Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

BREVES CONSIDERAÇÕES PARA UMA ANTROPOLOGIA VERDADEIRAMENTE SOBRENATURAL

Matrimonio

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

 

Escutemos o Papa Pio XII, em passagens de uma alocução dirigida, em audiência, aos Jovens Esposos, em 29 de Abril de 1942:

«Se na consecução da Missão que ela recebeu do seu Divino Fundador, a Igreja fez prova, sem nada temer, de uma gigantesca, santa e indomável energia, ela tem, por outro lado, sempre afirmado e proclamado, por todo o mundo,  A INDISSOLUBILIDADE do Matrimónio. Louvai-a, glorificai-a, por ter tão excelsamente contribuído para proteger o Direito do Espírito em face dos impulsos dos sentidos, no seio da vida matrimonial, e salvo, pela dignidade do Matrimónio, a mesma dignidade da mulher, bem como a da pessoa humana.

Quando a vontade não se encontra firmemente resolvida a salvaguardar, perpétuo e imutável, o vínculo conjugal, em breve se assistirá ao vacilar e ao desaparecimento, na alma do pai, da mãe, bem como dos filhos, do sentimento reconfortante da confiança recíproca incondicionada, e desfazer-se o nó da estreita e imutável união interior e exterior, elemento essencial da felicidade doméstica. Mas Porque é que, questionareis vós, ampliamos nós aos filhos semelhantes consequências? Porque eles recebem dos pais realidades de elevada magnitude, a saber, segundo São Tomás: O ser, o alimento e a educação, e que para o seu saudável desenvolvimento eles têm necessidade de uma atmosfera de alegria. Ora, uma juventude serena, uma formação e instrução harmónicas, NÃO PODEM CONCEBER-SE SEM A FIDELIDADE ABSOLUTA DOS PAIS.

Não consolidarão os filhos o vínculo do amor conjugal? A rotura deste vínculo constitui uma crueldade para com eles, bem como um desconhecimento do seu sangue; é a humilhação do seu nome, a sua vergonha, a divisão do seu coração, a separação dos irmãos consoante o tecto doméstico, a amargura da sua juventude; e o que é mais grave para o seu espírito – O ESCÂNDALO MORAL. Quantas feridas para as almas de milhões de jovens? Para tantos lares, tantas e tão tristes e lamentáveis ruínas. Que implacáveis remorsos gerados nas consciências! Os homens espiritualmente sãos, moralmente puros, alegres, contentes, de carácter nobre e costumes íntegros, nos quais a Igreja e a sociedade civil colocam as suas esperanças, não se originam, na maioria dos casos, de lares domésticos perturbados pela discórdia e pelo afecto oscilante; mas de famílias onde reinam, profundos, o temor de Deus e a fidelidade conjugal intangível. Quem quer que procure, hoje, as causas da decadência moral e do veneno que corrompe uma grande parte da família humana, não demorará em reconhecê-las numa das fontes mais malvadas e das mais culpadas, que é precisamente a da legislação e da prática do divórcio. As instituições e as Leis Divinas possuem sempre uma benfazeja e poderosa acção; mas quando a inconsciência, ou a malícia humana, se intrometem nas coisas de Deus e para aí conduzem a perturbação e a desordem; então, ao fruto salutar que desaparece, sucede um incalculável amontoado de males, COMO SE A NATUREZA, ELA PRÓPRIA INDIGNADA, SE REVOLTASSE CONTRA OS PROCEDIMENTOS DO HOMEM.»

O Homem situa-se, ontològicamente, nos confins do mundo material com o mundo espiritual, beneficiando assim, de alguma  forma, das vantagens de ambos os mundos. Efectivamente, o Anjo, possuindo um conhecimento extremamente profundo do mundo material e dos seus princípios, tem contudo mais dificuldade no discernimento do puramente individual, exactamente PORQUE NÃO POSSUI A CARNE DA REALIDADE. É evidente, que o Anjo é intelectualmente muito mais potente que o Homem, mas não possui orgãos que captem directa e imediatamente a maior definição do particular, não logrando com a sua inteligência formidável suprir totalmente esta perda.

