Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O DESALMADO MATERIALISMO DAS CHAMADAS “DIREITAS”

Salgado e Moreira

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

 

Escutemos o Papa Pio XI em passagens da encíclica “Quadragesimo Anno”, promulgada em 15 de Maio de 1931:

  • «Quanto à Autoridade Civil, Leão XIII, ultrapassando com audácia os confins impostos pelo liberalismo, ensina corajosamente que ela não deve limitar-se a defender o Direito e a Ordem Pública,  mas deve fazer o possível para que as Leis e Instituições sejam tais… que da própria organização do Estado dimane espontâneamente a prosperidade da Nação e dos indivíduos. Deve, sim,  deixar-se tanto aos particulares, como às famílias,  a justa liberdade de acção, mas contando que se salve o Bem comum, e não se faça injúria a ninguém. Aos governantes, compete defender a Nação, e os membros que a constituem, tendo sempre cuidado especial em proteger os fracos e indigentes, em proteger os direitos particulares. “Porquanto a classe abastada, munida dos seus próprios recursos, carece menos de auxílio público; pelo contrário, a classe indigente, desprovida de meios pessoais, apoia-se sobretudo na protecção do Estado.  Por conseguinte deve ele atender com particular cuidado e Providência aos operários, visto serem eles da classe pobre.
  • Não negamos que alguns governantes, já antes da encíclica de Leão XIII, tivessem provido às necessidades mais urgentes dos operários e reprimido as injustiças de maior vulto a estes feitos. Mas foi só depois da Palavra Apostólica ressoar no mundo inteiro desde a Cátedra de Pedro, que os governos, capacitando-se mais da sua missão, se aplicaram a desenvolver uma política social mais profunda.
  • E na verdade, enquanto vacilavam os princípios do liberalismo, que havia muito paralisavam a obra eficaz dos governos, a encíclica “Rerum Novarum” produziu nas massas grande corrente favorável a uma política mais  francamente social,  e de tal modo conclamou os melhores católicos a cooperar com as autoridades,  que não raro foram eles os defensores mais ilustres da nova legislação nos próprios parlamentos. Mais ainda: Foram Ministros da Igreja, compenetrados da Doutrina de Leão XIII, que propuseram às Câmaras muitas das Leis sociais recentemente promulgadas, e que depois mais promoveram  a sua execução, e por ela velaram.
  • Deste  contínuo e infatigável trabalho, NASCEU UMA NOVA JURISPRUDÊNCIA COMPLETAMENTE DESCONHECIDA DOS SÉCULOS PASSADOS; que se propõe defender com ardor os sagrados direitos do operário, em virtude da sua dignidade de homem e de cristão: De facto, essas Leis começaram a proteger a alma, a saúde, as forças, a família, as habitações, as oficinas, o salário, abrangem os acidentes de trabalho, numa palavra, tudo o que interessa à classe trabalhadora, principalmente às mulheres e às crianças.»

 

O completo desaparecimento da Verdade Católica como realidade social e cultural, é visível, não apenas na usurpação da face humana do Corpo Místico pela maçonaria internacional, mas igualmente na extinção radical de qualquer sopro católico na vida política das sociedades ocidentais. Sabemos que a corrente denominada “Democracia Cristã” sempre foi, e é, na realidade, MODERNISTA; e o seu pseudo-personalismo, na verdade, não ultrapassa um liberalismo onanista e dissolvente.

