Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O GALICANISMO COMO FUNDAMENTO DOS PRINCÍPIOS DE 1789

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves CabralJesus e Pedro

 

Escutemos o Papa Pio IX, em excertos da Constituição Apostólica “Pastor Aeternus”, promulgada em 18 de Julho de 1870:

«Se alguém disser que o beato Apóstolo Pedro não foi constituído por Cristo Senhor como Príncipe de todos os Apóstolos, e Cabeça visível de toda a Igreja militante; ou que ele, directa e imediatamente, recebeu do Senhor Nosso Jesus Cristo, sòmente um Primado honorífico,  e não um Primado de verdadeira e própria Jurisdição: SEJA ANÁTEMA.

Se portanto, alguém disser, que não é por instituição do próprio Cristo Senhor, ou por Direito Divino, que o Beato Pedro sempre teve sucessores no Primado  da Sua Igreja Universal; ou que o Romano Pontífice não é sucessor do Beato Pedro neste Primado – SEJA ANÁTEMA.

Se alguém disser, que ao Romano Pontífice, cabe apenas a tarefa de vigilância e direcção, e não, ao invés, um pleno e supremo poder de Jurisdição sobre toda a Igreja, não apenas em matéria de Fé e de costumes, mas também em tudo o que se refere à disciplina e governo da Igreja Universal; ou que ele tem apenas a parte mais importante, e não a plenitude desse poder, ou que esse não é ordinário e imediato, sobre todas e cada uma das igrejas; como sobre todos e cada um dos singulares pastores: SEJA ANÁTEMA.

O Primado Apostólico que o Romano Pontífice possui sobre a Igreja Universal, como Sucessor de Pedro, Príncipe dos Apóstolos, compreende também o Supremo Poder do Magistério. Esta Santa Sé sempre deu crédito a isso, o costume perpétuo da Igreja prova-o, e o declaram os Concílios Ecuménicos, sobretudo aqueles em que o Oriente se encontrava com o Ocidente na união da Fé e da Caridade. Com efeito, os Padres do IV Concílio de Constantinopla, seguindo as pegadas dos seus predecessores, formularam essa solene Profissão de Fé: “A primeira condição para a salvação é a de guardar a regra da recta Fé”. Uma vez que não se pode tornar letra morta a expressão do Senhor Nosso Jesus Cristo, que diz: “Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a Minha Igreja (Mt 16,18)”; esta afirmação se verifica nos factos, porque na Sé Apostólica a Religião Católica sempre foi conservada sem mancha, e a Doutrina Católica sempre professads ns sua Santidade. Desejosos de não nos separarmos em nada desta Fé e desta Doutrina… esperamos merecer estar numa única comunhão que a Sé Apostólica anuncia, e sobre a qual repousa inteira e verdadeira a solidez da Religião Cristã. Com a aprovação do II Concílio de Lião, os gregos professaram: “A Santa Igreja Romana tem o Sumo e pleno Primado e Principado sobre toda a Igreja Católica, que esta reconhece, com verdade e humildade, ter recebido, com a plenitude do Poder, do Senhor, na pessoa do Bem-Aventurado Pedro, Cabeça dos Apóstolos, de quem o Romano Pontífice é o Sucessor. E como tem o dever de defender, sobretudo, a Verdade da Fé, assim as disputas que surgissem, a propósito da Fé, devem ser resolvidas por Juízo seu”. Enfim, o Concílio de Florença definiu  que: “O Pontífice Romano é o verdadeiro Vigário de Cristo, Cabeça de toda a Igreja, PAI E DOUTOR DE TODOS OS CRISTÃOS, A ELE, NA PESSOA DO BEM-AVENTURADO PEDRO, FOI CONFIADO PELO SENHOR NOSSO JESUS CRISTO O PLENO PODER DE APASCENTAR, REGER E GOVERNAR A IGREJA UNIVERSAL.”»   

 

Monsenhor Henry Delassus (1836-1921) foi um grande paladino da Fé Católica contra toda a espécie de laicismo e modernismo; jornalista e grande polemista, sofreu contudo graves dissabores, durante o Pontificado de Leão XIII, e foi notificado pela Santa Sé para que “cessasse as suas polémicas”. Para compreender estes acontecimentos, devemos recordar-nos de que o Secretário de Estado dessa época era precisamente Mariano Rampolla, o cardeal vetado pela Áustria no Conclave de 1903, e pòstumamente verificado como apóstata e maçon infiltrado. Mas São Pio X soube compreender, admirar e estimular a coragem Sobrenatural de Monsenhor Delassus, louvando-o pùblicamente e nomeando-o Protonotário Apostólico e Deão do Cabido de Lille.

Monsenhor Delassus possuiu plena consciência do plano infernal da maçonaria internacional para conquistar a face humana do Corpo Místico, e a partir daí, edificar UM MONSTRO, o qual possuiria o nome e a exterioridade da Igreja, mas que na realidade seria a maçonaria internacional.

Como cidadão francês, Monsenhor Delassus nutria perfeito conhecimento do nefasto papel desempenhado pelo galicanismo no fermentar dos princípios da revolução de 1789, e nunca o ocultou.

Efectivamente, embora se possa afirmar que houve duas versões do galicanismo: Uma civil e outra eclesiástica; é certo que ambas concorreram para corromper os espíritos.

O galicanismo pròpriamente eclesiástico constituiu uma consequência directa do Grande Cisma do Ocidente (1377-1417); exactamente pela ausência de certeza sobre qual seria o verdadeiro Papa, embora a maioria dos espíritos mais nobres se inclinasse muito fortemente para o Papa de Roma; tal não impedia que santos, como São Vicente Ferrer, fossem favoráveis a Avinhão. Por isso não é correcto afirmar que Gregório XII, Papa de Roma, foi deposto em Pisa, porque este falso concílio invàlidamente convocado por cardeais dissidentes, quer de Gregório XII, quer de Bento XIII (Pedro de Luna), mesmo que fosse legítimo, nunca poderia depôr um Papa. Foi no Concílio de Constança (1415)que as vozes galicanas se ergueram para proclamar a superioridade do Concílio sobre o Papa, como um princípio de Direito Público interno Eclesiástico. Não olvidemos, contudo, que o Papa de Roma, Gregório XII, antes de abdicar em Constança, NUM ACTO DE VERDADEIRA SOBERANIA PONTIFÍCIA VALIDOU CANÒNICAMENTE O PRÓPRIO CONCÍLIO DE CONSTANÇA, QUE HAVIA SIDO ILEGÌTIMAMENTE CONVOCADO PELO IMPERADOR EM COLABORAÇÃO COM JOÃO XXIII, O SEGUNDO “PAPA” DE PISA. Ulteriormente, o Papa Martinho V, que havia sido eleito em Constança (1417), produziu asserções notabilíssimas no sentido de enquadrar o galicanismo de Constança numa tomada de posição puramente acidental relevante da situação de emergência que a Santa Igreja atravessava. Mas a realidade foi que os falsos princípios galicanos conciliaristas se manifestaram fortemente no Concílio de Basileia (1431), elegendo um anti-papa, obrigando o Papa Eugénio IV, sucessor de Martinho V, a deslocar o concílio, primeiro para Bolonha, depois para Ferrara e Florença (1439) onde se verificou uma vigorosa projecção da Doutrina Católica. Mas já em 1438, Carlos VII, rei de França, na Pragmática Sanção de Bourges, procurava introduzir em França a subalternização da Cátedra de São Pedro em prol da assembleia conciliar.

Em síntese, devemos concluir que o conciliarismo galicano destrói o Direito Divino constitutivo da Santa Madre Igreja, rebaixando-o a democrático, quando na realidade se trata de uma monarquia não hereditária de Direito Divino Sobrenatural.

Efectivamente, o Vinculo Sobrenatural de Unidade, de Indefectibilidade e de  Infalibilidade, da Santa Igreja, reside na Cátedra de São Pedro, pois só esta possui uma união transcendental com Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o Romano Pontífice é Seu Vigário na Terra.

