Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

REVELAÇÕES PARTICULARES E DIREITO PÚBLICO DA SANTA MADRE IGREJA

santana
Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Satis Cognitum”, promulgada em 29 de Junho de 1896:

«Ainda que Deus possa operar de per si, com seu poder, o que opera a natureza criada, contudo Ele quis, com benigno conselho da Sua Providência, servir-Se dos homens para ajudá-los; e como na Ordem Natural, Deus quis servir-Se da obra e da contribuição do homem, para comunicar às coisas a perfeição conveniente, assim também procede, para conceder a Santidade e a Saúde (espiritual) ao Homem. Ora é sabido que não pode haver nenhuma comunicação entre os homens  a não ser por coisas externas e sensíveis. Por isso o Verbo assumiu a Natureza Humana, e ” tendo a condição Divina, esvaziou-Se a Si mesmo, e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana”(Fl 2, 6-7); e assim, morando na Terra, ensinou pessoalmente a Sua Doutrina e os preceitos da Sua Lei.

E COMO ERA CONVENIENTE QUE A SUA MISSÃO DIVINA FOSSE PERENE, REUNIU À SUA VOLTA ALGUNS DISCÍPULOS DA SUA DOUTRINA, E TORNOU-OS PARTICIPANTES DO SEU PODER; E TENDO CHAMADO DO CÉU, SOBRE ELES, O ESPÍRITO DE VERDADE, MANDOU-LHES PERCORRER TODA A TERRA, PREGANDO FIELMENTE O QUE LHES TINHA ENSINADO E MANDADO, PARA QUE TODO O GÉNERO HUMANO PUDESSE CONSEGUIR A SANTIDADE NA TERRA E A FELICIDADE ETERNA NO CÉU.

Por essa finalidade, e por força deste princípio, foi gerada a Igreja, a qual, se considerarmos o Fim Último a que é dirigida, bem como as causas próximas da Santidade, É CERTAMENTE ESPIRITUAL; mas se considerarmos os membros que a compõem, e os meios que levam à consecução dos Dons Espirituais, É EXTERNA E NECESSÀRIAMENTE VISÍVEL.  (…)

Disso deriva que erram grave e fatalmente os que se forjam na mente, e a seu talante, uma Igreja latente e não visível; assim como os que a julgam instituição humana com um determinado ordenamento de disciplina e de ritos externos, MAS SEM A COMUNICAÇÃO PERENE DOS DONS E DA GRAÇA DIVINA, E SEM AS COISAS QUE, COM MANIFESTAÇÃO CLARA E QUOTIDIANA, ATESTEM QUE SUA VIDA DERIVA DE DEUS.

ORA, CAUSA REPULSA, QUE AMBAS AS COISAS SEJAM A IGREJA DE JESUS CRISTO, QUANTO O HOMEM SEJA SÒMENTE CORPO, OU SÒMENTE ESPÍRITO.»
Uma das características fundamentais da mentalidade modernista é a obliteração do conceito de Revelação Sobrenatural. Efectivamente o Decreto “Lamentabili”, emanado do Santo Ofício, em 3 de Julho de 1907, o qual precedeu a encíclica “Pascendi”, consigna, entre as proposições modernistas severamente condenadas, a seguinte: “A Revelação, mais não pode ser, do que a progressiva consciência que a Humanidade tomou das suas relações com Deus”.

Ora a definição de Revelação é a seguinte: Uma intervenção, positiva, objectiva, de Direito, de Deus na História Humana, ilustrando-a Sobrenaturalmente com o Lume Salvífico da Sua Verdade Providencial. Trata-se pois de uma comunicação aos homens de Verdades Divinas, operada pelo próprio Deus, através da Sagrada Escritura e da Tradição, E SOB A PLENA JURISDIÇÃO E O MAGISTÉRIO DA SANTA MADRE IGREJA. E não um desenvolvimento subjectivista de pensamentos humanos, operado por uma evolução cultural, também humana; como pretende o modernismo; na exacta medida em que para este, O ÚNICO “deus” REDUZ-SE À HUMANIDADE EM EVOLUÇÃO VITAL E CULTURAL.

