Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

CONSTITUIRÁ A FÉ CATÓLICA UMA DOUTRINA PESSIMISTA?

eclisse-del-pensiero_italiano

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Inscrutabili Dei Consilio”, promulgada a 21 de Abril de 1878:

«Está claro, veneráveis irmãos, que a verdadeira civilização carece de fundamentos sólidos, se não estiver fundada sobre os princípios Eternos da Verdade e das normas imutáveis da razão e da justiça, e se uma Caridade sincera não firmar entre si os ânimos de todos e não regular suavemente os deveres recíprocos. E quem terá a coragem de negar que não foi a Igreja que, anunciando o  Evangelho entre as Nações, LEVOU A LUZ DA VERDADE A POVOS BÁRBAROS E SUPERSTICIOSOS, dando-lhes o conhecimento do Criador Divino e a consciência da sua dignidade; que abolindo a escravidão, devolveu ao homem a nobreza original de sua natureza; que levando em toda a Terra a bandeira da Redenção, introduzindo e protegendo as ciências e as artes, fundando e ajudando os institutos de Caridade com finalidade lenitiva de toda a miséria, enobreceu o Género Humano, na sociedade e na família, levantou-o do esqualor, e com toda a diligência formou-o  de acordo com  a dignidade e os destinos da sua natureza? Ora, se se comparasse a idade presente, INIMICÍSSIMA DA RELIGIÃO E DA IGREJA DE CRISTO, com aqueles tempos afortunadíssimos em que a Igreja era venerada como Mãe, sem dúvida se veria como a nossa idade, TODA REVOLVIMENTOS E RUÍNAS,  vai em direcção ao precipício, e que pelo contrário,  aqueles tempos tanto mais floresceram, PELAS INSTITUIÇÕES ÓPTIMAS, PELA VIDA TRANQUILA,  RIQUEZAS E TODOS OS BENS, QUANTO MAIS OS POVOS SE MOSTRARAM OBSEQUENTES, AO GOVERNO E ÀS LEIS DA IGREJA. Portanto, se os muitíssimos bens, que acabamos de lembrar, como derivados do ministério e da influência benéfica da Igreja, são obras e esplendor da civilização verdadeira, é impensável que a Igreja os obstaculize ou evite, quando se ufana, com pleno direito, de ser deles geradora, Mãe e Mestra.

E se uma civilização estivesse em oposição com as Doutrinas Santas e Leis da Igreja, teria sòmente a aparência e o nome de civilização. Prova manifesta disso,  são os povos para os quais não brilhou a Luz do Evangelho, e nos quais, por vezes , foi possível admirar uma APARÊNCIA EXTERIOR DE CIVILIZAÇÃO, mas nunca seus verdadeiros e inestimáveis bens. Não, não é aperfeiçoamento civil o desprezo insolente de todo o poder legítimo; não é liberdade aquela que com meios desonestos e deploráveis se abre caminho com a desenfreada difusão dos erros, com a expansão de toda a cobiça culpáda, com a impunidade dos delitos e perversidades, com a opressão dos cidadãos melhores. Por serem essas coisas falsas, iníquas e absurdas, não podem conduzir a família humana a um perfeito estágio e próspera fortuna; com efeito; O PECADO É A VERGONHA DOS POVOS (Pr 14,34). (…)

Quem dera que a Autoridade do Romano Pontífice nunca tivesse sido desprezada ou recusada! Com certeza O PRINCIPADO CIVIL NUNCA TERIA PERDIDO AQUELE CARÁCTER SAGRADO E SUBLIME QUE A RELIGIÃO LHE TINHA CONFERIDO – O ÚNICO QUE TORNA RAZOÁVEL E ENOBRECE A SUJEIÇÃO.»

A grandeza moral de um homem avalia-se pelo modo essencialmente objectivo, ou não, em como esse homem – independentemente das vicissitudes da sua vida mortal – encara o mundo em que vive; porque tais vicissitudes não devem influir, objectivamente, no Juízo, mais ou menos optimista, mais ou menos pessimista, por ele formulado. Evidentemente, a objectividade total muito difìcilmente pode subsistir neste pobre mundo; e nós verificamos contìnuamente que o “homem comum” não só não JULGA, em sentido formal, como quase sempre se mimetiza da representação momentâneamente mais forte, ou então subordina um juízo que deveria ser eminentemente objectivo, a interesses puramente subjectivos.

Ao contemplarmos o Magistério Multissecular da Santa Madre Igreja, verificamos que paralelamente a um OPTIMISMO ESTRITAMENTE SOBRENATURAL, sobressai UM PESSIMISMO MUITO ACENTUADO NO ATINENTE À CONDIÇÃO HUMANA, CONCRETA, TAL COMO FICOU DEPOIS DO PECADO ORIGINAL. Todavia aqui se deve ressalvar que a Escola Tomista é muito mais pessimista, no que toca à condição humana, do que a Escola Escotista, se bem que nesta última seja mais atenuado o conceito de Ordem Sobrenatural, e correlativo optimismo. Essa atenuação da Ordem Sobrenatural é perfeitamente visível, não só no que concerne à Teologia da União Hipostática, mas igualmente, e de uma forma especial, na Teologia da Predestinação.

Segundo o Tomismo, a Natureza Humana de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma substância incompleta, embora completa como Natureza, isto é – jamais subsistiu por si mesma. Mas para o Escotismo a Natureza Humana de Nosso Senhor – conquanto jamais haja pertencido a uma pessoa humana – é uma substância completa, porque existe por si mesma, embora seja propriedade do Verbo Divino. No atinente à Predestinação, o Escotismo considera que Deus – através da Sua supercompreensão da vontade criada e da denominada ciência Média, ou ciência dos futuríveis – sabe como as criaturas espirituais procederiam nas diversas situações e circunstâncias da sua vida, e com as diversas Graças que lhes fossem outorgadas; então administra as Graças segundo os méritos previsíveis. A grande falha do Escotismo é sustentar uma zona de livre arbítrio, humano e angélico, TRANSCENDENTALMENTE, FORA E INDEPENDENTE DAS ESSÊNCIAS IMUTÁVEIS, BEM COMO DA INTELIGÊNCIA, VONTADE, OMNIPOTÊNCIA E PROVIDÊNCIA DIVINA. Nesta perspectiva os justos seriam predestinados por serem justos, ao passo que no Tomismo os justos só são justos por serem predestinados. No Tomismo, toda a realidade criada, todos os mistérios do livre arbítrio, humano e angélico, encontram-se transcendentalmente medidos pelas essências imutáveis, virtualmente presentes em Deus, e pela Inteligência, Vontade, Omnipotência e Providência Divina.

Consequentemente, assim como no Tomismo a vida Sobrenatural é acentuadamente mais intensa, É IGUALMENTE MAIS OBJECTIVA.

Genèricamente, e dentro de certos limites, quanto mais autonomia se concede à Ordem Natural, face á Ordem Sobrenatural, menos pessimista, ou mais optimista, se é em relação a este pobre mundo e à vida em geral. Suarez (1548-1617) e Vitória (1492-1546), constituem exemplos de exagerada autonomia atribuída às realidades naturais, com consequente perda de vida Sobrenatural.  Contudo, o pessimismo antropológico nunca pode ultrapassar determinados limites sem colocar em causa a Bondade Divina e a elevação ao estado Sobrenatural.  Neste particular, como em tudo o mais, devemos adoptar um equilíbrio Sobrenatural que nos garanta uma Caridade, um amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas, que nos permita viver na extrema fealdade moral deste desgraçado mundo, O MAIS POSSÍVEL, COMO SE JÁ HABITÁSSEMOS O CÉU.

Um optimismo absoluto, no sentido de pensar que todos os homens serão salvos, porque no fundo são bons, e que toda a humanidade irá em breve abraçar a Fé Católica – CONSTITUI UMA POSIÇÃO APÓSTATA, POIS CONTRADIZ A REVELAÇÃO, BEM COMO O MAGISTÉRIO MULTISSECULAR DA SANTA MADRE IGREJA. Um mundo convertido integralmente, já não seria este mundo, considerado por Nosso Senhor Jesus Cristo e pelo Magistério da Santa Madre Igreja O PRIMEIRO INIMIGO DA ALMA. Que a grande maioria da humanidade se condena, nunca foi, nem podia ser definido como Verdade de Fé, mas é Doutrina comum dos teólogos de orientação tomista, quase todos até ao século XVIII, bem como dos Padres da Igreja, bem como dos grandes santos da Cristandade. E o Magistério da Igreja, através do Index, condenou algumas obras que propunham que os eleitos são a grande maioria. São Tomás de Aquino explana que na natureza, inorgânica, vegetal e animal, a anormalidade, que é uma privação de ser, é excepcional; já numa ordem humana, estritamente natural, se verifica que a grande maioria tende decididamente para a mediocridade, quer moral, quer intelectual, embora possua perfeições suficientes para governar a sua vida, sendo poucos os excepcionais, quer moral, quer intelectualmente; mas na Ordem Sobrenatural, continua São Tomás, a excepcionalidade, ou seja, a Santidade, é ainda mais rara, tendo em conta as consequências do pecado original. Tal não diminui, nem a misericórdia Divina, nem a Glória de Deus anunciada, extrìnsecamente, pela Criação, porque o mal, que Deus não quer, mas permite, possui a função ontológica e moral de fazer enaltecer e sobressair o Bem, porque a referida Glória Divina não se obtém apenas do êxtase Sobrenatural e beatífico dos Bons, mas também do castigo Eterno do Inferno. É certo que os Predestinados o são por Decreto Positivo e Eterno de Deus Nosso Senhor, não em sentido puramente estatístico, mas individualmente considerados. Só os eleitos são predestinados; os réprobos são certamente conhecidos por Deus e objecto de Providência positiva própria naquilo que possam ter de bom na ordem natural; mas na sua maldade, enquanto recusa obstinada da Ordem Sobrenatural, não são objecto de uma Providência Positiva própria, nem a sua perversidade, enquanto tal, é querida ou predestinada por Deus, sendo apenas permitida no quadro mais vasto da Ideia Global da Criação, Eternamente presente e querida na Inteligência e Vontade Divina.

Deste quadro conceptual se infere que a Sacrossanta Doutrina Católica é demasiado complexa para poder ser compartimentada em divisôes  simplistas de pessimismo ou optimismo; nem isso interessará; porque para uma alma em Graça, o significado ontológico e moral do mundo é absolutamente incomensurável com aquele das almas sem Fé.

O falso optimismo da seita anti-Cristo, o falso optimismo dos “papas”da morte de Deus, o falso optimismo da “Gaudium et Spes” é precisamente o optimismo de Judas Iscariotes quando beijou, deicidamente, o seu Mestre – TERMINARÁ SUICIDÀRIAMENTE NO MAIS PROFUNDO DOS INFERNOS!

Em última e derradeira análise,o verdadeiro optimismo será sempre apanágio das almas sobrenaturalmente boas; e o verdadeiro pessimismo será o próprio daqueles que rejeitaram a Cruz de Nosso Senhor, rejeitando a única distinção Absoluta, Eterna e Imutável entre o Bem e o mal, e a Fonte Incriada daquela felicidade que não é deste mundo e que nenhum pessimismo nos conseguirá arrebatar.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 28 de Janeiro de 2016

 

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