Como repetidamente se tem afirmado, a expressão “Democracia Cristã” encerra liminarmente uma contradição, pois o substantivo e o adjectivo caminham em sentidos opostos. Efectivamente, Nosso Senhor Jesus Cristo não veio à Terra, como o “primeiro crente” do modernismo, para nos servir de modelo para o aperfeiçoamento do nosso “instinto religioso”, ou do nosso “sentimentalismo panteísta de evolução cósmica”; não, Nosso Senhor É o Verbo de Deus feito Homem, É o nosso Criador, o nosso Redentor, e o nosso Consumador, constituindo igualmente o zénite da Revelação Sobrenatural, o Sacerdote e a Vítima de Infinita Dignidade, de um Sacrifício de valor Infinito, e a Causa Principal e Eminente Instrumental de todos os Sacramentos. Foi a Democracia, dita “Cristã” que consumou, polìticamente, definitivamente, a total descristianização da terra Sagrada da Itália, aceitando, e até promovendo, um pluralismo infecto com partidos marxistas, e referendando, como apóstata, a Sacrossanta Lei de Deus. Sabe-se que Pio XII, homem tão afável, recusou uma audiência a Alcides De Gasperi, Presidente do Conselho Italiano, que durante a segunda guerra se refugiara no Vaticano, no dia da comemoração das Bodas de Ouro deste político, e assim procedeu, como solene expressão de reprovação pelos caminhos que a dita “Democracia Cristã” estava trilhando; e que mais não eram do que a actualização da política do Partido Popular Italiano de Dom Sturzo, o qual, tendo sido criado em 1919 para combater o maioritário Partido Socialista Italiano, integrava uma grande amálgama heterogénea de políticos, sobretudo modernistas e cripto- socialistas, e que mesmo assim nunca conseguiu mais do que 20 por cento dos sufrágios. Todos os malefícios do Partido de D. Sturzo transitaram para a Democracia dita “Cristã”, a qual, mesmo assim, só nas eleições de 1948 logrou obter a maioria absoluta.

Na realidade, o espírito e a letra da “Democracia Cristã” fora solenemente condenado por São Pio X na Carta Apostólica “Notre Charge Apostolique”. Mas já o próprio Papa Leão XIII considerara a simples expressão – Democracia Cristã – OFENSIVA A OUVIDOS PIOS; e que deveria ser urgentemente substituída pela BENÉFICA ACÇÃO DOS CRISTÃOS EM FAVOR DOS POVO.

Durante todo o século XX desapareceram totalmente os movimentos REALMENTE DE DIREITA, ou seja, CATÓLICOS A CEM POR CENTO, ESSENCIALISTAS, TOMISTAS, MONÁRQUICOS. Sendo as esquerdas ocupadas pelos partidos e movimentos marxistas e comunistas, a Direita do espectro político, paulatinamente, foi sendo monopolizada pelas forças liberais, fèrreamente materialistas, adoradoras do “deus” mercado, cilindrando os fracos, e pretendendo aplicar à sociedade a maldita ideia darwinista da selecção natural. Mas enquanto que a militância marxista, pela sua mesma agressividade, tendia a estimular, edificar e apurar a virilidade religiosa dos bons católicos; O LIBERALISMO, POR SUA PRÓPRIA NATUREZA, SECAVA TUDO À SUA VOLTA, DESSORANDO OS ESPÍRITOS, E ACTUANDO PELA SEDUÇÃO.     

Porque, não nos iludamos: A Santa Madre Igreja sempre condenou, tanto o capitalismo liberal, quanto o socialismo e o comunismo; na exacta medida em que todas estas ideologias NASCERAM DO PROTESTANTISMO, DO HUMANISMO NATURALISTA E DO ILUMINISMO, E EMBORA PAREÇAM OPOR-SE ENTRE SI, NA REALIDADE SÃO PLENAMENTE CONCORDES NO SEU ATEÍSMO, TEÓRICO E PRÁTICO.

Porque foi o individualismo – que promove os cidadãos a pequenos “deuses” com direito a fazer tudo o “que não prejudique ninguém”, como registava a Declaração dos Direitos do Homem de 26 de Agosto de 1789 – que, de alguma forma, gerou o nazismo, o marxismo e o comunismo, E GEROU-OS PELA VIA DO ATEÍSMO.

