Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A VERDADE, A OPINIÃO, E O CARÁCTER

CONCORDATA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da encíclica “Non Abbiamo Bisogno” promulgada em 29 de Junho de 1931:

«Dizíamos os direitos Sagrados e invioláveis da Igreja. Trata-se do direito que assiste às almas de procurarem o maior bem espiritual, sob o Magistério e a obra de formação da Igreja, divinamente constituída e mandatária única desse Magistério e dessa obra na Ordem Sobrenatural, fundada pelo Sangue do Deus Redentor, necessária e obrigatória para todos, a fim de participar na Redenção Divina. Trata-se do direito das almas assim plasmadas de comunicar os tesouros da Redenção a outras almas, colaborando, neste particular, na actividade do Apostolado hierárquico.

A respeito deste duplo direito das almas, dizíamos há pouco que nos consideramos felizes e ufanos de cambater o bom combate pela liberdade das consciências, não (como alguns inadvertidamente nos fizeram dizer) pela liberdade de consciência, frase equívoca, e frequentemente empregada para significar a absoluta independência de consciência, o que é absurdo numa alma criada e remida por Deus.

Trata-se, além disso, do direito não menos inviolável que a Igreja possui de cumprir o Divino Mandato de seu Divino Fundador, de levar às almas, e todas as almas, TODOS OS TESOUROS DA VERDADE E DO BEM, DOUTRINAIS E PRÁTICOS, QUE ELE VEIO TRAZER AO MUNDO. IDE, ENSINAI TODAS AS GENTES… ENSINANDO-AS A OBSERVAR TODAS AS COISAS QUE VOS MANDEI (Mt 28, 19-20). Pois bem, o Divino Mestre, Criador e Redentor das almas, mostrou por Si mesmo, com o Seu exemplo e a Sua Palavra, qual o lugar que a infância e a juventude devem ocupar neste Mandato absoluto e universal:

“Deixai as crianças e não as impeçais a que venham a Mim” (Mt 19,13).” Estas crianças que como por um instinto Divino crêem em Mim, às quais está reservado o Reino dos Céus; cujos Anjos da Guarda, seus defensores, vêem constantemente a face do Pai Celestial; ai do homem que escandalizar um destes pequeninos”(Mt 18, 1). Eis-nos, pois, ante um conjunto de autênticas afirmações e de factos não menos verídicos, que não deixam dúvida ao propósito, já executado em grande parte, de monopolizar completamente a juventude, desde os primeiros anos até à idade viril, em proveito exclusivo de um partido, de um regime, sobre a base de uma ideologia que explìcitamente se reúne numa verdadeira estatolatria pagã, em flagrante contradição, quer com os direitos naturais da família, como com os direitos sobrenaturais da Santa Igreja. (…)

Com efeito, vimos movimentar-se uma religiosidade que se insurge contra as disposições da superior autoridade religiosa e impõe ou anima a rebeldia; UMA RELIGIOSIDADE QUE SE CONVERTE EM PERSEGUIÇÃO, E PRETENDE DESTRUIR O QUE O CHEFE SUPREMO DA RELIGIÃO MAIS DO ÍNTIMO ENCARECE E TEM MAIS A PEITO. Uma religiosidade que permite e deixa proferir palavras e chega a acções insultuosas contra a pessoa do pai de todos os fiéis a ponto de lhe lançar gritos de “abaixo” e “morra” – TIROCÍNIO DE VERDADEIRO PARRICÍDIO.»

A Fé Teologal, Sobrenatural, não constitui, em absoluto, uma opinião humana, e nem mesmo uma certeza humana, por maior que esta seja. As maiores certezas humanas jamais se poderão medir com a Fé Teologal, porque esta constitui uma participação acidental na Inteligência Divina e é constitutiva da Revelação Divina. O Hábito da Fé só pode ser conferido por Deus Nosso Senhor e mesmo a Acto de Fé só pode realizar-se sustentado com as forças Sobrenaturais da Graça.

