Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A FÉ CATÓLICA É CONSTITUTIVAMENTE MONÁRQUICA

CRISTO RE DELL'UNIVERSO BELLISSIMO

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X em passagens da carta encíclica “Communium Rerum”, promulgada em 21 de Abril de 1909:

«Entre estas desventuras públicas, devemos gritar mais alto e ìntimamente as grandes verdades da Fé, não apenas aos povos, aos humildes, aos aflitos, mas também aos poderosos, aos que vivem bem, aos árbitros e conselheiros das Nações; intimar a todos as grandes verdades, que a História confirma com suas terríveis lições sangrentas; como esta de que “o pecado é a vergonha dos povos”(Pr 14,34). “Os poderosos serão provados com rigor” (Sb 6,7); daí a advertência do Salmo 2: “E agora Reis, sede prudentes, deixai-vos corrigir juízes da Terra. Servi a Deus com temor, beijai seus pés com tremor, para que não se irrite e pereçais no caminho”. E de tais ameaças é de esperar mais amargas as consequências, quando as culpas sociais se multiplicam, QUANDO O PECADO DOS GRANDES E DO POVO ESTÁ SOBRETUDO NA EXCLUSÃO DE DEUS E NA REBELIÃO À IGREJA DE CRISTO – DUPLA APOSTASIA SOCIAL, QUE É FONTE LASTIMÁVEL DE ANARQUIA, DE CORRUPÇÃO, DE MISÉRIA SEM FIM, POR PARTE DOS INDIVÍDUOS E DA SOCIEDADE.

Que de tais culpas nós podemos nos tornar participantes, com o silêncio e com a indolência, coisa não rara até entre os bons, cada um dos sagrados pastores considere dito a si, para a defesa da sua grei, e aos outros inculque oportunamente, o que Anselmo escrevia ao poderoso Príncipe da Flandres: “Peço, esconjuro, admoesto, aconselho, como vosso fiel, meu Senhor, e como em Deus verdadeiramente amado, QUE NÃO ACREDITEIS NUNCA QUE DIMINUA A DIGNIDADE DE VOSSA ALTEZA SE AMAIS E DEFENDEIS A LIBERDADE DA ESPOSA DE DEUS E VOSSA MÃE, A IGREJA; NEM PENSEIS HUMILHAR-VOS SE A EXALTAIS, NEM ACREDITEIS ENFRAQUECER-VOS, SE A FORTIFICAIS. Vede, olhai ao redor, os exemplos estão ao alcance da mão; considerai os Príncipes que a impugnam e a espezinham, DE QUE LHES SERVE E ONDE CHEGAM?”

(…) Cabe a vós, portanto, Veneráveis Irmãos, que a Divina Providência constituiu Pastores e guias do povo Cristão, resistir bravamente contra esta funesta tendência da moderna sociedade, DE ADORMECER NUMA VERGONHOSA INÉRCIA, ENTRE A PERVERSIDADE DA GUERRA CONTRA A RELIGIÃO, PROCURANDO VIL NEUTRALIDADE, FEITA DE DÉBEIS RECUOS E COMPROMISSOS, EM DESFAVOR DO JUSTO E DO HONESTO, OLVIDANDO O QUE FOI CLARAMENTE EXPRESSO POR JESUS: “QUEM NÃO ESTÁ COMIGO – ESTÁ CONTRA MIM.”(Mt 12,30).»
A Criação, em si mesma, constitui uma verdadeira Monarquia, sendo Deus Uno e Trino o Seu Soberano. Efectivamente, de uma forma ou de outra, tudo, absolutamente tudo, tem que ser reconduzido ao Princípio da Absoluta Indivisibilidade e Unidade, pois só assim será, concomitantemente, Verdadeiro e Bom. Tudo o que Deus Nosso Senhor criou, é, e só pode ser, rigorosamente hierárquico. O próprio mundo angélico é hierárquico, permanecendo os Anjos mais perfeitos numa maior intimidade Sobrenatural e Beatífica com o seu Criador, d’Ele recebendo, directamente, instruções sobre o governo do Universo e a guarda das instituições e dos homens, que deverão transmitir aos Anjos de hierarquia inferior.

SÒMENTE A VERDADE E A BONDADE, NATURAL E SOBRENATURAL, PODE CONSTITUIR, FORMALMENTE, HIERÀRQUICAMENTE, FUNDAMENTO DE UNIDADE. O MAL E O ERRO SÃO UMA SOMBRA, PURAMENTE MATERIAL, DA MESMA UNIDADE. Cumpre assinalar, que metafìsicamente, não há, nem pode haver, o mal absoluto; o mal, como privação qualificada de ser, tem necessáriamente de integrar o ser – CORROENDO-O;  subtraindo-lhe a objectividade e a hierarquia.

A Fé Católica, como Doutrina de Verdade, Sobrenaturalmente revelada por Deus Nosso Senhor; mas igualmente como edifício filosófico, infalível, constituído pela razão humana, extrìnsecamente ilustrada pela Graça Santificante, pelas Virtudes Teologais e Morais, e pelos Dons do Espírito Santo; todo este conjunto magnífico de realidades – que sòmente elas podem conferir sentido à nossa vida – NÃO INCORPORAM, NEM PODEM INCORPORAR, QUALQUER TIPO DE PLURALISMO, ENTENDIDO AQUI, COMO FORMAS ALTERNATIVAS E HETEROGÉNEAS DE PENSAR O HOMEM, O MUNDO, E A VIDA. É nesse sentido que se deve afirmar que a Fé, em si mesma, é totalitária – não, evidentemente, no sentido Hegeliano e Marxista, em que o finito, concebido sem acto metafísico próprio, é considerado um momento na vida do infinito puramente indeterminado – mas como Revelação e expressão da Unicidade absoluta de Deus, cujas Infinitas perfeições foram anàlogamente, logo orgânicamente, manifestadas na Criação. Não confundir a Monarquia de Deus Criador, com a univocidade de concepção filosófica do Mundo. O Ser é análogo, não unívoco; unívocos são os conceitos universais, por exemplo: O homem, a criança, o Anjo; pois que a razão ao formar um conceito comum, necessàriamente, intelectualmente, tem que prescindir de determinadas diferenças – e as diferenças SÃO! Já nos conceitos análogos, muito embora haja sempre de se proceder com abstracção, são afirmadas tais diferenças, por exemplo: o conceito análogo, também chamado colectivo, de – Civilização Europeia; o conceito de – Humanidade; estes são conceitos globalmente mais ricos, embora em certas circunstâncias, menos funcionais, do que os conceitos unívocos, pois ao contrário destes, para idêntica luz intelectual, quando aumenta a extensão do conceito, aumenta igualmente a compreensão. As causas segundas só podem actuar, unìvocamente, TRANSFORMANDO NUM SÓ SENTIDO,(1) substancial ou acidentalmente, a razão das formas; mas sòmente s Causa Primeira pode CRIAR ANÀLOGAMENTE A GLOBALIDADE DO SER.

Determinadas inteligências, ao pensarem a Criação, e o próprio Deus, tendem a unificar, a contrair, a variedade e multiplicidade dos entes criados – EMPOBRECENDO-OS, E EMPOBRECENDO A DEUS! Neste quadro conceptual, Duns Escoto (1265-1308), afirmava que Deus, quer no plano lógico, quer no plano ontológico, pode ser unívoco com a criatura; ora tal, foi expressamente negado por São Tomás de Aquino.

Portanto a Monarquia Divina não suprime, nem diminui, a riqueza intrínseca da Criação, muito pelo contrário – exalta-a, glorificando a Essência Infinita de Deus Nosso Senhor, pois só Ele, na Sua Asseidade, na Sua Eternidade, na Sua Omnipotência, sabe reduzir à unidade anàloga e orgânica uma tão deslumbrante e ubérrima pluralidade; mais ainda, quanto mais rica e excelsa é a variedade, mais Verdadeira e fecunda é a unidade e a organicidade. Todavia, a analogia do Ser não resulta de um acto da Vontade de Deus – É METAFISÌCAMENTE CONSTITUTIVA DO PRÓPRIO DEUS, E PORTANTO DA REVELAÇÃO.

Consequentemente, o Papado, enquanto instituição de Direito Divino Sobrenatural, representa fielmente, neste pobre mundo, a unidade, indivisibilidade e inexorabilidade da Soberania Divina. É do Papado, da Cátedra de São Pedro, que promana todo o poder Espiritual, Sobrenatural; mas também todo o poder temporal, sempre em ordem ao Sobrenatural. O Papado é uma monarquia electiva homogénea, na medida em que o princípio activo da eleição é absolutamente intrínseco ao próprio Papado. Não é uma monarquia hereditária, porque tal não era conveniente ao carácter constitutivamente Sobrenatural da função.

Segundo as disposições de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Vigário de Cristo deve confiar, ordinàriamente, aos soberanos terrenos, a condução efectiva e directa dos negócios temporais, mantendo contudo um função de vigilância e de Jurisdição indirecta sobre a actividade governativa.

Mas se não convém à Cátedra de São Pedro ser uma monarquia hereditária, precisamente o oposto se deve inferir das monarquias terrenas; POIS QUE O VÍNCULO ORGÂNICO AGREGADOR DAS FAMÍLIAS DEVE SER CONSTITUTIVO TAMBÉM DE UMA FAMÍLIA – A FAMÍLIA REAL!

O conceito de Família Real é caracterizadamente operativo e eficaz numa sociedade e num estado concebidos à Luz da Revelação, bem como da sã Filosofia; e portanto em bases essencialistas. O Estado existe para realizar a Glória de Deus e a Salvação das almas, segundo as suas competências próprias, e sob a autoridade da Santa Madre Igreja. Não para realizar a vontade individualista dos cidadãos, singularmente ou em associações inorgânicas. A célula fundamental da sociedade é a família, constituída de harmonia com a Lei Canónica; do seio das famílias e da Santa Igreja deverá originar-se a escola católica, onde nada de menos católico poderá entrar. As famílias devem constituir patrimónios espirituais e morais transmitidos de geração em geração; a própria sociedade no seu conjunto, como grande família sublimadora das famílias, constituirá UM PATRIMÓNIO NACIONAL, ESPIRITUAL, MORAL, SOBRENATURAL E MESMO CULTURAL; lògicamente, um tal património só pode ser administrado pela Família Real, cujo chefe é o Rei, e constitui repositório orgânico e transgeracional de uma configuração humana e terrena, sem dúvida, mas que possui como porto de destino o Reino dos Céus, infinitamente mais importante que todos os reinos da Terra.

Neste quadro conceptual, O REI NÃO PODE DISPOR DO PATRIMÓNIO ESPIRITUAL, MORAL, SOBRENATURAL E CULTURAL DA NAÇÃO. Compete à família real obviar a qualquer infracção ao Estatuto orgânico da sua Pátria. Formalmente se proscrevem assim as chamadas monarquias absolutas, porque absoluto, só Deus!

A Santa Madre Igreja sempre condenou as referidas monarquias absolutas; o Papa Inocêncio XI (1676-1689) chegou a excomungar Luís XIV, ainda que de forma não pública; e é perfeitamente imputável a estes regimes a preparação activa do terreno para a revolução de 1789, autorizando, por exemplo, a publicação da enciclopédia iluminista e ateia.

Concluímos assim o como a Revelação Sobrenatural, e o Magistério multissecular da Santa Madre Igreja e dos Papas, ordinário e extraordinário, se consubstancia numa concepção Essencialista e orgânica do Estado e da sociedade, cuja célula básica é a família, e cuja sublimação espiritual e Sobrenatural, necessàriamente encarnará numa monarquia, hereditária, tradicionalista, orgânica, submetida essencialmente ao Vigário de Cristo, e na qual o testemunho eminentemente moral através das gerações, constituirá o penhor da fidelidade sempre renovada ao Divino Crucificado, Aquele, Cujo Reino, Eterno e Imutável, constitui, ou deve constituir, Causa Eficiente, Causa Exemplar e Causa Final, dos reinos deste mundo.

 

NOTA.1 – No plano físico a causalidade humana é unívoca; todavia, pela sua inteligência, pelo domínio parcial das leis da natureza, pode o homem conjugar qualificadamente diversos efeitos naturais, multiplicando assim, anàlogamente, o seu raio de acção.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 26 de Abril de 2015

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