Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

AS MÁQUINAS NÃO PODEM PENSAR

máquina de pensar

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da encíclica “Aeterni Patris”, promulgada em 4 de Agosto de 1879:

« Ele, Santo Tomás de Aquino, de engenho dócil e agudo, de memória fácil e tenaz,  de vida inocentíssima, amante ùnicamente da Verdade, riquíssimo em ciência Divina e Humana, como um Sol esquentou o mundo com o calor das suas virtudes, e encheu-o com o esplendor das suas doutrina. Não há nenhum argumento filosófico que ele não tenha tratado com agudeza e solidez; disputou de tal forma sobre as leis da dialéctica, de Deus, e das substâncias incorpóreas, do homem e das outras coisas sensíveis, dos Actos Humanos e dos seus princípios, que não se pode desejar mais abundante messe de questões, nem método mais excelente de proceder, nem firmeza de princípios, nem força de argumentos, nem clareza ou propriedade na exposição, nem facilidade em explicar qualquer matéria, mesmo a mais abstrusa.

Acrescente-se a isso que o Doutor Angélico EXPLOROU AS CONCLUSÕES FILOSÓFICAS NAS RAZÕES ÍNTIMAS DAS COISAS, BEM COMO NOS PRINCÍPIOS UNIVERSALÍSSIMOS, OS QUAIS EM SEU SEIO ENCERRAM AS SEMENTES DE VERDADES QUASE INFINITAS, QUE EM TEMPO OPORTUNO, E COM FRUTO ABUNDANTÍSSIMO, SERIAM FEITAS GERMINAR PELOS FUTUROS MESTRES. TENDO ELE USADO TAL MODO DE FILOSOFAR, TAMBÉM PARA REFUTAR OS ERROS, SÒZINHO CONSEGUIU REFUTAR TODOS OS DOS ERROS PASSADOS, E FORNECEU MEIOS PODEROSÍSSIMOS PARA AFUGENTAR OS QUE COM SUCESSÃO PERPÉTUA TERIAM SURGIDO DEPOIS DELE.

Também distinguiu, cuidadosamente, como convém, a razão da Fé; mas unindo ambas em consórcio amigável, conservou íntegros os direitos das duas, e intacta a sua dignidade. Seguiu-se que a razão, elevada por São Tomás ao ponto mais elevado da sua grandeza, quase que desespera de subir mais alto, e a Fé difìcilmente pode esperar da razão ajudas maiores e mais poderosas, do que aquelas que já recebeu, Graças a São Tomás.

Por esses motivos, especialmente no passado, homens muitos doutos e ilustres, pela sua Doutrina Teológica e Filosófica, depois de ter procurado com grande empenho os volumes imortais de São Tomás, dedicaram-se completamente à sua Sabedoria Angélica, não tanto para ter louvor e cultura, quanto para alimentar-se substancialmente dela.»
Deus Nosso Senhor, na Sua Eterna Providência, criou o mundo hieràrquicamente, para que, cada realidade, cada ente, desempenhasse uma  determinada função, que na sua essência é própria e intransmissível; pois que as espécies animais, vegetais, bem como o reino inorgãnico, foram criadas fixas e não intrìnsecamente evolutivas. A própria condição humana, na sua essência, permanece imutável, conquanto a inteligência e indústria humana possam combinar eficazmente as Leis da Natureza em sínteses que sejam úteis e desenvolvam a comodidade da vida. Consequentemente, se os três Reinos da Natureza foram, efectivamente, criados para o Homem; este foi criado para Deus Nosso Senhor, Cuja Glória deve reconhecer e proclamar, amando-O e servindo-O. Se o homem possui uma inteligência que lhe permite extrair uma mais-valia da Natureza, FOI DEUS QUEM LHA FACULTOU, PARA QUE COM ESSA MESMA INTELIGÊNCIA O RECONHECESSE, E PARA ELE VIVESSE.

Os três Reinos da Natureza consubstanciam e definem a nobreza, maior ou menor, da forma substancial que incorporam; todavia o salto entre a realidade inorgânica e a vida só pode ser operado por Deus, enquanto Soberano Criador. Cada espécie, animal e vegetal, é definida por uma forma qualitativa cujas perfeições potenciais são desenvolvidas pela matéria responsável pela individuação; é o conjunto de indivíduos que exprime a riqueza da forma específica.  No Reino mineral, a forma exaure-se completamente constituindo o acto da matéria, é assim uma forma material, sem qualquer maleabilidade para sair de si mesma, e nem mesmo para operar o desenvolvimento orgânico da substância, ou propagá-la.

No Reino Vegetal, a forma vegetativa embora não possa exercer o acto de conhecimento, pode contudo, dentro de certos limites, contactar com o meio, nutrir-se, desenvolver-se e multiplicar-se; possuindo assim uma unidade, verdade e bondade, superior.