Depois do pecado original, a alma humana, nomeadamente a alma piedosamente católica, sofre com o peso ontológico do corpo e das suas funções; sofre com a opacidade do mundo e dos seus problemas; sofre com o próprio ruído ontológico do mundo e das pessoas do mundo, sofre com a teia relativista e desencontrada de sentimentos e opiniões; sofre com um mundo que é, e foi sempre, o primeiro inimigo da alma.

Quando um homem nasce, incorpora já em si uma herança genética e um perfil caracteriológico básico, que não constituiu; assim como não pode escolher a família em que nasce, nem o meio ambiente no qual se desenvolverá. E no plano Sobrenatural?

É certo que todas as vicissitudes, quer orgânicas, quer ambientais, são susceptíveis de constituírem CONDIÇÕES EXTRÍNSECAS PROVIDENCIAIS PARA A INFUSÃO DA GRAÇA SOBRENATURAL; isto é: Embora só nos Anjos exista um paralelismo rigoroso, embora extrínseco, entre as perfeições naturais, e a Graça de Deus; pois os mais perfeitos, ontològicamente, receberam mais Graça;ainda que também para estes a prova a que foram submetidos tenha sido mais difícil; nos homens, pode haver uma determinada proporção puramente extrínseca e gratuita entre certas características naturais e as Graças recebidas, salvaguardando sempre o facto da Predestinação dos homens e dos Anjos constituir sempre um transporte transcendental, absolutamente gratuito e Sobrenatural, da Graça de Deus. Como é conhecido, a constituição ontológica dos Anjos determina que a prova a que foram submetidos – e que terá revestido aspectos diferentes para cada um dos Anjos, pois cada um encerra e é uma só espécie – se processasse no MOMENTO ONTOLÓGICO SEGUINTE À SUA CRIAÇÃO, JÁ ENRIQUECIDOS COM A GRAÇA SANTIFICANTE, visto que os Anjos não dependem do espaço e do tempo. Ao recusarem a elevação ao estado Sobrenatural, comprazendo-se na própria excelência da sua privilegiada condição, os Anjos maus, imediatamente se condenaram para toda a Eternidade, visto que a sua já referida constituição ontológica os impede de modificar uma decisão que hajam assumido. Por essa mesma razão, os Anjos que adoraram a sua elevação ao estado Sobrenatural alcançaram, nesse mesmo momento ontológico, a salvação Eterna.

Mas o homem, criado no espaço e no tempo, necessita, ordinàriamente, de ser provado através das vicissitudes da vida sobre a Terra; dizemos ordinàriamente, porque as criancinhas e os deficientes mentais profundos, convenientemente baptizados, ao falecerem, entram logo na Eternidade beatífica. A Predestinação de uma alma depende pois, não apenas da moção Sobrenatural da Graça, mas também das vicissitudes da existência; mas estas, evidentemente, também entram no plano Divino, pois integram a ideia transcendental da Criação, Eternamente presente na Inteligência Incriada. Deste quadro conceptual se conclui que os méritos Sobrenaturais, de Anjos (PARCIALMENTE) e dos homens, não dependem das  perfeições naturais, enquanto tais, nomeadamente da inteligência ou da cultura. Mas questionar-se-á; e a liberdade humana? Segundo as doutrinas Tomistas, no seio das quais nos filiamos, a liberdade, entendida aqui como livre arbítrio, não deve, nem pode, ser concebida como um absoluto, de alguma maneira extrínseco à Omnipotência Divina; não, a liberdade humana, no sentido mais profundo e transcendental do termo, está submetida à Liberdade, à Inteligência e Vontade Divina. Sem dúvida que há Anjos e homens realmente bons, e Anjos e homens realmente maus, todavia, nem uns, nem outros, o são fora da Omnipotência Divina. Mas então, segue-se que Deus quer que existam Anjos e pessoas más? Deus não quer o mal em si mesmo; mas na Sua Eternidade, quis Deus Nosso Senhor um determinado mundo, que para Sua maior Glória é, na sua Unidade, definitivamente Bom, mesmo quando os sujeitos maus são a grande maioria, porque o mal, de alguma forma, confere mais fulgor ao Bem, na perfeita Unidade da Ideia Divina, Eterna e Incriada, da Criação. Sendo que o castigo dos maus confere a maior Glória a Deus Uno e Trino. Consequentemente, o livre arbítrio é verdadeiro e real, mas TRANSCENDENTALMENTE DEPENDE DE DEUS, TAL COMO OS TESOUROS DA GRAÇA E AS VICISSITUDES DO MUNDO.    

