Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A INFALIBILIDADE NA FÉ LEMBRADA POR GUSTAVO CORÇÃO

corcao

Arai Daniele

Gustavo Corção lembrava o que é um mandato apostólico, portanto vontade divina: «ser preciso lançar o anátema sobre quem quer que, apóstolo, papa ou anjo, ousar nos propor outro evangelho».

No entanto, quantas doutrinas anti-evangélicas já foram propostas desde então pelos falsos Cristos que desde antes já dominavam o Vaticano.

De fato, João 23 já propusera o evangelho maçônico e modernista que seu sucessor Paulo 6 impusera com o Vaticano 2. Mas em seguida viriam os João Paulo 1º e 2º, tendo este segundo, além de continuar o evangelho conciliar, acentuado o novo evangelho da redenção universal. Era a operação ecumenista que tomava conta ainda mais com seus sucessores, Benedito 16 e agora com o mais escandaloso de todos,. Este introduz uma tortuosa inversão do Evangelho de Jesus Cristo nas questões do matrimônio e da família sem que ainda se ouça um alto e claro anátema no mundo católico. Até quando? Portanto aqui vamos lembrar algo sobre o ensaio de um anátema a Paulo para que o mundo ainda católico tome consciência desse lamentável atraso.

O grande escritor católico brasileiro nascido em 17 de dezembro de 1986 e falecido em 6 de julho de 1978, solicitado a manifestar-se em 1973 sobre a carta enviada a Paulo 6 por Jean Madiran, lembra a importância da  “natural” infalibilidade na fé, de que fala Santo Tomás de Aquino.

Em resumo, para que o homem imperfeito possa conservar a fé que lhe foi infundida de modo perfeito por Deus, esta fé vem acompanhada de dons necessários a fim de que reconheça infallibiter o que lhe é contrário. Mas tal defesa implica naturalmente equivalente grave responsabilidade, que não será justificada pela defecção, nem de um papa.

E Corção volta à pergunta: “o que é, então, que leva todo o mundo a este estranho enfraquecimento?” Onde procurar a causa principal, a força central que produz a gradual redução da missa, que encoraja o Institutio Generalis que democratiza a missa, que aconselha a devolução dos troféus de Lepanto, que inspira os discursos da ONU, onde foi dito que essa associação é a nossa última esperança? Eu penso ter encontrado esse cordão central, relendo o 1.º capítulo aos Gálatas. Diversas lições nos vêm desse texto importante.

“Vejamos logo a primeira, onde o Apóstolo nos ensina uma coisa muito importante para os tempos modernos. Ele diz aos gálatas, gente simples e pobre, que é preciso lançar o anátema sobre quem quer que, apóstolo, papa ou anjo, ousar nos propor um outro evangelho; (…)

“Vejamos agora a segunda lição, a que nos desvela o espírito que leva as gentes à inquietude, ao gosto das mudanças, à febre das reformas, ao prurido das novidades. No mesmo 1.º capítulo, São Paulo, [182] depois de ter explicado o que devemos dizer aos deformadores do Evangelho ou da Missa, continua: Por que afinal, é a aprovação dos homens ou a de Deus que eu procuro? Porventura é aos homens que eu pretendo agradar? Se eu agradasse ainda aos homens não seria servo de Cristo. Três vezes ele nos diz o nome do Cavalo de Tróia ou do espírito que parece embriagar os católicos modernos: o desejo de agradar aos homens sobreposto ao desejo de agradar a Deus. Ou às avessas: o medo de desagradar o mundo.

“Voltemos ao Catecismo de Trento: a Igreja denuncia três inimigos: o Demônio, o Mundo (ou antiigreja), a carne (ou amor-próprio); chegamos quase a ver funcionar as engrenagens dessa mecânica do desejo de agradar. Ele consiste em uma dupla capitulação: para consigo mesmo (amor-próprio); para com o mundo ou antiigreja: ambos comandados pelos cordões manipulados pelo Demônio que bem as conhece! É preciso, portanto, combater a consciência clara dessa mecânica central da subversão. Aqui poderíamos propor ainda uma idéia muito útil ao bom combate.

“(…) A propósito da evolução das reformas litúrgicas se lê: ‘Ele (o Consilium), perfez o essencial da reforma litúrgica; principalmente ele a pôs em movimento, ele lhe imprimiu o movimento de queda livre, uniformemente acelerado…’ (…) As grandes intuições por vezes se traduzem em duas ou três palavras.

“(…) Apliquemos a idéia da queda livre ao nível da metafísica. No nosso caso diremos: se a causa de um movimento permanece constante, os efeitos seguirão a lei do movimento acelerado.

“Madiran completa seu exame da mecânica do Consilium com esta conclusão espantosa: … ‘movimento acelerado que ninguém mais freará’. Sim, que ninguém freará se admitirmos que ninguém pode reduzir-lhe a causa, que ninguém pode nem mesmo frear esta força monstruosa que empurra nossa civilização para o nada, força que é em verdade a fraqueza humana, sim a fraqueza hedionda deste novo humanismo do culto do homem até o desprezo de Deus, diante do qual os levitas da Igreja modernizada se desvanecem felizes e festivos. Mas, o que nos impede de mobilizar-nos sob a bandeira de: AGRADAR A DEUS? Mas quem então nos impedirá de pôr nossa confiança na força das orações, a tempo e contratempo?