No Reino Animal, a forma respectiva já possui a propriedade de assimilar cognitivamente formas que lhe são estranhas, embora sòmente segundo uma faculdade sensitiva, a qual uma vez elaborada pela memória e pela estimativa, se encontra ao serviço do instinto, o qual precisamente se definirá como uma estrutura operativa, inata, estável, intrìnsecamente INCAPAZ DE PROGRESSO, a qual assegura a sobrevivência do indivíduo e da espécie em meio relativamente variável.

Finalmente temos o Homem, criado à parte, não a partir de qualquer matéria orgânica anteriormente existente, mas imediatamente, do pó da terra, isto é, a partir de matéria inorgânica. A forma da espécie humana é a alma, a qual não é criada antes do material genético fornecido pelos pais, mas concriada com ele, após este haver perdido a forma sensível que lhe era natural.

Consequentemente, existe uma única forma substancial em cada indivíduo; no homem, essa forma é formalmente racional e espiritual, e virtualmente sensitiva, vegetativa, inorgânica e substancial.

Situando-se o homem nos confins do mundo visível com o mundo invisível, participa directamente da riqueza de ambos os mundos, o que não acontece com os Anjos; estes possuirão, sem necessidade de estudarem, um conhecimento muito profundo e um poder muito elevado sobre a matéria, MAS NÃO SENTEM A CARNE DA REALIDADE; o homem sente essa realidade material, mas o peso do corpo, agravado substancialmente pelo pecado original, dificulta-lhe o pensamento e o acesso às grandes certezas teológicas e metafísicas.

O salto ontológico essencial do animal ao homem consubstancia-se na capacidade deste último em assimilar um universo inteligível, uma realidade espiritualizada, com maior ou menor compreensão, com maior ou menor extensão, mas sempre absolutamente acima da sensibilidade concreta animal. Porque o homem possui vários níveis de abstracção, podendo conceber, separadamente, na mente, objectos ou formas conceptuais, que na realidade não se podem separar. O homem pode, fundamentalmente, conceber que concebe, distinguir a ordem lógica da ordem ontológica; pode ter consciência que uma coisa é pensar objectivamente em Deus, outra é saber que pensa em Deus mediante conceitos que constituem acidentes na inteligência, que podem ser naturais ou Sobrenaturais, mas são sempre criados, e uma espécie Sobrenatural criada se encontra ainda muito distante da realidade de Deus em Si mesma. Pode assim o homem progredir eficazmente na objectividade, e portanto na Verdade, do conhecimento. Porque, em última análise, o conhecimento constitui-se numa comunhão, maior ou menor, de formas. No animal essa comunhão é muito rudimentar; mas o homem, criado à Imagem e Semelhança de Deus, se neste mundo amar a Deus, Sobrenaturalmente, sobre todas as coisas, e ao próximo por amor de Deus,  na sua Eternidade conhecerá a Deus com absoluta comunhão de formas, pois será então a Essência Divina que operará como Espécie Inteligível na sua inteligência.

A inteligência humana, por depender extrìnsecamente do corpo, necessita da mediação racional, do raciocínio, para conhecer eficazmente; mais ainda, a inteligência humana sabe que não sabe, porque verifica analògicamente que possui em si conteúdos materiais privados da forma do conhecimento. Neste quadro conceptual, saber que nada se sabe, já implica a existência de territórios intelectuais, ainda que privados do acto formal do conhecimento. A inteligência humana, considerada em si mesma, intrìnsecamente, enquanto é ser, possui os chamados Primeiros Princípios do conhecimento, que tais são: O Princípio da Identidade e não contradição, o Princípio da razão suficiente, e o Princípio da analogia geral do ser. O erro nunca pode residir nos Primeiros Princípios em si mesmos, mas na sua aplicação aos dados da vida; o próprio pecado original e suas consequências não atinge esses Princípios, mas sòmente a sua aplicação. Quanto mais ontològicamente elevado é o espírito, mais fecundos se apresentam nele os Primeiros Princípios.

Só uma inteligência criada à Imagem e Semelhança de Deus pode proceder ao Juízo de indução; isto é, partindo de realidades sensíveis, concretas, elaborar princípios gerais, válidos para todo o Universo. Foi assim que Newton formulou a Lei da Gravidade, pois concluiu, por analogia do ser, que a força que mantinha a Lua na sua órbita era a mesma que atraía os corpos para a Terra. Todas as grandes descobertas envolvem múltiplas induções e múltiplas deduções racionais.

