Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

2 – A SEITA CONCILIAR CONTRA PORTUGAL CATÓLICO (“mais claro em 1960”)  

 

guerra colonial portuguesa

Arai Daniele

Depois de nos compenetrar, lendo no diário da Irmã Lúcia de Fátima publicado pelo Carmelo de Coimbra, a confirmação que a data de 1960 foi mesmo indicada por Nossa Senhora, temos de entender a importância desta para a história destes tempos. Só assim pode-se compreender melhor tantos fatos ainda obscuros e fatais, frutos de secretos pensamentos, como das palavras proféticas do sábio Simão a Nossa Senhora: “uma espada te transpassará a alma, afim de que sejam revelados pensamentos (ocultos) de muitos corações»  (Lc 2, 25-35).

Na história de nossos tempos, a organização do ‘pensamento secreto’ por excelência é a Maçonaria, que também por isto foi condenada pela Igreja. Ora, em 1960, portanto devido ao efeito de um evento anterior, ou seja da morte de Pio XII em 1958 e do conclave para eleger o seu sucessor, esta entrou mo Vaticano com a eleição de um modernista maçom. Trata-se de Angelo Roncalli, que assumiu o nome do antipapa João XXIII.

Instaurou-se assim um enigma na Igreja porque tal clérigo, embora suspeito de modernismo – que exclui da Igreja – subiu na carreira admitido como professor, bispo, núncio, patriarca e eleito «papa», para a obra de transformação eclesial no sentido de uma maçonização que, continuada pelos sucessores, agora eleva esse infiltrado a «santo».

Tudo aconteceu em vista da «boa obra» – de há muito nos planos das lojas iluministas – de obter um papa» capaz de «aggiornare» a consciência da Igreja à «nova ordem mundial iluminista».

Este plano de conciliação clerical à «evolução» das idéias iluministas do mundo é, se perpetrado por clérigos em nome da autoridade católica para a Igreja, o mistério de iniqüidade. Não foi o que aconteceu e domina a cena romana há mais de meio século? É a crise letal que a Igreja vive desde então, mas que bem disfarçada afeta de modo ainda mais nefasto as almas, as famílias, as nações e a Ordem cristã do mundo. Aqui vamos considerar a obra de Roncalli e do sucessor Montini na descontinuidade de Portugal como nação católica.

Já se viu que a Organização das Nações Unidas  (ONU), criada em 1945 para substituir a ineficiente Liga das Nações, ideada pelo presidente maçom Wilson, incapaz de impedir a 2ª Guerra Mundial pior que a 1ª (como fora previsto em Fátima), foi idealizada per presidente maçom Franklin Roosevelt. Este era igualmente imbuído de ideais maçônicos e mundialistas, no sentido de criar um governo mundial.

A entrada de Portugal na ONU foi vetada pela URSS em 1946 e só se deu em 1955, depois do acordo entre o Ocidente e o Leste sob a URSS. Devido à prévia divisão do mundo de Yalta entre o mesmo Roosevelt e Stalin, a admissão como de novos membros comunistas: Albânia, Bulgária, Hungria, Romênia; compensava a admissão da Irlanda, Itália, Finlândia, Espanha e Portugal.

Em 1956 o Secretário-Geral enviava ao governo português uma carta para controlar a administração de seus territórios, sob a política para acabar com o colonialismo; na verdade era  para substituir este por outro de cunho econômico. No Leste tratava-se do domínio da URSS sobre os seus satélites. Portugal seguia a decisão de defender uma unidade com as províncias ultramarinas e portanto neste domínio não admitia interferências para não submeter a sua administração à censura internacional.

Portanto, repudiou a política da descolonização irreversível no mundo que vencia as últimas resistências belga, francesa e espanhola. Só o governo português se manteve intransigente e assim começou o litígio entre Portugal e a ONU (1960-1974).

A política portuguesa seguia o princípio da unidade nacional do Ultramar Português no Plano Mundial. Mas a ONU declarava que todos os territórios sob administração de Portugal não eram autônomos como almejado e intimava Portugal a – nos termos de sua Carta – prestar informações, sem demora. Alegavam um novo direito internacional no que diz respeito ao princípio da não ingerência nos assuntos internos das nações e da incompetência do Conselho nesse sentido. O representante português protestava contra toda ingerência, sublinhando o risco de ser criado um «precedente muito grave e de conseqüências extremamente pesadas para todos os membros da Organização.

Nessa ocasião Franco Nogueira declarou que a resolução da ONU de qualificar a negação do direito à autodeterminação como «ameaça à paz internacional» definia «claramente o contorno de um plano de guerra contra Portugal». Assim começou nas colônias portuguesas a «luta de libertação nacional» ou «guerra colonial» para os nacionalistas, simples «terrorismo» na versão oficial portuguesa tendo em vista a revolta de Luanda de 20 de fevereiro de 1961.

No Conselho de Segurança ainda prevaleceram então os argumentos jurídicos, mas por pouco em face dos novos eventos provocados no Norte de Angola a partir de março.