“Os que resistem são bem mais numerosos do que se pode pensar.

“Nesta orgulhosa oligarquia dos vivos — como dizia Chesterton — a parte maior é contra nós, contra a Missa, contra o Catecismo, contra a Sagrada escritura, mas os mortos trabalham para nós, os Santos estão do nosso lado nesta cruzada para libertar o Coração da Igreja; a Santíssima Virgem, Mater afflictorum, quer ajudar-nos — mas nesse jogo da salvação há uma condição, uma regra: é preciso pedir, é preciso saturar as horas do dia com preces incessantes. Batei, e vos será aberto, orai sem cessar, importunai a Deus e Ele vos ouvirá. É bem verdade que Ele não esconde Sua Ira pelos abusos da graça feitos por essa civilização perversa, que teve à sua disposição a abundância dos bens da Igreja na plenitude de Sua beleza.

E eis o que desvela um pouco o mistério sombrio da permissão de Deus de que se fartam os novos levitas que abriram as portas da Igreja ao culto do Homem até o desprezo de Deus!” (RSP p. 266-269)

Tudo o que se faz para lembrar e divulgar a mensagem de Fátima é coerente na medida em que mostra o quanto a Mater afflictorum quer ajudar seus filhos submetidos à orgulhosa oligarquia dos vivos. Essa ajuda vem pelo aviso dos perigos, pela lembrança da necessidade de oração e penitência, segundo os perenes ensinamentos da Igreja, mas vem também através de pedidos especiais. É preciso pedir sempre, mas é preciso saber pedir também, conforme é indicado.

Gustavo Corção, que nesse escrito não falou de Fátima, lembra, porém, o que aqui queremos lembrar: a ira divina pelos abusos feitos por essa civilização perversa contra a abundância de graças de que dispõe a Igreja. Nela os levitas e fariseus modernos abriram as portas aos detritos do mundo até o desprezo das graças de Deus.

Fátima é o espelho dessa prevaricação eclesial sem exemplo. Voltando ao escândalo do terceiro segredo escondido no Vaticano, percebemos logo que temos de pedir e suplicar ao Céu. Essa mensagem foi dada para a salvação das almas, para a paz das nações, para a renovação da Igreja, tudo na maior glória de Deus pela honra aos Sacratíssimos Corações. Revela ser a única saída, e, todavia, é censurada, criticada, esquecida e arquivada.

Quanta vergonha! Bastaria que deixassem falar irmã Lúcia, ou o bispo de Leiria, ou qualquer prelado que os ouvisse ou lesse o segredo, sem empenhar a respeitabilidade da autoridade vaticana. Mas o que se faz é bem o contrário. Diz Fr. Michel de la Sainte Trinité: “É um fato assombroso! Há 25 anos o segredo de Fátima, só ele, está de certo modo no Index. Irmã Lúcia, só ela, está reduzida ao silêncio. Dia 15 de novembro de 1966 o papa Paulo 6 abrogou os artigos 1399 e 2318 do Código de Direito Canônico que interditavam a publicação de livros e folhetos que propagavam sem autorização novas aparições, revelações ou profecias ainda não aprovadas pela Igreja. Isto é mantido no Novo Código. E assim, desde 1966, não importa quem pode publicar e divulgar para os cristãos as revelações mais fantásticas.

Não importa qual impostura, qual diabrura. Nada mais será interditado. Tudo foi autorizado a aparecer. E o ‘Príncipe da mentira’ aproveita-se habilmente dessa licença multiplicando no mundo as aparições falazes e suas mensagens fraudulentas que, difundidas livremente, desviam incontáveis fiéis. Somente a mensagem, a mais segura, a mais incontestavelmente divina, o segredo da Virgem de Fátima, permanece escandalosamente no Index!

Isto nos faz ver ainda mais claramente que temos de pedir não só em modo geral para que Deus nos livre de todo o mal, mas de modo especial para que a Sua vontade seja feita no que diz respeito a este segredo dado para a salvação. Devemos pedir aos homens que o façam conhecer, mas principalmente devemos pedir a Deus que no reconhecimento das lágrimas de Nossa Senhora “sejam descobertos os pensamentos escondidos nos corações de muitos” (Lc, 2,35). Isto representa hoje o segredo.

Que Deus nos livre desse mal desolador: os projetos humanos substituindo as mensagens divinas.

2 Respostas para “A INFALIBILIDADE NA FÉ LEMBRADA POR GUSTAVO CORÇÃO

  1. Roberto Elias Costa abril 19, 2016 às 2:23 pm

    Prezado Sr. Arai, Salve Maria:
    Gostaria de saber se o seu novo livro sobre a mensagem de Fátima e a vacancia da Santa Sé (em italiano) está disponível aqui no Brasil (S.Paulo). Gostaria de adquirir um exemplar. Se tivesse um email para contato seria muito bom.
    Tenho seu livro “Entre Fatima e o abismo” e o aprecio muito, sendo obra de consulta frequente.
    Um grande abraço,Deus abençoe seu trabalho.
    ELIAS

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