Finalmente, como definiremos inteligência? Inteligência é uma participação assimilativa na luz do ser; é a capacidade de assimilar princípios que nos ministrem uma imagem espiritual do ser e do Universo; é uma comunhão de formas, como já se referiu; na exacta medida em que o sensível concreto não é inteligível em acto, como erradamente pernsam os escotistas, consequentemente, o intelecto, na sua função agente, tem que extrair o inteligível da potencialidade do sensível.

O animal não pode calcular, contar, porque carente de inteligência espiritual, apenas se pode apoiar em sensações concretas, que por si só são absolutamente inábeis para produzir enumeração, função estritamente intelectual.

O que será então inteligência artificial?

Filosòficamente, nunca uma máquina concebida e medida pelo homem, poderá jamais medir o mesmo homem; seria contradição! Qualquer descoberta ou invenção produzida por uma máquina só pode constituir uma explicitação de dados que o mesmo homem haja introduzido na máquina.  O que a moderna ciência da computação consegue fazer é processar dados com uma velocidade e eficácia inaudita; podendo realizar em minutos cálculos que ocupariam uma legião de cientistas durante séculos, se só usassem papel e lápis. Isso constitui um feito extraordinário – MAS NÃO É PENSAR!

Dentro de cinquenta anos será certamente possível ligar todos os veículos em circulação a uma espécie de super-internet que os controlará e conduzirá simultâneamente a todos, sem falhas, e sem necessitarem de condutor humano; e isso já acontece hoje nalguns metropolitanos do mundo; mas tal também não é pensar, mas apenas informatizar e automatizar a um nível muito profundo.

Consequentemente, o computador possui apenas faculdades quantitativamente assombrosas: MAS NÃO PODE DEPREENDER ESSÊNCIAS INTELIGÍVEIS; NEM REALIZAR VERDADEIRAS INDUÇÕES; NEM CONSTITUIR PRINCÍPIOS ABSTRATOS REPRESENTATIVOS DO MUNDO E DO UNIVERSO.

O conceito e a propaganda da falsamente denominada inteligência artificial, que um dia dominaria o homem, é tudo invenção da ciência ateia, para confundir as consciências, subjugando-as, e obliterando o que nelas possa subsistir de espiritualidade.

Se as máquinas pudessem pensar, igualmente seriam sujeitos de pecado e virtude, e estariam sujeitas a sanção moral – O que é absurdo.

Como diz o Papa Leão XIII, a filosofia Tomista, como Doutrina de Verdade, encerra virtualidades tais que sempre poderá recolher eficazmente os frutos de um sadio progresso. A Verdade integra necessàriamente tudo o que é verdadeiro.

Mas a máquina jamais poderá conhecer a Verdade, porque não possuindo forma própria, jamais poderá entrar em comunhão com outras formas. A verdade da máquina é uma projecção muito artificial da verdade do homem, e esta é totalmente medida por Deus Nosso Senhor. Mas assim como, metafìsicamente, criatura alguma pode criar, nem mesmo a título instrumental, nem essa faculdade de criar lhe pode ser atribuída por Deus, por constituir um nada metafísico; então o homem, tal como o Anjo, apenas pode combinar formas subatanciais ou acidentais, NÃO PODE ATRIBUIR O SER, E PORTANTO NÃO PODE ATRIBUIR O PENSAMENTO, NEM PODE ATRIBUIR A CAPACIDADE MORAL. QUANDO O HOMEM MEDE A MÁQUINA APROVEITA APENAS AS LEIS DA NATUREZA INSTITUÍDAS E REALMENTE MEDIDAS POR DEUS NOSSO SENHOR.

Uma resposta para “AS MÁQUINAS NÃO PODEM PENSAR

  1. henri abril 16, 2016 às 10:44 pm

    Estive pensando nisso mesmo há alguns dias: a capacidade de “saber que não se sabe” é admirável, inexplicável desde um ponto de vista materialista, e tecnicamente irreprodutível.

    “Saber que não se sabe” soa como uma contradição. Tentando traduzir em imagem, muito imperfeitamente, esta assombrosa faculdade humana, é como se entre nós e a verdade houvesse um véu translúcido, isto é: vemos, mas não vemos. Quando nos deparamos com algum problema, no próprio ato de estabelecer aquilo como “problema”, é como se disséssemos a nós mesmos: “Isto é errado. Não sei como deveria ser, mas mesmo assim sei que é errado”. Contudo, só se pode dizer que algo é errado comparando-o com o certo. Então é como se já estivéssemos de posse do certo – pois do contrário não se poderia estabelecer o outro como errado. Mas se já estamos de posse do certo, como é que estabelecemos aquilo como um “problema”, inicialmente? Temos a verdade, mas não a temos.

    O máximo produto do engenho humano, em termos de inteligência artificial, nunca será mais que uma simples macaqueação sofisticada de algumas ações humanas.

    Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado.

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