Na Ordem Natural, com os “Preambula Fidei,” a inteligência bem orientada por uma vontade, séria, honesta e objectiva, procede a um raciocínio indutivo, no qual a partir dos dados da experiência, e aplicando o Princípio da Razão Suficiente, se alcança a realidade Divina. Teòricamente, nem mesmo é necessário invocar a Graça Medicinal para a operação dos “Preambula Fidei”, EMBORA, DE FACTO, ELA INTERVENHA.

Ora, o que se obtém com recurso à nossa inteligência natural, é INFINITAMENTE SUPERADO POR AQUILO QUE NOS VEM DE DEUS: AS VIRTUDES TEOLOGAIS E MORAIS; A GRAÇA; OS DONS DO ESPÍRITO SANTO; E A PRÓPRIA REVELAÇÃO SOBRENATURAL, AQUI ENCARNADA NA SAGRADA ESCRITURA E NA TRADIÇÃO, E SOB A JURISDIÇÃO E O MAGISTÉRIO DA SANTA MADRE IGREJA, como foi dito.  

A elevação ao estado Sobrenatural É CONSTITUTIVA DA REVELAÇÃO, E VICE-VERSA. Deus não nos comunicaria o Seu Pensamento Salvífico, bem como a Sua Vida íntima, sem nos elevar, pela Graça, pelas Virtudes e pelos Dons, a um estado Sobrenatural transcendentalmente comensurável com tal Revelação. A Revelação Sobrenatural é PÚBLICA DE DIREITO, por definição, pois consubstancia, no campo cognitivo, a realidade providencial dos bens celestes outorgados à humanidade.

Exactamente por isso, toda a Divina Revelação é objecto do Acto de Fé, porque embora o Magistério, Ordinário e Extraordinário, da Santa Madre Igreja e do Papa, obrigue de forma especial, sob pena de qualificação de heresia; toda a restante Revelação contida na Sagrada Escritura, uma vez suficientemente proposta, não pode ser rejeitada, sob pena de condenação Eterna.

Não se pode afirmar, por exemplo, que a História de Adão e Eva é um mito, e permanecer católico; nem produzir asserções no sentido de haver na Sagrada Escritura “histórias piedosas, mas inventadas” como, por exemplo, o Livro de Tobias. Porque a Revelação encarnou numa História Verdadeira, mas História Sagrada, e não História Profana.

Então o que distingue a REVELAÇÃO das revelações particulares?

As revelações chamadas particulares, denominam-se assim, NÃO PARA AS EXCLUIR DA VONTADE SALVÍFICA DA PROVIDÊNCIA DIVINA, muito pelo contrário, ELAS INSEREM-SE NOS PLANOS DA PROVIDÊNCIA, CONSTITUEM UMA  SINGULAR DELICADEZA DA PROVIDÊNCIA, MAS A TÍTULO ACIDENTAL EXTRÍNSECO E NÃO ESSENCIAL, COMO QUANDO SE TRATA DA REVELAÇÃO PRÒPRIAMENTE DITA, A QUAL SE ENCERROU COM A MORTE DO ÚLTIMO APÓSTOLO.

As Aparições de Fátima, assim como as de La Salette, consequentemente, DIRIGEM-SE MAIS A TODA A IGREJA COMO INSTITUIÇÃO SOBRENATURAL DE DIREITO PÚBLICO, e embora não integrem a Revelação, constituem, extrínseca e acidentalmente, um desenvolvimento aasaz esclarecedor, querido pela Providência, sobre as vicissitudes da Humanidade na Idade pré-escatológica, que é também pós-cristã, e respectivo corolário de remédios Sobrenaturais. Além disso nem todas as Aparições são estritamente particulares; o Milagre do Sol, por exemplo, o qual consagrou as Aparições da nossa querida Mãe do Céu, foi público, para crentes e descrentes, como o certificam os jornais da época; e observado pelo Cardeal Pacelli nos jardins do Vaticano.