Produzem-se frequentemente asserções no sentido de que, por exemplo, há pessoas que nascem com determinadas predisposições genéticas, de que não são culpadas, nem podem alterar, como seja para a inversão sexual; MAS TAL É COMPLETAMENTE FALSO; não se negam certas taras genéticas, independentes da vontade do indivíduo, ou dos progenitores, NEGA-SE SIM, VEEMENTEMENTE, QUE O INDIVÍDUO NÃO TENHA O PODER DE RATIFICAR, OU RENEGAR, COM O SEU ACTO TRANSCENDENTAL DE SER MORAL, ESSAS TARAS PORVENTURA HERDADAS. E se por qualquer motivo é psicofisiològicamente incapaz de sentir atracção pelo sexo oposto, ninguém o obriga a tê-la; exige-se-lhe, sim, que MANTENHA, COM O AUXÍLIO DE DEUS, A MAIS RIGOROSA E PERPÉTUA CASTIDADE, EM PENSAMENTOS, PALAVRAS E OBRAS. O mesmo se deverá dizer daqueles homens, e por vezes até mulheres, com um instinto genésico hiperdesenvolvido; a constituição ontológica do ser humano está disposta de tal forma, que salvo verdadeiros casos patológicos, é sempre possível à razão espiritual, iluminada pela Graça, mesmo que seja apenas a Graça Medicinal, (A QUAL, POR SI MESMA, NÃO NOS PODE CONSEGUIR A SALVAÇÃO) ultrapassar as arremetidas dos sentidos e vencer as tentações. Cumpre aqui assinalar, que o facto mesmo de se ter tentações muito violentas e habituais, é indício garantido de que essa alma não está na Graça de Deus, e o vencer as tentações deverá ser então atribuído a condicionalismos e conveniências puramente exteriores. E a razão profunda para tal consubstancia-se na realidade da Graça Santificante transformar e sublimar verdadeiramente a alma, constituindo um poderosíssimo refrigério também para o corpo. Na natureza humana, alma e corpo estão unidos na própria natureza, logo tudo o que acontece à alma repercute-se, de alguma forma, no corpo; e vice-versa.

Existem duas espécies de tentações – as intrínsecas e as extrínsecas; as primeiras, atingem profundamente o nosso ser, abalam-nos, e por vezes provocam uma deliberação formal; promanam pois da nossa fraqueza moral; as segundas, são provocadas pelo demónio, o qual tem grande poder sobre a matéria, e portanto sobre o nosso sistema nervoso, mas de forma alguma dispõe da nossa liberdade, a qual pertence só a Deus. As tentações de Nosso Senhor Jesus Cristo, no deserto, como não podia deixar de ser, foram extrínsecas. Santa Teresinha do Menino Jesus, nos últimos tempos de vida, foi cruelmente atormentada pelo demónio, que lhe sugeria os raciocínios dos piores materialistas.

Deus Uno e Trino move todos os seres de acordo com a própria natureza destes; os irracionais necessàriamente; os espirituais livremente;  mas não os move como uma causa terrena, criada, mas sim como UM PRINCÍPIO FUNDAMENTANTE E TELEOLÓGICO TRANSCENDENTAL;  move-os na Ordem Natural, como Criador que sustenta naturalmente a sua criatura; e move-os na Ordem Sobrenatural, como Revelador, Redentor, e Consumador. Nem na Eternidade, Anjos e homens poderão compreender integralmente, o grande, o enorme, Mistério da moção transcendental da criatura pelo Criador, conservando sempre e intangìvelmente o objectivo da maior Glória de Deus.

A NOSSA SALVAÇÃO RESIDE EM REALIZARMOS A NOSSA ESSÊNCIA NO AMOR SOBRENATURAL A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 1 de Dezembro de 2015

 

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: