Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A ALIANÇA SOBRENATURAL ENTRE A DOÇURA E A FORÇA DA JUSTIÇA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

 

Escutemos o Papa Bemto XV, em excertos da encíclica “Ad Beatissimi Apostolorum Principis“, promulgada em 1 de Novembro de 1914:

«Confessamo-lo, veneráveis irmãos, o primeiro sentimento que experimentamos, despertado, por certo, pela bondade Divina, foi uma incrível palpitação de afecto, e de desejo, para a salvação de todos os homens; e ao assumir o pontificado, nós o fizemos com aquele mesmo desejo que Jesus expressou  quando estava prestes a morrer na Cruz: “Pai Santo, guarda no Teu Nome os que me deste”  (Jo 17,11).

Por isso, quando deste lugar da Apostólica dignidade, pudermos contemplar  o curso dos acontecimentos humanos, vendo-nos diante da mísera condição da sociedade civil, experimentamos uma profunda dor. Como poderia ter acontecido que, tornando-nos o pai de todos os homens, não sentíssemos despedaçar o coração ao espectáculo da presença da Europa, e com ela do mundo todo, neste tétrico espectáculo, o mais enlutado da História?

O tremendo fantasma da guerra domina por todo o lado, e quase não há outro pensamento que ocupe agora as mentes. Nações grandes e fortes lá estão no campo de batalha. Crêem maravilhoso estar aparelhadas daqueles horríveis meios que o progresso da arte militar inventou, e confrontam-se em gigantescas carnificinas.

Mas não é sòmente a actual guerra sangrenta que funesta as Nações, e a nós traz amargura e atormenta o espírito. Existe outra e enfurecida guerra QUE CORRÓI AS VÍSCERAS DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: GUERRA QUE ESPANTA TODA A PESSOA DE BOM SENSO, PORQUE ENQUANTO ACUMULOU E ACUMULARÁ PARA O FUTURO TANTAS RUÍNAS SOBRE AS NAÇÕES, DEVE TAMBÉM CONSIDERAR-SE, ELA PRÓPRIA, A VERDADEIRA ORIGEM DA LUTA PRESENTE. EM VERDADE, DESDE QUANDO SE DEIXOU DE OBSERVAR NO ORDENAMENTO ESTATAL AS NORMAS E AS PRÁTICAS DA SABEDORIA CRISTÃ, QUE GARANTIAM A ESTABILIDADE E A PAZ DA INSTITUIÇÃO, AS NAÇÕES COMEÇARAM A VACILAR EM SUAS BASES, SEGUINDO-SE TAL MUDANÇA NAS IDEIAS E NOS COSTUMES QUE SE DEUS DE IMEDIATO NÃO PROVÊ, PARECE IMININENTE O ESFACELAMENTO DO CONSÓRCIO HUMANO.

As desordens desencadeadas são estas: A falta de mútuo amor entre os homens; o desprezo da autoridade; a injustiça do relacionamento entre as várias classes sociais; o bem material feito único objectivo da actividade do homem, como se não existissem outros bens, e muito melhores, para conseguirem.

São esses, ao que nos parece, os quatro factores da luta, que vêm arruinar o mundo. É preciso, então, diligentemente agir para extirpar tais desordens, relembrando os princípios do Cristianismo, se há verdadeira intenção de estancar todo o conflito e pôr em ordem a sociedade.»  

 

A Lei do Dogma é necessàriamente, metafìsicamente, a Lei da Moral; consequentemente o Lume Divino que unifica e vivifica o Dogma, unifica vivifica igualmente a moral. Neste quadro conceptual, as virtudes Sobrenaturais constituem um feixe extraordinàriamente coeso, coerente, pois que se exigem mùtuamente na Verdade e na Santidade.

Não se pode ser, verdadeiramente, Sobrenaturalmente, FORTE sem se ser verdadeiramente, Sobrenaturalmente, CASTO. Porque a Fortaleza procura eficazmente resistir, sem se deixar vencer pelo mal, mas também procura arrostar e vencer os  maléficos obstáculos que se colocam no caminho do Bem; e a Castidade ordena Sobrenaturalmente as paixões sensíveis, imperando-as segundo o escopo da propagação, sacramentalmente rectificada, da espécie, o qual constitui componente medular da Lei Eterna.

Deus Nosso Senhor possui vários Atributos, mas não existe, na Natureza Divina, distinção real entre eles; a Unidade não se distingue, em Deus, realmente da Eternidade, visto que em Deus, a Sua Unidade é a Sua Eternidade; embora o conceito formal de Eternidade difira intrìnsecamente do conceito de Unidade. Diz-se que em Deus a distinção entre os Atributos é virtual maior; porque principalmente introduzida pela nossa mente, ainda que com fundamento perfeitamente objectivo. Embora se não produza o mesmo tipo de distinção entre as virtudes, certamente que o fundamento de todas elas, em hábito e em acto, é a Graça Santificante, enquanto participação na Natureza Divina, na Sua Unidade Santíssima, da qual decorre a operação Sobrenatural da alma, enquanto prossegue teleològicamente a sua Finalidade última, que é também o seu Princípio. ASSIM CONTEMPLAMOS COMO O NOSSO ORGANISMO SOBRENATURAL, AS VIRTUDES TEOLOGAIS, AS VIRTUDES MORAIS, E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO, CONSTITUEM MEIOS DIVINOS, QUE NOS SÃO FACULTADOS POR DEUS NOSSO SENHOR, PARA QUE ALCANCEMOS A VIDA ETERNA COM DEUS NOSSO SENHOR – O PRINCÍPIO, OS MEIOS, E O FIM, SÃO SOBERANAMENTE HOMOGÉNEOS.

Já no que às virtudes naturais concerne, verifica-se uma acentuadamente menor coesão e mútua exigência das mesmas virtudes morais. Tal é fácil de compreender se considerarmos que a Ordem Sobrenatural supera infinitamente a Ordem Natural, e consequentemente tem de SER E OPERAR como participação na Inteligência e Caridade Divina; ORA, DEUS NOSSO SENHOR É A UNIDADE INFINITA.

O mundo apóstata, inimicíssimo de Nosso Senhor Jesus Cristo, não compreende, nem pode compreender, como a perfeição moral Sobrenatural é constitutiva da harmonia profunda entre a Força e a Doçura, esta última não sendo em si mesma uma virtude cardeal, mas o corolário, necessàriamente vinculante, do equilíbrio dinâmico do conjunto do mundo moral. O mundo não compreende com é nessa harmonia que reside, digamos assim, o segredo da Santidade e a quinta-essência do Magistério Moral de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Os Mandamentos da Lei de Deus que nos ordenam o Amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo, por Amor de Deus, hierarquizam objectivamente as nossas relações com o nosso semelhante. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo nos manda amar os nossos inimigos, o que Ele verdadeiramente nos quer transmitir é A ORIENTAÇÃO EMINENTEMENTE OBJECTIVA DE TODO O NOSSO PROCEDER, NO QUAL A VERDADE INCRIADA MEDE NECESSÀRIAMENTE TODA A NOSSA VIDA E TODA A NOSSA OPERAÇÃO. NUNCA DEVEMOS AGIR DETERMINADOS POR MOTIVOS OU PAIXÕES MERAMENTE SUBJECTIVAS, POIS SEMPRE TEREMOS DE TER EM VISTA REFERÊNCIAS OBJECTIVAS, TODAS FUNDAMENTADAS NA SUPREMA OBJECTIVIDADE DIVINA. Temos a obrigação de nos defendermos dos nossos inimigos, porque nós também possuimos a nossa própria realidade objectiva; mas façamo-lo ORDENADAMENTE, SEM ESPÍRITO DE VINGANÇA E ÓDIO PESSOAL, FAÇAMO-LO À LUZ DE UMA SUPERIOR VERDADE OBJECTIVA, COMO PARTICIPANTES DA SANTIDADE DIVINA QUE RESIDE EM NÓS, ACIDENTALMENTE, PELA GRAÇA SOBRENATURAL.

É certo que as consequências do pecado original, que nunca são cem por cento vencidas e dominadas, mesmo nos maiores santos, estimulam DESORDENADAMENTE as nossas tendências sensitivas – feridas PELO ESFORÇO NEGATIVO COM QUE ADÃO PROCEDEU PARA PECAR- nomeadamente o apetite irascível, incitando-o à vingança pura e simples. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós na Cruz, quando éramos pecadores, e Cuja Lei se consubstancia na Caridade da Verdade e na Verdade da Caridade – recordemos o que foi afirmado sobre os Atributos Divinos – solicita-nos que renunciemos à vingança para nos dedicarmos, sim, à FORÇA OBJECTIVA DA JUSTIÇA; PORQUE SÓ A JUSTIÇA É SER, SÓ A JUSTIÇA NOS CONDUZ A DEUS NOSSO SENHOR, NO QUAL RESIDE TODA A NOSSA VERDADE E TODO O NOSSO BEM.

A doçura e o calor humano constituem uma faceta particularizante do amor, embora incluam, ou devam incluir, ORDENADAMENTE, aspectos sensíveis, pois estes participam na definição do Homem como animal racional- JESUS CHOROU, diz o Evangelho (Jo 11,33). O amor em sentido teológico é QUERER O BEM DE ALGUÉM; podemos não gostar de alguém e no entanto somos obrigados a amá-lo, porque esse alguém nos é próximo como ente racional, e pelo menos está em potência para receber a Graça de Deus. Tudo isto não exclui A REPULSA MORAL OBJECTIVA que devemos sentir por tudo e todos os que se opõem à Verdade e à Caridade Divina.  

Porque definitivamente excluídos da amizade e companhia Divina, SÓ OS CONDENADOS AO INFERNO ESTÃO ABSOLUTAMENTE ERRADICADOS DA ESFERA DO AMOR.

Muita gente coloca de boa fé a seguinte questão:  E aqueles habitantes do Reino dos Céus que têm os seus parentes e amigos no Inferno, o que acontecerá muito frequentemente, será que os amam ou odeiam? Na realidade, quem está no Céu participa Eternamente, da Inteligência Divina, da Caridade Divina, da Natureza Divina; LOGO CONTEMPLA TUDO COM OS OLHOS DE DEUS, AINDA QUE CONTINUANDO CRIATURA CONTINGENTE, POIS NÃO PODE COMPREENDER INTEIRAMENTE O INFINITO. CONSEQUENTEMENTE AS PESSOAS QUE AMOU NA TERRA PERMANECEM, PARA ESSE ALGUÉM, ERRADICADAS ETERNAMENTE DA ESFERA DO AMOR. Todavia, se esse habitante do Reino dos Céus, enquanto homem mortal, amou os seus parentes e amigos com VERDADEIRO AMOR SOBRENATURAL, esse amor de modo algum está perdido, POIS POSSUI UM VALOR ETERNO, UM MÉRITO ETERNO, INTEGRANDO ASSIM AQUELE TESOURO INEFÁVEL, QUE AMEALHADO NA TERRA, CONSTITUIRÁ O LUME ARDENTE DA NOSSA CELESTE BEATITUDE.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 10 de Março de 2016

 

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