O Vaticano 2, procurando impor uma concepção de dois princípios – JÁ NÃO DE INFALIBILIDADE, PORQUE ERA AGNÓSTICO, MAS DE SIMPLES AUTORIDADE – inadequadamente distintos: O Papa e o episcopado mundial; transformava o primeiro num simples moderador, coordenador e executor das decisões dos bispos. E se esta tese não avançou ainda mais, devia-se ao facto de os modernistas necessitarem de um MOTOR PROGRESSITA, que defenestrasse uma Cúria ainda Católica.

A face civil do galicanismo possui real comensurabilidade com a face eclesiástica, pois limita o poder da Igreja e do Papa a questões puramente espirituais, negando assim o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, O QUAL, COM O SEU VIGÁRIO, CONSTITUEM UMA SÓ CABEÇA DO CORPO MÍSTICO, À QUAL ESTÃO SUJEITOS, MESMO TEMPORALMENTE, REIS E IMPERADORES.

Em 1682, o ímpio rei Luís XIV, prepotente na sua sobranceria ateia, encarregou Bossuet (que só por isso jamais poderia ser canonizado) de redigir a declaração galicana mais demoníaca, condenada pelo Papa Beato Inocêncio XI, o qual chegou mesmo a excomungar privadamente o rei. Tal declaração como que sintetizava todos os aspectos eclesiásticos e civis do galicanismo, declarando-o Lei do Estado. É certo que o mesmo rei a revogou doze anos mais tarde; mas o que é mais grave é a mentalidade laica e ateia da classe política europeia que grassava em crescendo desde a denominada Paz de Vestefália (1648) e que fora severamente condenada pelo Papa Inocêncio X.    

Se o Romano Pontífice não possui mais poder temporal, então segue-se que a religião é um conto de fadas; efectivamente, constituindo o Estado uma realidade soberanamente objectiva, então pertencem à sua Jurisdição coactiva, necessáriamente, todas as realidades igualmente objectivas, logo, em primeiro lugar, a sacrossanta Religião Católica, a mais objectiva e transcendente de todas as realidades. Em Caso contrário, então a religião é aviltada ao nível DE UM SUBJECTIVISMO SENTIMENTALISTA, E A UMA ORGANIZAÇÃO PURAMENTE TERRENISTA E HUMANITÁRIA – QUE FOI PRECISAMENTE O QUE SUCEDEU COM O NUNCA SUFICIENTEMENTE AMALDIÇOADO VATICANO 2.

Neste quadro conceptual, deve inferir-se que a preparação da revolução de 1789 foi concretizada com séculos de antecedência, corrompendo mentalidades, fomentando a denominada “monarquia absoluta” que em mais não consistia senão em considerar a religião como ornamento do estado, e meio de coesão político social. A revogação do Édicto de Nantes, em 1685, não obedeceu a critérios pròpriamente religiosos, mas à referida necessidade de coesão, A QUAL CONSTITUI UM VALOR EMINENTEMENTE A SALVAGUARDAR, SEM DÚVIDA; MAS A RELIGIÃO É INFINITAMENTE MAIS DO QUE ISSO.

O Vaticano 2 fundiu as duas faces do galicanismo numa política apóstata, transformando a face humana do Corpo Místico numa seita revolucionária, anárquica, fabuladora de contos de fadas para fascinar as massas, enquanto, subliminalmente, lhes administra o veneno mortal do ateísmo.

As instituições, e mesmo a face humana do Corpo Místico, ainda que formalmente existentes, podem ser corroídas, paulatinamente, mas com eficácia, em virtude da miséria humana e da acção de satanás. Só a virtude Sobrenatural, com a Graça de Deus, poderá reconstituir – na absoluta fidelidade aos princípios, e perenemente sustentada no Santo Sacrifício da Missa e na Mediação da nossa querida Mãe do Céu – o nosso Tabernáculo neste pobre mundo, o nosso Tabor, Princípio de Eternidade, Luz infinita por entre as dores do nosso terreno Calvário – A NOSSA SANTA MADRE IGREJA.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 20 de Janeiro de 2016

 

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