O litígio entre Portugal e a ONU agravar-se-á muito, no fim de 1961, com a invasão do Estado português da Índia em Goa. Mas qual a posição do Vaticano conciliar então?

Ora, o governo português sob a liderança de Salazar sempre salientou a posição do País pela sua obra e missão evangelizadora e civilizadora.

Aqui há, pois, que ver se essa posição tinha em conta a defesa da Cristandade diante do ataque «mundialista» ao Portugal Ultramarino, questão católica que devemos aqui intercalar no contexto da Profecia de Fátima, cujo «Terceiro Segredo» seria mais claro em 1960 e entrou de modo curioso mais tarde nessa história como já relatamos, em especial pelos seus efeitos no clima social que se viveu desde o início dessa guerra colonial como desfecho na Revolução do 25 de abril de 1974, da qual a Igreja foi no início, assim como Fátima, vítima. Sim, o ataque da seita mundialista com um concurso conciliar contra Portugal ficou “mais claro em 1960”, porque como veremos derivava da outra religiosa, iniciada com João 23, mais clara em 1960 e continuada com Paulo 6 e sucessores. Esse é o assunto tabu para muitos, que aqui se quer esclarecer.

Quanto ao fenômeno da descolonização, parecia reinar no mundo o equívoco de uma autodeterminação ser sinônimo de independência e da descolonização residir apenas na imediata e incondicional «transferência do poder do branco, onde o detém, para o negro que o reivindica e deve exercê-lo só por ser mais numeroso». Quanto à ONU, dominava ali «como principal e mais candente assunto o das Províncias Ultramarinas de Portugal», numa campanha anti-portuguesa que era, ao fim e ao cabo, provocada pelo fato de «ser hoje o continente africano o grande espaço de competição das duas mais poderosas Nações — os Estados Unidos e a Rússia —, ou de três, pois que a China comunista fez ali a sua aparição». E Salazar concluia, lugubremente, com uma frase que iria em cartaz cobrir as paredes portuguesas, «nós havemos de chorar os mortos, se os vivos os não merecerem», Salazar, muito embora afirmasse não ter «dúvidas sobre o sentimento do povo português, aqui e no Ultramar, acerca da defesa da integridade da Nação», terá hesitado sobre a realização de um plebiscito.

A questão da consulta popular acabou limitada à manifestação nacional de 27 de agosto, no Terreiro do Paço, devidamente preparada onde, segundo a propaganda oficial, foi «a nação inteira que se levanta e numa só voz exige a presença do Chefe». De uma varanda do Terreiro do Paço, Salazar respondeu, emocionado, que, além do dever de merecer os mortos, «temos também o dever de ser orgulhosos dos vivos».

O plebiscito poderia suscitar divisões internas, também de natureza religiosa, pelas razões que veremos. Se ao Estado Novo importava assegurar a colonização portuguesa dos territórios, à Igreja Católica interessava garantir a sua autonomia organizativa ao nível missionário. A este propósito, afirmava o Cardeal Cerejeira aos microfones da Emissora Nacional: «Continua no Ultramar a nossa vocação missionária de “dilatar a Fé o império”. A constituição da hierarquia nas mais importantes das nossas colônias é como um ato simbólico da sua ocupação para Cristo e para Portugal.»

No conflito colonial, o que estava realmente em causa era a civilização portuguesa em África, cuja marca cristã era elemento estrutural. O episcopado angolano referia, em Exortação Pastoral, a legitimidade que alguns princípios de «justiça social» assumiam num certo tipo de reivindicações:  «Aspirações justas e legítimas merecem ser tomadas em consideração. A par de situações de desigualdades naturais e inevitáveis, outras se podem apresentar que podem ser revistas. A participação na prosperidade deve estar em proporção com o trabalho, esforço e sacrifício de cada um dos que para ela contribuem. (…) Este princípio não poderia ser impunemente esquecido pelos que desejam evitar descontentamentos e perturbações com os quais nada se lucra e tudo se compromete».

As referências à Guerra Colonial traduzem uma unidade portuguesa que não teve na realidade o antagonismo de um nacionalismo unitário. De fato, tratava-se de três situações de guerrilha distintas entre si, e até opostas quanto aos meios e objetivos, de acordo com cada um dos territórios, tanto em Angola como em Moçambique, onde a guerra entre a Renamo e a Frelimo continua viva. Nada indicava uma única guerra, como era para Portugal, mas um conflito geral que englobava várias divergências entre os movimentos independentistas, movidos dentro ou fora por diversos interesses.