Objectivamente, é IMPOSSÍVEL PERDER A FÉ, na exacta medida em que a Verdade é Metafísica e Teològicamente indefectível e indissolúvel. Consequentemente, sòmente por COLAPSO SUBJECTIVO a Fé se pode perder. Evidentemente, quanto mais Sobrenatural for o Hábito da Fé, formado na Caridade, menos provável é perdê-lo. A Fé de Adão e Eva é a nossa Fé Católica, porque a Revelação possui uma perfeita unicidade, no Antigo e Novo Testamento, embora só com Nosso Senhor Jesus Cristo, e até à morte do último Apóstolo, o Sagrado Depósito de Fé se tenha desenvolvido orgânicamente em EXTENSÃO, SEGUNDO UM SÓ E MESMO PRINCÍPIO GENÉRICO. Após o termo da Revelação, a Fé Teologal não mais pode crescer em extensão, mas sòmente numa PROFUNDIDADE QUALITATIVA TOTALMENTE HOMOGÉNEA,SEGUNDO UM SÓ E MESMO PRINCÍPIO INALTERÁVEL E ESPECÍFICO, profundidade que lhe é conferida, essencialmente, pela Caridade Sobrenatural e pelos Dons do Espírito Santo, sobretudo pela Sapiência e o Entendimento. Portanto, após o termo da Revelação, só pode existir AUMENTO DE SANTIDADE, NA BASE DE UMA FÉ ABSOLUTAMENTE IMUTÁVEL.

Todavia, no Hábito da Fé, em Adão, antes do pecado original, antes da promessa do Redentor, figurava lògicamente Nosso Senhor Jesus Cristo, em modo virtual genérico; depois do pecado, transitou ao modo actual. Neste quadro conceptual, as almas que vivendo, sem culpa sua, MATERIALMENTE, entre os infiéis, sem conhecimento algum exterior e positivo da Fé Católica, podem, por Graça de Deus, possuir o Hábito da Fé Teologal, esse Hábito encerra lógica, virtual e especìficamente a Nosso Senhor Jesus Cristo; quando, e se, a alma, por Graça de Deus, tomar contacto, exterior e positivo, com a Revelação, esse ser virtual específico passa a ser actual. Consequentemente, o Hábito original da Fé Teologal, Sobrenatural, é sempre o mesmo, contendo LÒGICAMENTE, em estado virtual, aquelas mesmas realidades que de acordo com a Revelação ONTOLÒGICAMENTE objectiva, ulteriormente transitarão para o estado actual.  

Mas a Fé Teologal superará também o conhecimento filosófico das verdades metafísicas?  Sem dúvida que sim; e a explicação profunda para tal filia-se na realidade da Fé como participação Sobrenatural na Inteligência Divina, como já se referiu; ao passo que as necessidades metafísicas, lÓgicamente, são constitutivas da inteligência natural dos Primeiros Princípios, os quais constituem um Hábito Natural e não um Hábito sobrenatural. A inteligência natural pode enganar-se, mesmo quando a vontade está sã; a inteligência Sobrenatural NÃO DEPENDE PARA NADA DA INTELIGÊNCIA NATURAL, POIS RECEBE DE DEUS O SEU PRINCÍPIO, QUE É DEUS ENQUANTO REVELADOR E ENQUANTO INFUSOR DAS VIRTUDES TEOLOGAIS, DAS VIRTUDES MORAIS E DOS DONS; E RECEBE DE DEUS O SEU FIM, POIS AS VIRTUDES TEOLOGAIS, TAL COMO O PRÓPRIO NOME INDICA, ORDENAM A ALMA, ESSENCIALMENTE, A DEUS. Mas ainda mais: O INSTRUMENTO LÓGICO NAS VIRTUDES TEOLOGAIS É IGUALMENTE SOBRENATURAL, PORQUE OS HÁBITOS SÃO ACIDENTES, SÃO ESPÉCIES SOBRENATURAIS.  

Um exemplo: A razão humana pode, por si mesma, obter a plena certeza metafísica de que o mundo não é eterno e que teve um começo, uma origem temporal, pois que um tempo infinito é por definição inexaurível, e nesse caso nunca poderíamos chegar ao presente. Todavia, grandes luminares da Fé Católica, como por exemplo São Tomás de Aquino, não lograram congeminar este raciocínio, pois declaravam, e muito bem, que sòmente a Fé Teologal nos pode ilustrar a inteligência com uma certeza da temporalidade finita do mundo que participa sobrenaturalmente da própria inteligência Divina. Por maiores que sejam as nossas legítimas certezas metafísicas, INFINITAMENTE MAIOR SERÁ SEMPRE A CERTEZA QUE PARTICIPA DA VERDADE DIVINA. Exactamente por isso, a certeza natural da existência de Deus que nos confere, com toda a legitimidade, a Teodiceia, será sempre absolutamente inferior À CERTEZA SOBRENATURAL DE QUE DEUS É, não existe, É.