Já as Aparições de Nossa Senhora de Lourdes, inclinam-se mais AOS MISTERIOSOS CAMINHOS DE SANTIDADE DAS ALMAS PIEDOSAS; consequentemente dirigem-se mais à Santa Madre Igreja, CONCEBIDA COMO SOCIEDADE MÍSTICA DAS ALMAS EM ESTADO DE GRAÇA, EM PERMANENTE INTIMIDADE SOBRENATURAL COM NOSSO SENHOR JESUS CRISTO E SUA SANTÍSSIMA MÃE. Mas todas as mensagens celestes, que em derradeira análise, só podem provir de Deus Uno e Trino, o objectivo último é a solicitação de Penitência e Santificação, tanto aos indivíduos como às Nações.  

Inversamente, no que concerne à procura de soluções concretas para os problemas  decorrentes da Jurisdição e da Política eclesiástica, embora se possam receber e acolher conselhos celestes, NENHUMA SOLUÇÃO TEOLÓGICA E CANÒNICAMENTE VINCULANTE PODE SER FACULTADA PELO CÉU, PORQUE TAL CONSTITUIRIA UMA VIOLAÇÃO DO DIREITO PÚBLICO ECLESIÁSTICO, ENQUANTO PARTICIPA DA PROVIDÊNCIA DIVINA, E QUE É DE DIREITO DIVINO SOBRENATURAL. Em particular, JAMAIS, EM CASO ALGUM, NENHUMA NOMEAÇÃO PAPAL PODERÁ SER RECEBIDA DIRECTA E IMEDIATAMENTE DO CÉU. Nem nomeação Papal, nem episcopal, nem qualquer disposição canónica concreta.

Deus Nosso Senhor criou o mundo natural, Anjos e Homens, elevando-o ao estado Sobrenatural; mas assim como Deus não governa o mundo através de milagres, físicos e morais – o que aliás constituiria a negação do conceito de Providência – também governa a Santa Madre Igreja de modo que esta se governe a si mesma, sempre em obediência à sua Constituição de Direito Divino Sobrenatural, outorgada pelo Redentor a título perpètuo, até ao Dia do Juízo.

Sòmente pelo que fica dito, verificamos como é falsa a teoria de uma nomeação de um Papa directamente por Nosso Senhor Jesus Cristo; tal tese só demonstra grosseira ignorância do Direito Público Interno Eclesiástico, ou o que é o mesmo, do Direito Constitucional da Santa Madre Igreja. A eleição, ou nomeação, de um Papa, EM SI MESMA, só pode constituir um ACTO EMINENTEMENTE TERRENO E PÚBLICO, NOTÓRIO, OU TENDENCIALMENTE NOTÓRIO, POSSUINDO SUBSEQUENTEMENTE, COMO É EVIDENTE, AS MAIORES CONSEQUÊNCIAS SOBRENATURAIS.

Neste quadro conceptual, cumpre assinalar que um castigo vindo directamente do Céu não pode ser, de forma alguma, assimilado a uma solução canónica concreta para um problema eclesiástico. Poderia sê-lo no Antigo Testamento, mas aí a Revelação ainda não se encontrava consumada, e assim as intervenções de Deus na vida concreta do povo eleito eram permanentes. O castigo do Céu constitui um milagre punitivo utilizado pela Providência Divina para recordar Sobrenaturalmente aos homens os direitos inauferíveis do Criador.

Sem dúvida alguma de que aquilo de que mais necessitamos é de um Papa; mas um Papa verdadeiro, só pode nascer do Direito Constitucional da Santa Madre Igreja, o que significa que tem que ser eleito por representantes qualificados de uma Tradição Católica que não se desvie, nem um milímetro, dos caminhos traçados pela Teologia Moral para uma situação de excepção, conservando, sim, o que promana directamente da Divina Revelação, ainda que alterando tudo o que se apresentar como eivado pela apostasia dos homens.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 7 de Fevereiro de 2016

 

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