Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

CADA ALMA TEM QUE SE SANTIFICAR NO LUGAR EM QUE DEUS A COLOCOU

ULTIMO PAPA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI,  em passagens da sua encíclica “Quadragesimo Anno”, promulgada em 15 de Maio de 1930:

«Se a Doutrina da Fé, fosse por todos, e em toda a parte, e sempre, observada,  não sòmente a produção e aquisição dos bens, mas também o uso das riquezas, agora tantas vezes desordenadas, voltaria depressa aos limites da equidade e justa distribuição; a única e tão sórdida preocupação dos próprios interesses, que é a desonra e o grande pecado do nosso tempo, opor-se-ia na verdade e de facto à suavíssima e igualmente poderosa lei da moderação cristã, que manda ao homem buscar primeiro o Reino de Deus e a Sua Justiça, seguro de que também, na medida do necessário, a liberalidade Divina, fiel às Suas promessas, lhe dará por acréscimo os bens temporais.

Mas isto só não basta: À Lei da Justiça deve juntar-se a da Caridade, “que é o vínculo da Perfeição”(Cl 3,14). Quanto se enganam, portanto, os reformadores incautos que, atendendo sòmente a guardar a justiça comutativa, rejeitam com orgulho o concurso da Caridade. De certo não pode a Caridade substituir a justiça, quando o que é devido se nega inìquamente. Contudo, ainda que o homem, enfim, alcance quanto lhe é devido, restará sempre um campo imenso aberto à Caridade; embora a Justiça, praticada com todo o rigor, possa extirpar as raízes das lutas sociais, não poderá nunca sòzinha congraçar os ânimos e unir os corações. Ora todas as instituições criadas para consolidar a Paz e promover a colaboração social, por mais perfeitas que pareçam, têm o fundamento da sua estabilidade PRINCIPALMENTE NO VÍNCULO QUE UNE AS ALMAS; se este falha, tornam-se ineficazes os melhores estatutos, como tantas vezes a experiência no-lo ensinou. Por isso, só haverá verdadeira cooperação de todos para o bem comum quando as diversas partes da sociedade sentirem ìntimamente que são membros de uma só e grande família, filhos de um mesmo Pai Celeste, antes um só Corpo em Nosso Senhor Jesus Cristo e” membros uns dos outros”, (Rom 12,5) de modo que  “se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele”(ICor 12,26).  Então os ricos e senhores converterão em amor solícito e operoso o antigo desprezo pelos irmãos mais pobres; acolherão os seus justos pedidos, com bom rosto e coração aberto, perdoar-lhes-ão, até sinceramente, as culpas e os erros. Por sua vez, os operários, reprimindo qualquer sentimento de ódio e inveja, de que abusam com tanta astúcia os fautores da luta de classes, não desdenharão o posto que a Divina Providência lhes assinalou na sociedade humana, ANTES O TERÃO EM GRANDE APREÇO, BEM PERSUADIDOS DE QUE NO SEU EMPREGO E OFÍCIO TRABALHAM ÚTIL E HONROSAMENTE PARA O BEM COMUM, E SEGUEM MAIS DE PERTO AQUELE QUE SENDO DEUS, QUIS NA TERRA FAZER-SE OPERÁRIO E SER TIDO POR FILHO DE OPERÁRIO.»
Quando Eugénio Pacelli, futuro Papa Pio XII, era secretário de Estado, solicitou instantemente ao Papa Pio XI para que o autorizasse a ir ao Santuário de Nossa Senhora de Lurdes, pois, assegurava ele, sentia enorme necessidade de se revigorar espiritualmente. Pio XI, homem enérgico, mas de grande sabedoria e equilíbrio, respondeu-lhe: Cada um deve santificar-se na função e no lugar em que Deus o colocou. Pacelli ainda insistiu, mas verificando que com essa insistência ferira o coração do Papa, lançou-se-lhe aos pés pedindo perdão. Mais tarde, Pio XI haveria de lhe facilitar a referida peregrinação.

Todo o homem tem um caminho, como tem uma Predestinação, se de alguma maneira, de boa fé e por ignorância, tentar forçar,  torcer ou desviar esse caminho, sentirá que quanto mais assim procede mais misteriosos e inultrapassáveis obstáculos encontra.  A Providência Divina e a Predestinação constituem Mistérios porventura ainda maiores do que a Santíssima Trindade.

Mas como poderá uma alma saber, a cada momento, o seu lugar, a sua função, neste pobre mundo?

Só se pode conhecer tal na base da uma sinceridade totalmente orientada para a rectidão Sobrenatural. Pois que o fundamento último da nossa salvação Eterna reside integralmente em Deus Nosso Senhor, nosso Princípio e nosso Fim. O não proceder jamais, directa ou indirectamente, contra a Verdade mais profunda e mais Bela, só conhecida por aquelas almas, que por Graça de Deus, habitualmente afirmam de si para si: EU NÃO SOU O MEU SER; eis um sinal. A identificação sublime com aquela fonte imarcescível de felicidade que constitui PERCORRER OS CAMINHOS DO SENHOR; eis outro sinal. A contínua diligência em assimilar pela Fé Teologal e pela Caridade o Itinerário Místico d’Aquele que foi simultâneamente Viador e Compreensor, ou seja, que vivia na Terra sem deixar de ser do Céu, de pertencer por Direito ao Céu – Nosso Senhor Jesus Cristo; PARA NOS ENSINAR QUE A NOSSA PEREGRINAÇÃO TERRESTRE, POR MAIORES QUE SEJAM OS SOFRIMENTOS, JAMAIS PODE AFASTAR DO CÉU A SUA FINALIDADE ÚLTIMA. E O CÉU É A GLÓRIA ETERNA DE DEUS NA COMPANHIA DOS SEUS ANJOS E DOS SEUS SANTOS – eis o supremo sinal de que ao percorrermos o Sacrossanto Caminho de Nosso Senhor Jesus Cristo, estamos percorrendo o nosso próprio caminho Celestial.