Esta civilização pós-Cristã, bem como a seita anti-Cristo de nomenclatura católica que dessa pseudo-civilização é bem representativa, não possuem, nem remotamente, nem mesmo culturalmente, qualquer conceito de Ordem Sobrenatural. Todos os seus conceitos, todos os seus Juízos, encontram-se totalmente imersos na carne do mundo e nela se resolvem. E mesmo no que concerne ao passado, constitui enorme erro pensar que em épocas mais recuadas os homens eram melhores do que os de hoje, incluindo os homens de Igreja, exceptuando evidentemente a tragédia da apostasia em massa de toda a face humana do Corpo Místico, e instituindo universalmente a anti-religião da maçonaria, realidade que é pré-escatológica. A História Universal Civil e a História Eclesiástica apresentam-nos essencialmente UM HOMEM SEM CARÁCTER, joguete cego e estéril das suas próprias paixões, bem como da mediocridade, e até da maldade extrema dos acontecimentos familiares, sociais e políticos. Porque um homem, formalmente, com carácter, tem necessáriamente que possuir a Graça Santificante; não pode viver de mimetismos nominalistas de fachada social, nem vaguear ao sabor de interesses oportunistas, puramente subjectivos e momentâneos, como sucede com a esmagadora maioria dos homens, em todas as épocas e todos os lugares. Fundamentalmente, o homem de carácter NÃO SE DETERMINA SENÃO POR RAZÕES ESTRITAMENTE OBJECTIVAS, PAUTANDO A SUA EXISTÊNCIA POR PRINCÍPIOS DE COMPROVADA ESTABILIDADE, QUAISQUER QUE SEJAM, PARA SI, AS CONSEQUÊNCIAS TERRESTRES E HUMANAS DE TAL PROCEDIMENTO. O homem de carácter não tem duas caras, uma pessoal, e outra social, que manipula conforme as conveniências. O homem de carácter não se faz desentendido, não aprecia, e até abomina situações ambíguas; o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo o afirmou: “Seja este o vosso modo de falar, sim, sim, não, não, e tudo o que não for isto procede do espírito do mal” (Mt 5, 36-37). O homem de carácter, dentro de certos limites, pode e deve corrigir o seu pensamento e a sua acção, MAS NÃO EM VIRTUDE DA PRESSÃO SOCIAL, OU DA OPINIÃO DOS AMIGOS, OU PARA INGRESSAR NUM EMPREGO MAIS RENDOSO, OU POR SNOBISMO.

As opiniões são próprias do mundo ateu e pecador, as grandes certezas metafísicas e teológicas devem ser apanágio do Católico esclarecido vivendo na e pela Graça de Deus. É evidente que em questões menores, a incessante mutabiidade do mundo aliada à opacidade e limitação do conhecimento humano, obriga este a não se pronunciar dogmàticamente sobre objectos que por sua natureza tal não o exigem, permanecendo assim a inteligência no reino das probabilidades, portanto das opiniões. Mas nas questões de Direito, Essenciais à vida, e até constitutivas da nossa condição contingente e pecadora, AÍ, NÃO PODE HAVER DÚVIDAS, NEM OPINIÕES, MAS FUNDAMENTALMENTE CERTEZAS DE FÉ, FORMADAS PELA CARIDADE SOBRENATURAL.

Poderá haver homens de carácter sem as virtudes Teologais? Pode, mas apenas materialmente, e mesmo assim são raríssimos.

Tal acontece porque Aquele que nos criou na natureza, foi também Aquele que nos recriou pela Graça e nos redimiu na Sua Infinita Justiça, mas também na sua Infinita Misericórdia. Existe UMA PERFEITÍSSIMA UNICIDADE ENTRE A ORDEM DA CRIAÇÃO NA NATUREZA E A ORDEM DA RECRIAÇÃO PELA GRAÇA, NÃO PODE HAVER SOLUÇÃO DE CONTINUIDADE ENTRE UMA E OUTRA. LOGO SÓ POR DEUS, E PARTICIPANDO ACIDENTALMENTE NA DIVINA NATUREZA, PODEMOS REGRESSAR, AMOROSAMENTE, ETERNAMENTE, A DEUS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 20 de Abril de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral    

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