Não olvidemos, por exemplo, que há quarenta anos, em França, foi a denominada “Direita” do regime, chefiada pelo então Presidente Valery Giscard D’Estaing, que tomou a iniciativa de legalizar o aborto; e actualmente na Europa já não há um único partido ou movimento que se oponha à legalização do aborto, embora difiram na amplitude a outorgar a essa mesma legalização. A Polónia, por exemplo, restringiu a sua Lei do aborto, tornando-a semelhante à Lei Portuguesa de 1984 (motivos terapêuticos, eugénicos e legais). Note-se que à luz da Doutrina Católica todos estes motivos são essencialmente ilegítimos e mortalmente pecaminosos. Cumpre todavia acrescentar, que é necessário possuir a Graça Santificante em grau muito elevado, para nos tempos que correm, saber pelos exames pré-natais altamente evoluídos, que hoje são disponibilizados, de que o nascituro sofre de mal incurável e radicalmente inabilitante,  e ao ser-lhe, legal e gratuitamente, proposto um aborto eugénico, mesmo assim, nobremente, cristãmente, RECUSAR; o que, aliás, não pode deixar de fazer sem pecado mortal.

A filosofia de base deste neo-liberalismo resume-se na preferencial atribuição de cada vez mais rendimentos aos mais ricos e empreendedores, porque só estes possuiriam a chave da riqueza global, como elementos qualificados de investimento. Dentre os factores de produção: Capital, Natureza e Trabalho; os neo-liberais privilegiam caracterizadamente o capital, enquanto aplicado por empresários, financeiramente poderosos, e superiormente inteligentes.

Não se nega, de maneira nenhuma, o pendor materialmente aristocrático deste raciocínio; o que se condena É A SUA TOTAL AMORALIDADE; PORQUE NÃO ESTAMOS NESTE MUNDO, INDIVIDUAL E COLECTIVAMENTE, SÓ PARA PRODUZIR BENS MATERIAIS, NEM O BEM ESTAR DE UMA SOCIEDADE SE PODE MEDIR PELO SEU CONFORTO TERRENO. MEDE-SE SIM, FUNDAMENTALMENTE, PELA SUA INTEGRIDADE RELIGIOSA E MORAL, PELA SUA ADESÃO PROFUNDA E SOBRENATURAL A DEUS NOSSO SENHOR E À SUA SANTA MADRE IGREJA, MESTRA DE VERDADE E SANTIDADE. Ora o neoliberalismo, tal como todo o liberalismo, despreza sobremaneira qualquer subordinação à Ordem Divina, Natural ou Sobrenatural; o que pretende é acumular riquezas terrenas, sem as repartir hieràrquicamente. E o mundo actual, desgraçadamente, além da total ausência de estadistas, deixa transparecer a total subordinação do poder político ao poder económico.

Mas a propriedade privada não constituirá uma realidade Sagrada? O que é Sagrado, porque é de Direito Natural, ratificado pelo Direito Divino Sobrenatural, é a própria propriedade privada, considerada genérica e ontològicamente; não esta ou aquela propriedade considerada em concreto.

E não é só a realidade ontológica e antropológica da propriedade privada que é Sagrada; também o é a própria constituição hieràrquicamente imutável da Sociedade, enquanto reflecte a hierarquia de Direito Divino Sobrenatural; e consequentemente anatematiza todo o liberalismo, seja ele, religioso, político, económico, social ou cultural. Já Louis Veuillot (1813-1883) fustigava àsperamente todos aqueles cristãos nominais, que se socorriam da Santa Madre Igreja, não para dela haurir o Verdadeiro Pão da Sã Doutrina, MAS PARA QUE ELA LHES SALVAGUARDASSE O COFRE FORTE.    

Ora o neoliberalismo submete a hierarquia da sociedade à tirania do mercado, permitindo que o forte esmague impunemente o fraco; e a hierarquia social só pode possuir como fundamento O ESSENCIALISMO IMUTÁVEL E TRANSCENDENTE.