Porque os santos Evangelhos e de uma forma geral toda a Sagrada Escritura, constituem a verdadeira Palavra de Deus, mas também permitem conhecer o Homem, o homem ferido pelo pecado, e que embora redimido, nunca deixa de viver neste oceano negro de pecados que é o mundo. Por isso a Sagrada Escritura procede imediatamente toda de Deus e imediatamente toda do homem; de Deus como Causa eficiente Principal, do homem como causa eficiente instrumental. A leitura da Bíblia, para um não crente respeitador, ao permitir assimilar o pensamento de Deus expresso em palavras humanas, constitui igualmente uma condição extrínseca providencial da acção da Graça. E para quem, por felicidade, já se encontra na Graça de Deus, a leitura Sobrenatural da Bíblia constitui condição intrínseca providencial da mesma Graça. Isto acontece,

porque existe uma correspondência EXTRÍNSECA providencial entre a nossa vida natural e a vida Sobrenatural; e uma correspondência INTRÍNSECA, também providencial, de Graças Sobrenaturais eficazes com novas e mais enriquecedoras Graças.

Na exacta medida em que a Ordem Natural é absolutamente incomensurável com a Ordem Sobrenatural.

Quando correspondemos à Graça, quando estamos ilustrados pela Graça Santificante, participando da Natureza Divina, IGUALMENTE PARTICIPAMOS DA UNIDADE DIVINA; e então recebemos um poderosíssimo socorro para providenciarmos à unidade Sobrenatural da nossa própria vida, unidade que será necessàriamente também UM EXEMPLO DE SIMPLICIDADE E DE SOBRIEDADE, EXTINGUINDO COMPLETAMENTE EM NÓS TODA A GANÂNCIA DE GRANDEZA HUMANA, CIRCUNSCREVENDO A NOSSA VIDA AO LUGAR E ÀS FUNÇÕES QUE MAIS PERFEITAMENTE NOS APROXIMEM DOS CAMINHOS DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO .

São Pio X jamais ambicionou o papado concebido como forma de grandeza humana, de soberania encarada de um ponto de vista terreno. Aliás, ele jamais sonhou algum dia que pudesse vir a ser papa; embora fosse progressivamente ascendendo na hierarquia eclesiástica, contemplou-a sempre com UM SERVIÇO DE DEUS ESTRITAMENTE SOBRENATURAL. Quando a votação do conclave se começou a inclinar decisivamente para o Cardeal Sarto, ele implorou, em pranto, aos Cardeais que o poupassem a tão grande cruz; eleito, aceitou o pontificado precisamente como uma Cruz; e uns dias depois foi encontrado sem sentidos.

É certo, que ao longo da História da Igreja houve homens que ambicionaram o Papado, alguns infelizmente mais sob o ponto de vista humano e terreno que como serviço de Deus, EMBORA SEM EXCLUIR ESTE, CASO CONTRÁRIO NÃO SERIAM PAPAS. Mas seja como for, O FUNDAMENTO E O FIM PRIMÁRIO DE TODAS AS NOSSAS LEGÍTIMAS AMBIÇÕES SÓ PODER SER CONSTITUTIVO DO ANÚNCIO DA GLÓRIA EXTRÍNSECA DE DEUS. É permitido e até louvável nutrir, ordenadamente, determinados desejos de bens naturais, mas como um FINS SECUNDÁRIOS, os quais, consequentemente, nunca podem prejudicar o FIM PRIMÁRIO.

Certa espiritualidade, menos bem esclarecida, considera mais perfeito rejeitar e detestar toda e qualquer realidade terrestre, toda e qualquer criatura. Todavia, um tal posicionamento só demonstra falta de santidade, isto é, incapacidade Sobrenatural de governar ordenadamente os bens naturais, que enquanto criados por Deus, são, e só podem ser, verdadeiros e bons.

A Graça Santificante faculta-nos a inestimável capacidade Sobrenatural de enriquecermos tudo o que de verdadeiro e bom passa por nós, precisamente porque as mais simples e pobrezinhas realidades criadas, CONTEMPLADAS À LUZ SOBRENATURAL DE DEUS NOSSO SENHOR, CONSTITUEM FONTE DE INIMAGINÁVEIS E INEFÁVEIS ALEGRIAS ÍNTIMAS, PORQUE DIRECTAMENTE HAURIDAS DO TESOURO QUE TIVERMOS ACUMULADO NO REINO DOS CÉUS. Como disse Nosso Senhor Jesus Cristo: “Onde estiver o vosso tesouro aí estará também o vosso coração.”(Lc 12,34)

Neste quadro conceptual, em toda a parte, e em qualquer função, nos devemos sentir, porque estamos efectivamente, na companhia de Deus Nosso Senhor, da Santíssima Virgem, de São José e de todos os Anjos e Santos; porque possuindo a Graça Santificante integramos já em nós A LUZ E A SEMENTE REAL E EFECTIVA DA ETERNIDADE; assim sejamos nós tão santos que possamos irradiar eficazmente essa Luz onde quer que nos encontremos.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 15 de Abril de 2016

 

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