Neste cenário inicial, para a hierarquia católica, o deflagrar da Guerra Colonial era considerado afronta às próprias missões, identificadas com a presença portuguesa em África. O episcopado da Metrópole reage aos acontecimentos de Janeiro de 1961 em Angola, e ao que era visto como «certa propaganda ocidental»: «Nesta hora em que o Ocidente parece ter perdido a consciência de si mesmo, na anarquia das ideias, na dúvida dos direitos e dos deveres, na fascinação dos mitos, (…) no elouquecimento de princípios justos e aspirações generosas mal amadurecidas, na substima dos valores cristãos e abandono da sua defesa, Portugal é consciente da sua missão evangelizadora e civilizadora. E sofre ao ver que ela não é compreendida nem apreciada, e até se tenta contestar-lha.» (assim passou a ser e a partir do Vaticano)

A eclosão da Guerra Colonial, em 1961, significou um ponto de viragem dum debate mais amplo que atravessou não só a sociedade portuguesa contemporânea; tinha a ver com as políticas derivadas da mutação operada pelo Vaticano 2, como a «ostpolitik»! Essa abertura à URSS e aos países subjugados pelo comunismo foi e é uma realidade que atingiu também a África. De modo que vamos ver Paulo 6 tomar partido abertamente contra Portugal.

A virada na participação política dos meios católicos já estava em ato especialmente na Europa com a modernista democracia cristã. Depois da morte de Pio XII esta abria a qualquer compromisso histórico com o comunismo e com todo tipo de seita (maçônica).

Perante a definitiva transformação da questão religiosa, meios católicos construíam um projeto social baseado na pura reivindicação da liberdade e da democracia.

De nada serviam os diagnósticos que elencavam as quatro ameaças principais que se colocavam ao catolicismo em África. Por exemplo, em Moçambique: – a mística tribal, – o nacionalismo marxista, o muçulmanismo e o protestantismo», com o destaque: «Em Moçambique, o islão infiltra-se no norte graças ao comerciantes, e no sul o protestantismo, onde as seitas da América do Norte e da União da África do Sul se instalam. Essas ameaças, neste processo, não eram para o Vaticano determinantes como a denúncia da Guerra Colonial e a contestação para derrubar Salazar.

A práxis conciliar da política internacional do Vaticano suscitou polêmicas na sociedade portuguesa, questionando a sua homogeneidade católica após o Vaticano 2. Era a própria questão religiosa que se encontrava em debate, não como fato casual, mas como quadro de referências influenciado pela problemática colonial e missionária. Neste processo, seria o próprio João 23 e Paulo 6 a proporem a independência de Estados Africanos. Já a imprensa católica em geral questionava as concepções coloniais e missionárias de Portugal, dando voz a organismos conciliares que miravam a alargar a polêmica entre os católicos portugueses e o Regime.

João 23, que iniciou o processo de “aggiornamento” da Igreja ao mundo moderno, considerou a independência dos novos Estados Africanos como fato importante e promissor. Numa Radiomensagem dedicada aos fiéis de África, em 1960, referia «a grande satisfação ao ver realizarem-se progressivamente os acessos à soberania», acrescentando que «a Igreja alegra-se com isso e deposita confiança na vontade destes jovens Estados de tomarem o lugar que lhes compete no concerto das nações». Esta forma de considerar a questão assumia repercussões nos meios eclesiais portugueses. Em 1962, João 23 recebeu Maurício Yaméoga, Presidente da República do Alto Volta. Foi a primeira vez que um Chefe de Estado das novas Repúblicas africanas foi recebido oficialmente pelo chefe vaticano. É claro que o «Osservatore Romano» minimiza o acontecimento, como encontro realizado no âmbito espiritual. Mas mais tarde, o impacto do reconhecimento da plena legitimidade das reivindicações desses novos governos, vem na encíclica «Pacem in Terris» (1963) que implicitamente condena a colonização européia: «Uma vez que todos os povos já proclamaram ou estão para proclamar a sua independência, acontecerá dentro em breve que já não existirão povos dominadores e povos dominados. As pessoas de qualquer parte do mundo são hoje cidadãos de um estado autônomo ou estão para o ser. Hoje comunidade nenhuma, de nenhuma raça, quer estar sujeita ao domínio de outrem.»

Com Paulo 6 a dose é dobrada com a legitimação efetiva da ação dos novos governos. No início de dezembro de 1964, Paulo 6 deslocava-se a Bombaim para tomar parte no Congresso Eucarístico Internacional, o que, no contexto do conflito entre o Estado Português e a União Indiana, foi encarado pelo Regime como uma afronta a Portugal: o chefe vaticano presente num Estado que tomara a força Goa, Damão e Diu da Nação que havia empreendido uma histórica ação missionária a favor da religião católica! Em Goa ainda estava o corpo de São Francisco Xavier.

Mas a postura de Paulo 6 relativamente às independências em África era determinada. Já se havia deslocado ao Uganda, e no Parlamento de Kampala saudara a importância «da independência civil, a autodeterminação política, a libertação do domínio de outros poderes estranhos à população africana».

Em 1970 encontrou-se com os líderes independentistas de Angola, Moçambique e Guiné, numa iniciativa que voltou a indignar e causar mal-estar nas relações entre a Igreja e o Estado em Portugal, mas também aos opositores internos a esses líderes de povos onde o comunismo avançou para dominar, deixando-os até hoje divididos.

(continua)

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