutura secreta.15

«Muitos, por serem tidos como perigosos para a segurança do Estado foram deportados; outros optaram eles próprios por ir para o exílio; e outros ainda viram-se obrigados a assinar declarações em como não faziam nem iriam fazer parte de sociedades secretas. O ambiente tornou-se cada vez mais pesado e as perseguições a maçons espalharam-se por todo o país. Na Madeira, por exemplo, assistiu-se a uma vaga de prisões, atingindo maçons de relevo como o cónego Gregório Medina e Vasconcelos e o próprio governador da ilha.

«Em janeiro de 1824, um relatório sobre a atividade maçónica feito pelo intendente-geral da polícia, a pedido do ministro da Justiça, mostrava a fragilidade da organização: as lojas deixaram de funcionar e muitos documentos foram queimados. «A maçonaria não está incorporada, não tem lojas, não tem regulares. Apenas tem havido pequenos ajuntamentos de quatro, cinco ou seis maçons (homens de pequena importância, conhecidos e vigiados pela polícia) que com pretexto de assuntos domésticos se têm reunido», descrevia o ocumento.16 Suspeitava-se, porém, que na Administração do Contrato do Tabaco houvesse forte presença maçónica. No segundo golpe de Estado protagonizado por D. Miguel, a Abrilada, que visava reforçar os poderes dos absolutistas, a maçonaria serviu de bode expiatório, sendo apontada pelo infante como a causadora de todos os males, correndo mesmo a ideia de que era preciso combater a organização secreta por existir uma conspiração maçónica contra a família real. 17

«A sobrevivência da instituição parecia depender cada vez mais do poder que tinha ou não D. Miguel.

«Foi assim que, quando a 13 da de maio de 1824, depois do golpe de Estado, ele foi enviado pelo pai, D. João VI, na Fragata Pérola para o exílio em Viana de Áustria, os maçons sentiram acalmar o ambiente de ataques. Num novo decreto, D. João VI recordava a proibição das sociedades secretas, mas atenuava as penas e sanções. Com a morte do rei, em 1826, e a luta pelo poder entre D. Pedro, imperador do Brasil, e D. Miguel, a maçonaria ficou de novo no centro da polémica, pois o primeiro era um maçon assumido, tendo sido mesmo grão-mestre. Para os que achavam que o trono devia ser ocupado por D. Miguel, a organização secreta passou a ser vista como «uma seita infernal» que tinha de ser derrubada por ser a principal razão para o príncipe, o «maior inimigo dos pedreiros-livres», ainda não comandar o país.

«Durante uns tempos, e até 1828, os maçons conseguiram manter algum poder: nas primeiras eleições feitas por D. Pedro, a 30 de outubro, 59 dos 127 deputados eram ou tinham sido maçons e nos vários governos seguintes houve sempre a presença de membros da maçonaria.19 Mas o acordo entre D. Pedro e D. Miguel que pôs fim ao conflito fez retornar os tempos complicados para as sociedades secretas. Quando em 1828 D. Miguel se tornou rei, fazendo o país regressar à monarquia absoluta, apostou forte no ataque à maçonaria.

«Muitas das sublevações contra o rei foram dirigidas por maçons. Foram detidas centenas de pessoas e dezenas de «irmãos» partiram para o exílio para Inglaterra, França, Brasil, EUA e Países Baixos. Outros esconderam-se ou acabaram na cadeia. Alguns morreram na prisão, como Manuel Borges Carneiro, então deputado e desembargador, e um dos muitos presos políticos que nos anos anteriores haviam manifestado ideias liberais. Foi preso em agosto de 1928 e cinco anos depois morreu com cólera na prisão em Cascais.

«O combate aos maçons era mais uma vez apoiado na Santa Sé, que durante o reinado de D. Miguel emitiu mais dois documentos a condenar a maçonaria. Em Portugal, havia cada vez mais textos a criticar os membros da irmandade e os bispos reforçaram os sermões anti-maçónicos. A verdade é que, apesar deste ambiente, a maçonaria não perdeu toda a atividade, havendo registo de reuniões de lojas em várias regiões do país. Além disso, no estrangeiro, a maçonaria portuguesa foi continuando o seu papel. Mas a batalha que existia no seio do liberalismo entre moderados e avançados acertou em cheio na maçonaria, dividindo-a. E chegaram a existir duas organizações com o mesmo nome, Grande Oriente Lusitano: uma liderada por José da Silva Carvalho, grão-mestre desde 1822, associado aos liberais mais moderados chefiados por Palmela; e outra, resultante de uma cisão ocorrida em data não determinada, entre 1828 e 1831, comandada pelo general João Carlos Saldanha, adepto de um liberalismo mais avançado.

«Com a guerra civil, a atividade maçónica renasceu e a partir de 1832, data em que começou a intensificar-se a luta liberal, há notícias de quatro novas lojas. 22

«O fim do reinado de D. Miguel, que a 1 de junho de 1834 embarcou em Sines par o exílio em Itália, foi considerado um «triunfo da maçonaria, que se preparava para viver um dos seus períodos mais poderosos. «Aliás, no primeiro governo constitucional que se seguiu, mais poder era impossível: todos os membros eram maçons exceto o líder, o duque de Palmela. E, na câmara de deputados, a maçonaria controlava 71% dos lugares. Até a oposição estava abaixo do domínio das associações secretas. Era assim o cenário político após a derrota de D. Miguel, em 1834. E nos governos que se sucederam até o fim do século XIX, a maçonaria esteve sempre presente; 12 chefes de executivo tinham sido iniciados na irmandade.»

  • Comentário: a jornalista Catarina Guerreiro conseguiu entrevistar diversos personagens da política portuguesa atual porque mantém posição destacada do que está realmente em jogo, isto é, as ideias revolucionárias da maçonaria para chegar a uma nova ordem nacional e internacional de todas as crenças, contra a Ordem e a religião Católica, Apostólica Romana.
  • Nestas linhas finais compreende-se como isto foi realizado mesmo sob os reis, para chegar à crise presente da sociedade, como os Papas previram ao condenar a maçonaria.
  • Seguirá a parte da Opus Dei, que a autora, de algum modo, quis  relacionar com a Irmã Lúcia. E nesta parte, relativa à Fátima, vamos falar da presença e obras do Rorary Club, que recentemente ofereceu a estátua de Santo António para uma rotunda, assim como outras anteriormente.

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