Enquanto que no comunismo são visíveis, em negativo infernal, determinadas categorias da Verdade e do Sagrado, e até mesmo uma anti-escatologia e uma anti-santidade, susceptíveis, como já se afirmou, de empolgar o heroísmo dos católicos, até mesmo ao martírio; no neoliberalismo, e em todo o liberalismo, a secura é total, e um frio laicismo apenas concebe que se goze a única vida que se crê ter, e quando não se puder gozar mais – eutanásia.

E que não se tombe no absurdo de considerar católicos os movimentos neonazis e skinheads, porque esses assassinos são tão inimigos da Fé como os estalinistas. Nunca olvidemos que o Papa Pio XI, homem extremamente combativo, que faleceu em 10/2/1939, nunca chegou a reconhecer formalmente a General Franco, e não gostava dele, em virtude das ligações deste à Alemanha Nazi.

A grande tragédia desta civilização pós-Cristã, é ter caído num fojo, preparado pelo diabo, de onde ela já não pode sair, por se lhe terem já exaurido todos os recursos, sociais, espirituais e Sobrenaturais; EXPERIMENTOU TUDO, E EM TUDO FALHOU, PORQUE NÃO QUIS EDIFICAR COM NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.

Pouco faltará, decerto, para estar completo o número dos eleitos.

Supliquemos, então, a Deus Nosso Senhor, para que nos enriqueça Sobrenaturalmente com a Sua Graça e os Seus Dons, e nos acolha nos Tabernáculos Eternos, Tesouros Imarcescíveis de Luz Incriada, e Princípio e Fim de todo o nosso ser.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 5 de Dezembro de 2015

 

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5 Respostas para “ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O DESALMADO MATERIALISMO DAS CHAMADAS “DIREITAS”

  1. Henrique dezembro 13, 2015 às 2:59 pm

    Prezados, vocês da Fundação Pro Roma Mariana têm acesso a sacerdotes legítimos que ministrem sacramentos? Há algum tempo venho pensando em visitar Fátima. Buscaria então os sacramentos da Confissão e da Eucaristia. Essa seria possivelmente a primeira vez que eu os receberia, visto que só recebi os seus correspondentes do novo clero – por prudência e por falta do devido discernimento, procuro não ser categórico em afirmar a invalidade deles. Quanto ao Batismo, dizem ser válido mesmo o ministrado pelo novo clero, não?

    Preocupa-me isso, mas não sei se exageradamente. Nesse tempo de confusão é difícil saber quando somos demasiado escrupulosos ou, ao contrário, relaxados.

    Se minha visita a Fátima acontecer, não o será antes de uns oito meses, no mínimo. Ainda teria que tirar passaporte e esperar as próximas férias.

    Se quiserem, podem responder por e-mail.

    Obrigado e que Deus os abençoe.

  2. Jacob dezembro 14, 2015 às 10:23 am

    Para onde quer que se olhe, impera a mentira, o cinismo, a vaidade, o escárnio, a violência, o medo, a idolatria… só há volúpia do poder, do dinheiro, das honras humanas, dos prazeres da carne… de coisas que vão fatalmente virar pó.

    Como é louco o homem!

    Suponha que você fosse um “insider” numa empresa que está à beira da ruína. Você investiria nela toda a poupança da sua vida? Sabendo que é só questão de tempo para que feche as portas e peça falência? É claro que não aplicaria nela nem um centavo.

    Mas não é assim que o homem – desde sempre, mas especialmente o ateu moderno – procede com a vida? Vive para aquilo que vai virar pó, sabe disso e, mesmo assim, dá a isso cada vez menos importância. Zomba e chama de louco aquele que busca, em vez do pó, o que jamais perece.

    • Alberto Cabral dezembro 15, 2015 às 7:28 pm

      O dia está chegando em que os verdadeiros católicos correrão risco iminente de serem encerrados em asilos psiquiátricos.
      Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral. Lisboa.

      • José Lima dezembro 17, 2015 às 10:39 am

        Receio algo ainda pior, isto é, os católicos que ainda restam serem enviados em massa para campos de concentração e/ou serem sumariamente executados.

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